dezembro 24, 2006

Architeuthis dux (Lula Gigante)

Artigo de primeiríssima grandeza da Criptozoologia, a fantástica Architeuthis dux foi filmada recentemente por pesquisadores japoneses (Yahoo! Notícias). Era um espécime pequeno, de cerca de 3,5 m, mas que pode chegar (oficialmente) de 13 a 15 m, enquanto a Mesonychoteuthis hamiltoni a mais que isto. Há quem tenha testemunhado exemplares de 20 metros e histórias relatadas no século XIX dão versões de exemplares legendários. As lulas apresentam comportamento agressivo no seu habitat natural, o que as leva ao canibalismo e a desenvolverem agilidade tanto para a fuga quanto para o ataque.

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A Wikipedia tem aqui (página principal), aqui (nesta, com fotos e ilustrações) e aqui (tamanhos) vasto material sobre o maior invertebrado do mundo.

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O vídeo em que a Architeuthis de 3,5 m é pescada por pesquisadores japoneses está no YouTube.


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Pela National Geographic chega-se a algumas fotos recentes, clique aqui. As imagens também aparecem em um programa de TV no YouTube, aqui, em língua espanhola.


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A MarineBio.Org traz dados técnicos e detalhes históricos, inclusive ataques a navios e relatos de animais de dimensões fantásticas.


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Na página da National Geographic pode-se ver um vídeo da Monterey Bay Aquarium Research Institute onde aparece uma espécie de calamar gigante pairando a 3.380 m de profundidade. Pode-se ler o “logbook” da expedição dese filme pelo link aqui.


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A agressividade das lulas gigantes parece que pode ser decorrência do ambiente altamente competitivo, escassez de comida e devido ao seu predador natural, a baleia Cachalote. Este outro vídeo aqui, no YouTube, é um exemplo desse comportamento “nervoso”.


Ficha técnica:
Todas as figuras tem seus links no corpo do texto.

dezembro 22, 2006

O lugar-comum do melhor futebol

A contradição é um troço terrível; tem lá efeito desde coisa abstrusa igual a enuciar o contrário da intenção explícita, como é o caso, semelhante ao que disse o minoano Epiménides, ao se dizer Estou mentindo!, que não deixa claro, nem de longe, se estou mentindo de fato e portanto digo a verdade, que estou mentindo de fato, por conseguinte não estou mentindo, do que segue, logicamente, que estou mentindo, e assim ad infinitum. Não é diferente em nenhum lugar ou tempo. A contradição antinômica anula o que se está postulando. Um chutão, uma casquinha de cabeça, outra casquinha de cabeça, Iarlei domina a bola, se livra do defensor, espera o companheiro (Gabirú) e passa a bola que, como um chute tosco faz o gol. Este lance define o maior título do melhor esporte do mundo. Um certo contrangimento leva a que se possa argumentar que futebol de resultado não é futebol, é coisa menor, é um tipo de pragmatismo de quem não gosta de futebol, mas que gosta é de vencer. O mais vistoso futebol do mundo, o espanhol Barcelona, é derrotado pelo pragmatismo.

