Tea Party: A Revolução Conservadora
“Na
ausência da fé, nós nos governamos pela benevolência, e a
benevolência nos levou à câmara de gás”.
---
Flannery O'Connor
"Apelo
aos químicos, que descubram um gás que mate instantaneamente e de
forma indolor [aos inúteis].
Mortal por
quaisquer meios, mas humano e não cruel..."
---
Bernar Shaw (1934) defendendo os sentimentos humanitários e no que
essa ideologia resultou seguindo a tradição socialista de criar
sociedades perfeitas pela exclusão dos desajustados.
Mercer
Tyson [1]
*
Os
valores dos Tea Party
Os
esquerdistas e a grande mídia continuam referindo os Tea Party
como extremistas. No Brasil, Arnaldo Jabor é um destes incorrigíveis
mitômanos, mas a opinião é bem difundida --- está muito bem
representada por aqui pela Rede Globo ---, que é a versão, para estes assuntos, dos grandes
jornais americanos. Segundo eles, os Tea Party seriam os mais radicais, mas não
apenas os mais radicais, seriam a “ultra-direita” que tantos
enviados especiais aos Estados Unidos repetiram com a austeridade que a notícia precisa para tornar verdade uma campanha de difamação.
Os Tea
Party são pintados como fanáticos e fora de tom com a opinião
pública americana, associados ao radicalismo, mas parece que as
coisas, definitivamente, não são bem assim.
Muito
de nós ficam muito aborrecidos quando ouvimos os Tea Party serem
chamados de “extremistas”, fanáticos “ultra-direitistas” ou
outros nomes impróprios dessa natureza. De fato, quase todos
que conheço com tendência um pouco mais à esquerda julgam-se centristas. Mesmo meu
vizinho, instintivamente esquerdistas, pensa que é de centro.
Revisei todas as suas postagens em seu blog e todas elas,
independentemente do assunto sobre o qual esteja escrevendo, estão sempre
irremediavelmente à esquerda.
Mas
então ele também acha que Obama é um centrista, assim como a maior
parte dos segmentos da grande mídia, Hollywood e outros
grupos liberais (esquerdistas). Plano de saúde universal; anistia
incondicional para todos os imigrantes ilegais; tributação para todas as grandes
corporações importantes, sem medo de elas debandarem daqui para outros
países (que bela solução! Assim acho, afinal quem precisa
daqueles empregos de altos salários de qualquer modo, não é mesmo?); subsídios
aos esquemas da energia verde que custam uma fortuna e não fazem
nenhum sentido econômico --- e assim vai. Acho que dado o ponto de
vista deles, não é estranho que os Tea Party passem por
extremistas.
Tenho
consciência de que está fora de questão tentar convencer um
esquerdista de que a realidade não é um mundo feito de creme de
chantili de sonho, no qual basta desejar para que ele se torne realidade. Mas
eu tenho alguma esperança que aqueles “independentes” que
parecem poder pular a cerca desse mundo, onde a grama é sempre mais verde,
para cá possam ouvir alguns fatos óbvios que vêm confundindo
dramaticamente muitos esquerdistas cultos a respeito de o Tea Party ser
um movimento “extremista”.
"Liberal" é o termo para dizer "esquerdista", porém eles são indististinguíveis de fato de um liberal no sentido lato do termo, isto é, quem defende todos os valores culturais do socialismo, em doses maiores ou menores, num regime econômico de mercado livre (v.g., como o dos Países Baixos hoje).
Primeiro,
não se engane com a grande mídia: eles fingem honestamente,
porque seu ponto de vista oblíquo nega-lhes a habilidade
para apresentar as coisas de um modo reto. Alguns vêem nisso a clara
intenção de distorcer a verdade e pintar as coisas e aqueles que
estão do outro lado como rematados malucos, seja lá de modo direto
ou apenas discretamente [2]. Eu prefiro acreditar que, sendo notícias
negócios antes de tudo, eles são apenas liberais céticos e
desesperançados sem uma noção muito boa da realidade, ou talvez
sem poder crer em alguma realidade, e acredito que eles estão
dando as notícias de forma justa segundo o seu ponto de vista [3]. Mas
como eles acabam influenciando a opinião de outros, dar os Tea Party
como extremistas é algo que não pode passar sem um exposição crítica.
