abril 09, 2009

Inteligência de rapina


"... Uma luz virá da janela, um raio de luz descerá sobre você, e experimentarão uma epifania... e repentinamente saberá em quem deve votar, e decidirá por Obama"
- Barack Obama. Lebanon, New Hampshire, 07 de Janeiro de 2008.
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Como aumentar seu QI sem esforço
Anúncios da Google mostram na Internet Obama com 139 pontos de QI, e Madona com 140. Depois que Madona fez campanha difamatória contra McCain e a favor de Obama, parece que o QI dela aumentou muito, chegando ao número que os Ads da Google veiculam.
O QI parece que deve estar sedo medido em dar as respostas certas: Quem é mais inteligente?
a) Bush filho;
b) Kiko (do programa Chávez-Chapolim);
c) Bambam;
d) Vesgo (do Pânico);
e) Barack H. Obama;
f) Hitler.
Essa primeira enquete segue o modelo dos nossos testes para tirar a carteira de motorista, onde uma opção apenas é a correta, e as demais, obviamente falsas ou mesmo absurdas. Assim, nos aconstumamos a reconhecer Obama mais facilmente como um cara inteligente. Embutido aí, no reconhecimento de que Obama é a resposta certa, segue-se, ato contínuo, a vinculação da qualidade em questão à Obama --- a resposta certa. Se você não o reconhece assim, seu QI deve ter sofrido, inequivocamente, algum dano.
Mais grosseiro é usar a estratégia que declara verdadeiro ou certo o que se quer que seja, que é, de certo modo, neste caso, tomar Barack Obama por inteligente em oposição a Bush filho, quem se considera um notório imbecil, sendo Obama, desde já, inteligente pela comparação (cf. Olivier Reboul, O slogan: II, 6; p. 73).
Uma próxima enquete, com opções nem tão obviamente fracas, Obama será já uma opção digna da altura dos seus concorrentes, isto é, ele estará elevado à condição de concorrente legítimo.
A pergunta é, qual a escala que mede essa inteligência, e se depender do discernimento das pessoas que estas personalidades como Obama e Madona atraem, o cálculo deve ser inversamente proporcional. Pode que uma mente brilhante tenha seguidores avuados e fanáticos? Some-se a isso o mal que eles representam por sustentar algo como um culto em torno de si, ou sua capacidade moral ao fazer coisas tais como associar McCain em um vídeo ao mal, enquanto Obama vem como que do céu, salvador.
Este tipo de comparação é da ordem daquela que apareceu algum tempo atrás em uma capa de revista de história, cuja manobra diversificatória é a mais descarada persuasão terapêutica, que equipara assassinos em massa com ditadores brandos e com outros políticos e líderes verdadeiros, seguido da frase “Heróis ou vilões?”.
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Salvação revolucionária compulsória
Poster de Obama da época do Senado.
Mais medonho que tudo, tavez somente a tática neonazista de Madonna, de atribuir à McCain aparência nazista.
É no meio desse common place de onde está a inteligência, que aparece o artigo de Alberto Dines no Observatório da Imprensa, do dia 20/1/2009: “A inteligência no poder e o poder da inteligência” (20/1/2009).
Alberto Dines declara o início d“a” revolução:
"Início efetivo do século 21, inauguração de uma nova era ou somente o começo de um mandato presidencial, o 44º da República norte-americana. Qualquer que seja a importância que se atribua à eleição de Barack Hussein Obama, não pode ser esquecido um dado fundamental: a revolução está em curso desde a noite de 4 de novembro de 2008" [grifado].
Em seguida afirma que o messianismo de Obama não é um messianismo, simplesmente, éh, de fato, não é:
“E esta revolução diferencia-se do simples messianismo porque inclui a impecável transição de 82 dias. A posse da terça-feira (20/1) é uma solenidade legal, a festa em Washington é o suspiro de alívio de uma nação constrangida pela crueza da realidade e que, afinal, reencontra a sua capacidade de sonhar”.
O messianismo de Obama é o da inautida tentativa de mudar a América através das “palavras” e dos “sonhos”.
