janeiro 28, 2008

Época crepuscular

“PRÓLOGO. Não se pode deixar de reconhecer que Nietzsche foi o grande profeta do Séc. XIX. A sua antevisão do Séc. XX está confirmada, pois a ascensão do nihilismo, em sentido filosófico, conhece um novo avatar. E dizemos avatar porque nas épocas de decadência dos ciclos culturais, não é outro o espectáculo a que se assiste. Julgamos conveniente expressar aqui num bem rápido esboço, embora veemente, a fisionomia de nossa época de fariseísmo e filisteísmo intelectual, em que a moeda falsa substitui a verdadeira, em que as mais abstrusas e falsas doutrinas, já refutadas com séculos de antecedência, surgem como “novidades”, que atraem para o seu âmbito as inteligências deficitárias de nossa época, que cooperam, conscientemente ou não, na tentativa de destruir o que havia de mais positivo no pensamento humano.
Há necessidade de denunciar esse aviltamento da cultura e dos valores, e também demonstrar a improcedência das tentativas de dissolver o que havia de mais elevado no pensamento humano.
Neste prólogo, faremos o diagnóstico. A terapêutica vem depois, nos diálogos, onde examinamos a falta de base das afirmativas nihilistas, da filosofia da negatividade que se antepõe à filosofia da positividade, a filosofia afirmativa, a filosofia do Sim. A acção destructiva das doutrinas negativistas já provocou muitas lágrimas e derramou muito sangue. Estamos vivendo em pleno nihilismo, e este está alcançando as suas fronteiras. E é um dever dos que se colocam do lado da afirmação e da positividade, trabalharem, afanarem-se, esforçarem-se para combater a sanha da decadência, cujos vícios estimularam inúmeros males à humanidade e ainda prometem outros maiores”.
- Mário Ferreira dos Santos, em Filosofia da Afirmação e da Negação, primeiros parágrafos do “Prólogo”, p. 13 (2ª edição: 1962).

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