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maio 29, 2013

O canibal bulímico e a lei psicológica da projeção leninista da própria torpeza

Ou também, como ler a história reduzindo-a a encadeamentos lógicos a partir de resumos jornalisticos para ver no que se omite pela concisão o salto fantástico de uma conspiração que sabota a nossa utopia e nos ameaça com o risco de trazer de volta a lembrança velada pelo silêncio dos traidores.
 --- Como ler jornais – 4 ---
O mais velho e histórico assentamento americano de colonos europeus nos Estados Unidos se chamou Jamestown, às margens do rio James, sob reinado homônimo e sob as vistas dos índios Powhatans.Em artigo de Duda Teixeira, na Veja, uma cadeia lógica abusiva atribui atos de canibalismo ao comunismo, uma mácula certamente à memória do comunismo e um non sequitur do encadeamento lógico reacionário, segundo a crítica de Juremir Machado em “O canibalismo comunista da Veja” (24.05.13) , no Correio do Povo.
A acusação de Juremir, que encontrou no caso uma bela oportunidade de desmascarar a Veja confirmando os adjetivos que de tão prolíficos já não podem ser senão o eco de um julgamento prévio: charlatanismo, pseudociência, estupidez, rigidez lógica, ridículo, besteirol, galhofa, sensacionalismo, e, por fim (cuspindo para cima), orientação ideológica. Muito adjetivos para um artigo tão curto. Ao que parece, os adjetivos querem encontrar uma confirmação no artigo, aquilo que na história são hipóteses explicativas que se jogam sobre os fatos para se confirmar com o testemunho constrangido destes.
Quando uma cadeia lógica é muito longa, quando essa cadeia é uma dedução de eventos históricos, as circunstâncias devem poder convencer qualquer um sério a atenuar os extremos do silogismo como causa e efeito mesmo para um caso bem localizado como havido em Jamestown. Mas, se é assim, do inverso se deve estar igualmente advertido: de uma narrativa histórica não se pode tirar encadeamentos lógicos rigorosos. Agora, ainda menos de um artigo de jornal ou revista, que resume da narrativa histórica a nuances de alguma relevância para a vida humana atual --- um tipo de uniformitarismo que tende a ver no passado o que nos parece importante hoje.
Juremir trocará o jornalismo da Veja pelo jornalismo do “Vejamos”, para em seguida não trazer nada que não seja seu próprio espectro de cores, agora mais justificado desde que vê no artigo da Veja o traço grosseiro da ideologia que ele descreverá melhor. E sem economizar luzes, carrega na intensidades das cores, vai do ultraje à infâmia, e enfim ao histrionismo que, já confiante, deixa solta a própria torpeza para atribuir a textos históricos (e menos que isso, jornalísticos) o encadeamento lógico extraído de um resumo. De um compacto artigo de revista, Juremir analisa reducionistamenteo artigo em uma cadeia lógica ofensiva de tão rígida, para acusar Teixeira de tê-lo feito antes. O nexo causal de Juremir é rígido por que ele não chegou à semântica, limitando-se à "lógica". Duda Teixeira coloca em destaque a odiosa ideologia que Juremir denuncia no título “Os ossos do comunismo” e na chamada que afirma que o sistema de produção coletivo ineficiente produziu a penúria que acabou em canibalismo. Os termos dessa conclusão em Teixeira são “deu no que deue “se não fosse”, para se referir ao sistema imposto pela Cia da Virgínia, que preferiu o sistema coletivo de produção, como o de uma cooperativa arrendada, por temor a uma súbita autonomia e independência dos colonos do outro lado do Atlântico. Explica-se com mais força o ultraje de Juremir, pois sua lógica tem a Vejacomo premissa maior de tudo que os comunistas atribuíam à maçonaria e aos judeus por sua catástrofe, seus horrores e olheiras.
Simplesmente, a conclusão de que o suposto proto-comunismo da primeira colônia americana, que levou a sua população de cerca de 200 assentados a morrer em cerca de 80% no inverno de 1609-10, e antes disso ao canibalismo, como descobriram pela evidência forense inscrita na testa de uma jovem de 14 anos, não é de Teixeira, nem da Veja, é dos historiadores citados pelo artigo. Aparentemente, Juremir não deu conta disso.
A crítica de Juremir está quase completamente “fundamentada” sobre a forma tosca dos resumos de jornais e artigos de revistas. Só o título “Os ossos do socialismo”, na verdade um elogio que Teixeira presta a essa ideologia, ao compará-lo a Jamestown, é que sugere qualquer coisa digna da crítica hiperbólica de Juremir ao artigo. A visão “desmistificadora” de Juremir, intoxicado da rigorosa lógica alheia, desvelou a conspiração da “estupidez” do ponto de vista da própria torpeza. Juremir, no final, sai com o sarcasmo de que o comunismo comedor de criancinhas está finalmente provado, mais cabalmente pois que “agora é científico” --- segundo a ciência de Teixeira que Juremir chamou de charlatanismo. Ou terá ele se referido aos historiadores? Não ficou claro. Na verdade não fica claro nem mesmo se Juremir percebeu que as teses do artigo são dos historiadores.
Mas um pouco mais incompreensível é sugerir alguma dúvida sobre a prova científica de que o regime coletivo de produção é um fracasso e leva à penúria, que é coisa já há muito uma verdade histórica que ninguém discute serialmente. (Talvez o pessoal do PT, com o tipo de seriedade de que fala Juremir.) Ninguém que sabe que não pode defender o comunismo, ainda que usando termos tolos como “reacionário”, defenderia algo assim, que seria como que se desdizer no mesmo parágrafo o que recém se acabara de dizer --- ou, ao introduzir duas conclusões antagônicas na mesma cadeia causal necessária. Mas, de fato, para um marxista isso não seria lá algo que se pudesse dizer que é uma contradição.
