Sexo, gênero, modalidade: a marcha da anarquia sexual
“Como
vimos no primeiro capítulo, é em nossos desejos inconscientes
reprimidos que encontramos a essência de nosso ser, a pista para as
nossas neuroses (enquanto a realidade é repressiva), e a chave
para o que podemos nos tornar se a repressão do real cessasse".
--- Life
against death: the psychoanalytical meaning of history, de
Norman O. Brown (1959).
"O
tempo livre poderá se tornar o conteúdo da vida e o trabalho poderá
se tornar o livre exercício das capacidades humanas. Desse modo, a
estrutura repressiva sobre os instintos poderá ser explosivamente
transformada: as energias instintivas que não mais estarão
amarradas ao trabalho sem recompensa estarão livres e, como Eros,
forçarão para universalizar relacionamentos livres e
desenvolver uma civilização libidinosa."
---
Herbert Marcuse,
Five lectures,
citado por Leszek Kolakowsky em Main
currents of marxism.
“Aqueles que desejam liberar o homem
da ordem moral precisam impor controles sociais tão logo eles o
consigam, porque a libido liberada conduz inevitavelmente à
anarquia. No curso de dois séculos, aquelas técnicas tornaram-se
mais e mais refinadas, resultando num mundo onde as pessoas fossem
controladas, não por forças militares, mas pelo controle técnico
de suas paixões.”
--- Comentário sinóptico de Libido
dominandi, sexual liberation and political control, de E.
Michael Jones.
“Assim, um homem bom, embora
escravo, é ainda assim um homem livre; mas o homem fraco, mesmo
sendo rei, será escravo. Porque ele serve não a apenas um homem,
mas, pior, a tantos mestres quantos sejam seus vícios”.
--- Santo Agostinho, City of God.
Peter
Heck [1]
O debate sobre se aqueles que praticam o
homossexualismo deveriam alcançar a situação legal de “casados”
por sua relação com o mesmo sexo é persistentemente mau
caracterizada pelos ativistas nos dois lados como a tentativa de
redefinir o casamento. Para aqueles que se opõe a esta mudança,
isto é mais certamente um erro da ignorância; enquanto para aqueles
favorecidos, trata-se apenas de uma intencional tática
diversificatória. Para ser claro, de modo a “redefinir”
qualquer coisa, antes é preciso haver uma definição alternativa
sendo defendida. Nesse ponto, nenhuma proposta substituta emerge.
Na verdade, o que se está querendo não
é qualquer redefinição do casamento, mas antes uma “indefinição”
dele --- uma tentativa para obliterar qualquer parâmetro fundamental
para o que é percebido como comportamento sexual moral e imoral.
Para qualquer um atento às últimas décadas, esse esforço não
deveria parecer nem um pouco surpreendente.
O debate sobre a homossexualidade em
nossa cultura, depois de tudo, é nada mais que a manifestação
atual de uma cruzada bem mais
ampla pela anarquia sexual[2], a qual vem sendo ampliada desde a publicação dos estudos fraudulentos
de Alfred Kinsey na década de 50. Engajado em nada menos que
pedofilia
institucional e abuso sexual de crianças tão jovens quanto as do jardim de infância, a “pesquisas de Kinsey defende que a média
dos americanos está comumente envolvida em toda sorte de atividade
sexual. Ele e seus acólitos
urgem a cultura para agir de acordo com suas revelações, para todos
libertarem-se de seus medos e vergonhas sobre tal comportamento e
abraçar todas as formas de atividade sexual como expressões
aceitáveis.
A causa de Kinsey adulterou o movimento
de amor livre dos anos 60 com o seu apelo por quebrar as barreiras
sociais contra quase todas as formas de expressão sexual [3]. E
desde então, temos assistido uma implacável campanha destas forças
que promovem a anarquia sexual para normalizar variações de sexo
meramente recreativas, anteriormente condenadas. Quando Kinsey
começou isto, a maioria resistia à idéia de que sexo deveria ser
entretenimento, até a cultura pop torná-la uma idéia mais
aceitável, e aos poucos o próprio padrão cínico da sociedade. A
maioria também resistia à idéia de que o divórcio devesse ser
facilmente alcançado, até a cultura pop defendê-lo como
coisa mais que óbvia. E mais; a maioria resistia à idéia de que a
promiscuidade devesse ser celebrada como forma de manifestação
sadia, até que a cultura popular a normalizasse. A maioria também
resistia à idéia de que o homossexualismo e o cross-dressing
devesse ser aceito, e agora a cultura pop está
normalizando isso.
Se a minha
avaliação está correta, nós estamos vendo o próximo passo na
cruzada pela anarquia sexual tomando forma. E justo nessa hora, uma
nova história surge na América do Norte, para tornar real tal
coisa. E esse caso e outros são os futuros modelos para serem
exportados para todas as nações ocidentais.
Como explica a colunista Lindsay
Whitehurst, próximo de 38 mil poligamistas em Utah estão seguindo o
caso onde a Suprema Corte está para decidir que pode derrubar o
banimento da poligamia no país. O que é mais chocante nessa
história é quão assustadoramente semelhante ao argumento poligamista
é aquele que estamos ouvidos atualmente das demandas de grupos de
homossexuais ativistas e de transgêneros na América [4].
Chamando
esse procedimento “histórico”, a defensora da poligamia
Marlyne Hammon declarou: “Se o Canada passar esta lei, estará
mandando uma importante mensagem para o resto do mundo. Eles podem
ver que [a poligamia] não é o que todo mundo diz. É sobre
pessoas.” Hammon acrescenta que a descriminalização do
casamento plural [!] no Canadá será um grande impulso para quem
queira defendê-lo nos Estado Unidos. “Temos que nos afirmar em
nossos lares”, diz ela. “Precisamos continuar lutando por
nossos direitos civis”.
