fevereiro 05, 2008

Muito além do Senhor das Armas

Do artigo do The Observer, de 3 de fevereiro de 2008: “Revealed: Chávez role in cocaine trail to Europe” (tradução parcial).

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O Senhor das armas Bolivariano

John Carlin revela a proximidade “amistosa” entre FARC e as forças policias e militares da Venezuela.

Entrevistando “Rafael”, dissidente das Forças Armadas Colombianas/FARC, entre outros, e de fontes variadas na Venezuela, Carlin narra como o movimento político para-militar (sic.) das FARC se mantém graças à fronteira da Colômbia com a Venezuela e a tolerância das forças de segurança venezuelanas.

O apoio de Chávez às FARC foi pra lá de aberto, quando ele pediu que as mesmas fossem consideradas movimento político e não grupo guerrilheiro terrorista, apesar da prática de bombas implantadas, seqüestros, extorsão e ligações diretas com o tráfico de drogas. Supostamente seriam estes métodos democráticos de uma organização em condição paramilitar, que é uma nova instituição da democracia latino-americana, segundo ela se define dentro da aspirada união da América Latina de Chávez. O MST quem diga por aqui.

Segundo Rafael, o “governo venezuelano deixa as FARC operar livremente porque ela compartilha dos mesmos ideais esquerdistas bolivarianos e porque as FARC suborna-os”.

O Plano Colômbia que os EU implantaram naquele país, parece que não tem maiores conseqüências enquanto Chávez não dispor-se a combater e, menos que isso, a não “tolerar” as atividades das FARC como a via armada de forças revolucionárias socialistas (ou, bolivarianas).

Todas as fontes indicariam, segundo Carlin, que poderosos elementos dentro do aparato do Estado venezuelano tem forjado uma forte relação de trabalho com as FARC. E esta e oficiais do Estado venezuelano operam ativamente juntos onde traficantes de drogas e militares convergem. Apesar de nenhuma fonte ter acusado Chávez em pessoa de ter controle direto no gigante negócio do tráfico de drogas colombiano, as relações dos oficiais do governo de Chávez tornaram-se menos ativos em reprimir a logística que guerrilha e tráfico precisam.

Já absolutamente inimaginável por aqui, as testemunhas (insiders) entrevistadas por Carlin acreditam, como não poderia ocorrer nunca em terras tupiniquins, que Chávez está ciente da coalizão entre as suas forças armadas e os líderes das FARC. Do mesmo modo incrível seria supor que Chávez desconheça o grau de ligação que as FARC tem com o tráfico de cocaína.

Aqui pelo Brasil, todo mundo sabe que nada disso é crível, senão teríamos que rever o caso Mensalão e passa a acreditar nos mesmos motivos que levaram o Supremo a aceitar as denúncias de formação de quadrilha, mantendo o bom- senso do Procurador Geral em preservar o ícone ético do socialismo latino-americano: Lula.

A defesa do governo de Chávez foi uma declaração pública no Uruguai, quando o Ministro do Exterior, Nicolás Maduro, disse que as acusações são fruto de uma campanha “racista” e “colonialista” contra a Venezuela pelo jornal de centro-esquerda espanhol El Pais, onde Carlin originalmente escreveu sobre a conexão FARC-Venezuela.

Fora de qualquer disputa é, segundo Carlin, Chávez ser aliado político das FARC e que isto resulta em ajuda velada ao grupo guerrilheiro, na forma de tolerância ao uso do território venezuelano, usado como refúgio – entre outras veredas. Nenhum dos grupos de guerrilha, no entanto, poderia sobreviver e manter o estado de milícias armadas se não fosse pelo dinheiro das drogas.

Testemunhas confirmaram que há cooperação entre a Venezuela e o transporte de cocaína por terra, ar e mar, sendo estes amplos e sistemáticos, além de fornecimento de armas, proteção em seu território e imunidade (tal como ocorre aos paramilitares colombianos) e para seus negócios ilegais.

Trinta por cento de 600 toneladas de cocaína produzida na Colômbia passam por território venezuelano, tendo o uso deste país aumentado dramaticamente no governo Chávez.