A reportagem faz uma relação direta entre comunismo e penúria, relação que pode estar errada para o caso de Jamestown, é, no entanto, verdadeira para os casos de Sistemas coletivos de produção (i.e., onde a iniciativa individual é mais e mais suprimida). Exceto, é claro, ao sistema escravagistas, como observou sem perceber a ironia o socialista utópico Richard Owen.
O uso do termo “reacionário” é grandemente pouco auspicioso da capacidade cognitiva de um jornalista. E a miséria se confirma, mas de revés. Não é que Juremir quase que tem razão na sua conclusão maior? Que saiba, e só sei de ouvir dizer, ele já teria acertado uma outra --- não sei se essa seria uma hipotética segunda vez. Se ele acerta, infelizmente seria pelas razões erradas. (Ô gente complicada.)
Tentando, sem muito esforço, encontrar por que Teixeira tira conclusões que não estão em outros periódicos, vê-se, como dá a fonte, ser a hipótese de alguns historiadores. Tem que ler melhor que Jurandir para perceber que essa hipótese pode ter mais fundamento do que parece pelo que pode ser afirmado num artigo de jornal. O jornalista da Vejaresume assim: “Se não fosse o sistema de produção fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”. É uma tese. Juremir acerta e erra; a “inflexão” do texto supervaloriza (?) um aspecto, dado pelo historiador George Percy. O “charlatanismo”, se há algum, não é de Teixeira, menos ainda da Veja, como o considera Juremir, talvez por conveniência ou inversão histérica. Outra coisa, muito verossímil: “O coletivismo fora implantado pela Companhia da Virgínia, empresa responsável pela empreitada em Jamestown, por temor de que, se os colonos tivessem sua própria terra do outro lado do Atlântico, deixariam de enviar o que produziam para Londres”. É tão verossímil esse medo que ele antecipa profeticamente a “revolução” americana; e que, além disso, com mais razão poder-se-ia afirmar que o controle dos meios de produção causou a tragédia. Mas estas coisas escapam a Juremires. É pedir demais que Juremir acredite que adisposição de espírito dos homens mude quando se lhes impõem os meios de produção? Mas Marx acreditava nisso! Tanto acreditava que queria libertar o homem do trabalho “alienado” opressor. A utopia erra também, por outro lado, porque o trabalho meramente por dever exterior aliena igualmente. O tipo humano soviético está bem documentado pelos soviéticos exilados no primeiro caso; os do segundo caso estão exemplificados pelas comunidades utópicas ao longo da história, muitas tentadas na América.
O texto da Veja, assinado por Duda Teixeira, pode, no máximo, dar ênfase a um aspecto da crise do primeiro assentamento americano como causa maior da penúria, ainda assim não da antropofagia, como diz Juremir. Mas não foi isso que está dito. A lógica de Juremir usa muito de relações causais metonímicas, toma um sentido de um aspecto ou parte pelo todo e conclui triunfalmente --- aquilo que ele chamou de “segurança dos tolos encantados”.
A decisão”, conclui Teixeira pelas palavras de alguns historiadores, “despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. --- A imprecisão está no “despertou”, que é um figuração para aquilo que o historiador concluirá ser a observação das circunstâncias que historicamente mostraram que seriam, sobre o homem americano, os seus traços positivos. Como causa, é meramente figurativo, não tem valor científico. Mas eu não sei se o historiador seguiria esse raciocínio linear que Juremir atribui a Teixeira. Diz Juremir:A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo”. Essa simplificação da “conclusão reducionista” do artigo é um ponto de vista de Juremir, fruto de seu particular modo cognitivo de ser (em palavras exatas). Isso sempre acontece quando o cara em vez de querer saber a verdade, corre para a refutação da “inflexão” ideológica do outro, acabando apenas por deformação igual e de sentido contrário --- quando não, Freud explica, simplesmente projetando no adversário as suas graves limitações de leitura.
O coletivismo leva à massificação e à mediação da ação humana por símbolos exteriores (p. ex.,o sentido abstrato de grupo, ou como a confiança na ajuda exterior --- coisa que pode ser reconhecida também na fé ou sujeição a um sistema de produção coletivo); a improdutividade levar à fome e ao canibalismo é verdadeiro para casos extremos, o comunismo é, sim, o melhor exemplo disso. Juremir já fizera uma boa descrição da penúria de Cuba, quando lá esteve, e rejeita a experiência comunista soviética, só que não sabe por quê. “A saída viria com a propriedade privada”, faz graça da simplificação que é, de novo, de sua lavra --- mas não. A saída veiocom a propriedade privada, não “viria”. É o que Juremir chamou de “estúpido” --- os fatos, no caso. De novo, diz Juremir: “Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados”. Não tenho essa certeza.
Vamos ajudar Juremir. As circunstâncias --- a “conjuntura” de Juremir ---, ao contrário do que leu o guapo, estão lá, pois diz o artigo: “Findo o comércio, começaram as hostilidades. 'Os índios sitiaram o forte. Ninguém podia sair para conseguir alimentos'”, segundo o historiador William Kelso. O inverno de 1609-10, como está observado, levou a uma condição extrema, cerca de 80%, segundo a reportagens reproduzidano Los Angeles Times, “Os tempos de penúria trouxeram uma convergência tripla de desastres: pouca provisão, sítio dos Powhatans, isolamento de ajuda externa”. Nessas circunstâncias, não foi o regime coletivo de produção que gerou o possível ato de canibalismo, mas os historiadores não negam que o sistema de produção deles não permitia reservas nem anuais, sem ajuda externa.
