junho 24, 2010

Lula: o bom, o mau e o feio


Artigo de Moisés Naím, do El País, de 09 de maio de 2010.

A revista Time acaba de incluir a Luiz Inácio Lula da Silva entre as pessoas mais influentes do planeta. Certamente as atuações do presidente do Brasil afetaram a vida de milhões de pessoas e, no caso de seus compatriotas, muito positivamente. Mas Lula não merece apenas aplausos e admiração. Existem aspectos de sua conduta que são vergonhosos. Vejamos.
Lula será lembrado como um bom presidente, mas como um mau vizinho para os amantes da liberdade.
O que tem de bom. Dez milhões de brasileiros foram integrados à classe média entre 2004 e 2008. A pobreza caiu 46% da população em 1990 para 26% em 2008. A desigualdade na distribuição diminuiu. A hiperinflação é um fardo já distante. A dívida externa está em invejáveis 4% do PIB. As exportações se multiplicaram pro cinco em apenas vinte anos. E em si foi pouco, que na próxima década o Brasil pode chegar a ser uma importante potência petrolífera.
Graças ao seu êxito e ao seu tamanho, o Brasil é já presença indispensável nas negociações internacionais sobre clima, energia, finanças, desenvolvimento, proliferação nuclear e tudo o mais que desafia o mundo. Assim, Lula fez se tronar obsoleto o chiste pejorativo segundo o qual o Brasil é o eterno país do futuro. O Brasil alcançou muito do seu sempre alardeado potencial e não há dúvida que Lula merece enorme reconhecimento por esse êxito [--- isto tudo, de Naím, um belo esforço de encontrar méritos para equilibrar o que vem a seguir].
O que tem de mal. Lula é pouco generoso. Deveria compartilhar o crédito do sucesso de seu país com Fernando Henrique Cardoso, seu predecessor na presidência. Lula herdou uma economia reformada, políticas sociais e de vanguarda [!] e uma base muito sólida para continuar aprofundando a liberalização econômica [e o livre-ajuste do mercado] que explicam o atual êxito do Brasil. O grande mérito de Lula foi ter mantido, ampliado e defendido estas políticas, que contrastam com as posições ideológicas [opostas] que manteve durante anos. Lula liderou a oposição das reformas que hoje lhe trazem os aplausos do mundo.
Enquanto isso, nas cúpulas revolucionárias com os Chávezs, Castros e Ortegas do mundo, Lula compartilha elogios ao socialismo, mas em suas decisões, no Brasil, este brilha pela ausência daquela ideologia [superficialmente]. Lula foi um dos presidentes mais favoráveis ao mercado e ao setor privado e aos investimentos externos que o Brasil já teve. Diz com frequência que suas políticas econômicas de mercado servem para construir as bases para o socialismo. Poucos acreditam nele [E isso é bom?!!]. E é fácil supor que um dos que não crê em Lula seja ele próprio.
Lamentavelmente, o presidente brasileiro tampouco pôde impedir que em seus círculos mais próximos crescesse a corrupção que invade os governos da América Latina. Dizer que isto era inevitável é tão correto quanto reconhecer que a luta contra a corrupção nunca chegou a ser uma prioridade para Lula.
O feio. Lula da Silva foi muito bom para os brasileiros e muito mau para milhões dos seus vizinhos. Os déspotas que tem a sorte de serem amigos do presidente brasileiro e que estão arruinando os seus países, enquanto o Brasil progride, sabem que conta com o forte apoio tanto quanto com o silêncio cúmplice de Lula. Seu incondicional respaldo público lhes dá uma valiosíssima legitimidade internacional, o que os ajuda a atuar com ainda maior impunidade dentro de seus países. Seria ingênuo esperar que Lula fosse o protetor da democracia e dos direitos humanos na região. Porém, não deveria ser ingênuo esperar que aqueles que violam reiteradamente os direitos básicos de seus povos soubessem que não contam com a tolerância silenciosa de Lula e seu fraternal abraço nos encontros presidenciais.
Não seria maravilhoso que aqueles que estão encarcerados por lutar pela democracia em outros países saibam que Lula é seu aliado e não de seu carcereiro?
A lista das contradições, inconsistências e exemplos da dupla moral de Lula é triste e vasta. E não passa semana sem que cresça. A última foi a de obrigar a que fosse excluído da cúpula presidencial entre a União Européia e a América Latina o novo presidente de Honduras, Porfirio Lobo. Segundo o Brasil, Lobo --- que ganhou as eleições sem fraudes, tão comuns na região, de Hugo Chávez e Daniel Ortega --- não tem credenciais democráticas suficientes para estar na reunião. Isto vem do mesmo presidente que expicou ao mundo que Mahmud Ahmadinejad ganhou as eleições em seu país limpamente e que os milhares de iranianos que protestaram nas ruas estavam portanto como rebeldes torcedores de futebol depois que seu time perde.
Ao mesmo tempo em que Lula dizia isto, Ahmadinejad ordenada à pena de morte para alguns dos manifestantes. Feio, não? [Depois ainda, quando tripudiou sobre os pedidos de liberdade em Cuba para os prisioneiros de Fidel]
Por tudo isto, Lula passará à história como um bom presidente para seu povo e um mau vizinho para os amantes da liberdade.
*
Leninismo: mutatis mutandis
A reportagem do El País, que descreve com a acuidade parte do pior, que nenhum jornal impresso teve no Brasil, não ganhou as páginas dos principais jornais brasileiros, como as que serviram aos comentários laudatórios a Lula como os que o ligavam a uma miríade de prêmios postiços.
Ainda assim, o artigo de Moisés Naím é ingênuo quando se trata dos benefícios que contabiliza aos méritos internos de Lula.
Para saber se os dez milhões de brasileiros integrados à classe média entre 2004 e 2008 devem isso a Lula, caberia saber antes se essa integração não é o efeito inevitável da estabilidade criada pela ortodoxia econômica da social-democracia de Fernando Henrique Cardoso. Naím nota, no entanto, em parte apenas, estes méritos herdados fáceis por Lula.
E nem tudo vai tão bem, se a visão não for a mais imediata, já que as investidas de controle político e econômico do governo petista seguem uma lúgubre cartilha da esquerda. É sempre a ação possível do ideal utópico, sempre mais à frente. O governo é o timoneiro que desvia, recua, tenta de novo, com a antonomásia do “pragmatismo” pelo que é o mais descarado maquiavelismo, e “progressista” para o socialismo.
Esse é outro ponto que passa despercebido para Naím. Coloca a economia ortodoxa como uma contradição de Lula. Ao mesmo tempo em que Lula está a brandir a bandeira do socialismo, de fato não seria nada disso do que se trata, para Naím. Como já havia declarado anos antes Marco Aurélio Garcia ao jornal La Nacíon uruguaio, nunca deixaram de ser socialistas, mas havia a necessidade de uma “guinada à direita”, isto é, à economia em bases ortodoxas, para implantar com mais vagar o socialismo. Essa fórmula não é nova, não foi outro o modus operandi pregado por Karl Marx e executado por Lênin na segunda fase da revolução.
Lênin e Trotski riam dos revolucionários mais radicais que acreditavam que o voto democrático ou as “oportunidades”, sejam lá quais fossem, devessem ser recusados pela “luta” franca pelo poder. A artimanha, o oportunismo, o embuste sempre foram as regras para a estratégia revolucionária. Tem-se que notar que o esforço por esclarecer alguns socialistas sobre o poder do voto livre ainda existe nos encontros do Foro de São Paulo, onde se usa o termo pejorativo “eleitoreiro” em oposição à guerrilha e ao complexo de estratégias “não-regulares de luta”, isto é, os meios de alcançar modificações do sistema constitucional para aquilo que ainda se chama, não como mera teoria --- mas que então não será mais aceita como tal pelos socialistas ---, mas como prática, a “ditadura do proletariado”.
Mas o termo evoluiu, mutatis mutandis, por metalepse, a outras formas, mais brandas: diz-se hoje a “soberania do povo” que se obtém, por meios regulares (seu uso expandido para criar expediente a direitos), com plebiscito, ou por meio irregulares, como ocorreu em Honduras, com a tentativa de uma urna plebiscitária colocada ilegalmente ao lado da urna oficial. A superação destes obstáculos ou “adversidades” legais --- o impedimento ao terceiro mandato, a tentativa de extinção do Senado brasileiro, onde há mais o equilíbrio de forças entre os Estados ---, é um dos objetivos diretos da política socialista, completamente despercebidos por Naím.
Dizer, portanto, que ninguém acredita, nem Lula, nas suas intenções para implantar o socialismo, acaba servindo apenas de máscara ao deixar às claras as intenções que despertam o ceticismo, aceitando a premissa de que o socialismo é algo desejável de ser tentado. Quando o maior risco está justamente no leninismo mais discreto pós-revolucionário, nas estratégias que deram na criação do estado soviético.
Ao contrário do que diz Naím, Lula não fez o chiste tornar-se obsoleto, mas o contrário, uma vez mais reeditou a esse Brasil do futuro próximo, numa fase não dessemelhante àquela do período militar, quando o estado tomou conta do país e o colocou numa taxa de crescimento igual à da China atual. E o que aconteceu depois?
As análises imediatistas têm esse problema inato, negligenciando duas coisas mais óbvias: 1) na estabilidade alcançada e mantida --- o mérito real de Lula (um tipo de despreza automática de pilotar), se é que isso pode ser chamado mérito ---, enquanto se mascaram abusos discretos que criam condições previsivelmente danosas no futuro; 2) assumem riscos de um aprendiz de feiticeiro brincando com o poder que não conhece, a ortodoxia econômica que adotaram por herança de um sucesso alheio, ao qual se combatia e que pode ser que se perca com a confiança de que os fundamentos dessa ortodoxia possam ser lenta e continuamente ou de algum modo (para algo mais) modificados, por verossímil que seja, por quem não acredita realmente nela; 3) porque, politicamente, a “oportunidade” da economia ortodoxa é amiúde, ao socialista, mera estratégia para fazer aquilo que se repete ad nauseam nas atas do Foro de São Paulo, “fazer bons governos” para... Para “modificar o sistema desde dentro”. Para criar condições de estabilidade para a implantação plena do socialismo clássico.
Naím não liga que as críticas que faz, incluindo “lo bueno” de Lula, estão intimamente ligados numa estratégia conjunta para a América Latina.
*
Hoje, o povo brasileiro está muito perto de eleger a sucessora tacanha de Lula, dando à estupidez boçal da esquerda o poder pelos efeitos do mérito que eles não têm. As políticas econômicas da social-democracia, mais ortodoxas que a da esquerda revolucionária mais radical, legou a esta irmã mais feia os meios de parecer com mais graça, imitando, com o “Lula paz e amor” de Duda Mendonça, o layout dos social-democratas.
Ao segurar a economia nos moldes da social-democracia, sem ter nem méritos por ela nem a compreender, mas pegando o jeito de mandar a coisa andando, o que o PT tem de diferente é justamente a ação política leninista do fingimento, do embuste, do truque, para chegar ao poder, e no poder, para mantê-lo; e mantê-lo para modificá-lo, desde dentro. E isto não tem nada a ver com a economia, mas vai afetá-la, mais cedo ou mais tarde.