Ninguém discute que o time catalão seja o “melhor” futebol do mundo, o mais vistoso, enquanto o melhor time é, por título, outro. Isso deveria diminuir o título d“o melhor time”, que joga o jogo para vencê-lo, enquanto o time espanhol joga “o melhor futebol” que pensa que deveria lhe dar o maior título de melhor time. Não aconteceu assim. O melhor futebol não é o do melhor time; o melhor time foi o que aderiu a uma forma pragmática de jogo, que é o “jogo do jogo”, que é a coisificação do jogo. Nada o vem de fora; uma idéia de futebol se confronta com o pragmatismo, que seria “idéia nenhuma de futebol”, se já não fosse. Mas é uma idéia mínima, é a menor idéia que se pode ter de futebol. É o jogo jogado na partida e com o futebol reduzido à estratégia de jogo. É o mínimo suficiente para não se perder por não se ter entrado em campo. São extremos, e eles se encontraram no campeonato mundial de clubes, tendo como vencedor o mínimo. Mas por que o mínimo jogo suficiente (que controla ao máximo o acidente e a criação aretística) venceu o “melhor” futebol do mundo? Ter uma idéia de futebol, que se admite correta, ter o melhor desempenho possível pelo maior número de tempo e reiteradamente e, ainda assim, não ser o melhor futebol do mundo de fato, tem razões ignoradas no modo como este nos aparece. Pois justamente, apareceu como uma declaração contraditória, quase antinômica, ao apresentar o melhor futebol do mundo como um lugar-comum. Contra o mínimo pragmático, o “melhor” precisaria ser mais que o conceito do “melhor” demonstrado à maneira dos geômetras, deveria ser o melhor “de fato”, mas o que se viu foi um “melhor” cheio de luagres-comuns, de movimentos que já se sabiam melhores, sem apresentar o imprevisível, o primor da arte, a mecânica de jogo, a adaptação tática, a dinâmica orgânica que confunde um único jopgador com o time inteiro, que combate o mínimo com o máximo que há de inusitado e de preciso ao mesmo tempo – às vezes ora preciso e certeiro, às vezes impreciso e genial (que faz aparecer o que ninguém via). O melhor futebol esbarrou na pragmática porque não há um “melhor” feito de lugares-comuns, um melhor que não preveja que, num mundo onde a contingência existe necessariamente, o melhor não pode ser definido de antemão, senão somente a posteriori, quando, uma vez equiparadas as máquinas, o brilho individua, a criação de um espaço, de uma passagem, de uma curva de trajetória impensada, ou o acidente, rompem a estrutura coesa do mínimo pragmático levando o melhor aonde deveria sempre estar.

Por fim, o time catalão perdeu porque entrou em contradição com o que é, que é só o que poderia levar o mínimo pragmático a ser o melhor. Uma clara inversão natural, devido a um destes acidentes cósmicos de uma metafísica esdrúxula, levaram a que o melhor futebol do mundo seja hoje o mínimo jogo suficiente.


dezembro 21, 2006

Presságios retrospectivos

A reflexão ambiental é nada mais que o presságio superabundante de um cataclismo no devir de algum tempo atrás e que se confunde mesmo com a lembrança de que se começou algum dia antes deste a assitir Lost, com o esquecimento repentino de que a poluição do rio dos Sinos é uma descoberta recente, que até pouco tempo gatos e cachorros e homens e macacos eram uns lá e outros cá, com o fato de que exobiogia não incluia fungos terrestres comedores de carne humana, com a idéia de que o tomar parte da defensoria pública não significava processualizar kafkianamente a aplicação das leis, que a destruição da amazônia não era um fato inevitável, comemorado a menor velocidade de desvastação inevitável, com o fato, pasmem!, de que líamos o mundo e não sabíamos que não sabíamos ler, bem como que a nossa alegria vã não tinha nada a ver com a festa quadrianual da campanha política – e que isso pareceça-nos hoje não ser algo terrível, é-nos, inescapavelmente, coisa pra lá de agourenta.


dezembro 20, 2006

Comparações imponderáveis

O rio dos sinos tem sua terceira mortandade de peixes desde o acidente de novembro último; a justiça desportiva, porque não funciona diariamente, de forma sistemática, resolve sempre os casos graves com “medidas exemplares”, prova de incompetência ou má fé; o futuro começa um ano depois do último ano de fracasso, entre outras coisas semelhantes. A inteligência brasileira é uma memória elíptica (gram.), uma negligência esquecida, um esquecimento (!) negligente. É o viés transcendente da verdade, é uma elíptica transcendental, cujo esquecimento a todos redime da consciência de um futuro melhor.


