maio 23, 2011

Escatologia Dugin-Parvulesco

Um inexpugnável paraíso, onde alguém pode continuar a guerra e vencê-la --- porque quando esta guerra estiver perdida, a outra é vencida.
--- Miguel Serrano, Adolf Hitler: El Último Avatar (1984).
Os philosophes são insuportáveis, superficiais, arrogantes e fanáticos: eles pregam incessantemente...
--- Horace Walpole, Letters (1765).

Olavo de Carvalho traduz trechos e comenta as ideias do jornalista e escritor romeno-francês Jean Parvulesco, ligado ao Movimento Eurasiano do filósofo russo nacionalista Alexandr Dugin, co-fundador do Nacional-Bolchevismo junto com Eduard Limonov. São o que se poderia chamar philosophes do presidente-imperador Vladmir Putin e da mensagem qualquer coisa para lá do bordão de Buzz Lightyear: “Para o infinito... e além”.

Do True Outspeak de 11 de maio de 2011
Alexandr Dugin e Jean Parvulesco.
Do livro Vladimir Poutine et l'Eurasie (2005), de Jean Parvulesco:
O verdadeiro centro de gravidade da atual política planetária, no seu conjunto, encontra-se de fato na Europa e concerne aos atuais esforços de integração imperial europeia em torno do polo franco-alemão e de suas relações com a nova Rússia de Vladmir Putin. É o projeto ainda relativamente confidencial, em via de realização, do eixo transcontinental París-Berlin-Moscou. A atual grande política europeia é uma política fundamentalmente conspirativa, porque todo conjunto de suas opções operativas maiores se passa nas sombras, protegida por dispositivos especiais de despistamento estratégico e desinformação visando a desviar a atenção dos Estados Unidos da marcha dos acontecimentos e mantê-los longe da realidade, do alcance decisivo do processo de integração imperial europeia em curso”.
O.C.: Esse esforço de desinformação funcionou muito; você pode procurar [se algum analista americano tocou no assunto, pode procurar] em todas as revistas estratégicas americanas, no Foreing Affair, nas universidades, e jamais verão o nome de Alexandr Dugin ou Jean Parvulesco [talvez por que lhes pareça incrível, como é], nunca! Eles não estão sabendo de nada e não querem saber. Eles querem continuar afagando a Rússia, a Alemanha, a França, como se fossem aliados.
...De maneira que a realidade revolucionária imperial europeia não arrisque passar por uma provocação abrupta aos Estados Unidos.”
Então, eles vão montando [aos poucos] uma aliança internacional, transcontinental, entre França, Alemanha, Rússia, China e países islâmicos, tudo para cercar e acabar com os EUA.
Tão logo essa aliança esteja pronta, os EUA serão imediatamente reduzidos à condição de potência de 2ª ou 3ª classe”.
Isso já está acontecendo; a coisa já está montada desde 2004... Vejam em que mundo estamos vivendo, o que estes caras nos prometem.
[...]
O professor Dugin está no centro dos acontecimentos. Esse plano eurasiano já existe. O plano eurasiano foi formalmente acabado em 1921, mas inspirado em fontes que vinham desde muito antes e que começam não só na esfera da geopolítica, com Karl Haushoffer […]. Então, numa hora dessas, quem você tem na presidência americana? Um traidor! Um servo da aliança eurasiana, um servo secreto da aliança eurasiana. E o que a aliança eurasiana nos promete? Eles nos dizem claramente: “o Ocidente é o liberalismo e a democracia” [no sentido de Karl Popper]. “Nós somos a autoridade e a hierarquia!” Eles prometem claramente uma ditadura mundial. “Nós somos a favor da ditadura”.
Todo esse negócio de eurasianismo é como disse Jefrey Nyquist: “bolchevismo de direita”. Está montado, já está funcionando, e ninguém está prestando atenção. E estes caras, esse pessoal conservador liberal, não estão fazendo [é] nada...
Diz Jean Parvulesco:
Por um tempo ainda, o eixo París-Berlin-Moscou representa a nossa batalha decisiva. Por um certo tempo ainda a grande política europeia continental deverá, portanto, ser conduzida como uma política de duas identidades: uma falsa política visível e uma realidade revolucionária em ação invisível.
Esse sr. Parvulesco, ele é tão entusiasmado com esse negócio, que ele não esconde a sua admiração por Vladmir Putin, e chega mesmo ao nível da idolatria. Ele chega a dizer que quem vai conduzir esse processo, na formação do grande eixo euro-asiático é a Rússia, é a “Santa Rússia”. Ele vê no Putin não só um De Gaulle russo, mas --- atenção, palavras dele:
simbólica e inconscientemente, é como uma representação terrestre do Cristo Pantocrator com seus exércitos, como o sol de justiça.
Vocês sabiam disso? “Putin é Jesus Cristo!” --- Exercendo aqui o que ele diz que é um desígnio secreto do imperador. Não o imperador divino, mas o imperador dos Céus. Então isso é, evidentemente, com toda a evidência, o governo do Anticristo que vai enganar todo o mundo. Isso ainda é a Rússia expandindo pelo mundo os seus erros como a mensagem da profecia de Fátima. É desse falso cristianismo [o Ortodoxo russo, cujo imperador é o chefe da Igreja].
Vocês acreditam que Dugin é cristão? Como pode ser cristão e pós-moderno ao mesmo tempo?
Tudo isso já está montando e já está funcionando no mundo, estamos sendo cercados pelo maior projeto ditatorial da história, e pior! Eles confessam que esse projeto tem um sentido apocalíptico: “É o império do fim”. Então eles sabem que é o último império que vai haver no entendimento deles antes do fim do mundo. E se é o último império, que império pode ser, Deus do céu [senão] o império do Anticristo?
Todos eles confessam que são gnósticos, todos eles. Então é um império gnóstico mundial. E pior: dizem que é a alternativa à nova ordem... [dentro da qual eles crescem e da qual se valerão]".

