junho 30, 2011

Sociedade de Mulheres: Primícias

VALENTINA: Ninguém mais fará nada por necessidade, pois tudo pertencerá a todos: comida, bebida, roupas, etc.. [Tudo virá de um fundo comum, trazido de cada um para todos].
BLÊPIRO (esposo): Mas não é verdade que são os larápios que possuem as maiores riquezas? ... E se alguém, ao ver uma dona formosa, quiser agradá-la com presentes, este fundo comum o pagará por ele?
VALENTINA: Para quê? Se terá o direito de ir com ela de graça! As mulheres serão comuns a todos os homens; cada um poderá ir com qualquer uma e ter filhos de quem quiser.
--- Aristófanes, Ecclesiazusae.
Que influência exercerá a ordem social comunista sobre a família?”
Resposta: Ela fará da relação de ambos os sexos uma pura relação privada... Ela pode fazê-lo, uma vez que aboliu a propriedade privada e educa as crianças comunitariamente e, por este facto, anula as duas bases fundamentais do atual matrimônio: a dependência, por intermédio da propriedade privada, da mulher relativamente ao homem e dos filhos relativamente aos pais. Aqui se encontra também a resposta à gritaria tão moralista dos filisteus contra a comunidade comunista das mulheres. A comunidade das mulheres é uma relação que pertence totalmente à sociedade burguesa e hoje em dia reside inteiramente na prostituição. A [condição da] prostituição repousa sobre a propriedade privada... Portanto, a organização comunista, em vez de introduzir a comunidade das mulheres, muito pelo contrário, suprime-a.”
--- Princípio do Comunismo, Friedrich Engels, §21.
O ‘capitalismo’ e o socialismo tem os mesmos anos, são intimamente afins, surgiram da mesma maneira de ver as coisas e se acham presos pelas mesmas tendências. O socialismo não é nada mais que o capitalismo das classes inferiores”.
--- Oswald Spengler, Anos de decisão.

----- Sociedade de Mulheres - I -----
Jim Mahoney
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O pecado original
Por cerca de quinze séculos de civilização Ocidental, a mãe de Cristo foi o modelo do ideal feminino. Durante este tempo, a dignidade da Virgem Maria foi um marco superior e um norte para todas as mulheres. Ela inspirou as artes e a literatura e, mais importante ainda, ela inspirou mães que de volta inspiraram suas crianças a honrar e respeitar a feminilidade. A idade da cavalaria foi o produto da veneração da mulher, que se modelava pelo exemplo da mãe de Deus.
Tal mulher se comportava com e vestia modéstia; e não apenas fez sua modéstia esconder seu charme físico, mas também mascarava o que a natureza pudesse fazer sobressair com exagero e como baixo apelo. Sem as distrações físicas sempre expostas, os homens podiam aguçar o espírito para apreciar melhor as qualidades mais duradouras das suas mulheres. 
Antes de seguirmos, vamos um pouco mais longe com isso... Que sentido tem algo assim nos dias de hoje? Mas no que, afinal de contas, se torna um homem, para o qual o equivalente feminino da masculinidade é o apelo sexual? O equivalente para esse homem, que é o espelho da masculinidade, é então a atenção no desejo e no instinto. Poderíamos parafrasear Boécio, para dizer que o instinto e a natureza que nas criaturas é virtude, no homem é vício. E, ainda mais --- mas também mais difícil de se tornar consciente ---, que não há nenhum homem de verdade sob estas condições. Quando outrora os homens tinham de cortejar a mulher com reverência, não era pela reverência dedicada a uma mera distinção de gênero (ou aos seus apetites), mas àquele padrão que lhe conferiria, de volta, o valor justamente da masculinidade que se equivalia ao mais alto padrão da feminilidade. Isto, no entanto, se perdeu, e tanto que já nem se sabe que se perdeu algo.
Quando os homens compreendiam a verdadeira beleza, que esta tinha precedência sobre as qualidades físicas e a fome dos instintos, traziam guiados por aquela mulher os valores que se reconheceria por séculos como valores masculinos. Desaparecido esse valor nas mulheres por uma revolução que vendeu a liberdade e a dignidade como uma função dos instintos, ou pior, do prazer, não pôde mais o homem se tornar senão aquele cão farejador que se distingue muito pouco de seus instintos. Os valores masculinos, por isto, foram perdidos; e no seu lugar fez-se deles outra coisa, que os substituiu num simulacro que abrange, por estreitar-se com a natureza, ao maior número de homens.
Uma conclusão inevitável, para a qual se presta pouca atenção: ai de quem disser que os fracos se beneficiam desse novo homem, porque somente os fracos se beneficiam por aderir aos instintos e à sociedade de mulheres cujo valor predominante é a própria relação defeituosa que o fraco mantém com os valores femininos tornando-os os mais baixos.
A masculinidade está inexoravelmente amarrada ao feminino, e ao seu padrão, e assim que ao mudar aquele, muda também a masculinidade.
