fevereiro 17, 2010

O tesouro da CNBB 2010


Queria fazer um resumo do PNDH-3, para ver as artimanhas as ações positivas, mas, vejam só, é só ir na página da CNBB e baixar o material de propaganda marxista e Eureka! está tudo lá.
Algumas coisas curiosas da CNBB 2010, "ECONOMIA E VIDA", metas ou “sugestões”:
  • cobra o “Fracasso da reforma agrária” (como se não soubesse de nada);
  • acha que o “Agronegócio [está] acima das necessidades do povo”;
  • denuncia a "ganância ilimitada" do atual sistema econômico;
  • suporta a ação dos “Movimentos sociais”, das “ONGs”, dos “Sindicatos” (quer dizer, apóia a anarquia organizada para fim político);
  • quer para isso, junto, as “Organizações civis e aparelho estatal”;
  • pede às igrejas a “Olhar a realidade a partir dos oprimidos e excluídos” (e já nem percebe que então não se trata mais da verdade;
  • quer a “Libertação da postura imperial [?] dominadora” (hêin?!);
  • pede ao estado “Garantir o crescimento e funcionamento [de um] sistema econômico participativo” (ah, sim, “ao estado”, i.e., Leviathan);
  • quer o “Reconhecimento do direito universal de proteção social” (O Obama ia amar isso);
  • diz que “Quem acumula mais que o necessário pratica crime” (tipo assim, quem tem um Yate?);
  • reforça a “Importância da ação coletiva para a transformação social” (isto é, a realização do Reino de Deus na Terra... Será que tem a ver com a “Grande Transformação” da Dilma?);
  • pede “Diálogo permanente” (imagino que até com Judas);
  • a “Articulação das forças sociais” (“forças sociais”, é?, quer dizer: os proletários);
  • e as políticas públicas, “Exigir políticas econômicas redistributivas” (exigir o marxismo para que tudo de certo, DESSA VEZ, COMO NUNCA).
Resumindo, é um perfeito “modelo” de economia marxista associada, é claro --- para dar certo ---, ao estado gigantesco como uma hydra.
A campanha da Liberdade, Igualdade, Fraternidade da CNBB 2010 é um resumão do PNDH-3, isto é, da mesma coisa de mil cabeças que vem emergindo, como Moby Dick, para parecer um pedaço de terra.
*
Bela igreja essa nossa. A fórmula da CNBB é a do PNDH-3, é inventar uma sociedade perfeita que jamais existiu sob a mesma promessa desde as palavras --- as palavras de Karl Marx. O que a CNBB quer é um governo que encampe todas as necessidades, é uma igreja aliada, como Lula a Judas, ao Leviathan e à Grande Prostituta.
Pois onde está o teu tesouro, ali está também o teu coração” (Mateus 6:21). Isto traduz melhor o estratagema da visão marxista para o qual tudo é economia, então já não pode ver senão economia. Marx tem que as forças de produção são as geradoras de tudo o mais, eis o tesouro de Marx.
A CNBB optou por cultuar a solução dos problemas pelo dinheiro, a ação coletiva, as organizações da máquina estatal, quando, na esteira do PNDH-3, repete-o e resume.
Curioso que o cartaz da CNBB tire sua citação de dentro desse belíssimo trecho de Mateus 6, onde está o perfeito oposto do mote da campanha desse ano:
25Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? 31Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? 32(Porque todas estas coisas os gentios procuram)... 33Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
A coisa é toda sempre invertida, vamos inverter então para ver no que dá: Mateus 6:24 --- já que os outros inversos não existem --- que dá em Mateus 24:6 isto é 4-6:
4E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; 5Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 6E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.
Parece ser uma coisa, mas é a outra: a igreja marxista traz atrás de si toda a herança de difamação às riquezas, do poder de realização do estado (o trunfo do nazismo para recuperar a Alemanha), do igualitarismo, da distribuição de renda, a “satisfazer necessidades básicas” (!), a invocar a “dignidade humana” --- o que aqui não se esperaria fica obscurecido, que é coisa que se usa no PNDH-3 para defender o aborto ---, “a pobreza não é fatalidade”, dizem, então é o quê, produzida? Subproduto de um sistema injusto, por certo, que o socialismo arrebatará ao melhor?