maio 18, 2011

Quando os abortos nascem

[V]ieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser – se viu –; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo. Povo prascóvio...
--- “Riobaldo”. Grande Sertão: Veredas.
Peter Heck [1]
Há um velho provérbio africano que diz “Quem sabe a barriga que carrega o chefe?” Essa verdade simples ganhou um poderoso significado recentemente para que os americanos prestem atenção a ela.
De acordo com documentos oficiais do Serviço de Naturalização e Imigração evidências surgiram mostrando que o pai do presidente, Barack Obama Sr., aparentemente teria pago para enviar uma jovem garota que ele havia engravidado em Massachusetts para Londres, para que ela realizasse um aborto.
Fazendo o trabalho que os jornalista da grande mídia deveria fazer, o autor Jack Cashill revela que a imprensa estrangeira, diferente da americana, está dando destaque à história. Longe de especulações, de acordo com os documentos do SNI, a jovem universitária de Massachusetts que estava em um programa de intercâmbio estudantil, quando evidentemente ficou grávida de um certo Mr. Obama, então com 29 anos. A agência Asia News Internacional nota que este incidente ocorreu antes de 1973, ano da decisão Roe v. Wade, quando então “abortos eram ilegais nos Estados Unidos”.
Não se pode fazer nada senão espantar-se se uma tal revelação não causaria a um homem ver sua mulher descrever o abominável matadouro dos procedimentos clínicos do aborto, especialmente nos casos de nascimento parcial, como um mero “procedimento médico ilegal” e não imaginá-lo parar um instante para considerar que poderia ter sido facilmente ele mesmo.
Deixe-me fazer uma causa para dizer que geralmente não uso esse tipo de termos para discutir o aborto. A verdade é que não importa se a criança que será morta é um próximo Beethoven, Bach, Edison ou Einstein. O que faz da vida humana ter que ser protegida é sua natureza de vida humana, feita à semelhança do Criador. A vida é importante pelo que ela é, em si, não pelo que ela realiza --- não se importa se faça boa música ou se nasça surda, se invente a luz ou descubra mistérios natural extraordinários ou ainda o laço mais adequado dos cadarços dos sapatos. Ou, ainda além, se nasça mesmo para conduzir [sem se poder disfarçar que qualquer mérito disso só pode ser posterior] a mais poderosa nação da história mundial.
Essa revelação bomba a respeito da família Barack Obama é altamente instrutiva em vista do longo comprometimento de nosso presidente atual com a defesa do aborto.
O simples cenário em que a história surge é o seguinte: o presidente Obama tinha uma meia-irmã ou irmão ao qual, pouco antes de ter a chance de nascer e ser quem seria, teve suas chances descartadas em uma deprimente contêiner de entulho clínico em Londres. A realidade, um pouco mais complexa para o presidente entender, é que é muito difícil de assumir que dada a natureza do relacionamento com sua mãe, Ann Dunham, Barack Obama Sr. poderia ter perfeitamente preferido o mesmo fim para o nosso atual presente da república.
Em tal cenário, longe de oferecer uma nova perspectiva para as memórias de Obama no livro Dremans from my Father, poderíamos dar ao nosso presidente mais fielmente comprometido com a liberação do aborto que já tivemos a mesma impressão que tantos de nós, nascidos depois da desastrosa decisão a favor de Roe, tivemos: não fosse pela determinação pessoal e amor de nossas mães, nós poderíamos ter sido legalmente esquartejados.
