setembro 26, 2014

Possessão Progressista

Em nota, Adriana Franciosi (Zero Hora, FAMECOS/PUCRS (...)), admiradora de Juremir Machado, critica David Coimbra por ter admoestado contra a escolha do CTG Fronteira Oeste, Santana do Livramento, como local do casamento “homoafetivo”, injuriando-o de “conservador”! (...)
Adriana Franciosi, ultrajada com a opinião insípida de David Coimbra, acha que Conservador é a salmoura do picles, ao acusar David disso. Mas não um conservador “grosseiro”, como todos, segundo ela; não desses que um Bolsonaro é o tipo Alfa [1]. Bem, mas o ponto dela é que David quer manter os “homoafetivos” nos seus lugares, como judeus acuados em guetos, ao mesmo tempo assumindo que eles existem nos CTGs, mas discretamente. Então a intolerância parece que assumiu para a Sra. Franciosi outra forma, uma que não admite a mera presença tolerada, mas a ação impositiva da “tolerância”, como fez a juíza Carine Labres ao colocar o casamento no CTG, posteriormente aprovado pelo patrão. Essa “tolerância” como ação positiva na sociedade está para além da mera tolerância, que ela admite que existe, mas de um tipo que transforme o Tradicionalismo num movimento... progressista!
Todas as danças tradicionalistas são de casais com vestimenta típica, funcionalmente apetrechada, o que pode querer dizer então uma “evolução” num ambiente assim? As danças terão que admitir, digamos assim, para fim de absurdo, dois trajes iguais dançando, com as posturas apenas do homem ou da prenda? Fico pensando quando um peão tiver que rodar o vestido, ele fará o movimento como se vestido tivesse, ou irá estar de vestido? Vamos admitir um caso borderline: o peão invertido, de saia rodada, usa uma maquiagem pesada para passar por uma dona e fazer o papel que lhe cabe na dança. Não poderiam reclamar, já que a tradição estaria preservada. Em qualquer outro caso, é como querer reescrever os originais de Shakespeare em linguagem contemporânea, de modo que em pouco tempo não nos lembraríamos mais dos originais, bem mais difíceis de ler, e nem achar que se perdeu algo com isso. É como queimar uma obra de arte original porque ela é, digamos assim, “retrógrada”! Mas, certamente, não deve chegar a tanto o que Franciosi está propondo; digamos então que o gênero, como num teatro, é o traje e o comportamento equivalente. Não acredito que se pedirá realmente mais do que isso.
Agora, que raios quer dizer que o patrão, por aceitar o casamento, é um “homem evoluído”? … “Evolução progressista” em vez progressiva! ...Bem, as duas coisas são fantasias, da razão científica e, no caso dela, do esoterismo de esquerda, para quem o progresso ao futuro se faz mudando a sociedade em tudo que ela é. Progressista é o epítome de “evoluído”: já que representamos o futuro, os que defendem as políticas progressistas são os notáveis homens do futuro! Esse paradoxo irônico que descreve o desarranjo mental típico do homem de esquerda é o que levou Aldous Huxley a colocar o nome de sua obra mais famosa sobre o mundo futuro realizado por perfeccionistas com a mesma mentalidade, tirada deste trecho de Shakespeare, n'A Tempestade:
O wonder! How many goodly creatures are there here! How beauteous manking is! O brave new world that has such people in it!”
--- Act V, Scene I, line 181-184).
Que admirável mundo novo é este, de tão bela gente dele habitantes!