junho 14, 2010

Escravidão consentida: mas pode chamar “Liberdade”


Os povos [hoje] se acham empolgados por um monstro parasitário de estupidez infinita aliada a um infinito maquiavelismo. Esse monstro é o Estado. […O] homem, criança ainda, e inda muito próximo do troglodita, só se embeleza ante os ídolos lantejoulantes e pomposamente embonecados da mentira. Quanto mais missanguento o ídolo religioso ou social, mais fieis possue e mais dificil de ser derrotado mostra-se”.
--- Monteiro Lobato, “A onda verde” (1933).
Eles [os programas dos utopistas socialistas] conduzem-se por demandas, apelos, intenções, manuais de estratégia e táticas, planos e plataformas, geralmente voltados para a tomada do poder e para o uso desse poder para reorganizar o estado e remodelar a economia --- mas eles são frequentemente mudos no tocante a como as pessoas irão viver, trabalhar, pensar, sentir e se relacionar na sociedade do futuro”.
--- Richard Stites, Revolutionary dreams, 1.
O estado social [que a Constituição de 88 aspira] é aquele que se rege por princípios finalísticos ou teleológicos... Não se trata, para o estado, simplesmente, promulgar leis e deixar que cada membro da sociedade civil escolha o destino de suas vidas. Trata-se de dar um rumo ao país...”.
--- Fábio Konder Comparato, professor da USP, Faculdade de Direito, em 5 de Março de 2010, na Audiência Pública do STF sobre as cotas raciais.


[Tradução adaptada]
Texto original de Craig Read: "Defend Western Civilisation".
Reflexões sobre o grande sofá coletivo do igualitarismo socialista (depois dos expurgos)
*
Liberdade? Que conceito exótico. Quem precisa disso? Não gostaria antes segurança? A escravidão é um novo tipo de liberdade. Por que acordar a noite e ter que se preocupar com o seu “sistema de saúde”? O Estado pode controlar isso para você. Ora, mas por que se preocupar com qualquer coisa em particular? As garantias devem se ampliar. Somos uma sociedade imoral, estúpida e inculta. Veja as amplas áreas sócio-econômicas que têm ficado fora de alguma regulação e do controle do governo! Estes erros precisam ser corrigidos. Somente quasímodos branquelas que adoram G.W. Bush e que desejariam possuir escravos e matar qualquer um de pele mais escura discordariam disso. Malditos fascistas reacionários!
Os direitos humanos não incluem apenas um sistema de saúde gratuito. Incluem mais, incluem tudo. Roupas, alimento, salário, emprego, o “direito humano” de ir à universidade, o “direito” de possuir uma bela casa e alguns poucos carros, o “direito” a um plano odontológico, manicure, pedicure, seguro do carro, proteção contra frieiras, um bolsa lava-carro e uma ajuda pá-de-neve, mudança de sexo coberta pelo sistema de saúde e, depois disso, pode haver mais?...
Todas estas coisas e --- sim --- muitas mais são aspirações fundamentais que uma sociedade justa e igualitária deveria prover ao cidadão.
Somente pessoas morais, inteligentes e verdadeiramente sensíveis compreendem isto. Ninguém pode por certo argumentar contra a moralidade contida no Nacional Socialismo quando pelo que (dele) disseram os nazistas, ou os fascistas russos do regime soviético; ou hoje como ontem pelo atual culto da opção pelo Estado --- coisa lá não dessemelhante à ditadura chinesa.
Um estado forte com homens fortes mandando é o único método para “coagir” a plenos direitos e “implantar” a uma “moralidade” disciplinada e assegurar que “ninguém fique para trás”.
Assim, precisamos hoje de belas palavras e muito cordata polidez para encobrir o que daí advém --- escravidão. A maquinaria de slogans dos nacional-socialistas, feita para ocultar a escravidão, é uma legião em marcha através da história moderna, para a condução das massas.
Encobrir a escravidão com belas palavras é tão velho quanto a propaganda usada por Sargon IIº, escrito em seu colosso, tal (onde se conta) como ele escravizou seus estados visinhos na Mesopotâmia --- sempre usando o “imperativo moral” como pretexto para seu imperialismo baseado na escravidão.
Os socialistas alemães (o mesmo aconteceu como os fascistas russos) foram igualmente muito engenhosos em implantar um regime de escravidão coletiva que começou apoiado com políticas sociais, fazendo parecer algo positivo. Testemunham isto alguns dos mais risíveis slogans criados pelos mais matreiros socialistas (sim, Fascismo é Socialismo, veja):

