outubro 03, 2011

Tea Party: A Revolução Conservadora


Na ausência da fé, nós nos governamos pela benevolência, e a benevolência nos levou à câmara de gás”.  
--- Flannery O'Connor 

"Apelo aos químicos, que descubram um gás que mate instantaneamente e de forma indolor [aos inúteis]. Mortal por quaisquer meios, mas humano e não cruel..."
--- Bernar Shaw (1934) defendendo os sentimentos humanitários e no que essa ideologia resultou seguindo a tradição socialista de criar sociedades perfeitas pela exclusão dos desajustados.

Mercer Tyson [1]
*
Os valores dos Tea Party
Os esquerdistas e a grande mídia continuam referindo os Tea Party como extremistas. No Brasil, Arnaldo Jabor é um destes incorrigíveis mitômanos, mas a opinião é bem difundida --- está muito bem representada por aqui pela Rede Globo ---, que é a versão, para estes assuntos, dos grandes jornais americanos. Segundo eles, os Tea Party seriam os mais radicais, mas não apenas os mais radicais, seriam a “ultra-direita” que tantos enviados especiais aos Estados Unidos repetiram com a austeridade que a notícia precisa para tornar verdade uma campanha de difamação. 
 Os Tea Party são pintados como fanáticos e fora de tom com a opinião pública americana, associados ao radicalismo, mas parece que as coisas, definitivamente, não são bem assim.
Muito de nós ficam muito aborrecidos quando ouvimos os Tea Party serem chamados de “extremistas”, fanáticos “ultra-direitistas” ou outros nomes impróprios dessa natureza. De fato, quase todos que conheço com tendência um pouco mais à esquerda julgam-se centristas. Mesmo meu vizinho, instintivamente esquerdistas, pensa que é de centro. Revisei todas as suas postagens em seu blog e todas elas, independentemente do assunto sobre o qual esteja escrevendo, estão sempre irremediavelmente à esquerda.
Mas então ele também acha que Obama é um centrista, assim como a maior parte dos segmentos da grande mídia, Hollywood e outros grupos liberais (esquerdistas). Plano de saúde universal; anistia incondicional para todos os imigrantes ilegais; tributação para todas as grandes corporações importantes, sem medo de elas debandarem daqui para outros países (que bela solução! Assim acho, afinal quem precisa daqueles empregos de altos salários de qualquer modo, não é mesmo?); subsídios aos esquemas da energia verde que custam uma fortuna e não fazem nenhum sentido econômico --- e assim vai. Acho que dado o ponto de vista deles, não é estranho que os Tea Party passem por extremistas.
Tenho consciência de que está fora de questão tentar convencer um esquerdista de que a realidade não é um mundo feito de creme de chantili de sonho, no qual basta desejar para que ele se torne realidade. Mas eu tenho alguma esperança que aqueles “independentes” que parecem poder pular a cerca desse mundo, onde a grama é sempre mais verde, para cá possam ouvir alguns fatos óbvios que vêm confundindo dramaticamente muitos esquerdistas cultos a respeito de o Tea Party ser um movimento “extremista”.
"Liberal" é o termo para dizer "esquerdista", porém eles são indististinguíveis de fato de um liberal no sentido lato do termo, isto é, quem defende todos os valores culturais do socialismo, em doses maiores ou menores, num regime econômico de mercado livre (v.g., como o dos Países Baixos hoje).
Primeiro, não se engane com a grande mídia: eles fingem honestamente, porque seu ponto de vista oblíquo nega-lhes a habilidade para apresentar as coisas de um modo reto. Alguns vêem nisso a clara intenção de distorcer a verdade e pintar as coisas e aqueles que estão do outro lado como rematados malucos, seja lá de modo direto ou apenas discretamente [2]. Eu prefiro acreditar que, sendo notícias negócios antes de tudo, eles são apenas liberais céticos e desesperançados sem uma noção muito boa da realidade, ou talvez sem poder crer em alguma realidade, e acredito que eles estão dando as notícias de forma justa segundo o seu ponto de vista [3]. Mas como eles acabam influenciando a opinião de outros, dar os Tea Party como extremistas é algo que não pode passar sem um exposição crítica.
