maio 11, 2008

Fé na inépcia

(“Mundo apócrifo – parte II )

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Pela fé no nada, à não-Busca do herói néscio, civilizador de um mundo mais-aquém.

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Intérpretes conseqüentes

O “homem egoísta” que Arnaldo Jabor reconhece, a partir do próprio sofrimento, uma realidade antropológica – sofrimento o qual tem grande força de ampliar a sensibilidade, e da qual parece que só tem alguma defesa o asceta –, parece ter sido despertado pela sordidez dos conchavos e do delírio atual do “lulo-sindicalismo”[1]. De repente, em alguns momentos, parece ter se tornado sensível ao que repugna no discurso “estratégico”, que manobra sempre na direção oposta a da verdade. Lula, no entanto, resta ainda incólume, sob o argumento (evidentíssimo) da própria torpeza – e isto dá-se desde logo como ingenuidade patente e daí à presunção de “inocência”.

Pelo mesmo motivo (imagino que, para sempre, inconfesso) Luiz Fernando Veríssimo parece ter escrito o artigo “Os números”, Zero Hora de 07/04/2008 (p. 3):

A tragédia social brasileira se resume nessa separação entre a língua dos bons sentimentos e das abstrações bem intencionadas e a dura língua de uma realidade que nunca muda. A miséria fala matemática, e repete sempre a mesma coisa degradante. Faltam intérpretes conseqüentes, para que uma língua afete a outra”[2].

O mais engraçado é que gente como Veríssimo e Jabor é que sustentaram este salvo-conduto de que Lula goza, intocável, sob a aura de um socialismo utópico, o dos “pensamentos elevados”[3] de que falou David Coimbra no medonho artigo “Homens de esquerda”[4].

As recaídas ocorrem[5], e dão a impressão de uma inquietação que anuncia uma nova erupção de visionarismo desencadeado pelos sentimentos superiores. Não conseguem evitar defender aquele “mundo melhor possível” impossível; mesmo quando querem ser discretos, acabam por fazer alusão de novo ao mundo da estrela socialista, que é inalcançável, inviável[6], e, faltaria concluir, como “intérpretes conseqüentes” – como quer Veríssimo –, irreal, fantasioso, delirante, etc..

Como jornalismo, o que eles fazem é performance opinativa; como qualquer visão filosófica que se possa querer atribuir-lhes, dá só em panfleto; sobra o testemunho, autobiográfico, não o de que estão falando, do que porventura tenham “testemunhado”, mas eles próprios, como espécimes, para tentar entender a mente da febre “humanística” do homem “sinistro” – liberalista (licencioso, dissoluto, sedicioso), progressista (laicismo estratégico, espontaneísta, imediatista), messiânico (i.e., integra os demais no futuro, pelo qual vêm para realizá-lo...) ou, “de esquerda”, que é como se os identifica a mais das vezes[7].

Seu oposto, assim reconhecido no homem burguês, tem essa definição curiosíssima no que junto com “indivíduo da classe média...”, ou um “rico fútil”, está este indefectível: “diz-se das pessoas ou coisas em que sobressai a mediocridade em detrimento do que é elevado e distinto...” (Michaelis). Mais adequado aos homens de pensamentos elevados não poderia ser[8].

Está aí, portanto, o pensamento “elevado” e obviamente “superior” de que fala David Coimbra[9]. É uma pérola de definição fabulista – que é, por outro lado, uma rigorosa distinção autobiográfica[10].

Assim, parece que enquanto os mais velhos, ainda que desconfortáveis, acabam por dar por evidente (porém não sem esforço no sentido contrário) que há uma realidade que falsifica sempre de novo a fábula socialista – e, por conseqüência seus meios de ação justificados pelo futuro prometido –, escritores jovens, como David Coimbra, ainda aderem[11] com todas as forças a um futuro de homens que, ao pensarem-se corajosamente durões – assumindo mesmo a maldade inata do homem, da qual eles, não o duvidam, escaparam –, submetem-se ao Estado-Tutor-de-Todos novomundista, antes que façam alguma bobagem (Síndrome de Papagaio; v. nota 5). David Coimbra, nesse sentido, dá sinais de ser, displicentemente talvez, mais um porta-voz do movimento dos “homens superiores” aqui no sul[12]. Senão, é tentar entender algum surto histriônico que vez por outra o acomete.