Para a pragmática [!] revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção”. Não, Juremir; com um sistema onde eles eram tão somente peças, que não trabalhavam para si mesmos, nenhum fruto colhiam do próprio trabalho. O modo de trabalho durou alguns anos, até parecer a uns quantos algo que se poderiam negligenciar indolentemente o que jamais se tornava um fruto mais maduro na divisão dos lucros da Cia da Virgínia.
Cada um pode enfocar o que entende ser o ponto central de aspectos concorrentes: a real penúria produzida pelo comunismo científico --- do qual o caso de Jamestown pode ser um mal exemplo ---; ou a conclusão mágica de que esse fracasso levou ao capitalismo. Fracassos não geram sociedade melhores --- isso é um conceito místico do marxismo, o da “crise”. (Essa noção é já um traço da mentalidade brasileira, qualquer um a reconhece como correta.) O exemplo de Jamestown poderia estar mais para as comunidades protestantes como tantas que se tentaram por lá, pequenas e conservadoras. Muitas das quais deram certo, até onde podem em certo isolamento, como os anabatistas Amish, americanos, e os Vyg, na Rússia, que existiram por longevos 150 anos. Não parece ser nem esse o caso de Jamestown, mesmo quando colocado ao lado dos mais notáveis fracassos de comunidades socialistas utópicas.
Juremir afasta qualquer chance de poder estar defendendo o comunismo. Difícil é de entender por que alguém diria algo assim; difícil igualmente é entender por que alguém faria uma advertência a um artigo que faz essa relação, como acabou me chamando a atenção ter sido feito, supostamente coisa que o artigo de Juremir teria desmascarado. O comunismo acabou com toda a “conjuntura”, Ucrâniae Chinaviveram verdadeira catástrofe de penúria pelo Sistema de produção coletivista --- isto é, alguém organizando o sistema de produção, administrando-o de modo que a iniciativa individual é quase anulada. Assim resumirá a dialética historiográfica de Juremir no caso de Jamestown:
“Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”. Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.”
Na verdade, esse foi apenas um sinal profético, já que o canibalismo produzido pelo comunismo só mais tarde ganhou a lúgubre fama que a propaganda contraditou, desacreditou, como faria também para a ciência comunista: na China entre 1958 e 1962, e na Ucrânia, no inverno de 1932-33, quando o governo soviético instalou pôsters com os dizeres: “Comer as suas crianças é um ato de barbárie”. Juremir não apenas não sabe porque disse “Longe de mim defender o comunismo”, como desconhece também os meios do charlatanismo soviético que nele já são mentalidade.
Também se relata a indolência para o trabalho dos colonos, mas a preguiça pode ter sido, com mais chance de ser verdadeiro, fruto da confiança na ajuda externa, que naquele ano faltou. Mas, olha que curioso, a diferença entre um verdadeiro sistema de produção coletiva para aquele de Jamestown é que no primeiro o sistema de produção é imposto de fora, pode dar certo ou errado (sempre deu errado, de novo, exceto em regimes escravagistas); enquanto no caso dos colonos à margem do Rio James, foi a confiança na ajuda externa que os pôs à mercê daquele inverno e dos índios. As conclusões de Duda Teixeira, que para Juremir não passam de charlatanismo ideológico, são o resultado de uma cabeça que pensa por metonímias --- é claro que, para a economia psicológica de quem apostou demais na mentalidade de esquerda, e já não pode perder. Resta o “surplus” da projeção no outro da própria torpeza. Assim Juremir disfarça, afirmando que não há relação direta do “coletivismo” algo tão específico quanto o canibalismo. Nem se dá ao trabalho de distinguir entre “coletivismo”, os meios coletivos de produção, isto é, nas mãos de alguém, do comunismo como ideologia. As refutações de Juremir são grosseiros desvio semântico trocando palavras nãopara não perceber a tensão polêmica da narrativa histórica, mas porque não vê nenhuma tensão pode até mesmo usar sinônimos por homófonos.
Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li” --- arremata Juremir.
Tudo aqui se explica por um encadeamento causal psicológico bem rígido. Há uma máxima leninista que é uma lei cega do pensamento de esquerda: “Xingue-os [adversários] do que você é; acuse-os do que você faz”. Nunca falha.
*
A conclusão dos historiadores pode até ser falsa para o caso de Jamestown, mas realmente não é o que se pode concluir para a penúria extrema que o comunismo sempre se mostrou altamente capaz de produzir. Juremir parece que quer rejeitar o comunismo e limpá-lo de uma referência que nem de longe é uma mera especulação, nem mesmo para Jamestown, quanto mais para o coletivismo universal que prega, ainda hoje, o comunismo. Se há aí uma cultura coletivista, é porque também há uma mentalidade coletivista, a qual, simbolicamente, habituou-se a canibalizar ex-comunistas para sobreviver. “Longe de mim defender o comunismo”, diz Juremir. Canibalismo bulímico, bem a propósito da inversão revolucionária e da psicologia histérica que joga sobre o outro os seus horrores. Vomita o passado, como um tipo de Cronos, para dizer que não comeu, e volta a comer. É monstro pior.
O símbolo da penúria de Jamestown deveria ser vista hoje na miséria brasileira, que tem vários pontos de coincidência funesta com o espírito e as circunstâncias que levaram à Rússia para o comunismo, a pseudociência, a fé no futuro como destino, a falta de cultura verdadeira, a idéia de revolução, o marxismo, a filosofia “crítica” (i.e., marxismo difamatório, sorrateiro e sabotador), o caráter do homem, fraco, dissimulado, oportunista, massificado, relativista, solene, e, é claro, com essa mentalidade que permeia as caraminholas de Juremir e de quem o lê.
Alguns links:

Jamestown settlers ate 14-year-old girl, researchers say”, Los Angeles Times.

History rant: Cannibalism at Jamestown — Why?”, The Blaze; sobre a tese “de” Duda Teixeira que Juremir chamou de charlatanismo.

First permanent British settlers in America  were CANNIBALS who even ate a 14 year old girl to survive deadly 1609 winter”, Mail Online.

Cannibal Colonists Devoured 14-Year-Old Girl At Jamestown”, Buzz Feed.

O canibal bulímico e a lei psicológica da projeção leninista da própria torpeza

Ou também, como ler a história reduzindo-a a encadeamentos lógicos a partir de resumos jornalisticos para ver no que se omite pela concisão o salto fantástico de uma conspiração que sabota a nossa utopia e nos ameaça com o risco de trazer de volta a lembrança velada pelo silêncio dos traidores.
 --- Como ler jornais – 4 ---
O mais velho e histórico assentamento americano de colonos europeus nos Estados Unidos se chamou Jamestown, às margens do rio James, sob reinado homônimo e sob as vistas dos índios Powhatans. Em artigo de Duda Teixeira, na Veja, uma cadeia lógica abusiva atribui atos de canibalismo ao comunismo, uma mácula certamente à memória do comunismo e um non sequitur do encadeamento lógico reacionário, segundo a crítica de Juremir Machado em “O canibalismo comunista da Veja” (24.05.13) , no Correio do Povo.
A acusação de Juremir, que encontrou no caso uma bela oportunidade de desmascarar a Veja confirmando os adjetivos que de tão prolíficos já não podem ser senão o eco de um julgamento prévio: charlatanismo, pseudociência, estupidez, rigidez lógica, ridículo, besteirol, galhofa, sensacionalismo, e, por fim (cuspindo para cima), orientação ideológica. Muito adjetivos para um artigo tão curto. Ao que parece, os adjetivos querem encontrar uma confirmação no artigo, aquilo que na história são hipóteses explicativas que se jogam sobre os fatos para se confirmar com o testemunho constrangido destes.
Quando uma cadeia lógica é muito longa, quando essa cadeia é uma dedução de eventos históricos, as circunstâncias devem poder convencer qualquer um sério a atenuar os extremos do silogismo como causa e efeito mesmo para um caso bem localizado como havido em Jamestown. Mas, se é assim, do inverso se deve estar igualmente advertido: de uma narrativa histórica não se pode tirar encadeamentos lógicos rigorosos. Agora, ainda menos de um artigo de jornal ou revista, que resume da narrativa histórica a nuances de alguma relevância para a vida humana atual --- um tipo de uniformitarismo que tende a ver no passado o que nos parece importante hoje.
Juremir trocará o jornalismo da Veja pelo jornalismo do “Vejamos”, para em seguida não trazer nada que não seja seu próprio espectro de cores, agora mais justificado desde que vê no artigo da Veja o traço grosseiro da ideologia que ele descreverá melhor. E sem economizar luzes, carrega na intensidades das cores, vai do ultraje à infâmia, e enfim ao histrionismo que, já confiante, deixa solta a própria torpeza para atribuir a textos históricos (e menos que isso, jornalísticos) o encadeamento lógico extraído de um resumo. De um compacto artigo de revista, Juremir analisa reducionistamente o artigo em uma cadeia lógica ofensiva de tão rígida, para acusar Teixeira de tê-lo feito antes. O nexo causal de Juremir é rígido por que ele não chegou à semântica, limitando-se à "lógica". Duda Teixeira coloca em destaque a odiosa ideologia que Juremir denuncia no título “Os ossos do comunismo” e na chamada que afirma que o sistema de produção coletivo ineficiente produziu a penúria que acabou em canibalismo. Os termos dessa conclusão em Teixeira são “deu no que deu e “se não fosse”, para se referir ao sistema imposto pela Cia da Virgínia, que preferiu o sistema coletivo de produção, como o de uma cooperativa arrendada, por temor a uma súbita autonomia e independência dos colonos do outro lado do Atlântico. Explica-se com mais força o ultraje de Juremir, pois sua lógica tem a Veja como premissa maior de tudo que os comunistas atribuíam à maçonaria e aos judeus por sua catástrofe, seus horrores e olheiras.
Simplesmente, a conclusão de que o suposto proto-comunismo da primeira colônia americana, que levou a sua população de cerca de 200 assentados a morrer em cerca de 80% no inverno de 1609-10, e antes disso ao canibalismo, como descobriram pela evidência forense inscrita na testa de uma jovem de 14 anos, não é de Teixeira, nem da Veja, é dos historiadores citados pelo artigo. Aparentemente, Juremir não deu conta disso.
A crítica de Juremir está quase completamente “fundamentada” sobre a forma tosca dos resumos de jornais e artigos de revistas. Só o título “Os ossos do socialismo”, na verdade um elogio que Teixeira presta a essa ideologia, ao compará-lo a Jamestown, é que sugere qualquer coisa digna da crítica hiperbólica de Juremir ao artigo. A visão “desmistificadora” de Juremir, intoxicado da rigorosa lógica alheia, desvelou a conspiração da “estupidez” do ponto de vista da própria torpeza. Juremir, no final, sai com o sarcasmo de que o comunismo comedor de criancinhas está finalmente provado, mais cabalmente pois que “agora é científico” --- segundo a ciência de Teixeira que Juremir chamou de charlatanismo. Ou terá ele se referido aos historiadores? Não ficou claro. Na verdade não fica claro nem mesmo se Juremir percebeu que as teses do artigo são dos historiadores.
Mas um pouco mais incompreensível é sugerir alguma dúvida sobre a prova científica de que o regime coletivo de produção é um fracasso e leva à penúria, que é coisa já há muito uma verdade histórica que ninguém discute serialmente. (Talvez o pessoal do PT, com o tipo de seriedade de que fala Juremir.) Ninguém que sabe que não pode defender o comunismo, ainda que usando termos tolos como “reacionário”, defenderia algo assim, que seria como que se desdizer no mesmo parágrafo o que recém se acabara de dizer --- ou, ao introduzir duas conclusões antagônicas na mesma cadeia causal necessária. Mas, de fato, para um marxista isso não seria lá algo que se pudesse dizer que é uma contradição.