“Porém, parte dos milagres já aconteceu: a escolha tranqüila de um negro para ocupar a Casa Branca foi conseqüência direta de duas opções límpidas, indubitáveis: a postulação do candidato democrata foi apresentada como fator de união, claramente pós-racial e pós-ideológica.
Não é apenas o abuso da propaganda que constange, pela desfaçatez de ignorar a propaganda como meio equiparável ao pior do século XX, é também o programa de governo que ficou por trás de todos os slogans --- “HOPE”, “CHANGE”, “YES, WE CAN”... Aquele que decide que pode e deve persuadir as massas para um mundo melhor, não pode fugir à acusação de que pensa trazer consigo um conhecimento que não deveria encontrar-se com tanta fé num único homem, salvo, é claro, se ele se aventurasse no próprio messianismo.
O que Obama faz, é anunciar messianicamente o seu pós-messianismo. Aqui cabe aquele apólogo que Umberto Eco cita em Kant e o Ornitorrinco (a meu ver, com menos felicidade lá), no qual um homem pergunta a outro no que acredita, e ouve em resposta: “Acredito em Deus...”. O mesmo pergunta, então, ao primeiro homem, “E você?... Em que acredita?” e ouve um “Em algo muito maior” (!). Eis o anúncio de Obama.
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O pior feiticeiro enfeitiçou a si mesmo para ser mais convincente
Disse em certo momento Goebbels sobre Hitler: “Hitler é perigoso porque acredita no que fala”.
Levando em conta o artigo que Simon Schama escreveu no The Guradian, a "crueza da realidade" de Dines já havia sido substituída pela fantasia, quer dizer, pela "capacidade de sonhar", antes da eleição, quando trocou-se a biografia do candidato pelo seu --- "stunning gamble" --- inacreditável jogo de palavras e performance oratória.
Simon Schama lembra os períodos de renovação religiosa, denomiandos “The Great Awakenings”. O sentido desse “despertar” é uma das marcas recorrentes da vida religiosa ainda viva, mas também dos maiores e mais criminosos slogans do séculos XX, como o “Acorda, Alemanha!” de Goebbels [se atribui também o slogan a Dietrich Eckart], que devia mover e comover o povo de um suposto estado de sonolência ou passividade religiosa.
Mas, então, em ambos os casos, o despertar é pervertido a um despertar político e ideológico.
Faltou apenas a Schama reconhecer na estratégia oratória de Obama o mais terrível dos símbolos, quando se pretende que a ideologia política assuma o lugar antes ocupado pela religião.
Obama não é apenas um político com propostas ocultadas, ele se quer um reformador da vida americana, tirando-a de fontes bizarramente familiares (v. artigos “O que barack Obama aprendeu com o partido Comunista”, Andrew Walden, e “Por certo, ele é socialista”, de James Lewis, em inglês).
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Ora, com o discurso como carro-chefe, como pode não incorrer em messianismo? O próprio Schama escreve que Obama toma para si o poder do great speech messiânico e mesmo qualquer um de nós o nota, como o fizeram Lasier Martins e Túlio Milmann (RBS TV), no dia do discurso de posse de Obama.
Lasier diz que ele fala, várias vezes, em tom messiâncio; Túlio, por sua vez, diz:Obama parece que não foi eleito presidente dos EU, mas do mundo”.
Difícil é acreditar que a comparação de Milmann seja apenas por tê-lo notado, como o fez no dia da posse, e não por conhecer o que se diz sobre o homem. Em um caso, os jornalistas são incrivelmente mal informados e pateticamente desinteressados; na outra, negligentes ou mal intencionados.
Mesmo com mais rigor, essa impressão --- e quando é honesta, e talvez até na maioria o seja, exceção que se deve fazer ao jornalista profissional --- que é também (mas daí com consciência) a de Olavo de Carvalho, que o declara de forma mais contundente em “Milagres da fé obâmica” (01.11.08) e “O candidato do medo” (24.10.08).