É aquele mesmo tipo de afetação febril da vontade e do ego, disfarçada de equilíbrio plácido, que permite que o sujeito continue, por quaisquer meios, realizando a besta-mundo (porque postiço) que ele imagina estar fazendo nascer, entendendo que a cesariana é um método de concepção desse mundo[13].

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Opiniões proféticas

O sofrimento do homem de esquerda parece que foi identificado, finalmente, a algum mundo real que lhes resiste à fantasia; que ele tem a objetividade dos números.

Porém, com fé no materialismo, no desconforto abrasivo, e na angústia das ausências, este algo notado é atribuído a um só tempo ao entrechoque de átomos e ao acaso, o que deve compor, no seu todo, a realidade. Segundo o cineasta, a vida é um processo químico que começou do nada, porque só o nada é esse acaso promissor que pode dar em qualquer coisa. Deu no homem, na consciência e, por algum fenômeno curioso, na cultura e num conjunto de mitos fabulosos das origens, no inefável Deus – e, por acaso, na autoconsciência do acaso.

Em “Contra a ciência e a inteligência, luta a superstição”, no podcast de Jabor de 5 de março de 2008 (CBN), a “ciência” é reportada à opinião dos cientistas, e a “inteligência” ao poder deliberativo superior dos ministros do Supremo. O socialismo esmaeceu e evaporou-se para precipitar-se mutatis mutandis em reformas liberalistas e progressismo.

Ora, estas características são novomundistas (i.e., revolucionárias) mas estão, no pensamento de Jabor ligadas antagonicamente às formas fracassadas do passado. Assim, enquanto esposa ainda por estas os mesmos meios os quais levaram aquelas velhas formas a fracassarem, reunindo assim tudo que parece a Jabor digno de esforço, renova o movimento no mesmo sentido que sempre houve. O que parece que distingue esse pensamento da exaustão (dos ex-companheiros), é que o futuro prometido foi abandonado por um presenteismo radical («present-day minded»), que é a realização por adoção de valores relativistas e consuetudinários “radicais”.

O pragmatismo produz uma realidade[14] relativa que para só na convenção, em qualquer esfera de ação humana, desde o judiciário até a consciência individual.

Assim, deixa-se de agir em nome de um futuro prometido (fim) para dedicar-se aos meios de realizá-lo tomando eles próprios como fins. Parece que sem transcendência, sem discernir ao buscar estes valores, sem esse esforço e essa atenção, não pode dar em outra coisa: os meios tornam-se fins em si mesmos. Passam a realizar assim, desde já, a realidade que forjará a sociedade-térmita novomundista.

E como máquina destas transformações, como arranjo de coisas e dinâmica deste arranjo, há o Estado laico novomundista, progressista e liberalista:

[O] interesse pela religião declinou em toda parte, e até entre os cristãos crentes, a filosofia perene tem sido, em grande parte, substituída pela metafísica do progresso inevitável e de um Deus em evolução, por uma preocupação apaixonada, não com a eternidade, mas com o futuro” (Aldous Huxley, A filosofia perene. Círculo do Livro, p. 177).

E daí a ir mutatis mutandis numa direção totalmente oposta para alcançar rigorosamente os mesmos fins renegados de outrora. Isto talvez tenha alguma explicação em “dissonância cognitiva” (a qual o filósofo Olavo de Carvalho costuma atribuir ao “pensamento revolucionário” como um de seus mais característicos traços distintivos) – a disfunção do pensamento que leva a decidir por algo enquanto, ao mesmo tempo, afasta-se sistematicamente desse algo pelos meios escolhidos.

Jabor acaba caindo em contradição real. É difícil entender que seus comentários sejam mais que uma técnica de roteirização das notícias com algum valor heurístico. Não é contradição lógica ou dissonância semântica, mas política, material e metafísica. Quando Jabor defende o Estado como tutor ao esposar as ideologias científicas (e a consciência mesma do juiz como tributária destas) e, ao mesmo tempo, denuncia o estado novo do “sindicalismo pelego” de Lula como fascista, esposa e rejeita as mesmas bases de ordenação política e social em distintas frentes.