Pede as platitudes ocas de máximo bem dos fanáticos: “urgência nos processos de inclusão”, “resolver [!] o problema da justiça social”, “garantir oportunidades iguais”, “acabar com o trabalho escravo” (na Rússia e na França revolucionárias essas promessas pioraram muito a condição de trabalho dos trabalhadores); “o bem comum” --- o palavrório é idêntico ao do PNDH-3.
Essa Igreja da Teoria da Libertação é uma vagabunda que faz o mesmo e tem o mesmo, por efeito, que o estado soviético quando denunciava os defeitos do Ocidente para mostrar em seguida os mesmos vícios multiplicados por dez.
Invoca-se Mateus para admoestar contra a economia “consumista” e repete o mesmo sintoma da doença medonha que denuncia.
A apostasia da Igreja, como profetizado por Nossa Senhora aos três pastores, e o Leviathan, o Estado, juntos, unidos para encarnar o “Reino de Deus” do deus de Marx.
Onde estão os Cruzados quando precisamos deles?

fevereiro 10, 2010

Infâmia


Duas notícias desavergonhadas: “Grupo organiza no Twitter 'beijaço' por Direitos Humanos” (04.02.10) e “Críticas a Lula marcam Comissão de Direitos Humanos” (04.02.10), que não dá para ligar uma coisa com a outra porque é muito perigoso desagradar o Grande Partido do Povo.
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Frivolidades medonhas
Homossexuais, bissexuais e feministas que utilizam o Twitter e a internet como ferramenta de ação social estão organizando um "beijaço" em São Paulo...”, isto é, uma manifestação totalmente fútil, boboca e sem nenhum conteúdo. Mas é o “para” que traz tudo à luz: “...para manifestar apoio ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos”.
O PNHD é um texto confuso, bobo, cheio de platitudes ocas, com um estilo que atordoa pela medonhice; é um Frankenstein horroroso que ninguém de espírito são pode reconhecer como coisa de uma alma bem-intencionada. Saiu do espírito de confusão e de embuste dos seus autores.
Só depois de estar o leitor muito tonto vêm no meio desse palheiro as pérolas antidemocráticas. E a isto alguns bobos resolvem fazer um “beijaço”?
A ação política tem de ser honesta, simples, direta, usar uma linhagem clara, sem slogans, sem truísmos, sem apologias vãs, sem fazer uso de termos vagos, sem acusações gratuitas, tudo que esse PNDH3 não faz, para algum fim outro que o de defender a “democracia” e a “dignidade” humana --- que querem dizer, ali, bem como para seus autores, sempre outra coisa.
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O'utro manifesto
"Foi uma ideia espontânea (!)”. Ok. A ideia foi espontânea, bastou pensá-la por força da vontade e mostrá-la a outros, então ocorreu uma adesão de muitos. Tudo espontâneo.
Por que a palavra “espontâneo” parece que é uma coisa boa? Isso me lembra um participante do Big Brother que certa vez disse, após uma canalhice, que aquilo lhe veio do coração, que ele era sincero, que falava o que pensava. Perfeitamente. Mas aqui, nem isso, que espontâneo está querendo dizer premeditado.
Mas não dá para não dizer que não foi uma premeditação espontânea. Viu, sempre dá para deixar as coisas num tom cordato.
Precisamos sempre equilibrar as consequências, as melhores intenções e distribuir a verdade de forma igualitária.
Como o Manifesto dos Pioneiros da Educação, o manifesto comunista da “educação” (um oximoro), o Manifesto da Arte Moderna, ou qualquer outro, que é o que se faz quando não se tem razões e se quer começar criando um nível rogatório para ser ouvido, mas não apenas para ser ouvido, mas para clamar pela legitimidade negligenciada do que se reclama agora, nova.
Rebaixando ao que é, ardil.
