janeiro 15, 2012

Um mundo sem homens?

A imagem vagamente terrível de um homem na mente de Aubretia para lembrar daquele dia. Não havia nenhuma parecença de humanidade. A morte havia criado uma barreira invisível atrás da qual um corpo não era mais que um artefato esbranquiçado que lembrava rudemente uma silhueta humana, mas suficientemente diferente do tipo feminino, remotamente e alienígena. E com a imagem, um certo medo indefinível, não do corpo no Annex, mas de algo mais fundamental, algo a respeito dela mesma, e de Aquilegia e Gallardia, e com todas as mulheres do mundo. O medo era uma sombra por trás de uma figura de homem, não completamente distinta, mas, talvez por isso mesmo, de medonho significado, obscurecendo os limites da consciência com um sentido do inexplicável.”
--- Charles Eric Maine, World Without Men, II. --- Sobre as sensações de Albretia ao reconhecer no gelo a silhueta de um homem num mundo onde os homens já não existiam. O romance de Eric Maine se desenrola em torno da tentativa de uma espécie apenas de mulheres recriar, com tudo que tinham, os antigos homens.

Matt Patterson*
  
No último ano um artigo no The Atlantic perguntou “São os pais necessários?” A resposta foi cuidadosamente fornecida no subtítulo --- “A contribuição paternal pode não ser tão essencial quanto pensamos”.
O artigo se refere a um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de New York e pela Universidade do Sul da Califórnia ao que “consolidou os dados disponíveis sobre o papel dos gêneros na criação dos filhos”. O que resultou do seu barulhento resultado a The Atlantic resumiu como segue:
Nossas idéias de o que os pais fazem ou provém são baseadas primariamente no contraste entre casais e mulheres solteiras: um exercício de maçãs e laranjas que confunde gêneros, orientação sexual, status marital e as relações biogenéticas de modo que uma verdadeira comparação de gêneros --- uma que compare casais de gays ou de lésbicas aos casados heterossexuais ou de pais e mães solteiros --- não faria. A maioria dos dados falha ao distinguir entre um pai e a renda que ele provê, ou entre a presença de um pai e a presença do segundo conjuge, independente de gênero.”
Bem compreendido? Não há diferença entre “você” e a “renda que você fornece”. A notícia desanimadora saiu no fim de 2009, produzida por pesquisadores do Northest England Stem Cell Institute, e revelava que os cientistas conseguiram criar uma técnica para produzir esperma humano através de ramos de células tronco embrionárias. Como noticiou o U. K. Telegraph:
Dentro de 10 anos os cientistas dizem que a técnica poderá ser usada para permitir pares inférteis a ter crianças que são geneticamente suas próprias. Será possível mesmo criar esperma a partir de células tronco, dizem eles, o que por fim significa que uma mulher poderá ter um bebê sem um homem.”
Para qualquer um que amou seu pai isso tudo é um pouco chocante. Mas alguém que realmente não está nada chocado com tudo isso é Maureen Dowd do New York Times, que já havia esboçado essa infâmia antes, no ano de 2005, com seu livro São os homens necessários?
É um tipo de lamento que se tem de muito ouvido dos salões feministas, onde os males dos homens --- a guerra, não baixar a tampa do vaso, etc... --- são gravemente condenados, enquanto, num esforço só, todas as contribuições dos homens à sociedade amargamento denegridas.
Agora que um mundo sem homens parece estar num momento quase culminante, antes de sua completa realização, é preciso parar um pouco para considerar por um instante com o quê um mundo assim irá verdadeiramente se parecer. Este será certamente (?!) um mundo sem guerras, por certo, mas será também um mundo sem outras coisas...
1) Literatura: de Homero a Stan Lee, a maioria das grandes histórias foram contadas por homens. --- E não apenas isso, mas por muito tempo os homens se tornavam homens sentando ao lado de um ancião e ouvindo narrativas celebradas como ritos de passagem, antes que uma reclusão ou grande tarefa lhe fosse exigida. --- Os grande poetas foram quase exclusivamente homens ---- não há mulheres equivalentes a Byron ou Whitman, muito menos a Shakespeare ou Dante, homens cuja visão extraordinária moldaram não apenas nossa linguagem, mas nosso senso do que é humano. Um mundo sem homens será um mundo cuja lista de grandes autores incluiria Jane Suten, Safo... e... humm...
2) Tecnologia: Os homens tem inventado tudo que vale a pena ser inventado, da imprensa ao iPad. Se há um gadget ou um dispositivo que fez sua vida mais fácil ou mais agradável, a vantagem é de 99 para 1 que isso foi previsto --- e primeiro trazido a você --- por um homem.
3) Alimentos: Quantos fazendeiros na história foram mulheres? Pois é...
4) Comédia: Um mundo sem homens seria certamente um mundo sem piadas e riso. Alguns caras, especialmente os caras bobalhões, são responsáveis por mais comédia do que qualquer um, [adaptando:] de Jerry Lewis ao Monty Python, Charlie Chaplin, Laurel and Hardy, Groucho Marx..., todos os latinos antigos, [por aqui Chico Anysio, Jô Soares, José Vasconcellos...]. E a razão macho-fêmea em comédia stand-up é algo como 4/1 (--- nada disso, é claro, retira o brilho de algumas mulheres como Lucille Ball e Carol Brunett).Isto é, um mundo sem homens seria um mundo realmente muito chato, mesmo se isso fosse possível. 
Encare isso, os homens inventaram a própria civilização. Pode alguém realmente negar isso? Assim, para todas aquelas mulheres que acham que elas estariam melhores sem sua malcheirosa contraparte, pensem melhor (pelo menos, senão isto, para não dar mais razão ao que se constatou até aqui). E se isso não convence você da necessidade dos homens, pergunte a si mesma: 'Quem abrirá os potes de conserva? Ah?'
*Matt Patterson é um counista, comentarista e contribuidor do Proud to Be Right: Next Conservative Generation. Ele pode ser contatado no Mattpattersononline.com.
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Texto original do American Thinker: “A World without Men?” (10.12.2011).