Bem, o que é exatamente ser extremista? Todos nós sabemos, mas eu apresentarei uma definição de "extremo" qualquer do Dictionary.com (com algumas notas de edição menores):
  • De um caráter ou tipo longe distante afastado do ordinário ou da média;
  • Máximo ou excedendo grandemente em grau;
  • Longe do centro ou do meio, em grau;
  • Longe, máximo ou muito distante em qualquer direção;
  • Excedendo os limites da moderação;
  • Indo ao máximo ou a grandes extremos em matéria de ação, hábito ou opinião, etc..
Assim, o que é exatamente “extremo” nos Tea Party? Exatamente como eles podem ser entendidos como “de caráter ou tipo desviante do ordinário ou da média”?
Vamos dar uma olhada nesse ponto de vista. O Tea Party não é uma organização oficial, mas do website TeaParty.net podemos tirar os principais pontos políticos:
1. Limitar gastos federais;
2. Liberdades individuais;
3. Responsabilidade pessoal;
4. Livre mercado;
5. Retorno do poder político aos estados e ao povo.

*
Algumas notas extemporâneas
1) A limitação dos gastos federais tem obviamente a função de desaforar as nossas demandas epiléticas por “políticas públicas” das mãos do governo federal e, especialmente, dos programas estais que vem mantendo uma curiosa independência para com a vontade do povo --- e, como se pode ver pelo artigo, que fala especificamente da realidade americana, em nada muito diferente do que ocorre por aqui.
2) As tais “liberdades individuais” querem dizer que o governo federal não deve tutelar os indivíduos sob rótulos de pequenos “grupos de direitos”, sindicalizando assim qualquer traço de caráter, aspecto físico, comportamento, cacoete ou filia, etc., mas garantir --- com a distância natural da generalidade legal necessária, que estas garantias não se tornem no oposto --- que a lei permitirá as liberdades civis contra o próprio estado que, por regulamentações que atravancam com órgão ineficientes, impedem estas mesmas liberdades declaradas (exceto as sexuais) como ocorre com excesso de impostos, excesso de burocracia, excesso de leis, quando não impossíveis de cumprir ou absurdas e contraditórias.
3) Responsabilidade pessoal é muito, de início, negar-se a ser tutelado pelo estado segundo sua iniciativa por demandas demagógicas; mas, além e antes disso, é atribuir a si mesmo e ao arbítrio de cada um a responsabilidade por seus atos. Com a gravidade da lei e inequivocamente sob o peso das consequências, ponderado pelo perdão cristão e não divercionado por um ato de “tolerância”. A tolerância tem uma conotação perniciosa de que admite em parte o erro e o crime; o perdão sabe-o perfeitamente, onde está e quem o fez, faz pesar consequências, mas sabe restituir a fé no homem. A tolerância se encaminha para relativizar o que haja de perverso sob a medida da injúria física, ...sem prazer (!).
4) Livre-mercado é, garantindo uma regulamentação mínima, a própria liberdade de negócio e empreendimento, que é a liberdade de acordar de manhã e ter a perspectiva de poder mudar as coisas do modo como um funcionário público não pode nunca ou raramente.
5) Particularmente no Brasil, os estados são servis e oportunistas para com as benesses dos governo federal, que os subordina por uma fantasiosa unidade nacional e por programas socialistas disfarçados de porgresso, diretos, civilidade, disciplina e (outra) liberdade. Se os estados americanos estão perdendo autonomia para o governo federal, por aqui eles jamais a tiveram e nem parece que um dia a terão. 
Governo bom está sempre ao alcance dos tomates que já passaram do ponto!
1. Governo limitado
Em pesquisa recente, a Rasmussen (do US News e do World Report) indica que uma maioria dos que responderam à pesquisa acreditam que o governo federal tem poder demais em oposição a ter pouco. De acordo com eles:
"75% dos Republicanos acreditam que o governo federal tem muito mais poder sobre os estados enquanto muitos Democratas (37%) acreditam que a balança pende à direita. Entre aqueles não afiliados aos grandes partidos, 52% dizem que o governo federal tem muito mais influência do que deveria enquanto 9% dizem que não é o suficiente [grifo do autor]."