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A náusea
O texto divulgado na internet, convocando para o beijaço, defende a ideia da laicidade do Estado, conforme determina a Constituição do Brasil, e a garantia de que todos os cidadãos tenham os direitos respeitados.
Às vezes me parece que a frase “todos os cidadãos tenham os direitos preservados” tem o sentido de todo os direitos a cada cidadão os possíveis e os imagináveis.
Não há consciência nessas reivindicações, elas estão codificadas pela tagarelice ideológica. A laicidade é imparcialidade e não doutrinação da soberania do estado sobre todas as outras formas de vida.
Afirma que as lutas sociais servem para "garantir que o Estado não negligencie nenhum cidadão ou lhe tire o direito à dignidade".
Garantir que “o Estado não negligencie...” quer dizer, que o estado controle tudo, absolutamente; em seguida, o que justifica mandar o pessoal do hospício ficar de prontidão: “não negligenciar nenhum cidadão ou lhe tire o...abstruso e vazio “direito à dignidade”. Linguagem de maluco.
Quem garante o direito supergenérico da “dignidade”? O que é dignidade? Como se chega a dar dignidade a alguém? Eu, de mim, penso que parte da minha dignidade passa pela minha liberdade de educar meus filhos em casa, longe da escola tutelada pelo estado. Onde está dado conta disto no PNDH3?
O PNDH3 não trata de dignidade humana e de “Direitos Humanos”, trata de reforma social e legal e de engenharia social. Para alguns isto parece óbvio, mas jornalista que tenha contato diário, nenhum consegue perceber. Não trata de dar dignidade à pessoa humana, mas de inventar uma nova humanidade com sua dignidade própria, a náusea.
O manifesto e o PNHD reivindicam a aplicação imediata de todos os direitos positivos possíveis em todas as suas formas de existência, tão logo se possa notar que existam, mesmo aquelas mais acidentais, como gostar de comer m.. Eu não os impediria, nas suas casas.
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A alegria vazia
...a reação desencadeada contra as propostas do programa desnudou "o caráter retrógrado, antilibertário e preconceituoso" de "setores da sociedade brasileira que habitualmente escondem seu conservadorismo em uma retórica politicamente correta”.
Retrógrado”, “antilibertário” e “preconceituoso” querem dizer, respectivamente, você não aderiu às nossas reformas, você não aderiu às nossas reformas e não aderir imediatamente aos termos anteriores.
Quando o texto chega --- e o editor desse besteirol é também culpado --- a dizer que setores conservadores ocultam quando a retórica politicamente correta se reconhece justamente por transformar o do que as palavras se referem em termos postiços, que conotam nossas melhores intenções tomando-as, junto com as coisas, na realidade mais real a qual perseguimos. Claro que isso é lavagem cerebral da braba, pois pouco tempo disso e o cérebro se liquefaz.
O oposto de “retrógrado” é renovação, novidade e, progresso; o oposto de “antilibertário” é o movimento que promove a liberalizalização do... progresso, para a... liberalização, progressivamente. O oposto de preconceito é... aderir imediatamente ao progresso do liberalismo de... Sobrevém um constrangedor vazio nesse momento.
"A ideia é mostrar, com muita alegria, que as pessoas são diferentes umas das outras...”. As pessoas vão continuar vivendo como “bem entendem”, menos as que são retrógradas.
Ideias bobocas: “com muita alegria”, “espontaneidade”, “liberdade de viver como se bem entende”, colocadas como virtudes do PNDH3 contra as quais --- imagino que se chegue a isso --- forças reacionárias a sufocam.
“Alegria” quer dizer aqui a força irracional e cega que constrange pelo simples fato de que ninguém a negaria a si ou a outro. É um termo para comover; isto é, um ardil.
“Aqueles” que querem oprimir a liberdade absoluta não podem impedir que a vida daqueles diferentões cheios desse tipo peculiar de alegria chegue a ser tão vazia e inconsciente quanto os termos com os quais se a defende.
Com isso, redundam os termos à forma do estado tutor que dá-nos a dignidade de submeter-nos a ele.