  • Ninguém sentirá fome! Ninguém sentirá frio!”;
  • Assistência no Inverno durante os anos e 1933-1935. Isto é o socialismo alemão em ação. Apóie o Führer!”;
  • Antes: Desemprego, desesperança, desolação, dificuldades, greves. Hoje: Trabalho, júbilo, disciplina, camaradagem. Dê ao Führer seu voto!”;
  • Hitler está construindo. Ajude-o a fazer mais. Compre marcas alemãs”;
  • A Alemanha está livre! (de 1938);
  • Companheiros no front --- Companheiros para a vida. Conselho e assistência em todas as áreas necessitadas”.
  • "Somos socialistas, somos inimigos do sistema capitalista atual!” (discurso de Hitler em 1º de Maio de 1927. Citado em Toland, J. (1976) Adolf Hitler Garden City, N.Y.: Doubleday Speech. May 1, 1927. p. 224) 
  • Tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado" (Benito Mussolini. (Não importa a que velocidade se realiza; isto é Fascismo.)
Todos, slogans de exortação. Em 1930 os alemães implantaram um massivo Estado socialista. Tudo era garantido. Sistema de saúde, empregos, educação, salário, jardim de infância, transporte grátis, mesmo vestuário dos bebês foram considerados direitos que deveriam vir investidos dos cuidados do Estado paternalista às suas crianças-escravos. Sob o Nacional-Socialismo ou sob o fascismo russo o indivíduo era visto essencialmente como crianças perante a vida. Tudo seria um “direito” e o desequilíbrio público seria fixado pelo Estado onisciente, todo-poderoso e supremo protetor do povo.
Para os marxistas do Nacional Socialismo, menos liberdade significa mais liberdade. Trabalhe e liberte-se. Obedeça ao Estado. O Islam tem o mesmo ethos. Obedeça a religião e o Estado pela divindade lunar de Mecca e seus representantes na terra, os assim-chamados “Profetas”. Diferentes pontos de vista, o mesmo nonsense.
Com toda plétora de direitos e tantas garantias, a idéia de liberdade traz consigo a premissa parasita de que cabe ao Estado não apenas mantê-la, mas produzí-la. Liberdade e escravidão se confundem; é já um tipo de escravidão consentida: oferecida e aceita; mas então você pode chamá-la “Liberdade”.
Assim, o que temos hoje no Ocidente? Isto é o nem tão-mais-sorrateiro advento do Estado escravista. Somos todos escravos! Escravos em todas as áreas da vida. A liberdade morreu quando o governo se torna o ator individual mais importante de nossas vidas. Quando o governo substitui a verdadeira cultura, a verdadeira caridade, a verdadeira fé, a livre-iniciativa, a responsabilidade individual, laços familiares e o gênio individual, é porque o jogo terminou. Quando o estado é o principal ator em cada aspecto de nossa vida --- como é hoje --- quem perde é a civilização.
Liberdade? Qualquer um que diga hoje que é livre, mente. Sois escravos. Considerem o seguinte:
1. Sua casa. Possuir uma casa --- o governo adora isso. Eles fazem dinheiro com a sua moradia. Muito disso. Várias taxas, hipotecas de seguro, a ajuda estatal parece fácil e barata, e fazem pender com grande felicidade um preço a qualquer desejo (redimindo-vos) aos cofres públicos. O mercado da habitação é 12% da moderna economia, e o governo taxa a ambos; a oferta e a demanda.
Mas mais que isto; o estado pode taxá-lo dentro de seu domicílio. Emissão de carbono, imposto à Mãe-Terra, “investimento” no futuro das criancinhas, todos estes e muitos mais podem ser impostos sobre você e sobre sua imóvel casa. É muito mais difícil vender uma casa que alugá-la. Até pagar a sua hipoteca, vocês está preso --- não pode deixá-la, não pode mudar sua mente, pode apenas vendê-la algum dia, alugar alguma outra coisa e ir esconder-se. De outro modo, você é um patinho na banheira, um brinquedo na mão do governo.
2. Impostos. 50% ou mais é o que você paga no real. Se você conhece de ler um pouco de História descobrirá que as revoltas contra impostos opressivos ocorrem sempre lá por volta dos 30 a 40%. No Islam, os dhimmis [todos os não-islâmicos] perdem 70% de sua renda (o imposto chama-se kharaj). Este índice de impostos real significa que você é apenas pouco mais que um cavaleiro romano pagando para a proteção do império e pelas extravagâncias daquele, então logo incrementada aos dhimmis para a riqueza do culto lunar de Mecca.
3. Funcionários públicos. Eles recebem 50% a mais em salário a cada ano (que os trabalhadores do setor privado, i.e., escravos), e mais de 300% ao longo da vida produtiva; e assim, além de tudo, tem benefícios, pensões, dias de folga, e a capacidade até mesmo de ter 2 empregos [polícia, bombeiro, segurança, etc.]. Você trabalha para eles, camponês! Aprecia-o.
4. A Mãe Terra e o futuro das criancinhas. Quatro níveis do governo [lá, só quatro, aqui...] controlam cada aspecto de sua vida. Vai de usar capacete na sua bicicleta a proibi-lo de comer manteiga de amendoim na escola; e à propaganda de reciclagem (a maioria da qual acaba, de fato, num aterro sanitário). Programas, redistribuição de dinheiro, bem-estar, subsídios, regulamentações... tudo à venda para ajudar as criancinhas e a Mãe Terra (com propagandas de índios choramingando abraçados em árvores).
5. Escolas estatais. O governo adoraria implantar creches públicas a expensas dos contribuintes. Então a propaganda pró-gayzismo, de “educação” sexual, a histeria do aquecimento global, o pacifismo pró-Islâmico e o marxismo cultural podem começar desde a idade de 2 anos, ao invés de aos 5 ou aos 6. É fácil produzir escravos quando você tem o controle sobre a juventude. O Islam faz isso torturando as mentes no ódio a judeus e americanos. Derretendo as complexidades da realidade no Estado ou no culto a “livros” aprovados tais como o Corão (para os muçulmanos); diminuem a necessidade de pensar, para educar e viver na realidade a qual, nas palavras de Thomas Sowell, torna-se opcional.
Há uma correlação direta entre a indiscriminada educação do Estado, seus programas para com a sua inabilidade em ser criativo, para pensar, inovar ou compreender como o mundo moderno se tornou o que é. Chame a isto distorção da realidade.
6. Adoração ao Grande Homem: profetas tais quais o profeta Obama [ou o profeta Lula], que tais, como o Cristo [essa comparação que quer equiparação]. Os benefícios do Estado redimem, supostamente, a imoralidade do egoísmo individual. Todos louvam o Amado Líder e sua corte.
7. Autodepreciação: Usualmente os escravos acreditam na sua fraqueza e se menosprezam. Há uma razão para que eles sejam levados a aceitar tal penosa existência. As 3 parcas inconstantes que cortam a linha da vida determinando o nascimento e a morte são molestadas; ou, talvez, o karma familiar; talvez Deus os esteja punindo por vidas passadas. Autodepreciação é um atributo do homem subjugado. Veja à sua volta. Quantas pessoas odeiam a si próprias e seu país? [1] Muitas, a maioria, e muito?
8. Ignorância. Escravos não são recompensados por alcançar entendimento ou erudição. O contrário grassa, mas porque na maior parte, os escravos são iletrados [e indolentes, ou quando apenas semiletrados, fulos simplórios ou astênicos]. Eles são mantidos desse jeito por seus donos. Não é possível olhar em volta no Ocidente hoje e afirmar que a inteligência aumentou nos últimos 100 anos. Do mesmo modo, o coletivo é muito mais estúpido nos rudimentos da vida real que lá por volta dos 1900.
9. Habilidades. Escravos de modo geral não têm mais do que o poder da força física. Hodiernamente, as pessoas não podem construir, criar, negociar ou fazer as coisas por si mesmas, como fruto de seu próprio esforço e metas. Elas não podem sobreviver um fim de semana sem seus sofás, passar um dia sem o conforto do mundo moderno. O desenvolvimento das habilidades para o mundo real está perdido, com a maioria das pessoas contentes em ser entretidas antes a esse esforço; ou acreditando precisar das soluções vindas de uma obra de “engenharia social” antes a aprender habilidades reais e valores reais os quais levam à prosperidade e à criação de empregos, à verdadeira iluminação e auto-estima.
Sumário: A escravidão acabou na Europa em torno de 800 d.C.. Os servos foram donos de terras e apenas 30% ou menos de sua produção era tomada por seus senhores. O camponês oprimido da suposta “Idade das Trevas” nunca existiu. Este é outro daqueles vetustos mitos aos quais se presta reverência cega. Lá por volta de 500 a 1500 d.C. uma inumerável lista de invenções em cada esfera da atividade humana pode ser encontrada. Só as sociedades escravagistas não produzem inovação. Sociedades livres é que o fazem. Em qualquer momento em que os impostos chegassem acima dos 30% na miserável era denominada “Idade Média”, seguia-se desconforto social e, muitas vezes, guerras.
Como o mundo ocidental se move inexoravelmente para um estado de escravidão manufaturada, uma questão óbvia se apresenta. Quem é mais esperto? O inovador e provedor de si mesmo, o “camponês” da “Idade das Trevas”, que não pactuou com condições excessivas de controle e poder, ou os narcisistas da geração Youtube ou Myface de hoje, tão obcecada com o culto a Obama [ou, por aqui, com Lula]; à idolatria eco-fascista, estatismo e entretenimento estúpido. A pergunta responde a si mesma.
A escravidão é ainda um mau negócio, a despeito do palavrório panfletário que quer vender barato esse admirável mundo novo.
*
As punições recentes aos pais que praticaram o homeschooling mostram, sem lá qualquer dúvida sensata, que não se trata de garantir qualquer “direito” por fundamento à cidadania ao povo, mas controlá-lo. A inaptidão de quem está afeiçoado profundamente às miçangas de meras palavras e, ansioso, já pronto para aceitar o caminho mais fácil, como dá sinal a aprovação geral às restrições de pequenas liberdades, pavimenta o seu futuro à inexoravel escravidão catatônica.
Os sinais são claros e perfeitamente evidentes no conjunto de demandas, apelos, intenções, manuais de estratégia e táticas, planos e plataformas, feitos para conduzir a vida social, e não representá-la democraticamente: “movimentos sociais”, PNDHs, PNEs, PACs:[coisas] geralmente voltados para a tomada do poder e para o uso desse poder para reorganizar o estado e remodelar a economia” (Stites).
Não se trata, para o estado, simplesmente, promulgar leis e deixar que cada membro da sociedade civil escolha o destino de suas vidas...”. --- A opção é essa evidente “fusão” entre liberdade e escravidão que forja a liga de aço temperado da vida social (atual e mais, para breve) que encontra na paz e na justiça a solução que as tem por fim.
Verdadeira alquimia, que se esforça --- daquele velho esforço gnóstico --- por alcançar a pedra de toque de todos os sonhos humanos mais fáceis na bizarra “realização” deles, simplesmente, avant la lettre.

