A mãe das crises do Capitalismo
“Mesmo que saibamos
como fazer o mundo melhor, o grande enigma é se há recursos e força
suficientes para fazê-lo”.
---
Zygmunt Bauman, filósofo socialista polonês para o Fronteiras do
Pensamento 2001, Porto Alegre.
“A futura sociedade
administrativa enfrentará um tríplice problema:
1) Reduzir os
capitalistas (em casa e, finalmente, no resto do mundo) à
impotência;
2) Coagir as massas de
tal modo a fazê-las aceitar o governo dos administradores e eliminar
qualquer ameaça contra si;
3) Competir entre si
[dois ou três grupos que lutam pelo poder mundial] para superar seus
rivais.”
---
James Burnham, Managerial revolution. Os
problemas que um Estado Mundial terão que enfrentar são aqueles que
se viu surgir na União Soviética no lugar de uma socidade
socialista, como ela foi sonhada.
Das fontes esquecidas do
século XX, uma verdadeira profecia retrospectiva sobre a crise do
“capitalismo” (made in socialist tactics) e suas engenhocas que não funcionam (lubrificadas com pouco sangue).
*
“...Nos Estados Unidos a
tendência é a de abandonar o capitalismo, e onde a sociedade
administrativa (managerial society) recebeu uma expressão
ideológica nativa sui generis. Esta expressão, condizente
com os estágios inciais do processo que ocorreu na Russia e na
Alemanha, é o New Deal...
Podemos ser cuidadosos em
não identificar o New Deal e o newdealismo com
Franklin D. Roosevelt e seus atos. Roosevelt é um político
brilhante e um demagogo, que não criou o New Deal, mas o
esposou quando apresentado às suas propostas. O New Deal saiu
de dentro da estrutura que [conduz] a sociedade moderna, as forças
que estão operando o fim do capitalismo e o começo de um novo tipo
de organização social, as mesmas forças que nos estágios finais e
sob diferentes circunstâncias produziram as revoluções na Rússia
e na Alemanha. Os mais firmes defensores do New Deal não são
Roosevelt e outros importantes “políticos do New Deal",
mas um grupo mais jovem de administradores, expertos, técnicos e
burocratas, os quais vem encontrando lugar em toda parte do
aparato estatal: não aqueles apenas especializados em técnicas
políticas, em redigir [com perícia] leis escondendo
“armadilhas”, dando a Roosevelt uma dramática nova idéia,
mas também a aqueles que estão levando adiante a ampliação do
estado sobre os empreendimentos [privados e demandas sociais]: os
managers. Entre estes estão alguns dos mais esclarecidos
administradores que podem ser encontrados em todos os países.
Eles são confiantes e agressivos. Embora alguns deles tenham algum
background no marxismo, eles não tem nenhuma fé nas massas
de modo a querer liderá-las a acreditar nas idéias de uma sociedade
livre e sem classes. Ao mesmo tempo eles são, algumas vezes,
abertamente escarnecedores dos capitalistas e das idéias
capitalistas [v.g., a liberdade de ação empresarial como sempre
existiu sem alternativas que com ela rivalizassem]. Eles estão
prontos para trabalhar com qualquer um e não são tão melindrosos a
ponto de insistir que suas palavras devam coincidir com seus atos e
objetivos. Eles acreditam que podem fazer [muito], e eles gostam
disso.
[…] Com o advento do New
Deal, as causas daquelas mudanças, para as quais referimos tão
freqüentemente e das quais eu listei, aceleraram. A intervenção
estatal realmente andou. A percentagem da renda nacional
contabilizada pelo empreendimento estatal direto dobrou em cinco
anos. Uma parcela substancial da população está direta ou
indiretamente dependente do estado para viver. O estado controla de
uma centena de maneiras diferentes a totalidade da economia. A
agricultura tronou-se totalmente dependente de subsídios estatais e
sob o seu controle. Exportações e importações aumentam
conduzindo-se para o monopólio do controle estatal. O controle
privado sobre fundos de capital foram cortados por atos
governamentais controlando a emissão e a segurança do mercado
[trading in securities] e a estrutura de companhias de
seguros. O dinheiro perdeu seu lastro metálico “livre” para se
tornar administrado como “moeda corrente” e garantida a
liquidez sob a direção do estado. Na completa negligência às
concepções e princípios orçamentários capitalistas, o estado se
permite déficits anuais de bilhões de dólares e usa as
dívidas anuais como um instrumento de gerenciamento de políticas
sociais. Impostos são destinados ao seguro social e fins
políticos, mais do que aos salários. O estado, através de várias
instituições, torna-se de longe o maior estabelecimento bancário.
No geral, medidas depois de medidas os direitos de propriedade
privada dos capitalistas foram reduzidos, enfraquecendo o relativo
poder social dos capitalistas. Nos Estados Unidos ocorreu uma
mudança semelhante a que havia antes ocorrido em escala mundial. A
expansão das relações capitalistas na totalidade da economia foi
substituída por uma crescente e contínua redução dela. A
percentagem da economia sujeita às relações capitalistas, se
medida em termos de propriedade direta e operação ou de grau de
controle, começou a decrescer em razões ainda mais rápidas.