Atribui-se ao ex-presidente Ronald Reagan ter dito esse óbvio iluminado de que, de fato, aqueles mesmos que lutam pelo direito de abortar serem os que puderam nascer para fazê-lo. Que este inquietante fato a respeito de seu pai permita ao nosso presidente [2] a chance para se colocar onde seu meio-irmão ou irmã esteve uma vez... onde ele esteve... e talvez reconsiderar a sua trágica posição sobre a vida uterina.
Enquanto lia estes detalhes da história sobre aquela alma a qual foi negada seu direito inalienável a começar a respirar, sou levado de volta à resposta do presidente Obama a Rick Warren, presidente da Igreja de Saddleback em um forum antes da eleição de 2008. Perguntado sobre quando um bebê tem direitos humanos garantidos, Obama covardemente desistiu de responder por conveniência política, e infamemente disse que “responder a esta questão de modo mais específico está acima das obrigações do meu salário”[3].
Essa resposta embaraçosa não deveria ser uma surpresa dado que poucos meses antes Barack Obama se referiu ao tema da educação sexual em sua rota de campanha. Falando especificamente sobre suas próprias irmãs, o homem que poderia ter sido abortado declarou:
Vou ensiná-las antes de tudo os valores e a moral. Mas se elas cometerem um erro, não quero que sejam punidas com um bebê”.
Tal pai, tal filho.
*
E, alas, que coincidência, da lavra da nossa “humanítica” Maria do Rosário, essa pérola não combinada com Mr. Obama Jr.:
Não podemos obrigar uma mulher a ter um filho”.
Depois dessa visão gloriosa da moralidade leiga, de Mr. Mui Instruído, Culto e Articulado, além dessa qualidade super-moral que é ser negro (ou outras raças, como a “indígena”), podemos notar que não se trata de coincidência, levando em conta o seu histórico (e parece que o do seu pai), mas de verdadeiro padrão, que o Sr. Barack “Smart” Obama, compartilhe com os nossos governantes dessa desfaçatez superior que reescreveu o inciso IIIº do Art 1º da Constituição Federal e que leva este outro aborto parido com cara de cachorra, a Sra. Maria do Rosário, encarregada da Secretaria de Direito Humanos --- que todo mundo sabe, incide sobre quem tem CPF ---, à mesma cantilena suave de elevador que se ouve quando se entra na clínica de aborto para “reparar um erro”.
É a nossa parcela de idolatria prestar culto a esse rosário negro das demandas por direitos, e reverência a esse sacerdote novo da desfaçatez que se chama “humanismo”, todo leiguinho que só ele, e que o povo aparvalhado se deixa convencer do palavreado dócil que camufla a violência sob uma máscara de polidez. Mas que, uma vez caída, mostraria que tem chifres, que tem cara, mas não é de gente; tem focinho, mas não é de cachorro.
Notas
1. Peter Heck, “The Nearly Aborted President”. Original do American Thinker, May 18, 2011. Peter Heck é professor universitário público e radialista em Indiana. Contato: peter@peterheck.com, visite www.peterheck.com, ou like him on Facebook.
2. O que bem poderia ser inspiração para esse rosário negro de Marias, Marthas, Marinors (!) e os demais dessa seita chamada "humanismo leigo".
3. Obama era então Senador por Illinois.