Notas
1. No Brasil o risco sempre é o orgulho das matas verdes, das águas, dos bens minerais, do povo miscigenado, da juventude, em suma, que constelam-se no culto ao futuro de um presente sem méritos e sem valor.

junho 09, 2010

Veríssimo: narrador inconfiável


Li os manifestos com o propósito de não acreditar no que diziam, mas querendo ver através deles, como se dissessem alguma coisa mais. Sabia que para fazê-lo dizer outras coisas devia saltar trechos, e considerar algumas proposições como sendo mais relevantes do que outras. Mas era exatamente aquilo que os diabólicos e seus mestres nos estavam ensinando. Que quando nos movemos no tempo sutil da revelação não devemos seguir as cadeias obstinadas e obtusas da lógica e sua monótona seqüencialidade. Por outro lado, tomando-os ao pé da letra, os dois manifestos eram um cúmulo de absurdos, enigmas e contradições.
- Umberto Eco, O Pêndulo de Foucault, 70 (1989) [§3].

Na sua resposta, Borges, você escreveu que estava acostumado com a soberba dos tradutores, mas que eu claramente levara essa deformação profissional a um nível patológico. E se como tradutor eu já era um perigo, como cirurgião plástico seria uma ameaça pública, pois minha imprecisão anatômica era alarmante. Em vez de mexer na cara do seu texto, eu lhe acrescentara um rabo, "una cola" grotesca. Um desenlace que transformava o autor no pior vilão que uma história policial pode ter: um narrador inconfiável, que sonega ou falsifica informações ao leitor” (Vogelstein).

- L.F. Veríssimo, Borges e os orangotangos eternos (2000), “O Crime”.