Os managers
prosperavam no aparato estatal e na empresa privada, enquanto os
capitalistas lamentavam entre si “aquele homem” [Roosevelt]. O
Congresso, com apenas pequenas e raras revoltas, caia cada vez mais
enquanto a soberania mudava do parlamento na direção dos bureaus
e agências. Um após outro, os bureaus executivos tomaram
para si os atributos e funções da soberania; os bureaus
tornaram-se os “legisladores” de fato. Por volta de 1940
estava posto que o Congresso não possuiria mais o poder de fazer a
guerra, a pedra angular da soberania. As disposições
constitucionais não podiam mais estar contra a estrutura das
mudanças da sociedade moderna
e da natureza da guerra moderna: as decisões sobre a guerra e
a paz não estavam mais sob o controle do parlamento. De novo e de
novo isto foi publicamente jogado na cara do Congresso --- pelo
obstáculo de Bremen, o congelamento das relações exteriores
em acordo com políticas jamais submetidas ao Congresso[1], a
prontidão de emissários confidenciais, particulares [discretos], no
lugar de oficias da diplomacia regular [2, 3], a liberação de
material militar e segredos a poderes beligerantes [4]. E não houve
reação a que o parlamento se atrevesse.
O New Deal não é
stalinismo, e também não é nazismo. Não é um análogo direto
daqueles, porque o New Deal é de longe mais primitivo com
respeito às mudanças [e] maturidade da revolução administrativa
em desenvolvimento, e o capitalismo não está expurgado nos Estados
Unidos. Porém, nem mesmo o observador ingênuo, amigo ou inimigo do
New Deal, pode negar que este, em termos econômicos,
políticos, sociais e ideológicos, é uma coisa diferente do
capitalismo tradicional, e que move-se na mesma direção do
stalinismo e do nazismo”[5].
---
James Burnham, Managerial
Revolution (1940);
pp. 254ss.
*
Addendum
Em
1947 a população americana contava 148 milhões. Hoje ela é de 312
mi --- um aumento de 111% (*Pensões, Saúde, Educação
e Assistencialismo)
Enquanto
o PIB aumentou a um fator de 5,5, os gastos aumentaram por 10,5, ou
próximo do dobro da taxa de crescimento. Isto significa que existe
muito menos dinheiro disponível na economia para a criação de
empregos, a expansão e formação de riqueza. Em 2011 o gasto total
do governo foi de 33% do PIB, um aumento de $1,13 trilhão.
Fonte do addendum: “Vampire Government: How the Left is Sucking the Life out of the Private Economy”, por Steve McCann. Leia mais no American Thinker.
*
Notas
1.
Veja-se as reuniões e atas do Foro
de São Paulo
e também os artigos de Paulo Brossard, sobre isto, “A
cartola mágica, por Paulo Brossard” (27.07.09), “Precedente
perigoso” (31.08.09) e “PL
– Mussolini, por Paulo Brossard” (18.05.09).
2.
“Três
dezenas de pessoas em volta de Barack Obama administram este problema
ou aquela questão, mesmo que ainda não confirmados pelos Senado ou
operando uma agência criada pelo Congresso, não são
verdadeiramente seus “czares”. Estas pessoas são, ao invés,
seus “comissários”. A Rússia soviética e a Alemanha nazista,
ambos chamaram aquelas figuras vagas e indefinidas, nomeadas pelo
Líder, para pôr em ação suas intenções, de “comissários”.
(Hollywood nunca fala sobre os comissários nazistas pela mesma razão
que ela nunca nota que os membros do Partido Nazista chamam uns aos
outros de “camaradas” --- a pretensão de que os nazistas e
bolshevistas foram pólos opostos mais que irmãos gêmeos, é algo
vital para o mito difundir-se”. In: "Not
Obama's Czars but his Commissars" (20.07.2009), por Bruce
Walker, no site do American
Thinker.
3.
Visita
de emissário
discretos em
comitiva petista à Coréia do Norte foi criticada no site do PT
e depois atacada pelos próprios petistas.
4.
Estes
fatos, notadamente, continuaram acontecendo nos anos de Clinton e
agora de Obama, de modo notável.
5.
Agora
lembra-me Chico Vicente (PT) e outros tantos comunistas, dizendo que
vivemos um “capitalismo
tardio”.
Quer dizer, um capitalismo que não é mais um capitalismo, que eles
desconversam com a acusação, quando o capitalismo atual é um
capitalismo feito por materialistas marxistas e por socialistas
utópicos --- e tanto mais crises há para a crítica triunfalista do
vácuo marxista quanto mais eles próprios criam as condições para,
outro de seus nomes, que seja verdadeiro esse capitalismo postiço,
também chamado pejorativamente de “neoliberalismo”.





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