Contrariamente ao mito moderno, que associa a liberalidade ao instinto e à sedução[1] dos apelos, outrora havia um grande número de mulheres fortes; e elas eram, no entanto, invariavelmente mulheres femininas, as quais com o modelo espiritual em vigor, derivavam seu poder de sua identidade feminina integral. A influência de Maria começou a enfraquecer no século XVI. Eventualmente, na maioria do ocidente, ela começou a ser referida apenas como apenas mais uma mulher. Todas as mulheres foram rebaixadas na proporção que sua influência empalidecia.
Hoje, 500 anos depois, o verdadeiro feminino está quase completamente extinto por um furor insano que prega às mulheres que elas são iguais aos homens...  
Mas iguais exatamente em quê? Os slogans escondem na forma os meios de sedução: as mulheres são “iguais” aos homens naquilo que os diferencia no mais baixo: no comportamento sexual instintivo. Porém, se a “fêmea” é o oposto complementar do “macho” no sexo, portanto (nisso) “iguais”, a masculinidade e a feminilidade são iguais na convergência dos valores que os relacionam socialmente --- e perante Deus. É nesse ponto que se perdeu algo essencial. Daí a se concluir que a “igualdade” de gêneros deve se dar pela “liberdade” de comportamento sexual, inicialmente (e só inicialmente) conforme os gêneros naturais. Nessa "igualdade" tornam-se tão estranhos um ao outro que estes já não se encontram, mas confundem. Esse apelo de “igualdade” é o achatamento dos valores de masculinidade e de feminilidade ao nível do sexo. O seu efeito? Um só comportamento se produz: macho e fêmea desejam e o desejo deve ser saciado; o valor masculino, bem como o feminino, tornam-se (num primeiro momento) meramente “sexuais”. Se os valores de masculinidade e feminilidade são “sexuais”, e se são sexuais são desejo e instinto, porque não haveria no desejo outros gêneros, definidos conforme apraz ao desejo?
Então, enquanto homens e mulheres estão dedicados, não à reprodução, mas ao instinto seduzido, o que se tem com isto é o rebaixamento dos valores masculinos e de seu equivalente feminino àquela igualdade sexual, a mais baixa. Estão por aí infundidos novos padrões de comportamento social. Mas, por estes dias, ao que poderia se reconhecer que não a essa liberdade cuja medida é o prazer ou, talvez antes, a não-dor? Uma sociedade “de mulheres” --- dessa mulher "nova" que modifica toda a sociedade ao ultrapassar os padrões sociais que fluiam dela e refluiam na austeridade da masculinidade tradicional ---, é uma sociedade de fracos que cedem, desejam, permitem, esquecem, e daí um passo a mais, cobiçam, aproveitam, submetem, oprimem e são oprimidos. Mas a tal ponto que a opressão já começa a se parecer a um estilo de vida.
Não estranha esse apequenamento geral quando a propaganda de tantos programas sociais oferecidos vêm junto com a idéia dos “direitos” a nós conferidos, confundidos então com as liberdades da sedução pelos desejos (que já são atributos da pessoalidade no direito) e estas com a própria liberdade. “Liberdade é escravidão” --- é a máxima de Orwell saindo da ficção para a realidade; e isto não pela opressão explícita, mas pela adesão voluntária de uma maioria.
Tais valores foram destruídos por uma geração de parasitas. De todos os zelotes revolucionários determinados a expurgar a feminilidade --- levando-a ao mais baixo da mera identidade de gênero e do ato sexual ---, e com ela a verdadeira masculinidade junto, não parecem ter ainda descoberto o que uma mulher é, porquanto esperando que ela seja tão pouca coisa quanto a mera distinção morfológica na relação com os homens.
Se houvesse um inimigo inclinado a destruir toda a humanidade, ele não encontraria um lugar melhor para começar do que destruindo o feminino. 
Por que Caindo as mulheres, Caem também os homens, que tem por dever o sacrifício que espelha o valor da preservação e da defesa da sociedade, da qual a mulher é peça chave: não a causa, mas o símbolo mais visível da sociedade e a vasilha pela qual se recebe e transfere nas gerações a ordem social. Porque a ordem social é antes a forma do homem. É na mulher (e, portanto, no conceito de feminino nela) que se tem o padrão de ordem social vigente. Ela é a disciplina exigida; é o resguardo quando os homens adoecem. E é só por isso que uma modificação da sociedade não pode ser mais que uma reação proporcional ao número de mulheres que esposam (e este “esposar” tem valor civilizacional) um estilo de vida como o de hoje. 
A modificação maciça do comportamento feminino leva a uma massificação da sociedade do modo mais eficiente. Se isso é assim, é inaceitável que já se tenha abandonado esse campo para algo fundado no mero prazer fútil ou do ridículo da satisfação. Quando caem as mulheres, caem juntos os homens, e não há salvaguarda para essa queda.