A reportagem faz uma relação direta entre comunismo e penúria, relação que pode estar errada para o caso de Jamestown, é, no entanto, verdadeira para os casos de Sistemas coletivos de produção (i.e., onde a iniciativa individual é mais e mais suprimida). Exceto, é claro, ao sistema escravagistas, como observou sem perceber a ironia o socialista utópico Richard Owen.
O uso do termo “reacionário” é grandemente pouco auspicioso da capacidade cognitiva de um jornalista. E a miséria se confirma, mas de revés. Não é que Juremir quase que tem razão na sua conclusão maior? Que saiba, e só sei de ouvir dizer, ele já teria acertado uma outra --- não sei se essa seria uma hipotética segunda vez. Se ele acerta, infelizmente seria pelas razões erradas. (Ô gente complicada.)
Tentando, sem muito esforço, encontrar por que Teixeira tira conclusões que não estão em outros periódicos, vê-se, como dá a fonte, ser a hipótese de alguns historiadores. Tem que ler melhor que Jurandir para perceber que essa hipótese pode ter mais fundamento do que parece pelo que pode ser afirmado num artigo de jornal. O jornalista da Veja resume assim: “Se não fosse o sistema de produção fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”. É uma tese. Juremir acerta e erra; a “inflexão” do texto supervaloriza (?) um aspecto, dado pelo historiador George Percy. O “charlatanismo”, se há algum, não é de Teixeira, menos ainda da Veja, como o considera Juremir, talvez por conveniência ou inversão histérica. Outra coisa, muito verossímil: “O coletivismo fora implantado pela Companhia da Virgínia, empresa responsável pela empreitada em Jamestown, por temor de que, se os colonos tivessem sua própria terra do outro lado do Atlântico, deixariam de enviar o que produziam para Londres”. É tão verossímil esse medo que ele antecipa profeticamente a “revolução” americana; e que, além disso, com mais razão poder-se-ia afirmar que o controle dos meios de produção causou a tragédia. Mas estas coisas escapam a Juremires. É pedir demais que Juremir acredite que a disposição de espírito dos homens mude quando se lhes impõem os meios de produção? Mas Marx acreditava nisso! Tanto acreditava que queria libertar o homem do trabalho “alienado” opressor. A utopia erra também, por outro lado, porque o trabalho meramente por dever exterior aliena igualmente. O tipo humano soviético está bem documentado pelos soviéticos exilados no primeiro caso; os do segundo caso estão exemplificados pelas comunidades utópicas ao longo da história, muitas tentadas na América.
O texto da Veja, assinado por Duda Teixeira, pode, no máximo, dar ênfase a um aspecto da crise do primeiro assentamento americano como causa maior da penúria, ainda assim não da antropofagia, como diz Juremir. Mas não foi isso que está dito. A lógica de Juremir usa muito de relações causais metonímicas, toma um sentido de um aspecto ou parte pelo todo e conclui triunfalmente --- aquilo que ele chamou de “segurança dos tolos encantados”.
A decisão”, conclui Teixeira pelas palavras de alguns historiadores, “despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. --- A imprecisão está no “despertou”, que é um figuração para aquilo que o historiador concluirá ser a observação das circunstâncias que historicamente mostraram que seriam, sobre o homem americano, os seus traços positivos. Como causa, é meramente figurativo, não tem valor científico. Mas eu não sei se o historiador seguiria esse raciocínio linear que Juremir atribui a Teixeira. Diz Juremir:A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo”. Essa simplificação da “conclusão reducionista” do artigo é um ponto de vista de Juremir, fruto de seu particular modo cognitivo de ser (em palavras exatas). Isso sempre acontece quando o cara em vez de querer saber a verdade, corre para a refutação da “inflexão” ideológica do outro, acabando apenas por deformação igual e de sentido contrário --- quando não, Freud explica, simplesmente projetando no adversário as suas graves limitações de leitura.
O coletivismo leva à massificação e à mediação da ação humana por símbolos exteriores (p. ex.,o sentido abstrato de grupo, ou como a confiança na ajuda exterior --- coisa que pode ser reconhecida também na fé ou sujeição a um sistema de produção coletivo); a improdutividade levar à fome e ao canibalismo é verdadeiro para casos extremos, o comunismo é, sim, o melhor exemplo disso. Juremir já fizera uma boa descrição da penúria de Cuba, quando lá esteve, e rejeita a experiência comunista soviética, só que não sabe por quê. “A saída viria com a propriedade privada”, faz graça da simplificação que é, de novo, de sua lavra --- mas não. A saída veio com a propriedade privada, não “viria”. É o que Juremir chamou de “estúpido” --- os fatos, no caso. De novo, diz Juremir: “Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados”. Não tenho essa certeza.
Vamos ajudar Juremir. As circunstâncias --- a “conjuntura” de Juremir ---, ao contrário do que leu o guapo, estão lá, pois diz o artigo: “Findo o comércio, começaram as hostilidades. 'Os índios sitiaram o forte. Ninguém podia sair para conseguir alimentos'”, segundo o historiador William Kelso. O inverno de 1609-10, como está observado, levou a uma condição extrema, cerca de 80%, segundo a reportagens reproduzida no Los Angeles Times, “Os tempos de penúria trouxeram uma convergência tripla de desastres: pouca provisão, sítio dos Powhatans, isolamento de ajuda externa”. Nessas circunstâncias, não foi o regime coletivo de produção que gerou o possível ato de canibalismo, mas os historiadores não negam que o sistema de produção deles não permitia reservas nem anuais, sem ajuda externa.