É o pensamento da exaustão, de uma alteridade da desesperança; não encontra-se nada positivo, mas a negação do mundo futuro pelos “números”. Aí é capitulação frente aos números e à ciência – da qual o judiciário é já um adepto tão natural. Se bem que o pragmatismo luliano repugna Jabor quando este se mostra adicto daquilo que entende serem os antigos meios fracassados – “reconhecidos por todos os políticos e economistas sérios”[15]. Não é preciso muito para ver que o pragmatismo de Lula é, à semelhança de sua metáforas, um tipo de política da metástase[16]. Vai acabar afetando todo o organismo do Estado de um jeito fatal. Difícil é saber onde está o ponto de não-retorno – se é que faz sentido perguntar. Se as formas de ação política podem ser reconhecidas e rejeitadas, os seus fundamentos permanecem atuais na mente de Jabor. A crítica de Jabor ao lulo-sindicalismo é só o anacronismo: “está fora de moda” é o que parece ser tudo o que quer dizer.

Mas permeando toda aparência, o que se mantém, mudando sem mudar, é a base metafísica progressista e liberalista, isto é, que adere ao novo como forma de mudar “para melhor” ou, simplesmente, de mudar avant-garde. Eis aí um aspecto da gênese desse “novo mundo possível”, que independente das circunstâncias permanece sendo gestado nas mentes mesmo de ex-socialistas arrependidos. Daí faz sentido entender o socialismo como uma forma histórica, e por isto restrita, do movimento revolucionário como figura político-cultural (histórico-civilizacional)[17] e do qual o exercício da livre-opinião ao acaso funciona como profecias que se auto-realizam deixando a consciência nacional afetada da metástase pragmática.

A preocupação apaixonada com o futuro gera no espírito o irrefreável voluntarismo com tudo que é novo, como se fosse já por isto superior; e como manifestação desse espírito e desse destino, cristaliza-se esse Estado laico que tende para o futuro do mesmo modo que a água tende ao abismo, com estrépito e fatalmente[18].

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Fé vagabunda

A consciência repentina de alguns intelectuais conhecidos parece por demais fraca para admitir os seus próprios maus hábitos. Veríssimo, nesse sentido, é especialmente ordinário; Jabor, quando não tenta explicar as suas crenças, não tendo-o feito para si mesmo, quando se atém às coisas mesmas, consegue dar ao roteiro que monta algum valor heurístico e retórico. Jabor amplia a notícia dando-lhe visibilidade e perspectiva expressionista; produz aquele estranhamento que desperta. Agindo sobre o espectador, que acaba por revelar contra a tendência ao aparvalhamento (ainda que muito seja só por reconhecê-lo uma “autoridade”), o que passaria já sem a mesma força, mesmo quando a descrição da notícia já deveria causar algum desconforto. O que tem, no entanto, a desvantagem ou contra-indicação de ser só uma forma de chacoalhar o espectador, e não de equipá-lo dos meios de reproduzir o estado de atenção que o mantém desperto.

Tenho como sendo de Nietzsche o adágio de que a razão é a mais cara superstição do pensamento. Nascido dessa superstição, o homem de esquerda extemporâneo encontra o esforço iluminista por esta “humanística” que o faz refutar desde já os mitos das origens como literatura fabulosa. Apesar desta nesga tardia de consciência das coisas mesmas, o mais comum é esse misticismo da desmistificação. Ainda atacado dessa febre, o ex-companheiro – mas ainda um “homem de esquerda” – encontra, como excrescência do pensamento superior que outrora se reconhecia representante, afetado das maiores superstições.

Jabor é um tipo de Voltaire decepcionado e da anti-revolução, que se voltou contra o movimento revolucionário (exteriormente) ao ver-se confrontado com o espírito do azedume, que é mal-cheiro do cadáver ideológico. Por outro lado, é um idealista do “lulismo”, senão de Lula, o líder carismático, que lhe parece o timoneiro (!) equilibrado e assistido pelos deuses que se salva de entre os kamikaze e os bolcheviques por... distração. Em Lula, Jabor mostra fé na inépcia, na sorte que pode haver num mundo ao acaso, em suma, nos sinais positivos de que o mundo gira como que por nada e por nada se mantém[19].