maio 16, 2011

A união tática da "diversidade"

Anthony J. Sadar [1]
Dê uma volta em qualquer colégio ou universidade hoje nos Estado Unidos [ou por aqui] e você verá abundantemente a promoção da tal “diversidade”. Sinais que advogam a aceitação da diversidade estão por todos os lados e se referem a qualquer coisa que distinga “raça” ou “gênero”, este já expandido para o mero “estilo” de vida ou “opção” por “um” tipo comportamento sexual.
Este apelo vem já de longe sendo usado como pretexto por unidade, desapercebido e apesar do slogan oximoro “unidade na Diversidade” como frequentemente reivindica. De onde veio um tal conceito que hoje claramente divide a América? [Ou, cuja prática, em qualquer nação, cria apelos e dissenção interna e ignora seu uso no passado.]
O moderno movimento pela diversidade se originou provavelmente com o pensamento progressivista e obteve avanços através do meio simplista, porém efetivo, dividir e conquistar. Os americanos, já desde cedo nos anos 60, deixaram influenciar passivamente pelo apelo de ignorar as diferenças e fazer parte de um “melting pot” [--- ideia cujo efeito, e pelo qual se justifica, é solvente da identidade nacional por uma identidade universal de uma moral laica de apelo “cosmopolita”]. A intenção era a de unir os cidadãos para trabalharem juntos e fazer o país mais forte e produtivo, especialmente enquanto a América competiu com o seu superpoder rival, a União Soviética.
Assim, a unidade esteve atada à liberdade, a qual conduziu à máxima prosperidade para todos.
Para além de uma unidade superficial e de prosperidade material, a unidade do povo estava sob as qualidades da verdadeira fé, de esperança e de amor --- qualidades que não têm a ver com a cor da pele, a habilidade ou inabilidade e que tais ---, dessa forma produzindo um clima moral superior para a nação. Em Agosto o apresentador de televisão e rádio, muito popular, Glenn Beck, focou admiravelmente estas qualidades em uma reunião muito disputada em Washington, D.C.. Já há 2.000 anos, o princípio cristão de ignorar diferenças raciais, sociais e de gênero por uma unidade fundada em um fundamento individual superior era esposada pelo apóstolo Paulo por várias vezes nas epístolas dirigidas às comunidades cristãs da época. E isto sempre foi um incentivo suficiente, pelo menos para os cristãos americanos, para esposar estes valores.
De outro modo, a unidade da América parece que não serve por qualquer razão honorável de proposta àqueles que buscam mudar nossa sociedade para deixá-la controlada então por uma elite de intelectuais progressistas e exploradores [de outro tipo]. As elites acreditam que eles sabem o que é melhor para aqueles que são controlados, enquanto ao mesmo tempo ganham substancial poder e acesso a um vasta [gama] de ricos associados com aquele poder.