Segundo Carlin, um diplomata europeu, com muitos anos de experiência em assuntos da América Latina, assentiu sobre isto:

A assim chamada nação anti-imperialista socialista e bolivariana que Chávez diz querer criar está na rota de tornar-se um 'Narco-Estado' do mesmo modo que os membros das FARC passaram a ser agentes da 'narco-guerrilha'. Talvez Chávez não realize isto, porém, a omissão para com esta tendência, corroerá a Venezuela como o câncer”.

A cooperação entre guerrilha e Chávez vai mais longe, e envolve fornecimento de armas, carteiras de identidade para guerrilheiros regulares e passaportes aos líderes, para o translado a Cuba e Europa. Há o entendimento recíproco, para que as FARC dê treinamento às Forças Bolivarianas de Libertação (sic.), um grupo paramilitar criado pelo governo de Chávez para defender a Venezuela de um eventual ataque americano pela fronteira noroeste.

Chávez manteria contato com os líderes das FARC em sintonia por princípios bolivarianos tais como: 1) unidade da América Latina; 2) Esforço anti-imperialista; e 3) soberania nacional – sendo estes suficientes para articular convergindo no terreno tático.

É ponto pacífico que há muitos caminhos para se transportar a cocaína da Colômbia à Europa, mas todos eles passam pela omissão sistemática, ou mesmo assentida, das autoridades venezuelanas. Por ar, com escalas, o trajeto é da Colômbia, passando pela Venezuela, Haiti, República Dominicana, e EU; ou por longos vôos em aviões de carga, até a África, a Guine-Bissau ou Ghana; daí à Europa. Com nenhum obstáculo legal ou incidente ocorrendo na fronteira (p.ex., tiros para o alto), parece que a Venezuela não apenas tem contra si as palavras do seu líder, como, menos claramente que a boçalidade, o fato de limitar-se sistematicamente ao que, no caso da Colômbia, esquerdistas atacam raivosamente sob o pretexto de “colonialismo”, “racismo” e “imperialismo”.

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O que diz a Human Rights Watch sobre a Colômbia

Na “Carta à Representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab”, do Diretor Executivo Kenneth Roth da Human Rights Watch, são sugeridas ações para a solução dos problemas enfrentados pela Colômbia quanto às condições dos direitos humanos básicos naquele país – de ênfase sobretudo dada à estrutura estatal corrompida.

Como condição prévia para a ratificação do Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos e Colômbia, A HRW sugere à embaixadora americana que os EU deveriam insistir em cobrar resultados do governo colombiano.

Nas sugestões da HRW, é o Estado de Direito que indiretamente está apontado, em vista das falhas sistemáticas e das omissões do Estado em relação à corrupção existente ligada ao narcotráfico.

Os principais pontos:

1. Investigue-se de forma exaustiva e leve-se a julgamento os assassinos de sindicalistas de modo a condenar os responsáveis de planejar e executar os crimes;

2. Torne-se pública e de fácil acesso informações sobre os procedimentos de investigação e os resultados delas bem como das decisões judiciais.

3. Empenhe-se no desmonte do aparato paramilitar e as suas relações dentro do Estado colombiano com o tráfico.

(4. OMITIDO. Interrompa-se a rede de terror da narcoguerrilha e suas relações logísticas campesinas e líderes locais e utilize-se dos mesmos preceitos contra a guerrilha para abafar o poder dos paramilitares onde estes forem cabíveis)

Pouco ou quase nada é dito como combate aos grupos revolucionários, que apesar de suas ligações com o narcotráfico e com ações terroristas (seqüestro, assassinatos, chantagem, terror rural, etc.) sofrem poucas restrições pelo HRW.

Em nenhum momento os “sindicalistas” são claramente identificados, podendo-se suspeitar que nem todos lutem apenas por direitos trabalhistas e humanitários, sendo por quais motivos tantos sejam assassinados apenas por defenderem direitos contra forças paramilitares? Isto deveria ser objeto, pelo menos, de investigação e de mais clareza nas informações a respeito. A situação destes assassinatos é, pelos relatórios da HRW, indiferenciada, sem o que torna-se obscura.