O
porta-voz da Advocacia Geral de Utah, Paul Murphy, tem dito sobre o
caso: “Isso nos irá instruir. O Canadá está enfrentando os
mesmos temas que enfrentamos; temos esta mesma lei, mas na maioria
das vezes não vem sendo aplicada por qualquer instância legal.”
É de
notar a similaridade da linguagem e de sentimentos dos quais se
valem: “direitos
civis”,
“antidiscriminação”,
“auto-realização”,
“felicidade pessoal”,
“não julgue”,
“direitos
constitucionais”,
“expressão pessoal”.
As mesmas expressões usadas pelos anarquistas sexuais para
promover a aceitação do comportamento homossexual já está sendo
usado para se avançar ao próximo passo nessa escada. Deve ser sem nenhuma surpresa, pois, que então alguém como Tom Hanks, um
proponente em alta voz do casamento gay, seja o atual produtor
executivo para as séries da HBO “Big Love”, retratando (e
normalizando) uma família poligamista em Utah.
Uma
vez que o caminho tenha sido forjado pelos ativistas homossexuais, a
poligamia não é nada mais que o próximo passo lógico. Paul
McCormack, professor de direito da Universidade de Utah, confirma que
se a Suprema Corte aceitar a questão do casamento entre pessoas
do mesmo sexo, isso abrirá o caminho para outras formas pessoais de
preferência sexual: “Isso ressuscitará o interesse pela
poligamia”, diz ele.
Por tudo o que se disse até agora, eu pergunto a todos que sustentam a
legalização do “casamento gay”: como pretenderão negar direito
àqueles que defendem a poligamia? [5] E como impedirão que se dê,
nessa marcha, o próximo passo então? Essa questão tem passado de
uma hipotética casca de banana de tolerância para com o bizarro até
a perversão pura e simples para então entrar definitivamente no
mundo real e infestar a legislação. Toda fantasia mais solta
reivindica hoje estar protegida por lei. Essa questão precisa de uma
resposta nossa, é preciso firmar uma posição, antes que se resolva
enveredar por esse caminho aberto por Kinsey.
Se
removermos as pilares morais atuais que definem o casamento conforme
o pretendia Deus, entre homem e mulher, declarando-o uma violação
dos direitos civis daqueles que aceitam o homossexualismo, como
podermos repor depois aqueles mesmos pilares para rejeitar os
direitos civis reivindicados pelos polígamos?
Se
aceitarmos o argumento esposado pela cultura pop
dos ativistas homossexuais, como o pleiteia
Ellen DeGeneres, nos seus termos: “As
pessoas estão se tornando o que elas querem se tornar, e nós temos
que aprender a amá-las pelo que elas são e deixá-las amar quem
elas querem amar”, como
poderemos rejeitar ativistas como Marlyne Hammon, que dizem o mesmo?
A resposta é, não
iremos. Esta é a conseqüência de deixar “indefinido” o
conceito de casamento --- que se torna um termo sem sentido, de uma
vez por todas subjugado pelas forças da anarquia sexual. Isso
necessariamente abre os portões do dilúvio para a legalização de
cada forma de atividade sexual, da poligamia ao incesto, à infâmia
da pedofilia --- chamada então “pedossexualidade”
---, e à bestialidade. Antes de erradicarmos as barreiras morais de
nossa cultura, podemos querer dar uma pausa com tempo para
considerar o que nos espera para além destas transformações, para
outro mundo, culturalmente amorfo.
Notas
1.
Peter
Heck é professor universitário público e radialista em Indiana. Texto original
do American
Thinker,
February
14, 2011: "The Polygamists Make Their Move”.
2.
Falta ainda notar que o feminismo, uma das primeiras formas de
demanda de direitos sexuais, e que precede todas as outras, fez com que
as mulheres acreditassem que sua liberdade dependia de ser aquilo que
todo machista sempre quis elas fossem. Que isso tenha acontecido
dentro de um movimento de afirmação dessa condição, não apenas
permitiu que a sujeição assumisse, disfarçando-se de nudez
explícita, o cinismo mais descarado, e, de volta,
liberando os homens, para sua própria “liberdade” sujeita. Decorreu no rastro desse
tornado cultural, de efeito calculado, todos os movimentos úteis a
uma desordem ainda maior, aquela que vai defender todo tipo de
perversidade epicurista como máxima expressão da condição humana
e com expressão legal.
3.
Em Saul Alinsky, ativista político da esquerda americana, hoje no poder, há marcado o esforço pela separação das gerações, de
modo que os mais velhos não possam repassar a tradição aos jovens e que
eles se formem novos e sem ligação com a tradição. Ligação que já está no ponto de ser reestabelecida, sob pena de se perder algo que, uma vez perdido, não terá mais volta.
4.
Para comprová-lo, de por aqui, ler o relatório de Ayres Britto e
comentário de Peluso sobre o tema com foi tratado no Brasil, de
forma idêntica, sem fundamentação hermenêutica qualquer além do
deslizamento anárquico ao copular com um safado terceiro
elemento de interpretação à Constituição para além do que seria
aceitável fazer, sem que isso tenha despertado qualquer indisposição
de quem quer que seja na área no caso do casamento homossexual.
5.
Q.E.F., o que se queria fazer! A poligamia é o próximo passo, mas
não é um fim em si, senão que sua aprovação permitira que não
apenas casais do mesmo sexo sejam reconhecidos legalmente como
família, mas qualquer associação de pessoas, mesmo aquelas pessoas
do mesmo sexo, como um clubes de swing
poderiam reivindicar tornar-se uma família conjugal.



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