julho 15, 2011

A domesticação das massas

Desmentido pelos fatos, o marxismo iria à forra por meio da auto-inversão: em vez de transformar a condição social para mudar as mentalidades, iria mudar as mentalidades para transformar a condição social.”
--- Olavo de Carvalho, “Do marxismo cultural” (08 Jun 2002).
Jed Gladstein*
Uma das estratégias mais perigosas dos totalitaristas que existem discretamente entre nós hoje é a deliberada confusão que eles criaram sobre a noção de totalitarismo. Apenas uma pequena fração das pessoas sabe que as assim chamadas “direita” fascista e “esquerda” socialista ocupam historicamente o mesmo extremo no espectro sociopolítico. A razão que a maioria das pessoas não sabe disto é devido ao esforço constante que a “esquerda” mantém, dedicadamente, para despistar o fato de que ela não é fundamentalmente nada mais que um movimento totalitário.
Tudo isso começou já antes dos anos ’30. Enquanto naquela época os soviéticos comunistas tinham um caminho diferente para lidar com a produção econômica, os meios de assédio dos marxista-leninistas sobre a política, leis, sociedade civil e sobre as massas sob o seu controle, foi para a maioria indistinguível do modo como os nazistas tratavam das mesmas questões. Para ambos estes regimes totalitários, tratava-se de controlar as massas do topo para a base sob uma rígida regimentação da sociedade em classes manipuláveis --- discipliná-las no que elas podiam saber, no que elas diziam e como as pessoas deviam viver as suas vidas.
Iniciado nos anos 30, sob a direção de Stalin, os comunistas no Ocidente começaram a proclamar que eles estavam no extremo oposto do espectro sociopolítico do que nós hoje chamamos de “fascismo”, ou os movimentos de “extrema-direita” da Europa. De fato os fascistas na Itália, os nazistas na Alemanha e os comunistas na união Soviética foram todos plenamente socialistas. Mas os comunistas apoiados pelos soviéticos na Europa estavam envolvidos em um esforço mortal pelo poder, pelo qual os partidos socialistas moviam-se para controlar as massas europeias. Assim, eles decidiram deslegitimar os outros partidos socialistas [1] (só momentaneamente concorrentes). Isso tudo foi feito atribuindo o rótulo orwelliano, bastante simples, porém efetivo, “contra-revolucionário”.
Colocavam assim qualquer grupo socialista divergente no extremo oposto ao espectro sociopolítico em relação aos comunistas europeus, os quais por auto-unção se tornavam “os verdadeiros” socialistas. Para cimentar esta distinção, os comunistas começaram a chamar a eles mesmos de “esquerda” revolucionária e rotularam qualquer outro que não os aceitassem e ao seu chamado à supremacia, de “direitistas” reacionários.
A maioria dos livros de história do século XX aceita o falso rótulo de “esquerda” difundido por comunistas e socialistas. Eles ensinam que os comunistas europeus dos anos ’30 foram de todo suprimidos pelos nazistas e pelos fascistas do Eixo de poder composto por Alemanha, Itália e Japão, que em seguida iria desencadear a matança que nós chamamos de Segunda Guerra Mundial. De acordo com essa versão da história, a “esquerda” socialista soviética foi atacada pela “direita” fascista e nazista, assim os militares soviéticos foram levados à ação em junho de 1941 a se defender das agressões dos fascistas “de direita”.
Essa narrativa mal contada, no entanto, ignora o fato de que em 1939, a “esquerda” socialista soviética alegremente alinhou-se à “direita” dos socialistas nazistas de modo a imprimir sua influência ao norte e sobre o leste europeu em várias esferas de influência, o que permitiu aos soviéticos invadirem e ocuparem Polônia, Finlândia, Estônia, Lituânia e Bessarábia (hoje Moldávia). Eles fizeram isso com ameaças e impondo-se pelo seu poderio militar, que é exatamente como a “direita” socialista nazista fizera ao invadir e ocupar França, Países Baixos, Checoslováquia e Áustria. Além disso, os socialistas soviéticos mantiveram sua hegemonia nas terras conquistadas do mesmo modo que os socialistas nazistas --- através da força, do medo e da repressão [2].
Lá pela Segunda Guerra Mundial, a União Soviética assentou-se sobre cerca de metade da Europa, e pelo próximo meio século a “esquerda” socialista na Europa, com a ajuda das tropas soviéticas, manteve dezenas de milhões de pessoas na servidão em nome do socialismo. --- Que esse processo hoje tenha saído da ação política para a persuasão à escravidão consentida, é o que ainda está despercebido. --- No Ocidente, incluindo os Estados Unidos, o que se entende a respeito da natureza do totalitarismo da ex-União Soviética e de seus regimes socialistas satélites precipitou o que veio a ser chamado de Guerra Fria. O poderio militar do Ocidente foi capaz de estimar as ambições imperialistas da União Soviética e de seus aliados socialistas em muitas partes do mundo. Mas enquanto o Ocidente estava atarefado com isto, as forças da “esquerda” socialista estavam, elas próprias, atarefadas em se esconder dentro do tecido da sociedade Ocidental em um esforço determinado para destruir o Ocidente desde dentro.