Como Jabor, com fé no Nada, parte do acaso para deduzir todo um conjunto de coisas, a vida inclusive, subsumindo-a a meras reações químicas? Eu ainda não sei, nem como encarregar e nem o quê, exatamente, de uma origem do universo pelo Nada de tantas possibilidades. E mesmo num universo que tende pela entropia, localmente, a um estado qualquer mais desorganizado, que a vida surja sem despertar curiosidade, como potencialidade, digamos, da matéria inanimada, do acidente, é já dar a esta matéria o poder de um deus criativo – ou, como um gnóstico tenderia a ver nesse acaso (num ataque voltairético), um deus vil e impiedoso –, e ter no acaso princípio sem sê-lo.

O herói civilizador deste mundo é um néscio completo que acaba por vencer ao fracassar[20].

O mesmo antídoto que Jabor usa contra as diabruras do petismo e do lulo-sindicalismo – nunca, no entanto, diretamente contra o próprio Lula – o cineasta deveria usar para a crença do Acaso, e para o seu culto respectivo, da qual deriva tudo que há, e sua própria fé (Valha-nos Chesterton!). Tem ele uma fé vagabunda.

Nesse caso, o acaso é criativo (!), é o princípio de que por acaso sistemas ordenados acidentais geram localmente alguma ordem acidental. O acaso gera, assim, o seu oposto, mas mantém-se atuante como princípio dispersivo de tudo, da vida, das estrelas, de tudo, em suma. E só por acaso dá para entender que o universo existe de qualquer modo, ou que existe, efetivamente e independentemente de nós, por acaso, de qualquer modo.

Assim, o acidente é criativo, a longo prazo; dando-se tempo ao tempo, o acidente leva o macaco na frente da máquina de escrever a todo o Shakespeare.

Talvez dê para dizer que o disparate metódico é, não raras vezes, a razão dos supersticiosos, invertendo a frase de Nietzsche[21]. Manifesta-se, como se vê na dogmática de esquerda, na simples forma – clara e distinta – de “opinião” – como a mais pura expressão mesma da arte da liberdade inconseqüente.

Notas

1. V. em “Das coisas que acontecem por debaixo dos panos. Podcast de 7 de abril de 2008, na CBN, onde Arnaldo Jabor fala da tomada do Estado pelo PT e pelos lulo-sindicalistas. Enquanto nos preocupamos com bobagens de cartões, as coisas graves ficam ocultas, diz o jornalista cineasta.

2. Para ver o exemplo na prática do que diz LFV neste artigo, tem que ler o que disse Raul Pont numa entrevista na Rádio Gaúcha, que resumi em “O grande vão sinistro de Pont”.

3. Jabor, por exemplo, continua achando que Lula é um sujeito esperto que teve a sorte de se livrar dos bolcheviques (Dirceu), como se ele não fosse ceder ao apelo do terceiro mandato na primeira oportunidade, a qual o partido trabalha para criar nos bastidores.

4. V. “Homens sinistros”.

5. Como aquele fugitivo contumaz aqui do Estado, o “Papagaio”, que recorrentemente é levado ao semi-aberto e dali vai a Santa Catarina preparar, próximo à praia – e não é por isto que o condenaria –, novos assaltos, e onde sempre de novo é pego, devolvido ao Rio Grande e dali, uma vez mais, volta a fugir a Santa Catarina... ad infinitum, o mesmo parece que ocorre com o homem de esquerda.

6. Cf. o que disse David Coimbra: “Podem não funcionar [o socialismo e o comunismo], podem ser inexeqüíveis [!], mas são pensamentos elevados, obviamente superiores ao pensamento da Direita, em termos humanísticos”. V. “Homens sinistros” (link da nota 4).

7. O que está mais corretamente expresso quando se o refere ao movimento ou pensamento revolucionário de que fala Olavo de Carvalho, que não se resume à “esquerda” revolucionária, mas também às direitas reformadoras, ligados filosoficamente à generalidade e, por analogia, à ancestralidade, ao messianismo gnóstico.

8. No Aulete ainda há uma referência a hábitos “conservadores”: “indivíduo muito apegado aos bens materiais e que tem valores e hábitos conservadores”. É notável o papel dos dicionários como formadores culturais, entendendo-se por cultura o conjunto da atividade social que sedimenta as bases futuras do processo civilizatório, de sua construção, talvez, ou reforma, eventual, e de sua manutenção. Quando os dicionários fazem os termos evoluírem, ou adotam o habitual, negligenciam – para bem ou para mal – a evolução muitas vezes conflituosa para correr o risco de cristalizar uma acepção em detrimento do sentido dinâmico que pode conter como processo cultural. Nesse sentido, o dicionário de definições rígidas acaba por funcionar como uma armadilha para a consciência, em detrimento de um sentido dialético, histórico e experiencial da palavra. O que deve ter lá os seus reflexos para a consciência individual em uma época e lugar específicos.