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O vaso sanitário público do inferno
O beijaço é...” uma palavra que só pode ter saído de cabeças ocas, severamente ocas (isso é só um jeito ameno de dizer cheias de outra coisa sem valor senão quando se a espalha); que pretendem àquilo o status de “uma forma de manifestação...” --- ! --- supõe que haja algo a ser dito, que não se diz, porque se coloca para fora das questões essenciais e grita e se mostra --- e é fácil já imaginar que alguém tirará a roupa e sairá “protestando...” --- alegremente, com todos rindo. Será impossível evitar apoiar um movimento de tal espírito, certo? Errado.
Então os grupos homossexuais resolveram “manifestar protesto contra “as restrições que lhes são impostas socialmente” --- quais serão estas restrições? Como defendeu alguém da administração Obama há pouco tempo, ao dizer que os casados tinham privilégios de que os solteiros não gozavam e isso era uma discriminação; as famílias tradicionais humilham os gays.
Pela dignidade dos casais gays, não basta que o casamento homossexual seja aceito, mas se o homem de um casamento heterossexual tivesse um parceiro gay (ou a mulher), ele deve ser aceito legalmente, como parte do casamento! Bem com o cachorro, se um dos três for zoófilo. E a dignidade do zoófilo? E a dignidade do coprófilo, ou do pedófilo? Afinal, se não é legal, eles podem ser doentes, e assim devem ser tratados! Com a sua dignidade de doente, que deve inspirar piedade e permissão incondicional de sua bizarrice. Ou então, admitir, suprassumamente, que é uma opção consciente --- olha que fantástico ---, livre e consciente, por estas opções, então ele deve estar exercendo a sua cidadania, e por isto, DEVEM ser respeitados na sua dignidade, que lhes é um direito inalienável segundo os Direitos Humanos. Emocionante.
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Vamos aos termos
  • Ferramenta de ação social; qualquer meio que permita as manifestações de massa, que querem comover pelo riso, pela força da maioria, pelo alarido, pelo “senso comum” de grupos treinados ou pelas grandes unanimidades como o “bem comum”, “Direitos Humanos”, “direito à dignidade”, “paz”, etc., ocultando a questão objetiva que não será discutida, mas atropelada.
  • Historiador de 29 anos; doutrinado/doutrinador (orc).
  • Não faço parte de nenhuma organização...” não regular, “de nenhum grupo de militantes", isto é, mas adiro quando sou chamado a qualquer um deles, consciente disso ou não (“companheiro de viagem” e “idiota útil”, respectivamente). Tipos obviamente fora do processo democrático legítimo.
  • Lutas sociais; estratégias de solapamento da democracia, ardilosamente confundido com as “minorias” coitadas, que juntas perfazem a maioria da massa estúpida e servil; destruição dos valores tradicionais pelos do “estado laico” absolutista iluminista e ateu; e do sistema jurídico, para a implantação do direito alternativo com fonte na história (arbitrariamente onde) e na ideologia.
  • Retrógrado; pessoa que não adere imediatamente a qualquer mudança no espírito das “lutas sociais” e do progresso no sentido das mesmas.
  • Libertário; progressista, que quer levar a cabo o triunfo da vontade que é, no fim --- talvez para a supressão da anarquia --- cidadão do estado absolutista.
  • Direito à dignidade; isto é, atender a todas as necessidades possíveis e imagináveis, para fazer soçobrar o sistema jurídico rumo ao direito de hábitos puro e total, para estabelecer uma sociedade pagã e idólatra, o que dá, de novo, no arbítrio do estado absolutista.
  • Espontâneo; quer dizer, inconsciente, movido por, pela boca de quem fala uma voz de quem, de si mesmo, não se ouve nada.
  • Forma de manifestação; é qualquer ato que expresse algum sentimento banal e sem importância que, justamente por isto, parece ter um significado para além de si mesmo --- por aquela tendência tão natural e sadia nossa de buscar sentido e não poder acredita quando ele não existe de modo nenhum ---, que não o tolo impulso da vontade que geralmente é, e, mais geralmente no que redunda, na adesão imediata e irrefletida a alguma propaganda política ou slogan repetido.