Segundo a dona, o casamento foi permitido no CTG pelo patrão, só esqueceu que a juíza disse que acertou o casamento lá para forçar a situação, que só então foi aceito pelo patrão. Trata-se de uma juíza ativista, representante de um mundo futuro que serve a ela como fonte de direito. É o sentido da representação que um “progressista” poderá ter, não como representante de qualquer base popular real, mas de uma massa abstrata e universal, de um povo futuro escolhido pelo "representante". Em conformidade com a tradição da esquerda revolucionária --- que Franciosi encarna como uma assombração monótona ---, os "mais aptos" atuais na evolução social são justamente aqueles dotados dos atributos selecionados pelos “avanços” hoje propostos. A malícia desse tipo de pensamento é já um tipo de loucura raciocinante, o que, por efeito, torna inimputável dona Franciosi enquanto não se trata de um pensamento verdadeiro e autoral. O que a juíza Carine Labres está fazendo, portanto, a favor desse progresso que um Roger Raupp Rios é exemplo melhor no judiciário gaúcho, é ser um agente ativo das modificações como as coisas deveriam ser, a começar por negar as coisas como elas são, o que sub-repticiamente nos falsifica o presente em nome de um futuro plenamente desenvolvido, para além das nossas contradições. O progressista é um profeta moderno, e sendo o judiciário o último bastião de resistência, ocupá-lo (infiltrando a ideologia) é o meio de torna esse futuro legalmente compulsório.
As mulheres conquistaram “conquistas”, no jargão das “minorias” com as quais a esquerda produz as demandas “progressistas”, é dizer que as mulheres andaram para “o lado certo” por livre e espontânea vontade. A esquerda sempre se valeu das demandas legítimas da sociedade para guiá-las discretamente para bem além destas demandas, quando então, já parecendo um tanto esquisitas, ainda despertam a sensação de serem reivindicações legítimas de uma coletividade mais sensata. Um exemplo desse abuso. As conquistas que a Sra Adriana Franciosi faz propaganda, por mais espaço na sociedade, chegam a coisa sem pé nem cabeça, como outra dona me desafiou a aceitar certa vez, exigindo naturalidade diante de uma mulher que, por calor, tirasse sua camisa em público, assim em termos gerais e sem circunstância --- o que parece mesmo fazer parte da forma da demanda. Ela clamava pela equivalência ao comportamento comum aos homens, mas exigia mais: que este comportamento produzisse uma aceitação natural dos homens, que nada nisso veriam mais que uma pessoa qualquer sem camisa, ou mesmo devesse poder despertar qualquer instinto. Assim, como no caso do CTG Fronteira Oeste, a tolerância aqui é sub-repticiamente uma medida ativa. E, definitivamente, ninguém é tão tolerante assim com o despropósito de alguns indivíduos excêntricos, menos ainda o é o oligofrênico que não controla seus impulsos, quando isso não implica, como coisa óbvia, na sua exclusão prévia do convívio social.
A igualdade nesse caso exporia as mulheres ao comportamento equivalente daqueles celerados que, atendendo a uma gritaria histérica contra os “racistas”, sentiram-se justificados a medidas proporcionais. Não surpreende desde então o aparecimento de revoltados odiando os “racistas”, incendiários e ameaças. Estas medidas apareceram no caso do racismo da Arena Grêmio, respondendo ao alardeado caráter “odioso” dos racistas, e apareceu também na provocação da juíza Carine Labres. O radicalismo não aparece como resultado de preconceitos disseminados na população, as fontes latentes do ódio patológico, mas como reação naquela parcela pequena da população onde se incluem sociopatas e psicopatas, aqueles cujo comportamento não atende à intimidação pretendida pelo politicamente correto. Uma mulher que pensasse em tirar a camisa no trem pode perfeitamente estar no seu direito de não ser tocada, mas a chance de que ela não tenha problemas é realmente muito pequena. Segundo a crítica que acompanha estas medidas ativas de tolerância, eu estaria já aceitando a violência ao admitir que ela deverá ocorrer, mesmo quando isso tem o valor de advertência e proteção. Se de tal apologia estúpida se seguisse um estupro, teríamos, ato contínuo, o alarido ultrajado das mesmas pessoas que estimularam a transgressão, tomando a violência como exemplo melhor do preconceito da sociedade tradicional. Esse é um meio bastante eficiente para produzir as condições pelas quais a sua tese será provada para justificar as transformações sociais progressistas. Não acredito que dona Franciosi saiba de nada disso.