Bem,
o que é exatamente ser extremista? Todos nós sabemos, mas eu
apresentarei uma definição
de "extremo" qualquer do Dictionary.com (com algumas notas de edição menores):
- De um caráter ou tipo longe distante afastado do ordinário ou da média;
- Máximo ou excedendo grandemente em grau;
- Longe do centro ou do meio, em grau;
- Longe, máximo ou muito distante em qualquer direção;
- Excedendo os limites da moderação;
- Indo ao máximo ou a grandes extremos em matéria de ação, hábito ou opinião, etc..
Assim,
o que é exatamente “extremo” nos Tea Party? Exatamente como eles
podem ser entendidos como “de caráter ou tipo desviante do
ordinário ou da média”?
Vamos
dar uma olhada nesse ponto de vista. O Tea Party não é uma
organização oficial, mas do website
TeaParty.net podemos tirar os principais pontos políticos:
1.
Limitar gastos federais;
2.
Liberdades individuais;
3.
Responsabilidade pessoal;
4.
Livre mercado;
5. Retorno do poder político aos
estados e ao povo.
*
Algumas notas extemporâneas
1) A
limitação dos gastos federais tem obviamente a função de
desaforar as nossas demandas epiléticas por “políticas públicas”
das mãos do governo federal e, especialmente, dos programas estais
que vem mantendo uma curiosa independência para com a vontade do
povo --- e, como se pode ver pelo artigo, que fala especificamente da realidade
americana, em nada muito diferente do que ocorre por aqui.
2) As
tais “liberdades individuais” querem dizer que o governo federal
não deve tutelar os indivíduos sob rótulos de pequenos “grupos
de direitos”, sindicalizando assim qualquer traço de caráter,
aspecto físico, comportamento, cacoete ou filia, etc., mas garantir
--- com a distância natural da generalidade legal necessária, que
estas garantias não se tornem no oposto --- que a lei permitirá as
liberdades civis contra o próprio estado que, por regulamentações
que atravancam com órgão ineficientes, impedem estas mesmas
liberdades declaradas
(exceto as sexuais) como ocorre com excesso de impostos, excesso de
burocracia, excesso de leis, quando não impossíveis de cumprir ou
absurdas e contraditórias.
3)
Responsabilidade pessoal é muito, de início, negar-se a ser tutelado pelo
estado segundo sua iniciativa por demandas demagógicas; mas, além e antes disso, é atribuir a si mesmo e ao arbítrio de cada
um a responsabilidade por seus atos. Com a gravidade da lei e
inequivocamente sob o peso das consequências, ponderado pelo perdão
cristão e não divercionado
por um ato de “tolerância”. A tolerância tem uma conotação
perniciosa de que admite em parte o erro e o crime; o perdão sabe-o
perfeitamente, onde está e quem o fez, faz pesar consequências, mas
sabe restituir a fé no homem. A tolerância se encaminha para relativizar o que haja de perverso sob a medida da injúria física, ...sem prazer (!).
4)
Livre-mercado é, garantindo uma regulamentação mínima, a própria
liberdade de negócio e empreendimento, que é a liberdade de acordar
de manhã e ter a perspectiva de poder mudar as coisas do modo como
um funcionário público não pode nunca ou raramente.
5)
Particularmente no Brasil, os estados são servis e oportunistas para
com as benesses dos governo federal, que os subordina por uma
fantasiosa unidade nacional e por programas socialistas
disfarçados de porgresso, diretos, civilidade, disciplina e
(outra) liberdade. Se os estados americanos estão perdendo autonomia para o
governo federal, por aqui eles jamais a tiveram e nem parece que um
dia a terão.
Governo bom está sempre ao alcance dos tomates que já
passaram do ponto!
1.
Governo limitado
Em
pesquisa recente, a Rasmussen (do US News e do World Report) indica
que uma maioria dos que responderam à pesquisa
acreditam que o governo federal tem poder demais em oposição a ter
pouco. De acordo com eles:
"75%
dos Republicanos acreditam que o governo federal tem muito mais poder
sobre os estados enquanto muitos Democratas (37%) acreditam que a
balança pende à direita. Entre aqueles não afiliados aos
grandes partidos, 52% dizem que o governo federal tem muito mais
influência do que deveria enquanto 9% dizem que não é o suficiente
[grifo do autor]."