  • Expressar(-se); subentende qualquer opressão que possa se impor contra a liberdade de expressão, a qual na palavra está subentendido, e que a carrega de peso sugestivo para...(v.g., tecnicamente, um slogan). Qualquer ato estúpido ou qualquer coisa, por mais banal, fútil ou fingida é possível propor quando se dize que “é uma forma de expressar o/a...”.
  • Protesto; ato negativo, de contrariedade ou repúdio para, assim agindo, criar a condição irracional de comoção descontraída para vencer uma disputa sem tocar na coisa discutida.
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Frases infanto-juvenis: “Não adianta um padre, um jornalista [?] ou um senador achar que vai impedir os gays de constituir família...” --- é isso aí, não adianta! Porque, suponho, a “alegria de viver”, a “inteligência viva” ou a “luz da razão”, etc., diabinhos que tais, não podem ser domados... Que coisa piegas. Nem os militares gananciosos e que só pensam em jogar bombas e destruir as florestas para pegar os bens minerais. Nem eles, nem os imperialistas, nem os burgueses, o povo está de olho! Hum?
E nem impedir “as mulheres de dispor de suas vidas...” --- essa me causa calafrios. Mas eu sou um fraco! Quem vai impedir as mulheres, de coragem de uma Santa Tereza D'Ávila, de se um acidente acontecer numa noite de prazer qualquer, mais uma apenas, TIVEREM que fazer um aborto? A dignidade da mulher, defendida pelo PNDH3, passa pelo não cerceamento da sua juventude, e de aproveitar a vida com o máximo de intensidade e pelo máximo de tempo. Quem seria contra isto? Não é?
...Ou [impedir] o mundo de girar”, que está querendo dizer que as mudanças são a força viva e sagrada do mundo, as forças telúricas, e que não há como deter esse impulso --- isso me lembra o “ato puro” de André Gide, da cultura do triunfo da vontade, que é a cultura das grandes guerras ---, que como tudo que “muda”, que “evolui”, que “liberta” é, e quem dirá que não, bom. Só que é, FALSO.
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Declarar estar sendo acusado de não fazer o que se quer fazer
Críticas a Lula marcam Comissão de Direitos Humanos. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi palco hoje de duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado por organizações civis de ter cedido "à chantagem" da Igreja Católica e das Forças Armadas para voltar atrás no decreto que instituiu o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.
As tais “organizações sociais” têm a mesma origem dos sindicatos, se algum dia nasceram honestas, hoje têm só um fundamento, o da massa para ação ideológica.
No Brasil não há grupos civis que sejam barulhentos como os “movimentos” e as “organizações” que pelo alarido se fazem existir.
Sob pressão do plenário, tomado por ativistas e organizações sociais, a comissão aprovou moção propondo ao Congresso a criação de uma comissão geral para resgatar o texto original do Programa...”, do qual Lula retirou temas polêmicos, diz a reportagem.
Então, para não variar, “em minoria, as entidades que contestam pontos do plano foram 'atropeladas' na audiência pública realizada na comissão”. Incrível; o modo como foi feito PNDH foi o modo como eles resolveram reformá-lo ao começo.
Lula, a nossa dose diária de Valium na veia e o grande moderador da verdade e da justiça, faz que não sabe de nada, veta alguns temas e em seguida os sequazes do partido reivindicam as omissões que o Lula então atenderá, porque é esse o papel do Lula. As voltas dos militantes e das organizações a cabresto do partido sabem o que fazer e Lula, por sua vez, sabe também perfeitamente o que fazer perante os obstáculos que surgem aos movimentos reivindicatórios da esquerda.
Das 15 entidades convidadas, 12 eram radicalmente favoráveis ao decreto na forma original e apenas três eram parcialmente contra”.  
Como se pode imaginar que o homem que foi parte atuante de negociações sindicais ao longo da vida, que não deve ter-lhe faltado oportunidade de aprender estratagemas, e que é capaz de fazer a piada (?) do menino do MEP, seria tão ingênuo de não saber como estas reivindicações são falsidades e embustes, é algo que só o idiota pode assumir.