9. Cf. também outros artigos, escritos em outro estado mental (suponho), ao que parece, só por curiosidade, e para comparação para se tentar, se se quiser, alguma coerência das idéias políticas de David como “formador de opinião” ou, “intérprete conseqüente” se é que se quer cobrar dele isto; v. “Contra as eleições” de 04/04/08, e “O pensador francês e minha avó”, de 16/04/08, que saiu na Zero Hora e no blog do escritor.

10. A ausência na definição do termo burguês dos aspectos positivos mostra já que a definição ganhou publicidade (a palavra é exata) de cunho consagrado pelo uso de detratores, sendo hoje mais o sentido geral (do consenso) e, portanto, uma espécie de “ditadura” lexical. O que fica oculto no termo deve representar, por certo, o que falta de todo ao detrator, que se deve atribuí-lo, quem quer que ele seja, mais que ao que ele próprio se atribui, a saber, o oposto do termo pejorativo. Um burguês pode ser hipócrita, mas já não dá para ver em uma “classe” de gente que não guarda nenhuma forma de virtude, mesmo a sombra de qualquer virtude, algo melhor por simplesmente não se ter mais nenhum contraste ao que se referir à virtude: o fundo do poço é não poder ser mais nem hipócrita (cf. Modris Ekstein, A sagração da primavera. Rocco; p. 238ss).

11. Espero que por um lapso daquele histrionismo, nesse “de esquecimento em esquecimento” de que fala Jeffrey Nyquist no artigo “Intenção estratégica e o homem-massa” (Mídia Sem Máscara), possam ser compreendidas as opiniões daquele jovem escritor gaúcho, que como homem-massa tutelado se permita pela juventude e não pela afetação irremediável de caráter já tão cedo.

12. V. Olavo de Carvalho, “Incomparáveis”.

13. Estou lembrando do equívoco da sra. Lena Lavinas, doutora em economia e professora associada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio, que enganou-se por duas vezes ao dizer no artigo “Aborto: último recurso”, que o aborto era um método contraceptivo. O que justificaria pensar a cesariana como um tipo de fecundação metonímica de um mundo que se faz nascer cortando o ventre que o esconde, constituindo-se isto todo o procedimento pré-natal da coisa toda. V. “A mão que balança o berço”.

14. I.e., limita a realidade e o que pode ser conhecido, começando desde o que reconhece poder saber depois de se auto-aplicar à análise semiótica e pragmática.

15. V. “O povo grita: viva o 1º de maio! Que pena...” de 02/05/08 (CBN).

16. V. “Os termos em metástase”.

17. V. O artigo de Olavo de Carvalho, “A mentalidade revolucionária”: “A mente revolucionária é um fenômeno histórico perfeitamente identificável e contínuo, cujos desenvolvimentos ao longo de cinco séculos podem ser rastreados numa infinidade de documentos”.

18. É a vacuidade de um movimento que é forma e conteúdo ao mesmo tempo – um fluxo perpétuo e um escorregamento do sentido da vida e da experiência social para dentro de um mítico Maelström. Qual por fim é a relação entre a forma material que uma sociedade e o estado organizado podem assumir e o modelo jurídico consuetudinário, parece-me ainda não muito clara.

19. O mais curioso é que Jabor odeia Forest Gump, e no entanto, as últimas teses de Jabor sobre Lula dizem todas a mesma coisa: “Run, Forest! Run!...”. É bem verdade que no último podcast há em Jabor algum sinal de exaustão dessa defesa a Lula; v. “O povo grita: viva o 1º de maio! Que pena...” de 02/05/08 (CBN).

20. V. O nem tão distante reino de mais-aquém, em “O Rei vive, Viva o Rei”.

21. O supersticioso parece que vê a razão apenas como alguma ordem, qualquer ordem, mesmo aquelas que não passam de logomaquia circular ou apenas um truque falacioso.