De um
artigo
da ABC News de Janeiro:
"ABC
NEWS testou o assunto com duas questões: Metade dos entrevistados
nessa pesquisa foram perguntados se eles confiam que este governo é
capaz de fazer a coisa certa para casos de segurança nacional e
guerra contra o terrorismo. 68% disseram Sim. A
outra metade foi perguntada se eles confiam no governo para fazer a
coisa certa sobre questões sociais, tais como economia, plano de
saúde, Seguro Social e educação. Muitos menos --- 38% --- disseram
Sim."
Nesse
assunto e por esse critério, o Tea Party é centrista.
2.
Liberdades
individuais
Uma
pesquisa de Dezembro da Rasmussen claramente mostrou quão importante
a liberdade individual é para os americanos: “[e]ntre os
eleitores moderados, grande número deles (48%) concordam com a
perspectiva conservadora com foco em proteger os direitos
individuais”. (O que obviamente não está dito é que a
esquerda usa a o apelo por direitos individuais de um modo
falsificado, demandando-os por filias
de grupo --- “simpatias” e “afeições” --- e, por
óbvio, tutelando estes grupos por este expediente --- o oposto do
que se espera por liberdades individuais.)
Curiosamente,
“a mais ampla lacuna está, como frequentemente é o caso, entre a
classe política e a maioria dos entrevistados. 70% destes dizem que
o papel principal do governo é proteger os direitos individuais. 51%
dos entrevistados entre classe política dizem que moderação,
tolerância e justiça social devem vir primeiro”. Uau! Uma tunda
de 70% dos que são a maioria. Esses são números grandes. --- A mídia influencia muito mais os políticos que a opinião real do povo, é o que dá para concluir.
De
novo, sobre o que se disse, os Tea Party são centristas.
3.
Responsabilidade
pessoal
Enquanto
as pesquisas inquirem diretamente sobre a questão de quão
importante é a responsabilidade pessoal em geral, é difícil de
encontrar pesquisas específicas sobre o que acreditam os americanos
sobre o conceito. Do Gallup, sobre a questão dos planos de saúde,
“89% dos Republicanos e 64% dos independentes, mais 61% de todos os
americanos, dizem que os próprios americanos --- mais do que o
governo --- tem a responsabilidade primária de garantir que tenham planos de saúde”. Números ainda maiores sustentam a posição dos
Tea Party.
Dificilmente
se pode chamar qualquer um assim de extremo.
4. Livre Mercado
Nenhuma
surpresa aqui. De acordo com a pesquisa
Global Scan, a liberdade de empresa e de mercado decididamente são responsáveis
juntos pelo melhor sistema para o futuro do mundo. Nos Estados Unidos esta opinião é compartilhada
por 71% das pessoas pesquisadas em contraste com 24% que discordam.
(Pesquisas no mundo todo mostram que 61% concordam, enquanto os que
se opõem são 28%, que discordam). Concorrência de novo.
Levando
em conta todos os quatro itens da plataforma dos Tea Party, a maioria
do público é claramente de acordo. No entanto, como sabemos, os Tea
Party são claros ao falar no que se apóiam ou ao que se opõem sobre
outros temas. A respeito de alguns destes temas mais importantes,
temos:
-- Uma
pesquisa de 11 de Julho a CNN/ORC
mostra que 66% dos pesquisados sustentam políticas que controlem os
gastos e despesas do governo, limite impostos e reduza o déficit.
-- Na
mesma pesquisa, 74% apóiam uma emenda que exija um orçamento
equilibrado.
--
Sobre o déficit orçamentário, muitos concordariam que os Tea Party
acreditam apenas ou principalmente nos cortes de gastos. De
acordo com o gráfico abaixo, do Gallup, 67% pensam que o déficit
deveria ser reduzido apenas ou principalmente por cortes de gastos.
Mesmo aqueles que acreditam apenas em cortes de gastos dão 26%.
Difícil tomá-los por extremistas.
-- Em
pesquisa da CNN
de Janeiro de 2011, 71% das pessoas querem cortar gastos de modo
geral (embora eles não concordam com o que deve ser cortado).