De novo, se o ambiente é hostil, mas frequentado por gays discretos, não seria o nome disso tolerância? Para Franciosi, David está tomado da “sanha” de deixar tudo como está, tornou-se um inimigo do progresso na ocupação de espaços na sociedade. Franciosi quer a “boa evolução dos costumes”, continuamente, em todos os ambientes. Precisamos ter então tolerância a todas as transformações sociais, até que não haja qualquer distinção social. A indução da transformação da sociedade feita pela mediação de contradições internas dessa sociedade, seus “conflitos latentes” como eles podem ser instrumentalizados, o que se dá sobre qualquer aspecto nas relações sociais que possam ser estimuladas nesse sentido, são movimentos táticos de guerrilha política, ações de engenharia maquiavélica. As demandas positivas de esquerda infiltram o debate público com as palavras que se tonarão a referência de uma meta comum, com isso tendo deixado traçadas as linhas para onde tudo deve se dirigir, e também já, uma vez aceitas, sem podermos com isso perceber que seja assim. Tolerância é apenas a palavra-chave para desencadear a intimidação das opiniões contrárias, as quais, caso ocorram, etiquetam o seu autor de crimes de intolerância. É a alquimia de uma dialética maliciosa. O caminho fica livre assim para as ações afirmativas, que já não encontram resistência. O que se pretende é ainda a mesma sociedade sem classes, a sociedade de igualdade da propaganda socialista, mas realizada pelos meios "eficientes" do ativismo marxista.
Para quem fala pejorativamente em “conservadorismo”, toda essa conversinha não poderia ser mais “antiquada”. Franciosi repete no particular a forma do discurso utópico de transformação da sociedade numa sociedade socialista onde o estado e as divisões de classes (ou qualquer outra) teriam desaparecido. Eis para onde vai esse progresso, desembarcando, no entanto, sempre em algum lugar abandonado pelo bom senso. No lugar do amor ao próximo teríamos a sociedade sob o signo do amor “homoafetivo”, o amor ao igual. Numa sociedade assim, a diversidade seria homogeneizada, a sociedade sem distinções seria a realização material e institucional do amor universal. Não é à toa que a isso se deu o nome de utopia (“não-lugar”).
É um “não-lugar”, por exemplo, o direito de uma mulher exercer o papel efetivo de homem para outra mulher. Vá lá que o SUS cubra implantes penianos hidráulicos e que a fecundação possa ser feita em laboratório, deveriam as mulheres ser estimuladas pelo estado a assumir esse papel, efetivamente? Ocupar esse “espaço social”? E isso ser um programa de estado? Talvez ela diga que sim, que, como o pensamento socialista utópico já foi capaz de conceber, se o homem desejasse a lua, ela teria que lhe ser dada. Mas tanto uma coisa quanto outra vão dar em outro “lugar”. A utopia sempre foi o reino perigoso da pieguice universal.
Franciosi também compara o direito a voto das mulheres ou a trabalhar fora de casa com a adulteração de uma forma de expressão que deixa de ser o que é se se admite a “tolerância” ativista dela. A comparação com outras conquistas, como o voto ou negros no CTG, foram transgressões de hábitos antigos e preconceito real, não a exclusão de elementos internos, ou a inclusão de elementos contraditórios externos --- isto é, não se modificava em essência o tradicionalismo; os preconceitos reais eram elementos externos, já que ser negro nada diz sobre o tradicionalismo, até o contrário, pois os negros estavam presentes na Revolução Farroupilha. A malícia que quer igualar coisas tão desiguais é ativismo político daquele tipo de linha irracional de que a sociedade deve ser reformada tomando como princípio de transformação a inversão de todos os elementos sociais. Algo que, de novo, nasce da cabeça do mais tíbio pensamento utópico, herdeiro das maquinações técnicas de propaganda e do maquiavelismo dialético, quando estes então se tornam ciência eficiente. Não há, hoje --- isso desapercebido --- coisa mais “evoluída” na cabeça tanto da OAB quanto do MP e mesmo de juízes.