No entanto, sabemos da história que o que os progressistas consideram o melhor para as massas se torna nada mais que escravidão. O sofrimento de certas comunidades minoritárias remonta à destruição da unidade da família atual, a armadilha de uma educação pobre e a confiança em esmolas do governo --- tudo ligado às políticas progressistas. Além disso, as políticas progressistas levam eventualmente à estagnação, ao mal-estar e ao colapso econômico. O progressivismo, na forma do comunismo, na URSS, conseguiu lá pelas tantas falir com uma nação criativa unida sob um sistema próspero de livre-mercado.
Apesar de todos os ataques dos progressivistas ao capitalismo, é nos negócios e na indústria que as pessoas são mais frequentemente unidas em torno de uma proposta de benefício comum [2]. Mas, ora; não seria o desprezo que os progressivistas têm pelas comunidades empresariais a reação por justamente não terem sobre estas qualquer poder de controle direto? Por conseguinte, os progressistas pressionam demandando maior participação nas operações desses negócios [3], mesmo que sejam completamente ingênuos quando expostos às condições reais do comércio e de suas práticas. Então, com um chute na porta, querem fazer parte do sucesso e compartilhar os lucros sem o imprevisto do risco direto ou do trabalho real.
O esforço é o por infestar as grandes corporações e para expandir o tamanho do governo e de suas regulamentações sobre a iniciativa privada. Não obstante, na eleição passada [midterms 2010], vimos o desespero das elites progressistas que continuam sem hesitação a buscar dividir para conquistar.
O espírito de liberdade apareceu para ser desperto e unificado em uma viva oposição erguida contra o progressivismo. O movimento Tea Party exemplifica isso, e a extrema causticidade das elites defendendo a liberdade e a unidade revela que essa reviravolta da unidade [nacional] está causando pânico entre os agentes de divisão. Resultará essa resistência em ganhos significativos no Congresso desta vez? Os resultados das futuras eleições vão dizer. [E ai de nós, que por aqui igual nada há.]
Nesse entretempo, é bom sonhar quando, algum dia, caminhando pelos corredores da universidade, podermos ver os sinais que revivam o sentido da verdadeira unidade sobre o da diversidade tática. O autêntico avanço da nossa sociedade virá da contínua lembrança e vigilância para nos manter unidos naquilo que realmente e acima de tudo o mais interessa --- a capacidade de vivermos livres e promover e praticar a fé, a esperança e o amor nas suas expressões mais verdadeiras.
Anthony J. Sadar é professor adjunto de escolas no oeste da Pennsylvania e autor de Environmental Risk Communication: Principles and Practices for Industry (CRC Press/Lewis Publishers 2000).
Notas
1. Anthony J. Sadar, “Whatever Happened to Unity?” Original do American Thinker, October 30, 2010.
2. Coisa amplamente corroborada historicamente e que as próprias tentativas feitas por socialistas utópicos sempre demonstraram, que é só como a liberdade e a unidade encontram um equilíbrio que faça algum sentido.
3. Isto era um dos objetivos principais e reconhecido como o mais promissor por Saul Alinsky, mentor da turma de Obama, cuja tática associada Alinsky denominava tactic proxy --- “tática por procuração”. V. Rules for radicals, 8.