--
Finalmente, do artigo
do LA
Times,
“de
acordo com a maioria das pesquisas, cerca de 20% dos eleitores são
liberais, muito menos do que os cerca de 40% que identificam a si
mesmos como conservadores”.
Assim,
como são os Tea Party rotulados de extremos quando, sobre
virtualmente todos os temas importantes, as evidências são
claramente que a maioria dos americanos estão de acordo
substancialmente com eles. E por que teria um levantamento
do Gallup conduzido entre 20 e 23 de Abril deste ano encontrado
apenas 30% de americanos descrevendo a si mesmo como apoiadores dos
Tea Party? --- O mesmo tipo de discrepância que no Brasil faz a maioria apoiar programas que, em vez de vir de seus representantes, são a mais das vezes conduzidos por setores técnicos do governo federal, contra os seus valores [4].
Claramente,
o público americano tem sido iludido pela grande mídia e pela
propensão de políticos liberais, que habitualmente pregam o ponto de
vista esquerdista, como quando começam campanhas contra supostos atos racistas ou sob qualquer outra acusação
injuriosa dirigida a qualquer um que não concorde com eles [5]. Equívoco ["..."] muito
sérios sobre os Tea Party e sobre o povo americano é encontrado no
famoso comentário
de Nancy Pelosi onde ela “confunde” os Tea Party a uma militância
irascível ao invés de um verdadeiro movimento de raiz popular. --- Competição que a esquerda simplesmente acha inaceitável, já que ela é sempre o verdadeiro movimento popular, que ela repreesenta na ausência da consciência do povo nesse sentido.
O
resultado da deformação dos Tea Party levam a que eles sejam
marginalizados a segmentos do público americano que dão pouca
atenção ao que os políticos dizem, mas acredita no que o
noticiário diz na hora do jantar. Está na hora de repudiar o rótulo
de extremistas dado aos Tea Party. As pessoas que o dizem deveriam
ser detidas imediatamente, e a conversa deriva parar até que se
coloque as coisas às claras. [Se é que são, de fato, apenas equívocos, como parece que são de parte das pessoas, mas já a respeito de políticos como Pelosi, há uma certa coerência de ação que o desacredita.]
Não,
os Tea Party não são extremistas. É apenas a “Maioria
Silenciosa”, mas por pouco tempo.
Notas
1.
Texto
original
do American
Thinker,
13 de Setembro de 2011: “Stop
Calling the Tea Party Extreme. It Isn't”.
2. Ver esse comportamento aqui, em "Terrorismo reverso: lavagem cerebral".
3. A tal da "fairness" ou, por aqui, "equilibradamente", "moderadamente", "polidamente", como se esta atitude já fosse em si, alguma razão. A natureza psicológica dessa mentalidade não é estranha nem nova à desvalorização da fé pela moralidade.
4. É bem verdade que o brasileiro médio não liga muito bem seus valores com sua vontade e facilmente os abandona para qualquer coisa que lhe mostrem mais vistosa.
5. Caso exemplar é o de Jair Bolsonaro, que teve uma resposta a respeito de ambientes promíscuos com a pessoa que os freqüenta, que sendo negra, deslizaram o sentido diabolicamente para uma associação entre promiscuidade e "raça negra". Mais tarde, lutando contra a aprovação do "kit gay", foi infamado a não poder mais, e quando viram, ele tinha razão. Interrompeu-se o lançamento do tal material "educativo" e calaram-se sem sequer um pedido, nem por alto, de desculpas.




1 comentários:
Parabéns André pelo seu texto, pelo embasamento em pesquisas de opinião e principalmente pela serenidade com que tratou o tema. Nos EUA ao menos pode-se confiar em pesquisas de opinião, aqui no Brasil nem isso. Como mostra o documentário AGENDA: grinding America down, todo o cenário político foi puxado à esquerda e qualquer movimento de direita é chamado de extremista, para assim ficar de fora do debate sério. Espero que consigamos no Brasil formar um grupo organizado estilo Tea Party, com um nome e reivindicações objetivas para ao menos fazer um barulho na mídia, já que sabemos que o brasileiro é conservador por natureza mas acaba sendo levado à esquerda pela propaganda incessante da mídia e do governo. Parabéns pelo seu blog, conheci agora e vou acompanhar. Sucesso! Augusto - guperetti@yahoo.com.br
Postar um comentário