 

fevereiro 04, 2010

A advertência de Walesa


Tradução | “Walesa’s Warning” | Lech Walesa | in Investors’ Business Daily | De 02/02/2010 | 07:27PM
De um Velho amigo, temeroso pelo futuro dos Estados Unidos.
O campeão da liberdade Polonesa fala que a América não será por muito tempo a cidade luminosa no alto da colina (Mateus 5:14). Enquanto vá desatenta na direção do socialismo, ele adverte, aqueles que anseiam por viver livres no mundo poderão não ter mais no seu horizonte os Estados Unidos com o qual se socorrer.
Juntos, eles foram os gigantes de seu tempo, Ronald Reagan, a Primeira Ministra Britânica Margaret Thatcher, o Papa João Paulo II e um pouco conhecido estivador de nome Lech Walesa, o qual levantou-se contra o comunismo soviético e trouxe liberdade às nações cativas da Europa.
Na última sexta, Walesa esteve em Chicago fazendo campanha para o candidato do partido Republicano, nas primárias de Illinois, que por coincidência era Polonês. O pai da democracia polonesa conhece um pouco sobre tirania, socialismo e sobre o largo caminho para aqueles, contra os quais Walesa veio advertir-nos e mostrar que a eles vimos nos conduzindo.
Em uma conferência à imprensa, Walesa comentou sobre uma America que nestes dias aparentemente faz a apologia de tudo, bajulando mais que enfrentando os sicários do mundo e está, com isso, embarcando no caminho para agrilhoar depois da assunção que veio com a liberdade econômica, que conduziu o Mundo Livre à vitória.
Walesa não hesita em afirmar que os Estados Unidos são de longe a esperança [best hope] para qualquer homem, em qualquer parte do mundo.
Os Estados Unidos são hoje o único superpoder. Hoje ele conduz o mundo, militarmente. Ninguém tem dúvidas sobre isto”, disse o líder polonês. “Também economicamente, mas está ficando fraco.”
Porém, não lidera moral e politicamente mais. O mundo não tem liderança. Os Estados Unidos são o último refúgio e esperança para todas as outras nações. Houve já esperança; sempre que alguma coisa estava errada podia-se ainda contar com os Estados Unidos. Hoje, perdemos essa esperança”.
Walesa conduziu o movimento Solidariedade na Polônia. Ele foi, em certo sentido, uma organização comunitária, mas não do modo de Saul Alinsky. Ele buscou libertar seu povo, não controlá-lo.
As marchas e protestos que ele realizou conduziram a liberdade polonesa e foram precursoras das manifestações recentes nos Estados Unidos denominadas Tea Party — “Partidos do Chá”, em alusão à revolta que atacou navios de chá da Inglaterra nos EUA durante as primícias da guerra de independência —, que do mesmo modo que o movimento polonês, buscou livrar-se das correntes da sociedade de “comando-e-controle” e restaurar a economia genuína e a liberdade política.
O império Soviético tinha seus comissários. Nosso governo tem seus czares, e Walesa definitivamente sente que a América, que tem como seus amigos, está se movendo na direção errada. Ele vê nossa discussão sobre a distribuição de renda como coisa não dessemelhante ao credo Marxista — de cada um segundo suas habilidades, para cada um, conforme suas necessidades.
Em uma entrevista em vídeo, Walesa viu um sinal de que o Socialismo rasteja sorrateiramente na política doméstica Americana. Ele falou sobre como o governo “procede com os bancos”, e comoo governo desperdiça todo o dinheiro… construindo a burocracia — para si mesmo”.

fevereiro 02, 2010

Bulas sintomatológicas


Como fato positivo...” (1), a despeito da insuficiência que os testes do Enem mostraram para a metade dos alunos brasileiros, o editorial de ZH conclui pela superiodade da razão e da competência.
