maio 19, 2009

Os piores agouros

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Duas notícias agourentas

Duas notícias agourentas, as mais graves e mais importantes dos últimos anos, não tanto pela novidade quanto pela iminência do pior:

PL – Mussolini, por Paulo Brossard (18.05.09)
Petista ressuscita proposta para um terceiro mandato de Lula (18.05.09)

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Notas

A modificação de leis constitucionais por comissões de burocratas e tecnocratas é uma das estratégias da esquerda terapêutica desde sempre, para implantar o reino do oportunismo (que eles chamam "oportunidade") e da vontade e da força (que eles chamam de "igualdade"), segundo uma lógica relativista sob a qual nenhum edifício jurídico resta em pé (nem consciência sã jamais houve). Ler Brossard.

O relativismo é uma forma de mudar as coisas quando estas interessam, sem que ninguém possa dizer por que não, com força maior que o simples querer da veleidade. Aí vale o paroxismo da "governança" --- princípio fascista por excelência.

As competências de Lula são todas desse tipo, ser tão confuso, com convicção --- que é típico do maluco dizer barbaridade com convicção ---, que o simples esforço de se tentar compreendê-lo é já sujeitar-se ao efeito de um psicotrópico que vicia a mente quase que de imediato. Crack que nada, Lula é mais forte.

"Instituições sólidas" quer dizer, para a esquerda, "instituições ocupadas" (vide IPEA).

Tem que entender uma coisa, que Lula é apenas um hipnótico que usando de contradição contumaz (técnica da melhor lavagem-cerebral), que tonteia para o abate; quando Lula diz sim, é talvez; quando diz não, é talvez também. Que a imprensa repita à náusea "Lula declara que..." é já de uma alucinação tão medonha, que só merece hoje algum xingamento bem feio.

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Coerência opressora

Comparar agora o que diz Brossard com o que disse o patife do Fernando Marroni (PT-RS) e ligar as duas coisas:

"Tenho certeza de que não há nada de imoral, de ilegal, de ilegítimo em que se faça uma consulta, um plebiscito para conhecermos a opinião do povo brasileiro sobre a possibilidade de o presidente Lula concorrer ao terceiro mandato. Essa é a soberania popular, é o sentido da democracia. Todo o poder emana do povo e não do Congresso Nacional e da lei - disse Marroni, encerrando o discurso com trechos do poeta Carlos Drummond de Andrade.
[...]
- Vou no posto de gasolina e um bombeiro me cobra: Deputado, agora vamos lá, vamos emplacar o Lula de novo! Digo: Não pode, tem uma legislação que não permite - contou." [a tal "legislação" é a Constituição, tanto para o caso comentado por Brossard, quanto para a reeleição] (O Globo, segundo link)

Agora comparem a estas declarações: Lauro Quadros, no programa Polêmica da Rádio Gaúcha pergunta a Ubiratan de Souza (PT):

"Mas então...", pergunta-lhe Lauro Quadros: “Quem está certo [!], cada um no seu contexto: Lula ou Chavez?

Responde Ubiratan:

Eu acho que cada processo político tem um processo histórico e político que se estabelece de acordo com a correlação de forças políticas, a cultura desses países, então cada país pode ter o regime [que decidir]... é a autodeterminação dos povos”.


Em outras palavras, repete o que já disse Lula (em Sempre dizemos outra coisa):

Este é o maior período de democracia que o Brasil já passou (20 anos). Estamos num processo de construção da democracia, mas nada impede que daqui a algum tempo, apareça um partido político, um conjunto de deputados, que proponha mudar a lei […] e que permita ter três, quatro eleições... Isso pode acontecer. Na hora que você tiver instituições consolidadas, e tiver liberdade política, e o povo quiser, isso vai acontecer. Eu sou criticado no Brasil por defender o processo aqui na Venezuela, pois [é porque] eu sei quantas eleições você [Chávez] já [se] submeteu, quantos referendos, quantas votações, e eu acho que isso é o exercício da democracia”.


Primeira coisa: O "maior período de democracia" do Brasil encerrar-se-á com Lula, especialmente no caso de um 3º mandato, cumprindo aquela profecia (rerospectiva) de David Coimbra, que tratava de dizer que o PT é o maior partido político brasileiro que já houve --- que é correto, já que VAI SER O ÚLTIMO (se bem que o maniqueísmo PSDB/PT é unívoco disparate marxista). Segunda coisa: "processo de construção da democracia" quer dizer outra coisa, vê-se por este "mas nada impede"... Terceira coisa: como todos os tiranos, mesmo esse nosso "tirano terapêutico" do relativismo, a botar ao chão o edifício jurídico, elege a suprema forma de democracia o voto direto da maioria, destituindo a formalidade jurídica, que filtra as arbitrariedades.

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Agouro cumprido

Aviso o que vou fazer, mas é um negócio tão ruim, que não dá para acreditar --- quando se vê, já foi.


"Mas nada impede que daqui há algum tempo, apareça um partido político, um conjunto de deputados, que proponha mudar a lei […] e que permita ter três, quatro eleições..."

De novo: "Instituições sólidas" quer dizer "instituições ocupadas"; "direito" é (pelo princípio da reciprocidade do direito) o meu poder de outorgar direitos à sociedade, sem que a lei me atrapalhe; "democracia" é o locus natural de toda permissividade anti-democrática; "lei" é a minha vontade, sob algum expediente denominado "direito", etc., etc..

E a imprensa, ou vendida, ou estupidificada, apaziguadora, acha --- já há muito tempo --- que está tudo dentro da luta legítima por espaço político.

Ninguém é mais responsável e mais idiota que a classe dos jornalistas por estas aberrações.

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Essa lógica dá em fascismo de esquerda, num bando de bobocas pasmos (que mantiveram a neutralidade) e em outros idiotas que não perderão nada porque não têm consciência verdadeira para notar o que perderam...

E não precisa nenhum esforço para compreender que quanto mais se perde a consciência e a inteligência, menos se sente falta delas.