Na América, começando em 1919, o Partido Comunista dos Estados Unidos e vários partidos socialistas aliados e grupos do front político operaram alinhados à União Soviética. Eles planejaram espiões e companheiros de viagem no governo, na mídia, na universidade e no planejamento comunitários, sindicatos trabalhistas e onde mais eles pudessem ganhar poder e influência. Documentos do Projeto Venona revelaram quão profundamete alguns destes elementos de “quinta coluna” penetraram dentro do tecido da sociedade americana.
Mas estes primeiros socialistas ao estilo soviético, foram eles apenas a primeira onda de operações subversivas, as quais continuam até os dias de hoje. A segunda onda começou logo nos anos ’60, e isso agora ameaça engolir o mundo Ocidental inteiro. Sua tropa de choque é o marxismo cultural. --- Em outras palavras, marxismo cultural é um termo para referir a antiga subversão nas suas mais diversas formas de bagunçar com alguma coisa para dar origem à outra, imprevisível, jamais planejada, mas supostamente melhor, em tudo aquilo que se pode imaginar de melhor. --- Embora eles gostem de se chamar socialistas, progressivos ou liberais, estes pertencem ao mesmo movimento totalitário quanto seus precursores soviéticos e eles buscam os mesmos resultados sociopolíticos --- um governo socialista internacional com poder para ditar como as pessoas devem viver. No lugar da ditadura do proletariado ao estilo soviético, buscam uma ditadura das elites não-eleitas ao estilo das Nações Unidas, aliada e financiada por uma legião de burocratas sem rosto que prestam contas apenas para si mesmos.
Dado que esta agenda é uma afronta à verdadeira idéia da liberdade, é notável o gigantesco sucesso que o marxismo cultural tem encontrado ao esconder a natureza totalitária de sua ideologia [3]. E, de fato, eles escondem a verdade muito capciosamente. Eles cultivam a ficção histórica de que estão à “esquerda” do espectro sociopolítico, em alta voz proclamando sua devoção pela “compaixão”, “igualdade” e “justiça social”, enquanto atribuem maliciosamente àqueles que se opõe aos seus embustes como “direitistas” egoístas e mesquinhos, que se preocupam apenas com seu próprio poder e privilégios. [4]
Mas as ações dos marxistas cultuais contam uma história muito diferente. Eles praticam políticas idênticas, todas elas tratam de “dividir e conquistar” às expensas da harmonia cívica. Eles advogam expandir o controle do governo sobre a vida das pessoas, as quais só podem ser acessadas ao custo da liberdade individual. Elas governam pela coerção mais que pela persuasão. Os ativistas do marxismo cultural pretendem valorizar a iniciativa individual, mas rotineiramente desencorajam-na em favor da conformidade burocrática. No lugar de premiar o mérito individual, eles erguem barreiras de mediocridade institucionalizada atrás da qual a elite governante pode se proteger dos verdadeiros intelectuais independentes.
Todas estas coisas são feitas, diz o marxista cultural, de modo a moldar um mundo melhor. Mas seus circunlóquios racionalistas são ocos, porque as táticas de que se valem são aquelas que os tiranos demagogos usaram através do tempo de modo a sustentar o seu poder ludibriando as massas.
Adestrar as massas’ é o nome do jogo dos tiranos, e eles jogam esse jogo com implacável determinação. Porque nos últimos sessenta anos, o marxismo cultural tem doutrinado os estudantes americanos [e amplamente aos latino-americanos] com o relativismo cultural e moral, mimando-os com a propaganda anti-americana, despojando-os do que eles precisam para conhecer a obsessão pelo poder que jaz logo abaixo da máscara cultural do marxismo.
Aqueles estudantes que agora ocupam posições de grande influência na América [e não mais que no Brasil], lideram milhões de americanos hoje para dentro do futuro para o qual, no curso para este, as pessoas devem desejar aceitar o mandato ditatorial de um pequeno grupo, de uma elite de guias, ou serem forçados a pagar com suas vidas e ou com sua prosperidade. Para as pessoas que conhecem a história e entendem o perigo, chegou o tempo de gritar contra o fraudulenta “esquerda” do marxismo cultural e mostrar às pessoas na América [e por aqui e por toda parte] que por baixo do verniz de sua retórica há a realidade do totalitarismo que sempre foi associado à “direita” radical [v.g., uma elite no poder movendo e comovendo às pessoas, até a mais franca e simples coerção].
Se isso não for feito logo, as pessoas serão aos poucos disciplinadas pelos tiranos que vivem conosco hoje, e por seus companheiros sectários, alto-falantes de sua ideologia escravagista. O sonho dos Pais Fundadores da América, de um povo livre que pode governar a si mesmo, terminará, não apenas nos Estados Unidos, mas por toda parte.