No primeiro artigo, o autor trata das razões (e da ausência delas) da desproporcional confiança em Obama, encontrando-a em “interessados diretos” e “idiotas úteis” (qualquer coisa como os “smart-newsers”, de Dines), a técnica da “big lie”, o poderoso slogan anti-racista, e uma fala “constituída de apelos mágicos e mensagens hipnóticas”, como aquele mesmo que está em epígrafe aqui, no início da postagem. No segundo artigo, como já há no primeiro, a autorreferência e o abuso à propaganda messiânica; sinópticamente:
“Quanto à campanha de Obama, seu perfil é claro. O amálgama de promessas utópicas, propaganda avassaladora, beatificação psicótica do líder, apelo racial, controle da mídia e intimidação sistemática do eleitorado é idêntico nos mínimos detalhes à estratégia eleitoral de Hitler em 1933...”
Obama abusa da propaganda, e mesmo depois de eleito. O prá lá de DEMAIS se vê clicando no link da figura que segue:
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O “Jornalismo Superior” de Dines
"Obama construiu uma maioria natural, a mídia percebeu e foi atrás", diz Dines. Obama não construiu uma maioria natural, mas foi artificialmente aumentada pela mídia ao omitir as informações biográficas do candidato.
É absolutamente fantasiosa a idéia de que Obama construiu uma “maioria natural”, e a primeira coisa a observar foi a paridade que McCain obteve em quase todos os estados americanos. Para não falar na crítica acertada de que Obama era um candidato, no mínimo, obscuro --- mas talvez dizer isso fosse entendido como ironia racista.
Diz Dines: "Inteligência vende mais do que a grosseria monossilábica". Simon Schama, que se o reputa defensor da candidature Obama, diz o oposto; nomeia essa “grosseria monossilábica” de “autenticidade lacônica” --- "laconic authenticity": "In contrast to Al Gore's sententiousness and John Kerry's high-minded elegance, Obama is light on his feet and deadly with his jabs, a pre-emptive warrior".
Ter-se-á que chegar, em algum momento, a um acordo a respeito desse falatório: se Schama sustentou a candidatura Obama (porque achava que ele era o melhor candidato), não dá para dizer que é grosseria o que Schama diz que é autenticidade; e se a “autenticidade” republicana é clichê, então Schama está apenas dizendo que a estratégia agressiva de Obama aposta no poder da oratória como forma de persuasão, e não como manifestação verdadeira do que diz.
O que Simons Schama diz é: a comoção persuasiva do slogan venceu a laconicidade do clichê.
A forma ser o conteúdo é a marca de todo messias moderno --- custa-me imaginar um profeta verdadeiro, e não apenas um aspirante a messias, precisar de técnicas de persuasão e de propaganda para que acreditem nele... (!!).
A técnica descrita por Schama --- ainda que isso não tenha sido em momento algum oferecido à atenção --- é pura rasteira técnica de persuasão.
"Uma retórica superior abre espaço para um jornalismo superior". Ora, por uma retórica superior, deve querer dizer Dines uma retórica francamente dirigida para a mais eficiente maneira de ser persuasiva --- "Obama at his most powerful and moving (Schama)" ---, sendo isto o seu caráter "superior"? Uma retórica "superior", assim, leva as pessoas a pensar e fazer o que você quer que elas pensem e façam, assim exatamente pelos piores meios.
Quando por aqui se discutia qual a melhor forma de aceitar um candidato a um cargo público, vieram com o critério de nenhuma processo em endamento, “ficha limpa” atual, em outras palavras; quando talvez o melhor seria ver a biografia do candidato, ou seja, sua “ficha corrida”. Mas não se chegou a concluir por isto.
Em seguida, na primeira eleição após estas discussões --- motivadas pelas eleições municipais ---, o critério é o mais absurdo imaginável, o simples culto carismático, Obama e a luta contra o racismo negro nos EU, que nada tem a ver com o homem Obama e com sua biografia.
Como sempre, fala-se uma coisa e se faz outra. Coisa --- verdadeiramente --- de malucos.
