dezembro 09, 2010

Quando a “tolerância” alcança o seu clímax mais bizarro

Anthony W. Hager
 Um marinheiro noviço notará quando um grande navio virar drasticamente do seu curso traçado. Mas mesmo marinheiros experimentados tem dificuldade em notar quando o curso se desvia sutilmente. Uma sociedade reage a variações culturais de modo semelhante. As pessoas reagem quando o código moral é abruptamente alterado. Mas quando a transição é lenta, ao longo de algumas gerações [1], o curso original é perdido antes que se possa perceber algum desvio de rota.
O livro de Philip R. Greaves, The Pedophile's Guide to Love and Pleasure: A Child-lover's Code of Conduct [O Guia do Pedófilo para o Amor e o Prazer: Um Código de Conduta para Quem Ama Crianças], indica um novo desvio na conduta moral americana. É coisa que deveria ter desencadeado um grito de “Cuidado!” a plenos pulmões, pois isto ilustra como a sociedade pode se adaptar à degeneração moral. O primeiro passo é racionalizar o irracional e defender o indefensável [2] até [conseguir alguma atenção, que é já, então, alguma concessão] que o comportamento desviado seja [discretamente] integrado ao comportamento normal aceito.
Greaves deseja um tipo de giro destes. Ele pretende que seu livro não esteja defendendo a pedofilia, mas estabelecendo linhas gerais de orientação para o relacionamento pedófilo. Atos lesivos estão excluídos, e certos princípios devem ser adotados para garantir a proteção da criança. Greaves explica, “Espero obter êxito nisso apelando aos melhores instintos dos pedossexuais, esperando que, fazendo assim, [estes] despertem menos aversão”.
Aparentemente, desde que a pedofilia inegavelmente existe, deveria ser trabalhada como parte de nosso tecido social. Notaram o desvio? Os molestadores de crianças não estão sendo chamados de pedófilos, mas de “pedossexuais”. [Além do mais, admitir ter que “trabalhar” a pedofilia na sociedade é já admiti-la de algum modo.] As palavras emprestam legitimidade ao ato, semelhante a como homossexuais, bissexuais e transsexuais têm legitimado o comportamento uma vez considerado imoral.
Mesmo que Greaves estivesse correto ao assumir que a injúria física comum aos pedófilos pode ser erradicada, os traumas psicológicos permanecem por anos. Além do mais, adultos que buscam por satisfação sexual com crianças estão mostrando não apenas completo desprezo para com os limites de longe estabelecidos da cultura tradicional, mas também para o mais raso bom senso. Se os pedófilos forem governados pelos seus “melhores instintos” de que fala Greaves, eles não molestariam crianças para começo de conversa.
Admitido, o livro O Guia do Pedófilo para o Amor e o Prazer não tem exatamente levado o pedófilo a uma conduta normal [o que quer que isto queira dizer]. O livro foi retirado da Amazon.com depois de uma inundação de reclamações de consumidores e, como diríamos, um ritmo de venda “lenta”. Algo assim deveria levar a um exame cultural completo. Como pudemos chegar ao ponto de ver um guia para molestadores de crianças disponível em um respeitável local de venda? E isto ocorreu como os navios mudam de curso despercebidamente para sua tripulação. O surgimento de um guia para pedófilos é apenas outro degrau moral escada abaixo para onde nossa cultura tem sido desviada de seu curso original.
Um exemplo; o casamento foi uma vez o domínio sagrado de um homem e de uma mulher, com o ato sexual reservado ao matrimônio. Este padrão cultural foi alterado. Quatro entre dez americanos hoje consideram o casamento obsoleto e que “amigar-se” é quase tão comum quanto o matrimônio. O pensamento de guardar o sexo para o casamento é sumariamente rejeitado como está evidenciado pelo aumento [1] da gravidez fora do casamento [2] nos últimos 40 anos. Estas gravidezes hoje são normais onde uma vez se tinha vergonha.
A homossexualidade, a bissexualidade e a transsexualidade --- antes evitada como desvio --- tornaram-se estilos de vida alternativos [“”]. A homossexualidade é mesmo considerada uma atração superior em alguns círculos. Em Hollywood, por exemplo, é legal ser um “fora da lei”. A ideia do casamento entre pessoas do mesmo sexo jamais passou pela cabeça da geração anterior à nossa. Mas a ideia ganhou rapidamente popularidade através do espectro social, ganhando maior status entre os americanos com idade menor que trinta anos. Qualquer um que questiona a pureza dessa atividade é rotulado de homofóbico, que é quase o mesmo que ser identificado como um membro da Ku-Klux-Klan.
Padrões morais não são perdidos do dia para a noite, mas são antes o resultado de um aumento progressivo do desvio de curso. Pouco a pouco o impensável se torna o lugar-comum. Considerando a lenta alteração na moralidade cultural que produz nosso presente estado, parece assim tão incrível que as futuras gerações irão considerar a “pedossexualidade” um “estilo de vida alternativo”? [E não é já, por aqui, assim?] Seríamos tolos se negássemos essa possibilidade. [Por aqui, seríamos cegos.]
Poucas pessoas acreditam ter praticado a virtude de modo perfeito na sua privacidade, ou mesmo em público. Mas são suficientemente ingênuos para pensar que os desvios que toleramos hoje não teriam levado nossos avós a nos arrastar para a rua para lavar nossas mentes com sabão. A moralidade humana perdeu o seu rumo, e está à deriva. O Guia do Pedófilo para o Amor e o Prazer é o último desvio para um destino [bizarramente] incerto.
Notas
1. 15 a 20 anos segundo estrategistas soviéticos: fase de “desmoralização”.
2. “Mistura astutamente o verdadeiro com o falso, e ostensivamente nega o verdadeiro, de modo que ninguém duvida mais do falso”. --- Umberto Eco, O pêndulo de Foucault; §96. Uma lei eficiente de logro usada pelos piores.
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Artigo publicado originalmente no American Thinker sob o título “The Pedophile's Guide Is Another Sign of Our Moral Decline”, de Anthony W. Hager. O autor tem assinados mais de 250 artigos para vários jornais, periódicos e websites. Website: www.therightslant.com.

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Tem que ler o fulminante artigo aqui, de Olavo de Carvalho, que dá, em linhas gerais, o significado do surgimento de livros como o denunciado por Anthony Hager.
Atualização

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