Para a pragmática [!] revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção”. Não, Juremir; com um sistema onde eles eram tão somente peças, que não trabalhavam para si mesmos, nenhum fruto colhiam do próprio trabalho. O modo de trabalho durou alguns anos, até parecer a uns quantos algo que se poderiam negligenciar indolentemente o que jamais se tornava um fruto mais maduro na divisão dos lucros da Cia da Virgínia.
Cada um pode enfocar o que entende ser o ponto central de aspectos concorrentes: a real penúria produzida pelo comunismo científico --- do qual o caso de Jamestown pode ser um mal exemplo ---; ou a conclusão mágica de que esse fracasso levou ao capitalismo. Fracassos não geram sociedade melhores --- isso é um conceito místico do marxismo, o da “crise”. (Essa noção é já um traço da mentalidade brasileira, qualquer um a reconhece como correta.) O exemplo de Jamestown poderia estar mais para as comunidades protestantes como tantas que se tentaram por lá, pequenas e conservadoras. Muitas das quais deram certo, até onde podem em certo isolamento, como os anabatistas Amish, americanos, e os Vyg, na Rússia, que existiram por longevos 150 anos. Não parece ser nem esse o caso de Jamestown, mesmo quando colocado ao lado dos mais notáveis fracassos de comunidades socialistas utópicas.
Juremir afasta qualquer chance de poder estar defendendo o comunismo. Difícil é de entender por que alguém diria algo assim; difícil igualmente é entender por que alguém faria uma advertência a um artigo que faz essa relação, como acabou me chamando a atenção ter sido feito, supostamente coisa que o artigo de Juremir teria desmascarado. O comunismo acabou com toda a “conjuntura”, Ucrânia e China viveram verdadeira catástrofe de penúria pelo Sistema de produção coletivista --- isto é, alguém organizando o sistema de produção, administrando-o de modo que a iniciativa individual é quase anulada. Assim resumirá a dialética historiográfica de Juremir no caso de Jamestown:
“Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”. Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.”
Na verdade, esse foi apenas um sinal profético, já que o canibalismo produzido pelo comunismo só mais tarde ganhou a lúgubre fama que a propaganda contraditou, desacreditou, como faria também para a ciência comunista: na China entre 1958 e 1962, e na Ucrânia, no inverno de 1932-33, quando o governo soviético instalou pôsters com os dizeres: “Comer as suas crianças é um ato de barbárie”. Juremir não apenas não sabe porque disse “Longe de mim defender o comunismo”, como desconhece também os meios do charlatanismo soviético que nele já são mentalidade.
Também se relata a indolência para o trabalho dos colonos, mas a preguiça pode ter sido, com mais chance de ser verdadeiro, fruto da confiança na ajuda externa, que naquele ano faltou. Mas, olha que curioso, a diferença entre um verdadeiro sistema de produção coletiva para aquele de Jamestown é que no primeiro o sistema de produção é imposto de fora, pode dar certo ou errado (sempre deu errado, de novo, exceto em regimes escravagistas); enquanto no caso dos colonos à margem do Rio James, foi a confiança na ajuda externa que os pôs à mercê daquele inverno e dos índios. As conclusões de Duda Teixeira, que para Juremir não passam de charlatanismo ideológico, são o resultado de uma cabeça que pensa por metonímias --- é claro que, para a economia psicológica de quem apostou demais na mentalidade de esquerda, e já não pode perder. Resta o “surplus” da projeção no outro da própria torpeza. Assim Juremir disfarça, afirmando que não há relação direta do “coletivismo” algo tão específico quanto o canibalismo. Nem se dá ao trabalho de distinguir entre “coletivismo”, os meios coletivos de produção, isto é, nas mãos de alguém, do comunismo como ideologia. As refutações de Juremir são grosseiros desvio semântico trocando palavras não para não perceber a tensão polêmica da narrativa histórica, mas porque não vê nenhuma tensão pode até mesmo usar sinônimos por homófonos.
Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li” --- arremata Juremir.
Tudo aqui se explica por um encadeamento causal psicológico bem rígido. Há uma máxima leninista que é uma lei cega do pensamento de esquerda: “Xingue-os [adversários] do que você é; acuse-os do que você faz”. Nunca falha.
*
A conclusão dos historiadores pode até ser falsa para o caso de Jamestown, mas realmente não é o que se pode concluir para a penúria extrema que o comunismo sempre se mostrou altamente capaz de produzir. Juremir parece que quer rejeitar o comunismo e limpá-lo de uma referência que nem de longe é uma mera especulação, nem mesmo para Jamestown, quanto mais para o coletivismo universal que prega, ainda hoje, o comunismo. Se há aí uma cultura coletivista, é porque também há uma mentalidade coletivista, a qual, simbolicamente, habituou-se a canibalizar ex-comunistas para sobreviver. “Longe de mim defender o comunismo”, diz Juremir. Canibalismo bulímico, bem a propósito da inversão revolucionária e da psicologia histérica que joga sobre o outro os seus horrores. Vomita o passado, como um tipo de Cronos, para dizer que não comeu, e volta a comer. É monstro pior.
O símbolo da penúria de Jamestown deveria ser vista hoje na miséria brasileira, que tem vários pontos de coincidência funesta com o espírito e as circunstâncias que levaram à Rússia para o comunismo, a pseudociência, a fé no futuro como destino, a falta de cultura verdadeira, a idéia de revolução, o marxismo, a filosofia “crítica” (i.e., marxismo difamatório, sorrateiro e sabotador), o caráter do homem, fraco, dissimulado, oportunista, massificado, relativista, solene, e, é claro, com essa mentalidade que permeia as caraminholas de Juremir e de quem o lê.
Alguns links:

Jamestown settlers ate 14-year-old girl, researchers say”, Los Angeles Times.

History rant: Cannibalism at Jamestown — Why?”, The Blaze; sobre a tese “de” Duda Teixeira que Juremir chamou de charlatanismo.

First permanent British settlers in America  were CANNIBALS who even ate a 14 year old girl to survive deadly 1609 winter”, Mail Online.

Cannibal Colonists Devoured 14-Year-Old Girl At Jamestown”, Buzz Feed.

outubro 15, 2011

O método sentimental Dewey-Freire


[Trabalho] para realizar o sonho democrático de igualdade, justiça, paz, cooperação, oportunidades plenas de educação, pleno emprego, saúde e a criação daquelas circunstâncias pelas quais o homem pode ter a chance de viver por valores capazes de dar sentido à sua vida.
--- Saul Alinsky, Rules for Radicals; p. 3.
Aqueles que os deuses querem destruir, a estes primeiro os iludem”.
--- S. A., Rules...; p. 194.
(Da série "Outros métodos de educação fascista")
Chuck Rogér *
Qualquer um novo admitido em alguma das principais universidades americanas tem imediatamente a oportunidade de ensinar aos estudantes a sua própria crença de que, por exemplo, as pessoas brancas estão “destilando veneno entre as comunidades de cor” e que os americanos devem sacrificarseu bem-estar pelas populações indígenas. Em Junho de 2010, a Universidade de Princeton deu boas vindas em seus salões vazios ao primeiro Czar dos Empregos Verdes de Obama, Van Jones, um auto-proclamado comunista.
É a história de como os americanos fizeram surgir nas mochilas escolares instruções comunista práticas para serem usadas.
Em 1899, Vermonter John Dewey descortinou sua visãopara refazer a educação americana --- uma visão assumida de todo pelos educadores “progressistas” e usada para corromper os temas e métodos usados para ensinar os jovens. Em TheSchool and Society, Dewey declarou que a educação não ocorre “entre professor e aluno, ou entre professores e pais”[i]. A educação é uma responsabilidade que a sociedade deve executar usando técnicaspreviamente ignoradas como triviais, fúteis ou mesmo condenadas como positivamente más” [ii.1].
Pessoas como Van Jones parecem ter um tipo de técnica [parece loucura, mas é técnica].Jones sustenta, ao mesmo tempo, uma demonstração de anti-polícia ao estilo maoísta e acreditaque marxistas e anarquistas são “pessoas espirituais”. Os novos comunistas de Princeton tem ditoque os pagadores de impostos criam a “violência contra as pessoas de cor[2] e que sem sabedoria de pessoas como ele, o “gafanhoto” humano “limpará esse mundo até os ossos”. O saco de maldades de Jones contém as técnicas “positivamente más” as quais Dewey torna demandas ao verdadeiro método de educação.
Dewey vislumbrou uma sociedade que assegura “o crescimento de todos [os seus] indivíduos[3], uma sociedade na qual o individualismo e o socialismo tornam-se um [iii.4]. A noção de que a sociedade deve garantir o bem-estar de todos seria perseguido pelo presidente Theodore Roosevelt, Wilson, F.D. Roosevelt, L.B. Johnson, Carter, George W. Bush, e por Obama. Mas o fato de que o coletivo nunca poderá ser um indivíduo frustra sem jeito os progressistas teóricos. [Avisem eles disso!].
Nenhum progressista pode tolerar a lei natural. Cegos para as coisas como elas são, Dewey falava aos familiares queapenas umamudança radical na educaçãopoderia dar jeito na imodéstia, irreverência e desobediência de suas crianças [iv]. A probabilidade de que as crianças continuem causando confusão, exatamente como as baderneiras de 1899 fizeram, como fizeram a cada nova geração ao longo da existência da espécie humana é coisa que escapa a Dewey. Mais inacreditavelmente ainda, relacionado à imodéstia, irreverência e desobediência, Dewey prescreveu nenhuma substância, mas esquisiticessentimentalóides[como, de novo, temos exatamente o mesmo em Paulo Freire, é comum de ambos]:
Podemos reconhecer nossas compensações --- o aumento da tolerância, a abertura do julgamento social, a maior reconhecimento da natureza humana, o aguçado estado de alerta ao ler sinais de caráter e interpretar situações sociais, a grande capacidade com que nos adaptamos a diferentes personalidades, o contato com maiores atividades comerciais” [v, 5].
O resultado é uma moral frouxa, a tolerância a preguiçosos e o julgamento débil se torna central no plano de aula dos progressistas.
Em 1899, o relativismo moral e a “diversidade” debutaram na educação nos Estados Unidos. Seguindo os princípios de Friedrich Frobel, “inventor” do jardim de infância, Dewey proclamou que a escola deveria condicionar as crianças para desejarem a “ordem social” [vi]. Os professores deveriam forçar a “vida em ajuda mútuade modo a doutrinar as crianças no coletivismo. A escola deveria tirar o foco de cima de fatos, de conhecimento e habilidades [vii]. Dewey mudou todo o conceito da disciplina na escola, assim fez nascer a sala de aula desorganizada e tumultuadacujo negócio é encher as crianças com um espírito de cooperação e vida comunitária[viii]. [Paulo Freire é o nosso John Dewey, não há dúvida]As crianças não precisam compreender “valores econômicos”, elas precisam poder social e insight[ix]. Hoje, zelotes contra o trabalho de casa e anti-competição, como o autor de The Homework Myth, Alfie Kohn, e seus tietes, estão salmodiando essa pieguice tola sem qualquer fundamento [x], [xi], [xii], [xiii], [xiv].
Dewey recrutou educadores a uma guerra contra a América tradicional, prometendo que quando só os professores aprontarem cada criança para a “cidadania”,
...saturando-os com o espírito solidário e armando-os com os instrumentos do efetivo auto-governo, poderemos ter a mais profunda e melhor garantia da mais ampla sociedade que é valoroza, amorosa e harmoniosa [xv].
Tendo-o proclamado 111 anos atrás, Dewey iniciou a missão progressiva para apagar a individualidade e fazer nascer autômatos para “servirem” à sociedade.É difícil de ignorar a similaridade entre a sociedade “digna” de Dewey e o chamado de Barack Obama a todos os estudantes para engajarem-se algum tipo de trabalho social [de massa] pela América.
Não satisfeito com simplesmente visualizar uma sociedade solidária, Dewey lançou mão de um de seus mais destrutivos legados quando ele fez a discussão alienígena de que a criança deveria “brincar” com o conteúdo de seu coração de modo a alcançar seu “supremo fim, a “plenitude[sic] de realização de seu poder construtivo, uma realização que continuamente conduz-la de um plano a outro” [xvi, 6]. A boboquice de Dewey aniquila com o surgimento da “auto-estima”. No seu lugar, afaga as crianças. Sem pressão: seu “poder construtivo” vai vingar eventualmente, ...talvez.
No livro One Nation under Therapy, Christina Hoff Sommers e Sally Satel encontraramque o tipo de estupidez de Dewey produz “crianças superprotegidas” as quais se “nega [os meios de aprenderem]lições essenciais da vida”, incutindo nelas uma auto-estima sem méritos e enganando-as a acreditar que “elas devam ser julgadas por ninguém além de por elas mesmas[xvii]. Em seu livro Mexifornia, o professor de artes clássicas Victor Davis Hanson observa que “as pessoas adquiremauto-estima com o seu aperfeiçoamento e não com retórica terapêutica” [xviii]. A auto-estima é o produto do que alcançamos e não uma motivação por ela.Os progressistas ignoram-no.