Notas
*Jed Gladstein é um advogado, autor e educador.
1. Os partidos socialistas, de fato, e não apenas no nome, encontravam na identificação do estado com o “povo” --- que Nietzsche chamou de o mais frio dos monstros, o monstro de “mil apetites” ---, e viam na ação ativa deste como os meios de reformar a sociedade. Mussolini pertenceu ao Partido Socialista Italiano entre 1901 a 1914, e depois ao Partido Nacional Fascista (1921-1943) e finalmente ao Partido Republicano Fascista (1943-1945). Adolf Hitler e Goebbels disseram que não havia nada realmente essencialmente diferentes entre Comunismo e Nacional-Socialismo, apenas o que um entendia ser universal de uma “classe”, os alemães entendiam ser em benefício do povo alemão. Fascismo e Socialismo tem diferença apenas na motivação que ostentam para fora, sendo ambos o mesmo tipo de estrutura de poder: o Estado como provedor e como guia do povo sob um mundo planificado.
2. Coisa que explica a confusão costumeira de por aqui, foi o que disse um repórter da RBS, Rádio Gaúcha, quando, cobrindo a morte do presidente polonês, na Rússia, esclareceu ele que o presidente morto fora um combativo ativista contra o “governo duro, de direita...” (!) na época do jugo soviético sobre a Polônia. Absolveu com isso todo o delírio da esquerda socialista que sempre produz bizarrices sociais, que não raro viram matadouros e estados escravagistas da pior espécie, atribuindo suas falhas a uma guinada à direita. Coisa igualmente estúpida foi dita, e corroborada pelo apresentador, no programa Polêmica, da mesma rádio gaúcha, que apontou Hugo Chávez como um homem que havia sido de direita, por causa do golpe tentado por ele e fracassado, porém, então ele havia se tornado adepto da esquerda socialista, mas que suas modificações na constituição Venezuela poderiam causar risco caso um louco de direita tomasse o poder (!!), em vista dos mecanismos estatais que ele havia investido ao seu cargo.
3. A questão não é apenas esta, mas que não é crível que táticas de tão longa linha de ação possam existir. Menos ainda que elas sejam parte de uma linha estratégica que visam não o fim ao qual cada ação individual quer pontualmente, mas no seu efeito, que, para piorar, muitos dos próprios executores dessa disciplina subversiva desconhecem de todo. Se é crível, por outro lado, que muito dos seus executores acreditem nas causas individuais, e digam com fé no seu efeito “democratizante”, como poderia ser crível que o efeito dessa mentalidade seja simplesmente a confusão, a desordem e enfim o caos? O caos, mas claro que o caos não se sustenta; seu efeito último, enquanto houver qualquer sociedade, é a tirania de um governo central que virá para botar ordem nas coisas. O anarquismo do século XIX deu no que deu, ainda assim parece completamente desligado do governo comunista que lhe sucedeu.
4. A “democracia” da “tolerância” e sob os auspícios do “bem comum” leigo, atomizada a partes tão pequenas quantas se possa --- as “minorias” ---, e cujo fim das ações, imprevisto pelos melhores dentre nós que esposam essa compaixão compulsória, por incrível que pareça e pelo que é invisível, é o caos:
“Tão vasta foi a propagação dessa influência, que por toda parte a idéia antiga de tolerância já se converteu na “tolerância libertadora” proposta por Marcuse: “Toda a tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita”. Aí aqueles que vetam e boicotam a difusão de idéias que os desagradam não sentem estar praticando censura: acham-se primores de tolerância democrática.” [grifo meu] --- Olavo de Carvalho, “Do marxismo cultural” (08 Jun 2002).
*

"The Taming of the Masses”

Jed Gladstein
(Tradução adaptada)
American Thinker, 22 de janeiro de 2011.

Um comentário:

Laguardia disse...

Há anos o Supremo Tribunal Federal tem um suas mãos o processo do mensalão, o maior esquema de corrupção já montado neste pais.

O STF indiciou por unanimidade, 40 políticos ligados ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministros indiciaram estes corruptos com base em provas levantadas pela Policia Federal, pelas Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito e pela Procuradoria Geral da Republica.

O caso está ficando esquecido. O PT montou um esquema bem montado para desacreditar os relatórios e provas levantados.

Este caso não pode acabar em pizza como acontece tantas vezes em nosso Brasil. Dinheiro público foi desviado para beneficiar os detentores do poder.

Não podemos permitir que este caso caia no esquecimento. Precisamos relembrar o povo dos acontecimentos.

Lutamos com o que podemos, com nossos computadores e com a internet. Para isto criamos um site, Mensalão – Nunca antes na história deste pais - http://mensalao.ning.com/

Convidamos os amigos a participar deste esforço se juntando a nós neste site.

Contamos com a ajuda de todos os que querem ver um Brasil onde se valorizem os princípios de ética, honestidade e moral.