Sugere A HRW as seguintes medidas, todas ligadas à relação paramilitares-narcotráfico, mas que deveriam ser usadas também contra os narcoguerrilheiros:

1. Falta de estrutura da fiscalização e a ineficiência do judiciário, especialmente aqueles regionais, mais suscetíveis a serem influenciados (ou intimidados) pelos chefes mafiosos;

2. Desarticular as estruturas de corrupção do Estado ligadas ao tráfico e às ações paramilitares;

3. Apurar os assassinatos que não são jamais concluídos e apontados os responsáveis;

4. Desarticular as máfias paramilitares;

5. Localizar e confiscar os bens em poder dos paramilitares;

6. Limitar o tempo para entrega de bens ilícitos, senão expropriem-se os bens dos mesmos, comprovadamente ilícitos;

7. Estabelecer limites para os benefícios aos ilícitos;

8. Instaurar uma fiscalização rigorosa e uma justiça eficiente;

9. Melhorar o registro das terras, exproprie-se as tomadas ilegalmente e restitua-se ao povo atingido;

10. Romper os vínculos entre os líderes paramilitares e seus grupos;

11. Impedir os chefes paramilitares de, enquanto esperam ser julgados, comunicarem-se por telefone celular com seus colaboradores;

12. Processar aos colaboradores dos paramilitares e a quem os financiam;

13. Identificar e romper os vínculos entre os chefões das drogas e de grupos paramilitares a pessoas do governo;

14. Investigar e julgar de forma rigorosa a todos os membros do exército, polícia e funcionários dos serviços de inteligência de alto escalão, bem como políticos, empresas, etc.;

15. Fazer com que os chefes paramilitares presos indiquem seus colaboradores, e descobrir a natureza dessa colaboração;

16. Assegurar que os indiciados sejam julgados pelos mais altos tribunais do país;

17. Assegurar que os paramilitares cumpram as penas de prisão devidas, sem contar com expedientes que reduzam a pena;

19. Utilizar de forma efetiva a ameaça de extradição;

20. Proteger as vítimas e as testemunhas com programas eficientes;

(Várias coisas bem familiares de por aqui.)

O tom das discussões é sempre, primeiro, sobre os grupos paramilitares, que agem como grupos de extermínio, ligados ao tráficos de drogas (sólidas e antigas ligações), com contatos dentro das forças armadas regulares, e ligados a líderes regionais que mantém ampla influência sobre os mecanismos repressores do Estado, sendo os casos de impunidade de militares e policias, por artifícios jurídicos inúmeros, sempre beneficiados os envolvidos em expropriações e êxodo, chacinas, intimidação, vingança contra desertores, violência rural e terrorismo na forma de atentados a bomba, seqüestros, extorsão, chantagem e atos vis sem fins militares claros, sem que se possa já distinguir aí os paramilitares da guerrilha, nenhum deles sendo capazes de sobreviver sem o dinheiro do tráfico.

As FARC, como outros grupos guerrilheiros na Colômbia, cometem crimes contra os direitos humanos e só por aparência sustentam a ação política e ideológica, bem como, de resto, deve ser atribuído o mesmo a toda organização que se vale de meios não-democráticos para fazer reivindicações democráticas.

A desculpa monstruosa de que os fins justificam os meios não está no discurso, mas na prática, talvez invocando aquele achaque da lógica criminosa, para os quais os que dela são adeptos justificam que se é uma coisa na teoria, na prática a coisa não é bem assim, estando, por isto, dadas as razões e perfeitamente aceitável as aspirações anteriores das mudanças inevitáveis ao modo da tomada do poder por Chávez, bem como de seus métodos de viciar plebiscito e fomentar a guerrilha e o próprio narcotráfico.

As restrições feitas ao governo Colombiano pela HRW aparecem , como se pôde ver, no governo de Hugo Chávez, onde a venda de armas, explosivos plásticos, lançadores de granadas, minas terrestres, a omissão ou apoio velado à guerrilha – e aberto aos ideais, mesmo os meios sendo o seqüestro, o tráfico de armas e o terror rural – e com o dinheiro (inevitável) do narcotráfico.