De um artigo da ABC News de Janeiro:
"ABC NEWS testou o assunto com duas questões: Metade dos entrevistados nessa pesquisa foram perguntados se eles confiam que este governo é capaz de fazer a coisa certa para casos de segurança nacional e guerra contra o terrorismo. 68% disseram Sim. A outra metade foi perguntada se eles confiam no governo para fazer a coisa certa sobre questões sociais, tais como economia, plano de saúde, Seguro Social e educação. Muitos menos --- 38% --- disseram Sim."
Nesse assunto e por esse critério, o Tea Party é centrista.
2. Liberdades individuais
Uma pesquisa de Dezembro da Rasmussen claramente mostrou quão importante a liberdade individual é para os americanos: “[e]ntre os eleitores moderados, grande número deles (48%) concordam com a perspectiva conservadora com foco em proteger os direitos individuais”. (O que obviamente não está dito é que a esquerda usa a o apelo por direitos individuais de um modo falsificado, demandando-os por filias de grupo --- “simpatias” e “afeições” --- e, por óbvio, tutelando estes grupos por este expediente --- o oposto do que se espera por liberdades individuais.)
Curiosamente, “a mais ampla lacuna está, como frequentemente é o caso, entre a classe política e a maioria dos entrevistados. 70% destes dizem que o papel principal do governo é proteger os direitos individuais. 51% dos entrevistados entre classe política dizem que moderação, tolerância e justiça social devem vir primeiro”. Uau! Uma tunda de 70% dos que são a maioria. Esses são números grandes. --- A mídia influencia muito mais os políticos que a opinião real do povo, é o que dá para concluir.
De novo, sobre o que se disse, os Tea Party são centristas.
3. Responsabilidade pessoal
Enquanto as pesquisas inquirem diretamente sobre a questão de quão importante é a responsabilidade pessoal em geral, é difícil de encontrar pesquisas específicas sobre o que acreditam os americanos sobre o conceito. Do Gallup, sobre a questão dos planos de saúde, “89% dos Republicanos e 64% dos independentes, mais 61% de todos os americanos, dizem que os próprios americanos --- mais do que o governo --- tem a responsabilidade primária de garantir que tenham planos de saúde”. Números ainda maiores sustentam a posição dos Tea Party.
Dificilmente se pode chamar qualquer um assim de extremo.
4. Livre Mercado
Nenhuma surpresa aqui. De acordo com a pesquisa Global Scan, a liberdade de empresa e de mercado decididamente são responsáveis juntos pelo melhor sistema para o futuro do mundo. Nos Estados Unidos esta opinião é compartilhada por 71% das pessoas pesquisadas em contraste com 24% que discordam. (Pesquisas no mundo todo mostram que 61% concordam, enquanto os que se opõem são 28%, que discordam). Concorrência de novo.
Levando em conta todos os quatro itens da plataforma dos Tea Party, a maioria do público é claramente de acordo. No entanto, como sabemos, os Tea Party são claros ao falar no que se apóiam ou ao que se opõem sobre outros temas. A respeito de alguns destes temas mais importantes, temos:
-- Uma pesquisa de 11 de Julho a CNN/ORC mostra que 66% dos pesquisados sustentam políticas que controlem os gastos e despesas do governo, limite impostos e reduza o déficit.
-- Na mesma pesquisa, 74% apóiam uma emenda que exija um orçamento equilibrado.
-- Sobre o déficit orçamentário, muitos concordariam que os Tea Party acreditam apenas ou principalmente nos cortes de gastos. De acordo com o gráfico abaixo, do Gallup, 67% pensam que o déficit deveria ser reduzido apenas ou principalmente por cortes de gastos. Mesmo aqueles que acreditam apenas em cortes de gastos dão 26%. Difícil tomá-los por extremistas.
-- Em pesquisa da CNN de Janeiro de 2011, 71% das pessoas querem cortar gastos de modo geral (embora eles não concordam com o que deve ser cortado).