maio 11, 2011

A codificação cidadã

Propedêutica da Nova Hermenêutica da Constituição Brasileira Conforme o Dogma Iluminista da Trindade Laica
*
“‘Estado’ chama-se o mais frio dos monstros. Mente também friamente, e eis que mentira rasteira sai da sua boca: “Eu, o Estado, sou o Povo”.”
--- Nietzsche. Assim falava Zaratustra, “Do novo ídolo”.
TÍTULO I: Dos Princípios Fundamentais...
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios, do Distrito Federal e Entidades Transgênero, constitui-se em Estado Democrático de Direito, Medidas Administrativas, Provisórias e Decretos e tem como fundamentos:
I - a soberania... (!)
II - a cidadania laica;
III - a dignidade da pessoa humana depois de nascer;
IV - os valores sociais do trabalho sindicalizado e da livre iniciativa quando ligada ao estado;
V - o pluralismo político de ramo trabalhista, socialista, social-democrata, anarquista, comunista, et caterva [i.e., Foro de São Paulo].
Parágrafo único. Todo o poder emana do ideário iluminista, que se exerce sobre o povo por meio de representantes comprados ou diretamente pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, a trindade Legislativo-Executivo-Judiciário que é Una e indivisível.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, nem que para isso se tenha que aparar algumas arestas e “igualitarizar” a uns tantos, nem que estes tantos sejam a maioria.
V- Qualquer um que saiba como fazer isso deve ser encaminhado ao posto mais alto do estado brasileiro e representar a vontade do povo como se fosse a sua própria --- entenda-se: a sua própria já como sendo a do povo.
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional de aderir à ONU;
II - prevalência dos direitos humanos laicos (i.e., que conste em lei, o feto fora);
III - autodeterminação dos povos para aderir ao globalismo laico;
IV - não-intervenção aberta (mas discretamente nos termos dessa constituição);
V - igualdade entre os Estados, o que se faz e chega pelo Art 3º;
VI - defesa da paz, por quaisquer meios (inclusive negociar a derrota antecipada com o agressor aderindo ao seu jugo);
VII - solução pacífica dos conflitos que não estamos envolvidos;
VIII - repúdio ao terrorismo, exceto quando por motivação mais nobre na defesa do Art 3º, e ao racismo, exceto quanto por ações afirmativas;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade na direção da legalidade laica e do ócio parvo;
X - concessão de asilo político exceto quando nos casos contemplados pelo inciso VIII (acima) .
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. [Não acrescentei nada!]
Comentário único sobre esse parágrafo estúpido: que é o que quer dizer o inciso I do Art 1º, supra!, sobre a tal “soberania” (v.g., perdê-la sem jamais ter sabido do que se tratava).
(E tem muito mais de onde veio isso.)
...
Post-Scritum 
1) Notar que o Art 3º, inciso V, que não há na Constituição, referenda os demais, que lá estão, a despeito de seu absurdo intrínseco ao pretender que sem ainda ter constituído uma nação senão no papel, já a lança para um esforço a um futuro desconhecido e sequer imaginável, só podendo dar em outra coisa;
2) Há uma certa ironia que o Art 3º da Constituição não precise de nenhuma paráfrase cômica para mostrar o seu ridículo; fica apenas o perigo intrínseco de não se notar isso.
Addendum. Sobretudo é o inciso IIIº, do Art 1º que traz o fundamento metafísico (já que a ausência dele não deixa de ser) de todo o “humanitismo” machadiano dessa Constituição substantiva sem qualidades: pois se a dignidade da pessoa humana está nos direitos que a pessoa obtém apenas com o CPF, excluindo-se, portanto, o nascituro, o próprio sentido de "pessoa" fica submetido ao que está prescrito em lei desde o fundamento, o que é absurdo; e isto porquanto "humano" sejam os sentimentos, as emoções, a memória, os sentidos, o que os antigos chamavam "fantasmas" da alma, que a instruem com erro sobre o mundo, e que o iluminismo transformou na realidade última cambiante contra o quadro raso “mais real” da mera possibilidade de desejar. A variedade infinita de fantasmas é muda na consciência mouca quanto à consequência que daí se deriva de que o autista não teria justificativa para viver, como hoje começam a não ter o anencéfalo, ou simplesmente já o nascituro, uma vez que este possa cercear o “pleno sentir” de uma mulher. O resto são os fardos trazidos por valores que não passam de fantasmagorias preconceituosas, retrógradas, facilmente desconstruídas como sendo apenas debates fantasiosos sobre nenúfares metafísicos.