Falta-nos, pelo que entendi, uma racionalidade igualitária, que se ofereça como direito inalienável a todos, mas então me vem a pergunta, Quem a tem antes, que a possa ensinar-nos?
Para usar a racionalidade, poderíamos começar em ato no momento mesmo em que clamamos por ela, estou errado? Ou já está a se confundir a “razão” com a crítica estéril de novo e o seu mal hábito de tagarelar com clichês?
O que será exatamente o “processo brasileiro de ensino”? Por que parece-me que dizer isso ao invés de “a educação” já dá até para ver uma máquina complexa funcionando com Chaplin dentro, por que tenha ali caído e desde lá a veja melhor que todos, como se fosse um mundo obscuro, um subterrâneo como o de um sistema digestivo.
Então já não podemos pensar senão com as metáforas gastas dos “mecanismos” e “processos” da educação.
Doutro modo, frases desse tipo parecem-me que não passam de uma forma de prolongar a frase até que a reflexão tenha perido o de que se trata e suavemente escorregar para aquelas sequências de frases que se as complementam com expressões dotadas de desejável efeito analgésico.
Por exemplo, eu que gosto muito das orientações que George Orwell nos deu em Politics and the English language”, logo penso que O erro persistente que ocorre no processo brasileiro de ensino público poderia ser dito melhor dizendo A educação no Brasil não está dando conta de ensinar aos jovens.
Há pressupostos ocultos demais na primeira frase, que tem uma única função de enunciar o problema, e que enquanto não são resolvido na frase não podem ser resolvidos na realidade, por certo.
Quanto mais perdemos o de que estamos falando, mais engenhosa, superfluida e cheia de volteios abstrusos (no lugar de abstratos) ou azo a coisas simplesmente sem sentido aparecem.
O horroroso “esteja sendo...”, nesse caso, “...discutido”, é o que equivale a um surdo e impessoal desejo e não passa disso. Eu ouço outra coisa: tomara que alguém esteja pensando esse problema, já que nós, de nós mesmos, percebemos somente que alguma coisa está errada. Mas, obviamente, com racionalidade e competência, quem se dedique ao problema o resolverá.
E termina afirmando que as avaliações, como esta do Inepeto --- a propósito, cujo acrônimo “Inep” (sem o “e”) quer dizer Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, mas acrescentaria (com o “e”) Ex-Tatísticas e Outrosfins ---, são a necessidade de se ter acesso aos meios de produção de índices que nos permitam investigar como produzir os resultados adequados --- ! --- e desde aí resolver o que está errado com a educação. Estas palavras seguem a melodia aprazível do descaminho.
São apenas a formas de produzir a estatística que nos possa fazer ver e jamais entender o que se passa com a educação, o que deve caminhar inevitavelmente para um acerto do método de avaliação que vá melhorando as notas dos alunos até o insuficiente aceitável.
O real escândalo, no entanto, é o editorial de Zero Hora levar a sério os testes do Enem depois de ler a propaganda governamental nos testes, que virou piada em todo o Brasil, a qualidade estupidificante e as pegadinhas na maior parte do teste.
O culto estatal pelos concursos públicos, pelos vestibulares e que culmina na cédula eleitoral, ironicamente, é uma forma burocratizada de escolher o mais competente nécio dentre todos, salvando-se os que sabem mais que os outros, mesmo assim, sem confundí-los às raras exceções que são bons alunos e que não se submeterão à modorra de trabalhos que buscaram porque amam um bom salário.
Não há melhor maneira...” é o estertor aquele que o azedo dá às vezes, como efeito aqui da ingestão de uma frase apascentadora: “...de levantar os problemas e... enfrentá-los com racionalidade e competência”.
Além de levar o teste do Enem a sério, invoca a razão --- talvez como Saramago, a “inteligência viva”, como diz ele --- para em seguida declarar uma vacuidade expressando-se de modo simplório e inconsciente.
Abaixo do limite de insuficiência que critica para a educação, e sendo esses mesmos sintomas da moléstia que acusam, os editoriais de Zero Hora são bulas de um diagnóstico diário dos efeitos que o remédio vem nos causando.