Lastro metafísico
“Nas outras criaturas vivas a ignorância de si mesmas é natureza; no homem, é vício.”
Boécio.
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Sören Kierkegaard, tratando do desespero do finito (carência de infinito), escreve n'O desespero humano:
“[N]ão se trata aqui senão de estreiteza e de indigência morais. Ao contrário, o mundo só fala de indigência intelectual ou estética ou de coisas indiferentes, que são as que mais o ocupam. Com efeito, porque a tendência é dar um valor infinito às coisas indiferentes”.
O mesmo, dito de outro modo:
“Aquele que perde o senso do absoluto perde da mesma forma o senso das relatividades. Uma cultura que rompeu seus laços com o senso de infinitude metafísica está condenada a dar uma importância absoluta a imbecilidades que não têm nem mesmo importância relativa.”
– Entrevista do filósofo e jornalista Olavo de Carvalho a Diana Nedelcu. Rádio Nacional, Bucareste, 12 de novembro de 1998.
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“A reflexão de quase toda gente prende-se sempre às nossas pequenas diferenças, sem que, naturalmente, se dê conta da nossa única necessidade – porque a espiritualidade está em dar-se conta dela –, por isso nada percebemos dessa indigência, dessa estreiteza, que é a perda do eu, perdido não porque se evapora no infinito, mas porque se fecha no finito, e por que em vez dum eu se torna um número, mais um ser humano, mais uma repetição dum eterno zero.”
Kierkegaard.
“O conhecimento de nós mesmos nos diz de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Viemos de Deus e estamos no exílio; e porque a nossa potência de afeição tende para Deus nos damos conta desse estado de exílio.”
Ruysbroeck.



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