É esse pensamento débil que levou a Sra. Franciosi a fustigar David Coimbra com a terrível alcunha de “conservador”. Franciosi confunde “Conservador” com “conservante”, não distingue tradição de alegorias carnavalescas recicladas ou tolerância real com corrupção cultural, fazendo o papel passivo de agente do politicamente correto --- o freio moralista imposto à sociedade para libertar o Kraken do progressismo. Há muitos modos de se usar uma mulher, mas esse em especial pode convencê-la mesmo de que ser usada é um direito seu, de assim escolher livremente; a mesma mentalidade chega ao ponto de oficializar uma carteira profissional e dizer que nisso há “dignidade”. A partir daí já não se distingue o gueto do seu próprio lar; mas nem por isso ela se encontrará numa situação melhor. Franciosi não fez mais que repetir as noções que o próprio David é tão pródigo em tomar por obviedades superiores, a propaganda tática da esquerda mimetizada com os mais altos ideais da humanidade. Assombrações desse tipo sempre aparecem em lugares abandonados, repetindo sempre os mesmos roteiros ao longo dos séculos.
Notas:
1. Nada mais eloqüente para ilustrar a grosseria dos conservadores que lembrar que quando Bolsonaro foi acusado pela progressista Maria do Rosário de ser o seu tipo “grosseiro” a grande causa dos estupros de mulheres, para em seguida já acusá-lo ele próprio da violência, este volta-se para a dona e diz: “Ora, Sua vadia!” Segue-se o chilique da moça: “Qu'é-isso! Qu'é-isso! Qu'é-isso!” Afinal, ela não fizera nada, não é?

**
Carta aberta ao meu colega David Coimbra de ZH”, de Adriana Franciosi, repassada pelo Facebook:
Há muitos anos somos amigos, trabalhamos na mesma empresa. Já o elogiei publicamente por diversos bons textos, mas para minha infelicidade David Coimbra vc tem representado um novo tipo de conservador. Não o velho e surrado conservador que usa palavras grosseiras. David usa do que de melhor ele tem para conservar o status quo. Para com palavras bonitas sugerir que se deixe tudo como está. Por que é disso que se trata quando li seu texto sobre o incêndio do CTG que iria realizar um casamento gay. A linha do David sugere que o local era privado e um centro de tradicionalismo. Ora, pelo que sabemos foi o patrão do CTG, homem evoluido que permitiu a realização, junto com o poder judiciário.
Mas David vai mais adiante na sua sanha de deixar tudo como está ele nos pergunta pq pessoas do mesmo sexo querem casar num ambiente hostil a sua existência? A seguir sua lógica cada grupo deve ficar na sua, de preferência em ghetos, né David? Assim ele desconhece a história, como das mulheres, por exemplo, que ousaram a bem pouco tempo entrar em domínios masculinos e foram a luta.
Se seguissemos a lógica de David, nós mulheres estaríamos até hoje condenadas a cozinha, e a boa evolução dos costumes, e que só serve a peonada mais xucra que irá usar o teu texto para justificar sua eterna homofobia e racismo.
Pois pra que mesmo ir trabalhar e ser independente? Segundo David, pra que causar problemas? Então, só fazendo um paralelo a pouco tempo atrás, lá em Júlio de Castilhos era impensável um negro entrar no CTG da cidade. Eis que apareceu um negro, gerente de banco que enfrentou tudo e todos e passou a entrar, mesmo num ambiente hostil onde supostamente pessoas vão para se divertir. Pois assim é com essas gurias que tiveram a coragem de ir lá num CTG casar em meio a 28 casais héteros, só para reafirmarem que são iguais a todo mundo... Sendo de Livramento, provavelmente elas gostem dos cantos nativistas e tudo o mais ligada a cultura gaúcha. Dentro dos CTGs como vc mesmo diz está cheio de gays que não ousam dizer o que são, pq pessoas como vc David acham que tem que permanecer tudo como está. Não mais. Teu neo conservadorismo é uma grande pena, um desserviço a tolerância. e a boa evolução dos costumes, e que só serve a peonada mais xucra que irá usar o teu texto para justificar sua eterna homofobia e racismo.

setembro 05, 2014

O conflito como método

Para ilustrar o caso recente de caça às bruxas racistas que vitimou uma menina por ter pronunciado a palavra "macaco", e que recebeu de parte da mídia uma reação histérica de "horror" e "nojo", gerando um clima de ódio e ameaças como poucas vezes se viu.