*
Os meios diabólicos
Quando Luiz Fernando Veríssimo escreveu que Lula foi reconhecido pela The Economist como um “exemplo de conservadorismo responsável” em “Bom Comportamento” (ZH de 26.11.09), o que me ocorreu foi certo espanto atônito pelo artifício discreto que mostrava como despercebida uma falsa obviedade:
Há no reconhecimento da revista [The Economist a Lula] um desagravo retroativo ao PT recém-leito, que assustava com a promessa implícita de mudar toda a economia, correr com o neoliberalismo...” 
“O monstro não era um monstro afinal de contas. O monstro tinha cara de Palocci e era Social-Democrata como todo mundo”.
É um “Vejam só, quem diria...”, esperava-se uma coisa, veio outra. É até verdade que todo mundo é social-democrata por aqui; os únicos liberais são os que o são de fato, na prática, ainda que defendam políticas social-democratas e não verdadeiramente liberais. Então só são liberais na prática, mas tendendo sempre ao sentido oposto. O que só quer dizer que fazem política liberal sem princípios liberais, onde o risco deve ser defendido tanto quanto o lucro: se se privilegia este sobre aquele, a segurança do estado-babá passa a ser uma tentação. O pouco confortável que é assumir riscos no liberalismo é um princípio, e, ainda que desagradável ou, justamente, por ser o sacrifício que honra a riqueza, é o que garante a bruxuleante liberdade.
L.F. Veríssimo deixa não dito toda a tradição leninista de se ligar ao capitalismo liberal para subjugar politicamente o capital. Ou diretamente, A melhor maneira de destruir o sistema capitalista é depravar a moeda”, diz Lênin. E que os meios de produção não são o capital em si e o liberalismo, mas a ação humana dirigida por meios indiretos (se necessário) desde a política por trás da economia. Mas quando a política perde o sentido para se tornar pragmatismo, é só porque ninguém mais é capaz de saber o que é a tal liberdade --- as “abstrações” que Luiz Fernando aprendeu a rejeitar pela presença material do que já foi produzido, do que já existe (que pode ser dividido em comum), como se fosse um bem perene.
Mas o que interessa mesmo aqui é o modo que invoca no sombreado uma obviedade para insinuar méritos inexistentes do Partido “dos” Trabalhadores e do fundador do Foro de São Paulo, Lula.
O modo de escrever de Veríssimo opta por uma linha construtiva de disfarces, jogos de espelhos e alusões e premissas ocultas que querem discretamente produzir um relevo de verossimilhança que ao desavisado ganha, por insinuar a evidência, algo dela. O que há, de fato, no entanto, é só a insinuação de superficial do que não é senão um padrão mental que adapta as coisas a si mesmo.
Escrever assim, é um diabolismo que quer fazer passar, num relance, o que afirma discretamente. E como o conspirador, com sinal invertido, já quer desmistificar a ação política pelo gerenciamento estratégico do governo. Numa perfeita inversão das coisas. “Diabolos”, do Grego, quer dizer o “acusador”, o “difamador”, mas também, e antes de tudo, por seus meios, “jogar junto”. Dizer algo para dizer outra coisa; encobrir uma mentira com um jogo de luz e sombras, para dar abusivamente feição de ser pelas aparências mais superficiais o que se quer que seja.
Bem, fora os rodeios, seguem minhas considerações ao sr. L.F. Veríssimo:
Enviado à verissimo@zerohora.com.br terça-feira, 22 de Dezembro de 2009.
(Sobre o tom laudatório ao PT, quando antes da reforma de Duda Mendonça, meter medo em empresários brasileiros, mas, no fim, mostrar-se confiável e tremendamente competente.)
*
(Porque o criminoso sempre volta ao local do crime)
O ARGUMENTO DA CARTA
(O texto original está em preto)
1. O PT “assustar” 800 mil empresários refere-se àquelas maiores metas da esquerda de mudanças sociais, jurídicas e econômicas radicais que não apenas não se confirmaram por aqui como foram abandonadas?
A ideologia política revolucionária parece ter sido abandonada, ou trocada por “reformas” --- nos termos em que Lula se refere às vezes à sua “revolução pacífica” ---, que deu em ortodoxia e (!) em estabilidade e algum ganho e reconhecimento. Não saberia dizer, no entanto, qual ganho, já que tudo que a imprensa faz é dar isso por certo. O The Economist é quem pode dizer, sobre o aspecto econômico, tecnicamente --- frio e maleável como as estatísticas o permitem (o sexto estado da matéria) ---, se bem que me parece se trata apenas do nosso nível de exposição à crise (e da manutenção do óbvio), e isso passe por virtude de doutrina econômica [1].
Então o PT poderia dizer, como Chesterton, “Tentei criar uma heresia, e quando a concluí, era a ortodoxia”.
Porém, se ler os artigos, os debates e os seminários internos da esquerda (que nenhum jornalista faz) --- que no geral, falam o mesmo e divergem para no fim convergir ---, vê-se que esta nunca abandonou seus ideais em nada ou recuou de seus métodos em um só centímetro. Nem jamais acreditaram na liberdade de mercado, mas por aquela tolerância leninista de pegar a oportunidade quando ela aparece e como ela aparece. Então, agora, recebem o lustro do bem-estar, da “boa fortuna” dessa “nova realidade” do país, como que justificando aqueles ideais de um horizonte legendário ao qual se perseguira. Tudo muito bem, não fosse ser o contrário.
Tudo isto é aceitável se e somente se se ignorar que a ortodoxia faz parte hoje de um passo comum da esquerda que tem o seu horizonte forjado nos encontros do “Foro de São Paulo”, um seminário internacional --- tudo entre os extremos do espectro da esquerda --- que “CONSTITUYE EL PRINCIPAL AGRUPAMIENTO DE PARTIDOS Y MOVIMIENTOS POLÍTICOS DE LA IZQUIERDA LATINOAMERICANA Y CARIBEÑA”. É um tipo de “conspiração aberta”, político-estratégica, de natureza supranacional, e voltada à ação política revolucionária e não apenas reformista. Na base de ação, estão reformas econômicas, jurídicas, políticas institucionais, “subversão” cultural, tudo abaixo das diretrizes de ação política ali decididas.
Bem; lendo, a ortodoxia econômica é desmentida. Assim, teria a esquerda abandonado seus ideais? Parece pouco provável. É mais fácil aceitar que o que de fato se deu foi a integração de uma praxis econômica temporária, do modo como se pôde --- o que se vem declarando no PT e no Foro de SP com suas limitações intrínsecas ---, no curso da revolução lenta e gradual a qual atrai com uma mão para bater com a outra.
Nenhum historiador ou cientista político, nem mesmo o jornalista, sérios e com alguma consciência, ignorariam estas coisas para concluir pelas aparências que um governo quer fazer passar.
"O Brasil era capitalismo sem capital. Resolvi que era preciso construir o capitalismo para depois fazer o socialismo 
 -- Lula ao jornal espanhol El País --
2. Nos termos do Foro de São Paulo, segundo suas atas[2], dizem “fazer bons governospara --- é esse “para” que mata ---, para modificar o sistema desde dentro:
Entramos no sistema para mudar o sistema e não para nos modificarmos a nós” --- Shafick Handal.
Isso é repetido como um mantra. Jamais houve uma intenção diversa desta, reiterada sempre pela esquerda latino-americana, onde quer que ela se manifeste com alguma consciência, mas as mudanças as quais o sr. comemora e que as aponta aos 800 mil empresários, estão justamente, como outrora, nesse esforço pelo poder --- “pelo povo”.
3. Mário Vargas Llosa passou a encabeçar a resistência contra esse populismo hipertrofiado na América Latina de hoje, sem que a mídia se dê conta destas coisas com a gravidade que merece e que se encontra, por um destes acidentes felizes, com a objetividade das coisas existentes e sendo feitas por mãos humanas; p. ex., como se viu no caso recente de Honduras, quando as declarações no Foro explicavam toda a ajuda mútua entre PT e Zelaya na estratégia de reformas constitucionais progressivas, exortadas no Foro de São Paulo. Chamam-nas também “processos sociais” (...newspeaking), como os que estão em curso hoje na Venezuela.
Ora, é bem fácil perceber que esses processos sociais, que estão ocorrendo em toda a América Latina, são contrários aos princípios mais certos da economia liberal que o PT parece ter-se convertido de forma pragmática.
Nas atas do Foro de São Paulo estas coisas estão ditas e repetidas à náusea, com quase todas as letras. No entanto, o tal é tratado como se fosse mais um ser fabuloso de um livro do nosso folclore, coisa igual à mula-sem-cabeça, do que o que é: um importante grupo político que clama pela “soberania da América Latina...” e Caribe (!). O termo, como o sr. deve ter notado, é um oximoro; e, por regra, só pode querer dizer outra coisa.