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Para Além do Sr. das Armas

Lúcia Hippólito já chamou o Antônio Palocci de criminoso em pleno Programa do Jô (na TV e com audiência alta), num dos programas de quarta-feira, por ter pedido a quebra o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, sem ordem judicial, no que era à época a testemunha de acusação contra Palocci no caso da “casa do lobby” na CPI dos Bingos.

A sede da “República de Ribeirão Preto”, como ficou conhecida, reunia lobistas acusados de negociar junto ao governo Lula para partilhar dinheiro e abrigar festas animadas por garotas de programa. O caseiro e faxineiro Francenildo dissera ter visto Palocci freqüentando a mansão durante as reuniões.

A quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro, de que trata Hippolito quando acusa Palocci de criminoso na TV – pois todo mundo sabe que se não aparece na TV por aqui não é real –, após o mesmo ter retornado ao governo Lula, em um papel mais discreto (pelo menos em relação à TV), mostra, com a recusa do PT e dos seus militantes em forjarem o código de ética anunciado e deixado para lá no último instante, neste último Congresso do partido, que ética e petismo definitivamente só participam juntos do palanque, até porque essa peça de ficção que é a “ética petista” não tem, parece, outro sentido que a de o de mais sinistro comportamento a favor dos mais “altos” ideais.

Outra República de bananas é irmã gêmea de Ribeirão Preto à época de Palocci Prefeito e, depois, Ministro, a República de Santo André, que acolhe este caso pra lá de escabroso que é o do assassinato do Prefeito Celso Daniel, o antecessor de Palocci na coordenação da campanha de Lula. Na prática, o esquerdismo tem uma unidade, é inegável.

Como se vê, a cúpula do partido não pode ter conhecimento nenhum das relações íntimas que, eficientemente, produziram uma estrutura notável de sistemáticas denúncias contra o governo petista atual onde quer que ele se instale e, além de tudo, com evidências fortes de não ter nada a ver com casos locais, mas sim as de uma articulação verdadeiramente global para todo território nacional.

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A tal personalidade “global” do petismo, seu modo de agir, como Projeto de Nação, foi denunciada (sic.) por um veículo da grande mídia 17 anos após ter iniciado, assinado por Reinaldo Azevedo da Veja, sob o título “O Foro de São Paulo não é uma fantasia” (Veja, 30/01/08, pp. 60-61).

Atribuído como sendo o centro de decisão para toda a Amértica Latina e Caribe, reunindo sistematicamente seus líderes a despeito dos Congressos de seus países, o Foro de São Paulo fala através de seus integrantes de modo que não é possível buscar coerência lógica ou constância no discurso de nenhuma deles, que não se vá a perder em confusão educada, dessa educação autoritária do nonsense mais puro e simples ou, simplesmente ainda, em desmentido. O exemplo notável é o que ocorreu recentemente com as declarações do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que declarara no final de 2007 que seria necessário aumentar impostos e por isto sofreu as admoestações sisudas do Presidente Lula, para no início de 2008 confirmar o aumento de impostos e sob falaz giro cognitivo – para o que Lula deu assentimento –, que a declaração havia sido feita em 2007, e já estávamos em 2008. Exemplar da mentalidade petista, que a tudo relativiza com grande sobriedade.

O fenômeno da xenoglossia petista, só pode ter origem em alguma possessão sobrenatural que por trás de todo esquerdista fala usando-o como marionete.

Ei-lo, o Foro, pelas páginas da Veja:

Reinaldo Azevedo, que assina a matéria, escreve que Marco Aurélio Garcia (o do top-top no caso TAM, pego pela janela) acompanhou a pantomima do resgate de duas reféns das FARC, com intermediação de Chávez. Para as duas reféns parece que foi ótimo, para os mais de mil restantes parece que não significou muita coisa; mas sem dúvida, significou para o mediador, que posou de estadista.

Este é um daqueles casos que deixa mais que óbvio que a ação do mediador, pela pobreza dos resultados junto às FARC, lhe garante não notoriedade por buscar a “paz”, mas de “mula” para a fachada político-ideológico das FARC e de si mesmo, como comparsa coadjuvante.