Vá lá que se atribua capacidades retóricas ao atual ex-candidato, que de fato o tem --- mesmo que seja apenas auto-hipnose ---, mas que se justifique a ausência de conteúdo pela estratégia comunicativa, é dizer, sem tirar nem pôr, que o discurso (logoimagético) do presidente se identifica a um populismo transcendente, isto é, ao puro messianismo irracional, evidente na imagem eternizada do candidato.
Um jornalismo “superior” só pode querer dizer, nestes termos --- propaganda (cf. “Quase Ético”).

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Chamar de razão o oposto do razoável
Dines: "impossível resistir aos apelos da razão, do bom senso, do bom gosto". Inacreditável que Dines identifique aos “apelos da razão” a adesão à "obamania". Na melhor das hipóteses, a luta virtuosa contra o racismo acabou por mover ou comover (moving) o eleitorado a votar em Obama, e isso estar, ainda assim, léguas distante da razão. Como naquele filme, A espera de um milagre (Green Mile), o assassino (Sam Rockwell como "William 'Wild Bill' Wharton") mata duas irmãs usando contra elas o amor que uma tinha pela outra.
Obama usou a luta contra o racismo para persuadir os americanos, um começo simbólico de como se estabelecerá a comunicação e a "união" entre o norte e o sul. E vale pouco negá-lo, quando todos os seus eleitores --- ou meros simpatizantes --- pensavam assim.
Simon Schama diz no subtítulo do artigo sobre Obama, que pega o discurso da convenção democrata como mote, "This was a stunning gamble: he dared to show his belief in the enduring power of words to reform American life" ---"ele atreve-se a mostrar sua fé no poder das palavras para reformar a vida americana".
No caso do great speeach, o “poder das palavras” é uma figuração, mas no caso de Obama, quer dizer exatamente o que diz: o poder das palavras é o da persuasão --- i.e., feitiçaria. Quando as palavras perdem o d’o que falam, tornam-se palavras mágicas, tais como "paz” [i.e., pacifismo], "internacionalismo", "fairness” [justiça “mais justa”], “change”, “hope”, elas têm poder em si, poder de persuasão, porque são pronunciadas "de molde a atrair qualquer pessoa razoável" (J.A.C. Brown, Técnicas de persuasão: da propaganda à lavagem cerebral; p. 112).
Acreditar nas palavras para mudar a América tem a ver com essa fé que leva à rejeição da "crueza da realidade" pela "capacidade de sonhar" de que fala Dines. Quem, desejando ser "razoável", deixaria de admitir esse logro cheio de boas intenções, afinal de contas? No esforço por ser "razoável", vem-se aceitando os piores meios! A “retórica superior” é o traço dos piores homens do sécullo XX, e Obama --- bem como o nosso Lula --- reproduz os meios sem nunca sentir qualquer desconforto moral.
"Razão" aí quer dizer duas coisas: "vontade" e "fantasia". Na mesma frase, Dines junta "apelo da razão" com "bom senso" e "bom gosto" e a uma "retórica superior", que dá prova mais de uma peça de propaganda que uma observação crítica do jornalista, se já não fosse auto-hipnose. E que raios, afinal, é "sofisticação"? A que parte da razão ela se refere? Ou será que ela se refere àquela outra palavra, o "apelo"? Falta, por certo, "sofisticação" ao jornalismo.
Dines reconhece a superioridade de Obama de uma época "pós-ideológica", mas não é o que diz a biografia dele, nem mesmo a prórpia adesão de Dines tem qualquer coisa de não ideológica.
"Obama foi smart", sim. Com essa, os americanos estão conhecendo o nosso "jeitinho" --- smart. E esse é o "smart power", que começou usando a oratória como discurso --- o conteúdo do discurso é a oratória. O carro-chefe da campanha.
Aquilo que já foi condenado uma vez, como A Grande Mentira [1] (The Big Lie), é agora a marca de um reformador sincero.
Quando a ACORN despejou cédulas falsas com nomes como Michey Mouse, o mais óbvio seria pensar que ninguém, com intenção de fraude, colocaria nomes tão obviamente falsos, ou chamar atenção para eles, mas a resposta parece ser novamente contar a maior mentira e, quando tudo viesse à tona, explicar o absurdo pelo óbvio: por certo, foi tudo um grande engano.