-- Finalmente, do artigo do LA Times,de acordo com a maioria das pesquisas, cerca de 20% dos eleitores são liberais, muito menos do que os cerca de 40% que identificam a si mesmos como conservadores”.
Assim, como são os Tea Party rotulados de extremos quando, sobre virtualmente todos os temas importantes, as evidências são claramente que a maioria dos americanos estão de acordo substancialmente com eles. E por que teria um levantamento do Gallup conduzido entre 20 e 23 de Abril deste ano encontrado apenas 30% de americanos descrevendo a si mesmo como apoiadores dos Tea Party? --- O mesmo tipo de discrepância que no Brasil faz a maioria apoiar programas que, em vez de vir de seus representantes, são a mais das vezes conduzidos por setores técnicos do governo federal, contra os seus valores [4].

Claramente, o público americano tem sido iludido pela grande mídia e pela propensão de políticos liberais, que habitualmente pregam o ponto de vista esquerdista, como quando começam campanhas contra supostos atos racistas ou sob qualquer outra acusação injuriosa dirigida a qualquer um que não concorde com eles [5]. Equívoco ["..."] muito sérios sobre os Tea Party e sobre o povo americano é encontrado no famoso comentário de Nancy Pelosi onde ela “confunde” os Tea Party a uma militância irascível ao invés de um verdadeiro movimento de raiz popular. --- Competição que a esquerda simplesmente acha inaceitável, já que ela é sempre o verdadeiro movimento popular, que ela repreesenta na ausência da consciência do povo nesse sentido.
O resultado da deformação dos Tea Party levam a que eles sejam marginalizados a segmentos do público americano que dão pouca atenção ao que os políticos dizem, mas acredita no que o noticiário diz na hora do jantar. Está na hora de repudiar o rótulo de extremistas dado aos Tea Party. As pessoas que o dizem deveriam ser detidas imediatamente, e a conversa deriva parar até que se coloque as coisas às claras. [Se é que são, de fato, apenas equívocos, como parece que são de parte das pessoas, mas já a respeito de políticos como Pelosi, há uma certa coerência de ação que o desacredita.]
Não, os Tea Party não são extremistas. É apenas a “Maioria Silenciosa”, mas por pouco tempo.
Notas
1. Texto original do American Thinker, 13 de Setembro de 2011: “Stop Calling the Tea Party Extreme. It Isn't”.
2. Ver esse comportamento aqui, em "Terrorismo reverso: lavagem cerebral".
3. A tal da "fairness" ou, por aqui, "equilibradamente", "moderadamente", "polidamente", como se esta atitude já fosse em si, alguma razão. A natureza psicológica dessa mentalidade não é estranha nem nova à desvalorização da fé pela moralidade. 
4. É bem verdade que o brasileiro médio não liga muito bem seus valores com sua vontade e facilmente os abandona para qualquer coisa que lhe mostrem mais vistosa.
5. Caso exemplar é o de Jair Bolsonaro, que teve uma resposta a respeito de ambientes promíscuos com a pessoa que os freqüenta, que sendo negra, deslizaram o sentido diabolicamente para uma associação entre promiscuidade e "raça negra". Mais tarde, lutando contra a aprovação do "kit gay", foi infamado a não poder mais, e quando viram, ele tinha razão. Interrompeu-se o lançamento do tal material "educativo" e calaram-se sem sequer um pedido, nem por alto, de desculpas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns André pelo seu texto, pelo embasamento em pesquisas de opinião e principalmente pela serenidade com que tratou o tema. Nos EUA ao menos pode-se confiar em pesquisas de opinião, aqui no Brasil nem isso. Como mostra o documentário AGENDA: grinding America down, todo o cenário político foi puxado à esquerda e qualquer movimento de direita é chamado de extremista, para assim ficar de fora do debate sério. Espero que consigamos no Brasil formar um grupo organizado estilo Tea Party, com um nome e reivindicações objetivas para ao menos fazer um barulho na mídia, já que sabemos que o brasileiro é conservador por natureza mas acaba sendo levado à esquerda pela propaganda incessante da mídia e do governo. Parabéns pelo seu blog, conheci agora e vou acompanhar. Sucesso! Augusto - guperetti@yahoo.com.br