dezembro 14, 2006

Beco ambiental sem saída

Quando o filósofo define a Filosofia como “a unidade do saber realizada na unidade da consciência e vice-versa” (leia aqui), uma reflexão rápida deve concluir que não pode haver unidade de saber se não há na população as faculdades mínimas exigidas ao saber, alguma aptidão ao conhecimento. Os números do INAF, Índice Nacional de Analfabetismo Funcional, que apontaram 74% de dano às faculdades mínimas de aptidão humana ao convívio de qualquer espécie, em qualquer parte do mundo, mostram agora claramente uma forma de leitura de vários problemas endêmicos, que refletem as dificuldades de visão e de ação que sucumbem ao pensamento pelo hábito, pela repetição “macaquinizada” e pelos lugares-comuns, pela corrupção, que parece ter vínculos claros com a consciência fraca e com a coerência relativista que dá forma a uma ética suscetível a um sem número de mirabolâncias, para albergar todas as meias-verdades. Quando já não se distinguem quiproquós iguais, tem que se mudar a linguagem, mudar de gênero literário. Como pode haver mesmo rudimentos de saber se a faculdade média que permite a inteligibilidade de um texto está danificada, o que tem, pelas necessidade de fazer relações de todo tipo, e por razões teóricas, o reflexo prático no entendimento da prórpia realidade imediata, e do mundo como texto, cujos processos cognitivos se entrelaçam? O repertório das experiências de uma cultura, esquecido. Esse fenômeno caracteriza uma praga nacional amplamente difundida e de alta virulência. Assim, com pode existir “unidade” de saber se a faculdade da intelecção está gravemente danificada na população? E, pela afirmação do filósofo, deve-se concluir que se não há unidade de saber não pode haver unidade de consciência, que não pode daí senão as formas espontâneas de pensamento, os pensamendos mal pensados, a fantasia, a opinião (reconhecida espuriamente um “direito de todos”), o lugar-comum, a velhacaria. Na perspectiva ambientalista, unidade é toda e cada esfera excêntrica a um ponto qualquer tomados como um todo, sem posição definida nesse todo. A consciência é o foco central e a posição excêntrica ao mesmo tempo, deve pensar que pensa, deve pensar o pensar que pensa, um esforço de ampliação de perspectivas de perspectivas, que deve pensar a si mesma no ambiente e concluir que faz parte do meio; é uma faculdade reflexiva, um jogo de espelhos potencialmente infinito. Seu limite é um grau de desenvolvimento. Quanto mais baixo, pior. Se considerarmos que a Consciência e o Meio Ambiente são contíguos (como são contínuos conhecimento e consciência), como se pode falar de consciência ambiental quando a faculdade básica de intelecção está tão gravemente danificada na população?


dezembro 13, 2006

“Ocorrências ocorreram” na Rádio Gaúcha

É um caso de superfluidade “trava-cabeça” que saiu veiculado no dia 12/12/06, onde a expressão “ocorrências [policiais]... ocorreram” mereceria uma análise. A confusão parece que respeita regras semânticas selvagens do nosso cotidiano (a língua falada). As “ocorrências policiais” ocorreram quer dizer, foram formalmente lavradas, sendo a própria lavra o fato jornalístico. Como não poderia ser de outro modo. No entanto, é subentendido que o fato jornalístico é o número de crimes lavrados como fato criminal – o crime de fato. E por certo que só há fato jornalístico ligado à ocorrência policial, já que o fato criminal é objeto próprio da polícia. O desarranjo de se utilizar o lugar-comum criminalista para designar um fato jornalísitico é que parce, por fim, criminoso. Lembra alhures um certo esforço por “criar a conscientização ambiental(dito por um entrevistado no Jornal Nacional do dia 06/11/06), com o que correríamos o risco de termos, depois de certo tempo, muitos “conscientizadores” e consciência em ninguém. Parece um caso de desleixo com a redação do noticioso, um problema de gramática, em que o pensamento solto atropelou o português (sic.). A ocorrência de crimes ocorreram como registro policial e voltaram a ocorrer quando a notícia foi ao ar (!). Parece uma ponte que faz um loop e volta sobre si mesma para aproveitar um pilar, passando pelo mesmo lugar onde já havia passado, como se isso deixasse a via suspensa mais segura.


dezembro 12, 2006

Guerra brasiliana: ou, “ortotanásia marcial”

Santa Catarina! Só 13% da população naquele Estado é coberta por saneamento básico. São Leopoldo, um dos municípios que mais trata o esgoto no Rio Grande do Sul, alcança 20% e foi notícia nos últimos tempos um “incidente” ambiental que fez vir à tona o verdadeiro desastre dos 20.000 emissários de esgoto doméstico voltados para o rio e das empresas poluidoras e suas licenças ambientais pro forma. Novo Hamburgo, ao lado, trata somente 2% do esgoto. Basta saber que o índice de Santa Catarina é considerado igual ao de países em guerra, como o Iraque (Rádio Gaúcha, 17:05, 12/12/06) para se perceber o absurdo. Lembrar que o trânsito no Brasil mata mais, por ano, que a guerra naquele árido país. Aproveite-se que a discussão sobre a ortotanásia está em alta e faça-se uma reflexão sobre o moribundo gigante adormecido. A mosca do tsé-tsé causa letargia e leva freqüentemente à morte.