"Esfregando sal na ferida", de Tammy Bruce, em 'The New Thought Police: inside the lefts's assault on free speech and free minds' (p. 98):

"Durante os meus dias de ativista feminista, a coisa mais perturbadora que eu ouvi sobre as feministas era que nós "deveríamos esfregar sal na ferida" se quiséssemos fazer progressos. "Esfregar sal na ferida" significa manter viva a dor da nossa base popular. Isso pode assumir muitas formas, mas antes de tudo essa estratégia envolve distorcer todas e quaisquer relações humanas colocando-as sob a marca da violência contra as mulheres, contra negros, gays, ou quaisquer outros grupos que sejam nosso 'filão'. Se o acontecimento do dia nos dá um exemplo real do que queremos, ele deve ser explorado --- e se ele não dá, então um caso parecido deve ser inventado para lembrar nossas bases populares de sua vitimização.
E ninguém esfrega sal na ferida como [o célebre ativista americano dos direitos civis dos negros] Jesse Jackson. Em 19 de Setembro de 1999, durante um jogo de futebol escolar em Decatur, Illinois, começou uma briga entre os torcedores nas arquibancadas. Os funcionários da escola expulsaram do local vários estudantes que participaram da briga. Jesse Jackson imediatamente correu até Decatur, uma cidade de trabalhadores que se gabava de sua agricultura, suas 500 companhias na lista da revista Fortune, e pelo fato de Abraham Lincoln ter exercido a advocacia por lá. Reconhecendo que seria difícil mesmo para ele associar as ações da escola a racismo --- mesmo que os estudantes expulsos fossem todos negros ---, Jackson admitiu que não se tratava de fato de uma questão racial, mas, em suas palavras, de uma questão de "justiça" ['fairness']. Não obstante isso, seus protestos acabaram em marchas com milhares de pessoas cantando "We Shall Overcome" [Venceremos!], reminiscentes da luta pelos direitos civis na década de 60. Durante a estadia de Jackson em Decatur, as tensões raciais cresceram a tal ponto que, temendo violência, três escolas foram fechadas por vários dias.
Este caso foi a demonstração final de cinismo de um líder dos "direitos civis" que de tão desesperado para esfregar sal na ferida, chegou a apoiar um grupo de jovens mentido em simples pancadaria em um jogo de futebol para alcançar seus objetivos. Jackson não negou que a briga ocorreu ou que os jovens que ele apoiou participaram da briga. Por que, afinal de contas, então, ele levou o fato à condição de uma marcha pelos direitos civis? "Foi uma briga feia em um jogo de futebol, sem sangue, sem armas, sem tiros, nem facadas", explicou Jackson. "Nada tão brutal quanto uma briga de 'hockey' ou uma briga na NBA". Este é, aparentemente, o novo patamar para o projeto na luta pelos direitos civis. [Lembrar aqui que os "Civil-Rights", os direitos civis, assumem, para atualizar demandas (táticas), na nossa época, o gênero maior dos "Human Rights"].
Mas é realmente assim que os negros americanos percebem sua luta --- defendendo jovens que representam aquilo que não chegou a ocorrer? Certamente não penso que seja. Mas num mundo onde o espectro do racismo atual está empalidecendo, essa tática consegue duas coias. Primeiro, com notícias de cobertura nacional, reforça nos negros a idéia de que eles estão sob ataque; segundo, diz aos brancos que seu racismo está vivo. Isso esfrega sal em duas feridas, feridas que se deixadas pra lá, seriam capazes de se curar sozinhas.
Um episódio como esse joga luz sobre por que é tão importante à nova Polícia do Pensamento que as pessoas não se sintam confortáveis discutindo estas questões. Que é, afinal, a coisa politicamente correta a se dizer se alguém o questiona sobre o incidente? Bem, você certamente sabe o que não deveria dizer --- que os garotos mereceram ser expulsos.  O que, no entanto, teria indicado que você é um "insensível" à situação "complicada" dos jovens negros. Talvez você pensasse isso a respeito de si mesmo. O código verbal polido é tão arraigado em nossa pisque, que nós tendemos a acusar a nós mesmos caso passe por nossas cabeças algo que parecesse "errado". Mas se falássemos honestamente sobre o que ocorreu, cada um de nós poderia descobrir que não estamos sozinhos em nossas opiniões e poderíamos concluir, depois de tudo, que não somos de fato racistas."