4. Imagino que a palavra é coisa que recebe do sr. os mais altos cuidados, imagino também contra o seu abuso e adulteração, o que me lembra logo George Orwell.
Veja a palavra “(Neo)Liberalismo” (capitalista), é o nome da doutrina que gerou a crise e que o PT mostrou como dar alternativa aderindo ao mesmo? O que não pode fazer, para justificar, é confundir o conservadorismo econômico, que é a ortodoxia, com o controle estatal: subjuga aquele a este e parece que o controle estatal é uma alternativa ao liberalismo. Aí podemos chegar a dizer como o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que o medo que paralisa a ação estatal agora imitaria a República de Weimar, com uma
obsequiosa gestão pró-mercados do chanceler Brünning... [que] tangeu então a economia e o povo alemão rumo a um suicídio histórico perpetrado com doses letais de cortes de gastos públicos; erosão das reservas externas; fuga de capitais e consequente desemprego galopante”.
Não posso deixar de notar, antes de continuar, que as odiosas --- para Beluzzo --- políticas de contenção e de austeridade, são justamente as agora adotadas pela Grécia para tentar corrigir ter sido perdulária e ter levado adiante políticas sociais irresponsáveis. E contra as quais, os socialistas se levantam, chegando a causar mortes de inocentes, para repudiar as medidas que entendem ser draconianas.
Então a história se repete, em outra circunstância, e parece que não será esse o fim dessa história, como “prevê” --- clarividente de profecias que se autorrealizam --- Gonzaga Beluzzo.
Então, para combater isto, que levou à ascensão do nazismo, Beluzzo, hoje presidente do Palmeiras --- convenhamos, a minha avó com Alzheimer não lhe daria ouvidos ---, sugere:
1) administração discricionária das reservas cambiais;
2) estatização do crédito direcionado à produção; e
3) expansão do investimento público; na generalidade, justamente as ações tomadas pela Alemanha nazista após chegar ao poder (!).
Coisa muito parecida Obama vem, com luva de pelica, aplicando nos Estados Unidos; mas, antes, a luz amarela da Grécia veio primeiro.
Tornar-se o monstro para ter força suficiente para impedir que o monstro cresça. É exatamente isso, ainda que o sr. Beluzzo não o tenha querido demonstrar, que o Leviatã é perigoso, seja lá que forma venha a assumir, seja lá como. Se de um modo a República de Weimer era recessiva, o progressismo de Adolf deu em... Hitler [3].
Seria já então nem tão cedo para se concluir pela ação benéfica do estado à capacidade de gerar riqueza, de dirigir a economia de forma sustentável e favorecer o desenvolvimento?
A palavra “neoliberalismo” é uma daquelas que Geroge Orwell reconheceria, em “Politics and the English Language” (1947), na classe das que se dá o sentido que bem entende quem pretenda fazer uso dela, segundo seus próprios fins; assim, já começando por mal-definí-la, para refutá-la (o caso); porém, ao refutá-la, ao mal-definir, evitar prestar contas das conseqüências que advém quando se propõe algo novo e vazio no lugar de algo existente e que tem contra si suas mazelas sem que estas possam refutar seus sucessos. Também, assim permitindo que os autores de propostas vazias --- de termos intencionalmente equivocados --- esquivem-se de seu futuro insucesso e responsabilidade.
Não é de hoje que se contrapõe a “ética da intenção” --- que a tudo justifica pelas melhores intenções --- à “ética da responsabilidade”, de Max Weber, a qual converge com a noção de moralidade econômica em Adam Smith e sem a qual chamar alguém ou orientação geral ou política de “Conservador” é [o mesmo que] inculpar a salmoura do pickles pela crise.
A virtude econômica da riqueza (ainda pouca para alguns, mas a que há), que só existiu sob o liberalismo capitalista --- com os seus problemas intrínsecos, que motivam sempre de novo a crítica da “crise” ---, é ao mesmo tempo o sucesso da esquerda pragmática e o fracasso do liberalismo capitalista? Essa inversão, pela forma e não pelo mérito, deve pôr Orwell escavando com as unhas a terra sobre ele nesse momento[4].
Esse liberalismo da adesão pragmática é um liberalismo de outra natureza, que nunca se viu e que se tentarmos fazer comparações, encontraremos somente o pior, aquilo a que todos se recusam in limine. É o tipo de “radicalismo” (!) que se censura hoje na internet e nos jornais. A ciência política já notou que entre o desemprego e a liberdade o povo não escolheria necessariamente a segunda; em seguida a isto, dão-nos o estado empreendedor como forma mais eficiente para resolver alguns problemas a curto prazo, sem podermos prever o que só tem precedente no pior do século passado. E o pior desse nosso século, no século passado, só na literatura.
O PT tornou-se liberal? Ou, o PT provou a alternativa ao neoliberalismo? Dizê-lo “conservador” é uma heresia (tecnicamente), que o conservadorismo está ligado ao Direito Natural, que é o arqui-inimigo da esquerda, depois de Deus. Estas coisas não batem. Veja que segundo o sr. Pochmann, presidente do IPEA,
o atual modelo de capitalismo está em xeque, mas não pelo aparecimento de um novo projeto. Caberia, portanto, à esquerda construir essa alternativa”.
Um modelo de economia socialista não existe... “ainda”. O liberalismo a cabresto, como alguns cientistas políticos vem notando surgir na Venezuela --- e Chávez foi gestado dentro do Foro[5] ---, foi o modo político do estado soviético e do nacional socialismo na sua estrutura econômica (...o pior), que só passa despercebido quando o caráter estratégico de “fazer bons governos” fica convenientemente oculto.
O modelo de estado do liberalismo/capitalismo a cabresto parece ter sido uma das maiores heranças da Segunda Guerra, mas --- os jornalistas geralmente não o distinguem --- isso não significa que esta forma de estado, que se encaminha a passo lento a qualquer coisa que mereça o termo “fascismo democrático”, venha carregando bandeiras com cruzes que giram, seja lá para que lado, ou com que tipo de bigode esquisito apareça o seu líder populista. As marchas são as mesmas, o passo é outro e os archotes são também outros: “inteligência viva”, “hope” e o velho e bom “futuro” luminoso no horizonte crepuscular, sempre a um passo de si mesmo, assim como o pior.
Continua sendo, no fundo, aquela velha “luz da razão” luciferina de profetas revolucionários (à direita ou à esquerda, tanto faz), que é um tipo de insight que o homem de fé deve ter para “compreender” --- isto é, aderir imediatamente --- à essa boa-nova macaqueada. E, de novo, tão facilmente caímos hipnotizados pelo messias populista cujo culto promete a redenção terrena de todos os nossos males.
Se é bom perante o mundo liberal ter fama de ortodoxo responsável, não poderia deixar de ser --- se o senhor o soubesse --- desconversa dizer que pode ser constrangedor perante os ideais da esquerda, quando esta está hoje ainda atavicamente ligada aos seus velhos ranços, e como nunca.
O poder de fazer, delegado porém sem as amarras institucionais --- que a esquerda quer pôr fora --- dá, sim, em uma capacidade maior dos estados para melhorar a vida do povo, mas a que preço? O preço é a liberdade, mal compreendida no que realmente significa e desfeita pela lembrança da fome dos miseráveis. Uma granja alimenta um número maior de galinhas mais tempo e melhor que o ciscar, mas não dá para ignorar esse outro tipo de miséria que vem junto.
Não desconheço as razões que o levam a blasfemar contra o “capital financeiro internacional”, que são reais, porém a simplificação de fazê-lo desaparecer, para pô-lo em mãos... de quem? Prefiro o poder vil na mão de muitos que este concentrado em poucos “bem intencionados”. A premissa oculta aí quer dar a entender que o mal poderia ser reduzido com a racionalidade do sr. Beluzzo, suponho. De mim, desaconselharia. Mas talvez nosso maior problema seja hoje uma aproximação medonha entre socialismo, capital financeiro internacional e humanismo ateu, muito mais próximos, quando juntos, do 1984 de Orwell do que qualquer um já havia se dado conta com toda a consciência, mesmo o mais visionário cientista político --- além, é claro, novamente, de na própria literatura.
Seria o equivalente a um salto de King Kong por uma janela metafísica (cuja antevisão só pode ser literária), a encarnar o mais assombroso caso de crime da história da imaginação humana, o do macaco revoltado que matou Deus com um sorriso sátiro.
Esse grande “salto” para frente, que a esquerda sonha, um dia, traz consigo toda a sua herança macabra, seguida por zumbis, adolescentes, idiotas, ingênuos (puros), ressentidos, celerados, etc., i.e., as “minorias” todas.