Com esse “smart”, Dines faz o elogio da grande mentira, e reforça o discurso democrata no poder das palavras --- de uma neurolinguística para idiotas --- para reformar o modo de vida dos indivíduos. Ora, é claro que se alguém fosse eleito para modificar o modo de vida de uma nação, ele não poderia contar com os votos dos seus eleitores, que não existem, mas apenas convencer aqueles que fossem vulneráveis a isso, e jamais dizer de todo e sinceramente suas intenções. O que chocaria dizer francamente, passa bem na forma de slogans e outros truques que os adolescentes e os idiotas aderem primeiro.
Obama omitiu suas reais intenções, que, ao que parece, de fato, não são dele, mas de um programa que não vem atender às necessidades atuais, mas algo bem anterior que agora encontra a sua oportunidade (rara) de ser.
Chamar de razão o oposto do razoável é uma nova forma de se valer da Grande Mentira que Hitler apresentou em Mein Kampf, e é admitir ela como meio de reforma da sociedade.

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A eleição do rei nu
A estupidez é como a pedra da gávea [...é onipresente]
- N. Rodrigues.
“Obama significa a inteligência no poder e o poder inteligente. Tudo indica que esta soma de inteligências não ficará confinada, a tendência é irradiar-se em todas as direções”.
Bem; nada mais estarrecedor que essa conclusão de que o problema dos jornais é de caixa, e que o produto que os jornais vendem --- “o que está acontecendo” --- deva contar com a inspiração de nosso sr., Barack Obama. A crise de “sofisticação” que Dines identifica teria sua solução numa renovação do conteúdo, é o que Dines acaba profetizando como “smart news”.
“A perda de circulação e publicidade está na esfera do conteúdo e tem muito a ver com uma desqualificação auto-imposta, uma imolação da cultura à subcultura. Aposta na burrice”.
A superioridade de Obama, o discurso em harmonia com a imagem, como diz Simon Schama, é uma superioridade que justamente não é a do conteúdo, mas da forma exterior aparente, da encenação e do discurso --- e, claro, do teleprompter. A reforma de Dines começa, portanto, pela aparência de conteúdo.
Para Dines, a cultura verdadeira é formada por um incremento ou “sofisticação” que ele toma por “conteúdo”. O jornalismo “de resultado”, de ritmo industrial, fracassou, e agora a reforma virá se houver jornalistas inteligentes para produzir, à imagem do sagaz Obama, smart news. Mas o modo mesmo como se oculta já o revela na sua verdadeira natureza, diria o velho Heráclito.
O sentido corrente de “sofisticação” é o de “aperfeiçoado”, “aprimorado” e de “requinte”, mas estes termos não podem dizer nada sobre a micro-história que é o esforço do jornalismo honesto. Pode, no máximo, dizer de seu desvio de sua verdadeira tarefa, que parece que não pode passar sem a consciência, quanto menos tomá-la por palavras. É esse um dos sentidos de “discurso” --- não aquele do logos grego, nem o de algo que concorre (dis-curso), com outros discursos ---, tomar a forma de consciência, e suprimí-la para produzir uma língua que todos entendem, uma linguagem universal (i.e., “das massas”), de entendimento por adesão.
Esse é o primeiro sentido de “sofisticação”: falsificado, adulterado; que não é natural, que é artificial; que perdeu caráter ou simplicidade natural.
O jornalismo da esperteza se vê cobrado de nada menos que a sua consciência. Para reformar a América com palavras, só mesmo pela mais descarada persuasão.
Dines quer vender ao leitor um jornalismo mais sofisticado, que, à imagem de Obama, não passará de uma reforma neurolinguística para idiotas.
Nota
1. A Grande Mentira, The Big Lie (do Alemão, Große Lüge) é uma técnica de propaganda e persuasão. Foi definida por Adolf Hitler em sua autobiografia, de 1925, Mein Kampf, como aquela que é uma mentira tão “colossal” que ninguém poderia acreditar que alguém “pudesse ter a desfaçatez de distorcer a verdade de forma tão infame”.

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