Junto com Lula, Fidel Castro teria sido fundador do Foro, e, com ele, a reunião das esquerdas latino-americanas e caribenhas, de onde Azevedo tira que “[e]xiste, portanto uma entidade em que essas duas organizações [FARC e PT] são parceiras, companheiras e partilham objetivos comuns”. Morales (Bolívia), Chávez (Venezuela) e Lula (Deus!), deram prova mais que cabal disso nas crises recentes contra o Brasil, invariavelmente, que acabaram por redundar em mais investimentos do Brasil naqueles países.

Parecia que havia um impasse diplomático quando Evo marchou coma s forças armadas para dentro de uma instalação da Petrobrás, mas isso só para quem vê de fora, as ações seguintes deram evidência de que a convergências de ações tem unidade (um dos princípios do Bolivarianismo de Chávez, a “Unidade da América Latina”), e essa unidade só se entende sob a forja do Foro de São Paulo.

A ligação:

O Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos (...) a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou [depois de duas tetativas de golpe] o Chávez como presidente da Venezuela” [autor: Lula].

Querer, no entanto, como Azevedo, que seja possível a crítica à imprensa brasileira por ter negligenciado o assunto, é acreditar que, como disse Rafael, na reportagem do The Observer, não fosse possível duvidar que Chávez não soubesse das ligações das FARC com o narcotráfico. O mesmo, rigorosamente, poder-se-ia dizer de Lula e do Mensalão, e por aqui deu em uma leve coceira de desconfiança. Pior com a certeza, que se houve, mesmo íntima, ter-se-ia que concluir por falta de coragem intelectual e no exercício da profissão.

O mais grave, mas por palavras trocadas, está nas declarações oficiais sobre o papel das FARC, que admitindo apoio ao “diálogo interno”, assume que as FARC são, com seus métodos não-democráticos, parceira qualificadas ao debate. A “simpatia” não é de hoje, como documentos da ABIN dariam forte indício, mostrando contados de integrantes do PT com as FARC, a qual teria oferecido dinheiro às campanhas do PT, e se não foi encontrada evidência irretocável do dinheiro, as ligações já são para lá de sinistras.

Curioso, mais do que tudo, talvez seja a tolerância na política externa de um país a uma prática que a Constituição deste país condena em território nacional, como é o caso do Art. 5º, XVII, que impede formações paramilitares.

Não estranha, no entanto, que o Imposto do cheque tenha sido trocado por Contribuição e isso tenha sido aceito como algo válido. O mesmo acontece com as cotas “raciais”, onde veta-se qualquer discriminação de qualquer tipo, talvez, até por isto, até mesmo aquelas discriminações dos que argumentam torpemente. Afinal de contas, por aqui todo mundo tem direito a uma opinião, não é mesmo? “Concordo; não” [minha opinião]. A práxis política e cotidiana brasileira é o samba do crioulo doido na teoria. Como estranhar qualquer coisa?

Por tudo isto, a máxima os fins justificam os meios deveria estar na bandeira do PT – assim como “o sempre foi assim” tupiniquim deveria estampar nas bandeiras do PMDB a divisa os meios justificam os fins.

Aquele que é a personalidade do movimento de esquerda de que o PT faz parte, como fundador, e todos os partidos de esquerda, inclusive massas de manobra de todo tipo, às vezes regulares como as para-milícias rurais como o MST, a famigerada “militância”, de orgulhosa truculência retórica, quando não histeria raivosa, convergem no Foro.

Uma vez que se fez isso, aceita-se qualquer coisa com base em desconstrucionismos que atingem diretamente os princípios que sustentam a Constituição, preservando os termos que antes a referiam. E isto porque o Interpretante da Constituição brasileira ou Mente da pragmática petista é o Foro de São Paulo.

É por meio do Foro que o homem de esquerda fala e age, é no Foro que ele encontra a unidade da sua consciência mecânica e da sua satisfação moral. Não parece que é outro o motivo do fenômeno da xenoglossia, que permite, por sua metodologia pós-moderna (realizada na prática por comunistas e nazistas), dizer com o protagonista do filme O senhor das Armas:

Não ponho armas na cabeça de ninguém; não peço que matem.
Quero que atirem, mas sinceramente, prefiro que errem.
Desde que continuem atirando
”.