No demais, por estranho que lhe pareça, há tantos mais entraves políticos e não, realmente, os econômicos; nem tanto por aqueles que querem sustentar-se como elite --- e os há ---, mas, no grosso, a repulsa a levar a todos sem cobrar-lhes aqueles princípios que são um dever que se tem em vista sabendo que uma maioria fracassará ao defendê-los. Vejo como ridículo e humilhante as reivindicações dos pobres perante os ricos, como se o valor que pudessem reconhecer fosse aquele contra o qual blasfemam acima deles: o dinheiro. Custa, por um instante, imaginar que talvez os ricos tenham se tornado ricos porque não estavam cobiçando o dinheiro dos ricos? Ou, se chegaram lá por este viés, sem virtude, então já se confundem bizarramente com essa blasfêmia dos que querem a igualdade compulsória a tornarem-se um dos contra quem blasfemam.
5. O espetáculo do crescimento, que o sr. retrata no artigo, que antes de ser de quem o realiza, é crédito da própria ortodoxia econômica, parece quando muito o efeito imediato do mínimo de prudência com aquele delay entre qualquer coisa à esquerda da liberdade econômica verdadeira, comemorada no seu artigo. Liberdade econômica que não se mede bem, até, pelo menos, que ela atinja o preço da cerveja, a qual hoje no Brasil é de 56,7%, a beira do abismo para “Repressor” segundo o Heritage Foundation.
Então, como que a salvação vem hoje pela campanha irracional, de pura repetição de slogans, pela “salvação do planeta” --- a “oportunidade” que se perdeu --- com a criação de um imposto mundial, justamente o que fez Delfim e Joelmir Beting chamarem coisa igual, para o Brasil de hoje, de política econômica suicida. Mais uma vez, enquanto pedimos compensações “por direito” (na história de novo) os Estados Unidos terão o mérito, e nós, a fantasia de uma “moral” que já foi aquela do PT --- a droga alucinógena na nossa água que os ecologistas não combatem.
Os pais do socialismo moderno (XIX pra cá) já sabiam que o Velho Mundo deveria ser totalmente destruído para que o socialismo pudesse se realizar, para que pudesse inspirar alguma esperança, pois é impossível ele ter qualquer chance de ser aceito se não sabotar o mundo para vender o seu remédio.
Atribuir, assim, ao PT o brilhantismo de um 10 no dever de casa, enquanto inclinava-se mais a gazear aula, é comemorar a cola como estudo --- que pode também render vários 10. É colocar o mundo de cabeça para baixo fazer do modelo da liberdade de mercado um fracasso apontando suas crises recorrentes da crítica marxista, sobre a qual --- não se pode negligenciar ---, pesa começar a ser vociferada precedendo sempre o pior do século 20. Liberalismo que não foi um fracasso nem mesmo para as espoliadas nações antes comunistas. E em vitória do socialismo o que a esquerda socialista sempre combateu e que agora só por estratégia unificada, do que se tem evidência, permite-se manter por algum tempo. Por algum tempo, até que possa avançar --- progressismo fatídico esse --- a essa promessa sempre um passo além, no futuro, que será então uma economia socialista original. Aí, sim, poderemos estar vivendo o fim do mundo como o conhecemos --- um para lá de semelhante 2012... ---, para qualquer coisa mais estranha --- ...ao modo asteca de sociedade ---, já que ninguém nunca viu algo assim além de na literatura.
6. Em outro artigo, “Um retorno a Adam Smith”, sobre uma passagem ali, intriga-me se o sr. realmente acredita que o Terror gerou as condições para a invenção (ou surgimento) do computador (que deve mais certamente à economia racional que àquela sinistra) --- a idéia de que a violência é parteira da história, que pertence ao coração do marxismo. Quando o certo seria afirmar que alguns problemas, como as crises (quaisquer), abrem espaço para mudanças --- que são então um rearranjo necessário (que pode ser, e geralmente é, de restauração), como quando se abre as águas com as mãos e elas voltam ---, mas que estas crises de modo algum estão ligadas necessariamente ao avanço da ciência ou ao que quer que seja. É até mais fácil observar o oposto, onde as falhas de antigos sistemas abrem espaço não para novas oportunidades, mas para os mais perigosos oportunistas, quando eles então ganham força e até parecem poder ser uma alternativa.
Marx entendeu que o mundo era o subproduto dos processos de produção, mas tentou mudá-lo pela ação política --- e disse mesmo em que passo, lento. Depois, quem o tentou novamente pela economia fracassou sistematicamente e sempre de novo e de novo e, agora, mais uma vez, como aquele lateral que jamais deixa de cruzar para a zona morta, no lado oposto do campo.
Se Lula, como li em sua defesa em outros locais, está provando que não produziu crise alguma, como se esperava e botava medo nos 800 empresários, isso ainda é um risco real, como se vê pela unidade de ação do Foro de São Paulo e por casos recentes. Lula pode não ser o motor na crise, mas pode ser a encarnação dessa casca de banana eterna no nosso chão. Já nem considero seriamente lhe dar algum mérito por ter desistido do pior, depois de ameaçá-lo.
Ao que parece, a revolução na economia fracassou de todo --- a qual Marx jamais exortou a que se fizesse abruptamente, como é do imaginário ordinário ---, para então mostrar-se mais acessível pelas reformas, enquanto à revolução coube a ação política. Para Heráclito a natureza se mostra melhor no seu ocultar-se. A Revolução tornou-se discreta e aberta --- para ocultar-se.
Nada de novo sob o sol”, diria o Eclesiastes.
7. A propósito de “Para voltar a crer” (03.12.09), penso que o artigo onde o sr. escreve sobre a superioridade moral a qual o Grêmio deveria aspirar é um exemplo de como os melhores valores podem ser usados para motivar-nos a ajudar o “inimigo” (não o Inter), ou ao pior [6]. Como quando se pede aos Estados Unidos e não à Rússia que detenha o Irã ou que trabalhe para a construção do estado palestino, cedendo-lhes às chantagens e ameaças. No balcão de negócios, isso é só truque: intimar o adversário a agir de forma honesta é, em si, um ardil conhecido e é usado sempre em situações precisas, seja em geopolítica, seja no futebol. Essa reticência prudente em atender de pronto aos sinais do adversário foi chamado de “jogo” pelos piores cafajestes. “Krämer nation” [Nação de lojistas], diziam os alemães dos ingleses e dos judeus: os alemães, da Alemanha do imperador Guilherme IIº, depois os nazistas e os comunistas tantas vezes; o que foi usado também universalmente contra os judeus, antes; e pela polícia secreta russa, a Okhrana; e depois pela KGB, e depois ainda e ainda, para inculpar o mundo ocidental, por suas falhas, à culpa de todos os males do mundo. E até por esta astúcia, que já se lhe imputa, ao inimigo.
Lula --- e o PT, que aspira ser o maior partido do Brasil de todos os tempos... se for o último ---, pode ser, e até agora é o que foi, o nosso Valium, um ansiolítico e hipnótico eficiente enquanto fazemos como bons liberais (que, previstos por Bakunin, tornar-se-iam notáveis amigos do marxismo), preocupando-nos com as estatísticas da economia e ignorando todo o demais.
*
Se os olhos são os espelhos da alma, não estranharia a Borges --- pelo peculiar impressão que lhe causavam os espelhos --- que há olhos que reproduzem labirintos sem fim; e por isto, ou por insistirem nas colas que põem na história Original, a permanecerem perdidos.
Novamente, desculpe-me pela impertinência e por aborrecê-lo.
Cordialmente; e um Feliz Natal.
[22 de Dezembro de 2009]
--- Jamais obtive qualquer resposta.
*
O fio vermelho do crime
A “cola” é a expressão de um acréscimo de “tradutor”, em Borges e os orangotangos eternos (2000), a uma obra original. Mas pode ser também o “rabo” deixado para trás pelo criminoso que denuncia, segundo a máxima forense de que toda ação deixa rastros, a assinatura de seus métodos, a marca de Caim.
E é a busca por alguma verossimilhança, mesmo quando se trata de uma história fantástica. Ou, o perfeito inverso, que é válido, de que é preciso algum artifício para narrar uma história banal ocultando dela o que ela tem de fantástico, envolto numa atmosfera de banalidade fingida com a discrição de uma obviedade.
Afinal de contas, porque o criminoso sempre “volta” à cena do crime. N'O Pêndulo de Foucault, os “diabólicos” são os conspiradores que falsificam os fatos interpretando-os segundo uma chave mestra que se mantém abrindo portas indefinidamente; mas, de fato, variam pouco nos métodos, o que lhes dá um padrão. Como o “rabo” de todas as crônicas de Luiz Fernando Veríssimo, a sua assinatura na cena do crime.