Dewey ridicularizou o ensino dos fatos e ignorou a Psicologia 101 ao advertir os professores contra o uso de classificações, contra a não-promoção e à detenção após a escola para obter resultados. As crianças devem reconhecer seus próprios “assuntosrelevantes[xix]. Porque os educadores têm, grandemente e cada vez mais, aderido ao lixo de Dewey, não resulta daí surpreendente que adultos educados pelo governo reconhecerem John, Paul, George e Ringo como os almofadinhas do Monte Rushmore, ou identificar a Guerra Civil comoaquela coisa vergonhosa dos anos 60”.
Para resumir, Dewey e os pseudo-intelectuais depois dele, empregaram o relativismo moral como subterfúgio ao declínio moral. Sob o guarda-chuvas da “tolerância”, os educadores progressistas condicionaram as crianças para não perceberem o declínio moral como um sinal de sã “diversidade”. A tolerância foi festejada pelos estudantes completamente deficientes em conhecimentos básicos tais como história americana e princípios fundadores. Os professores influenciados por Dewey agora permitem que políticos radicais alistem estudantes em agendas de ativismo políticos como autômatos.
Pamela Geller noticiouque o slogan “Organizing for America” de Obama recrutou crianças para doutrinação marxista, aos ensinamentos do radical ativista William Ayers, alarmista pró-aquecimento global e propagandista pró imigrantes ilegais. As recomendações de leitura de Obama ainda incluíam Rules for Radicals,de Saul Alinsky, e Stir it Up, de Rinku Sen. Dentro da lavanderia cerebral anti-Americana de Obama, a trouxa da criança poderá, quem sabe --- preparadas por Dewey e séquito --- se tornar um Van Jones no futuro.
A um século Dewey tem empurrado comunistas como Jones para dentro das salas de aula e pondo medo nos educadores de rotular o veneno de Jones de veneno. Técnicas corrompidas e currículo idiotizadotêm normalizado ignorar a bondade rara que há na América, trazendo-nos no seu lugar uma característica exibida por todas as sociedades socialistas: dependênciamassiva por caridade estatal. [Ainda aqui, coisa perfeitamente encontrada, exatamente a mesma, na ideologia de Paulo Freire em qualquer de suas orbas.]Embora a recessão atual tenha contribuído para aumentar essa dependência, foi o progressismo e a educação saturada das idéias de Dewey que achataram tanto a economia quanto a capacidade da América para resolver seus problemas.
Quanto mais se aderiu a Dewey hoje? Faça uma pesquisa no Google sobre “John Dewey”. A busca revela dois milhões de entradas que revelam escolas de todo tipo entusiasmadas pelos dogmas de Dewey [7]. MembrodoJornal de Bruxelase contribuidorda Central Papal para Políticas em Educação Superior, Thomas Nertonneau, disse-me que as teorias de Dewey formam “um tipo de atualidade, que as pessoas assumem como coisa valor, e que esta tem um certo 'poder de compra' nas instituições”. Infelizmente, o professor de inglês Bertonneau está correto. A cultura tóxica do deweyismo é a ortodoxiana América hoje; uma moeda sem valor suportada apenas pela cultura morta do sermonário de Vermonter.
Notas do autor [i, ii, iii, iv...]e da tradução [1, 2, 3...]
*Chusk Róger é físico e ex-executivo de alta tecnologia, foi colunista para o jornal Phoenixe hoje em chuckroger.com. Email: swampcactus@chuckroger.com.
[i] John Dewey, The School and Societyand The Child and the Curriculum, BN Publishing, 2008, p. 5.
[ii] Ibid, p. 73. --- [1.] Não apenas isso, mas a “pedra de toque do método educacional” (!), segundo Dewey. Não é à-toa que tantos Planos e Programas, como o ECA, o Estatuto da Juventude recente e o antigo novo Plano Nacional da Educação tenham justamente esse método. Aquele que nenhum país que saiu do subdesenvolvimento jamais adotou.
2. Uma demonstração equivalente desse tipo de denúncia que aponta com ódio o ódio alheio, pode ser lido em “O mapa da xenofobia de classe” – onde se faz do “ódio de classe” o ponto de partida para acusar o “ódio racial” de quem não concorda com quem defende os direitos dos pobres, dos “desviados” da lei e das minorias “afetivas”, etc., o que mais seja minoria e ressentida. É também o plano teórico de toda obra de Paulo Freire, que vê papel na raiva (que não resulte em odiosidade) o mecanismo da ação efetiva a partir do conhecimento aprendido, bem como a inevitável distinção de classe e da luta que dela advém. Paulo Freire vai do sentimentalismo da compaixão pelos “pobres” à raiva nos “oprimidos” e à luta de classes.
3. Em Paulo Freire, o ensino ocorre apenas quando é sobre todos, não em cada um, mas no todo, na coletividade --- o método do “processo totalizado e totalizador” (Pedagogia do oprimido, 4), assim mesmo, sem mais.
[iii] Ibid, p. 5. --- [4.] O socialismo visto como “fraternidade universal” conquistada pela doutrinação desde a escola e como reforço ao engajamento gregário, a força acima da ética, ou --- Verdade fora – a ética do consenso e do esforço coletivo.
[iv] Ibid, p. 9.
[v] Ibid. --- [5.] Esse tipo de sentimentalismo esdrúxulo está também no estilo pueril solene de patacoadas utópico dos planos e estatutos que o governo brasileiro vem produzindo na última década.
[vi] Ibid, p. 11.
[vii] Ibid, p. 72.
[viii] Ibid, p. 12.
[ix] Ibid, p. 13.
[x] Janine Bempechat, “The motivational benefits of homework: a social-cognitive perspective," Theory Into Practice, The Ohio State University College of Education, Summer 2004.
[xi] Brian P. Gill and Steven L. Schlossman, "Villain or savior? The American discourse on homework, 1850-2003," Theory Into Practice, The Ohio State University College of Education, Summer 2004.
[xii] Merith Cosden, Gale Morrison, Lisa Gutierrez, Megan Brown, "The effects of homework programs and after-school activities on school success," Theory Into Practice, The Ohio State University College of Education, Summer 2004.
[xiii] Lyn Corno and Jianzhong Xu, "Homework as the job of childhood," Theory Into Practice, The Ohio State University College of Education, Summer 2004.
[xiv] Hanna Skandera and Richard Sousa, "Homework Pays Off," Hoover Digest, The Hoover Institution, No. 4, Fall Issue, 2003.
[xv] Dewey, p. 20.
[xvi] Ibid, p. 73. --- [6.] E eis aqui também mais uma vez as “plenitudes” que abundam nos planos e programas da ideologia no governo federal brasileiro, a idiotia pueril do “perfectibilismo” formal das redações das normas legais. Todo o linguajar flamboyant, ostentoso e simplório de uma só vez, que tem exemplo nesse pieguíssimo “brincar com o conteúdo de seu coração” (quando se quer educar) ou nesse “processo totalizado e totalizador” de Freire, ou ainda ao dizer que “um primeiro saber inicialmente apontado como necessário à formação do docente, numa perspectiva progressista”, é “[s]aber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção(Pedagogia da autonomia, 2)[grifado no original]
[xvii] Christina Hoff Sommers and Sally Satel, One Nation Under Therapy, St. Martin's Press, 2005, p 25.
[xviii] Victor Davis Hanson, Mexifornia, Encounter Books, 2007, pp. 3-4.
[xix] Dewey, p. 94.
7. Encontrei pouco menos de 5 milhões de entradas (14.10.2011).
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Tradução do original:
How to Pollute a Mind: Lessons from John Dewey and Van Jones”
Chuck Rogér
American Thinker, 11 de Março de 2010.