dezembro 05, 2006

Lulalia, o cacoete da repetição do presente no futuro

Lula declara (ai, ai): “Já não estou mais pensando em 2006” (sic.). Por um momento pareceu que ele diria “Já não estou... nem aí!. Quer dizer, não poder dizer outra coisa: quase de pronto ao agourento índice de crescimento do PIB de 2,8%, significa o imediatismo que não pensa nem no futuro nem no passado, mas no agora. O agora é sempre mais aconchegante, porque sempre tem um futuro distante o suficiente para a gente projetar as melhores expectativas.

Já se esperava que o resultado fosse ruim, mas não tão ruim. A retórica do presidente é alentadora, no entanto.

De novo (!), pela manhã (1º/12/06), e doeu no ouvido:

Eu já não estou mais pensando em 2006. Eu agora estou pensando em 2007, 2008, 2009 e 2010. Eu agora tenho que pensar para frente [sempre!]. Estamos tomando todas as medidas para que o Brasil tenha um crescimento mais vigoroso, um crescimento que possa atender mais rapidamente à necessidade da geração dos empregos e das riquezas que nós precisamos”, declarou o mendecápodo silvícola (de Silva).

Mais uma vez a ladainhalalia da “futurística fenomenológica”, que é quando a gente transforma em “fato” uma perspectiva toda particular sobre o futuro para compensar a realidade que contradiz essa perspectiva amplamente hoje. Ora, por que “tenho que pensar para frente”, não tem não! Pensar para frente é pensar o quê? O caso não é acertar a direção do pensamento, mas o que está sendo pensado. Houve algum crescimento vigoroso para que se deseje um crescimento “mais vigoroso”? É claro que é pura expectativa, contra os fatos! Tomar “todas as medidas” deve ser o mesmo que foi feito no último ano, quando se pretendeu o mínimo de 3,2% mas se chegou somente a 2,8%; senão admite-se que não se fez todo o possível para o mínimo! Parece pouco ainda e, a i n d a a s s i m, se vai repetir a dose. Depois, a superfluidade aliceana de que se utilizam o Rei de Copus e dois de paus da comitiva hiperbórea vem ainda como todas as medidas para que se “possa”, se se pudesse, no subjuntivo amarrado à ação do acaso, que dessa vez não nos sorriu à sorte merecida (outra referência ao futuro e nele aos 3,2% inalcançados), a'tender mais rapidamente o que até então é estagnação no principal, que é o que se projetou como mínimo. Ora, nessa retórica picaresca, se 3,2% não deram, vamos sonhar com 5%, e só na perspectiva disto já se prevê que o exagero superabundante deve, por certo, guardar algo mais (!).

Muito além dos atuais 2,8% de crescimento brasileiro existem a geração de empregos e as riquezas que nós precisamos, mas que se explique que o além é aqui e agora. Além, aqui, é em algum lugar perdido, que nem se consegue ver, por isso que, por cacoete, se imagina que ele seja o futuro. Damos um tapa em uma mobília velha e temos a consciência do passado por um tipo de intuição habitual; e nesse algo mais especioso que se repete indefinidamente – que distinguimos da eternidade sem muito boas razões para fazê-lo –, reconhecemos o futuro. Se não encontrarmos esse além e esse mais não haverá futuro. Dá para começar quase às cegas investindo em educação e cultura, e algum (pelo menos algum) bom senso e uma pitada de ingenuidade empirista. Sem adestramento, por favor! Se não se conseguiu pensar bem nem o 2006, e já se está dando passos mais largos, a 2008, 2009 e 2010... pare-se tudo! Isto de modo nenhum se justifica como método a qualquer das dez pernas que o homeostático molusco usa para se projetar por através da própria emulsão de tinta negra de confusão que ele expele, propulsionando-se (e nós com ele) para dentro da mandíbula estática de um futuro predador.