Notas
1. Delfim Netto deu entrevista dia 20.12.09 no Canal Livre, comentando os motivos do Brasil ter escapado à crise, que só pode ser atribuído às instituições brasileiras (mesmo assediadas), por pressão do MP, a despeito da má gestão dos bancos centrais e da intervenção dos governos. Muita coisa que a imprensa dá por óbvio, mas o oposto. E não só nisso.
2. XIII ENCONTRO – SAN SALVADOR (EL SALVADOR) - 2007. Resumen Conclusiones del Taller Internacional. La Vía Electoral Como Componente de Victoria de las Fuerzas Revolucionarias - Uso Efectivo de las Elecciones por parte de las Fuerzas Sociales y Políticas de Izquierda.
3. Delfim disse também que esse tipo de economia, bem como as medidas mais rapidamente tomadas pelos governos, com fins eleitoreiros, são “vôo de galinha”. Mas, como dá para perceber rápido, geram estatística: de novo, “fazer bons governos” quer dizer isto.
4. Ouvi dizer que o filme Shinshing Cleaning traz algumas das virtudes do capitalismo, é de conferir. Mas a minha simplória ideia deste, e pelo qual eu reconheço poder levar o homem às mais altas realizações mundanas, é aquele da mítica família “Wayne”, de Batman, o “nobre” que goza do que tem e sabe que por isso dele se lhe cobrará mais. Ou a dignidade austera e a honestidade da família “Richie Rich”, para aqueles valores individuais que permitem a uma pessoa prosperar na vida. É claro que isso não pode deixar de distingui-las; não há igualitarismo com estes valores. E que na ausência dos valores, seja lá por que motivo, redunda em qualquer coisa que pejorativamente se possa chamar “burguês”, ou chegar a ser algo ainda pior. A massificação que o socialista denuncia na pequena burguesia é ela própria um socialismo, kitsch-minded uniformitarizados. Mas eu julgo que a nossa estratégia para fugir a esse horror não seja a do sr. Beluzzo, tornarmo-nos socialistas para lutar contra o socialismo pequeno-burguês.
5. Se está prevendo, do mesmo modo como ocorreu historicamente, o surgimento de uma elite nova dentro da Venezuela, ligada ao projeto boliviariano de Chávez.
6. Sobre a brincadeira de pedir ao Grêmio “superioridade mortal” para convencer o arqui-inimigo a vencer o flamango para permitir ao seu Inter tornar-se campeão brasileiro; é claro, o que era para retroativamente (ao final daquela partida) vexar o rival, e, naquele momento, induzindo sob ameaçar, discretamente. [Não Constava na Carta]