*
Começar pelas mulheres
A despeito de forças sociais contrárias, as mulheres vão ainda provavelmente formar a gerações futuras. “Liberando” as jovens garotas do modelo de pureza e docilidade a Deus, e suplantando esse modelo superior com as “liberalidades” do apelo feminista, sobrevirá, já querendo que fosse por mero acaso, o peso da culpa inevitável, da vergonha e então a raiva revoltada, porquanto as gerações seguintes produzirão mães que irão inevitavelmente infundir uma vez mais suas crianças com o ressentimento e a hostilidade pelo qual reproduzem essa praga que se propaga como a peste. É outra coisa, para dizer não mais “feminino”, mas, no seu lugar, o sexo como “identidade prática” da fêmea fértil, porém cujos atributos físicos da fertilidades se tornam o mero apelo fetichista por eles. E que isto se chame a liberdade de uma opressão, é a apoteose da mentira de uma liberdade fingida para outro fim, é o que já não pode deixar de ser.
Se o ataque ao feminino como repositório dos valores da sociedade naquele antigo modelo coincide então com o declínio da religião, temos que a liberdade irresponsável impedirá a perspectiva do perdão divino, pelo quê o potencial humano de devastação é aumentado. É uma coincidência que o alardeado “progresso” da mulher feito nas décadas recentes tenha trazido com isso o jugo de um sentimento de culpa sem precedentes? E que esse sentimento de culpa passe então a ser atacado como a outra face de uma mesma “opressão”, parece que já não pode não ser o efeito esperado e o reforço desta falsificação que chama de “liberdade” ao pecado. Negar essa vergonha é querer que a culpa não exista antes como o estigma da alma pela vergonha ferida.
Da juventude promíscua, autorizada pela pílula anticoncepcional, pela camisinha, etc., ao quase universal abandono das crianças ao seu próprio cuidado, mães de ninhada e suas filhas, com o mesmo destino, carregarão o fardo da mesma infâmia. Some-se o número de mulheres que já fizeram um aborto pelo menos uma vez, e não é exagero dizer que jamais houve tantas mulheres nessa situação e, com isto, uma carga de culpa e vergonha iguais.
E se há uma pessoa a que se possa responsabilizar por esta situação, essa é a fundadora da Planned Parenthood, Margaret Sanger. Mas, a despeito de seu desconcertante currículo, ela permanece uma semideusa no panteão da esquerda.
Poucas pessoas na história foram mais cegas a respeito de suas metas que Ms Sanger. Menos ainda viveram para ver suas obras se cumprirem tão completamente quanto ela. Sanger morreu em 1966 --- décadas depois que ela clamou pela “rebelião das mulheres”:
O direito ao folguedo
O direito de ser uma mãe solteira
O direito de destruir
O direito de criar
O direito de amar [(!) livremente]
O direito de viver.” [2]
Em outro lugar, ela declarou: “A coisa mais piedosa que uma grande família pode fazer a um de seus pequenos, é matá-lo”. [3]
Quando Margaret Sanger morreu, a pílula de controle de natalidade já estava no mercado há seis anos. Poucos anos depois, o aborto foi legalizado na América. Em 2004, 35,8% dos nascimentos na América ocorriam fora do casamento. Embora ainda chocante, as feministas hoje livremente igualam o infanticídio à clemência [4].
De qualquer forma, Sanger teve extraordinário sucesso. Ela entrou em cena no momento perfeito. As mulheres no fim do século XIX e início do XX estavam inquietas com seu lugar no mundo. Quando Sanger pregou o evangelho da liberação sexual, ela encontrou uma pronta audiência.
Margaret Sanger foi uma revolucionária. Ela confortavelmente referia seus amigos como “Camaradas”, tanto quanto estava próxima dos nazistas. Sua revista de vida curta, The Woman Rebel, era uma base ainda mais sucinta de suas propostas. Mais do que qualquer outra, Margaret Sanger trouxe a revolução sexual a cada homem, mulher e criança. Revolução que ocorreu nas bases não de um governo despótico, mas na forma de uma revolução que simula e disfarça os ideais sociais dos apelos de propaganda daquelas mesmas tiranias, e com a mesma compaixão que levou Bernard Shaw a clamar por um meio que trouxesse a morte indolor aos indesejáveis que resistissem a essa engenharia social.
Se olharmos para trás, a grande contribuição de Obama foi popularizar Saul Alinsky e seu infame livro Rules for radicals. Mas, ao dedicar seu livro à Lúcifer, Alinsky entregou o jogo[5]. O espírito humano de rebelião é o eco perfeito do grito de batalha de Lúcifer: “Não servirei!”.
Diferente dos pensamento pequeno de nazistas e comunistas, que meramente buscaram a transformação das nações, Sanger mirava na criação revolucionária de uma nova raça --- bem a propósito dos revolucionários russos do século XIX, os quais pregaram viver o padrão cultural da revolução desde a sua vida privada e antes mesmo que ela tivesse sido feita na sociedade inteira. Assim, enquanto a revolução é anarquia, ela subverte de baixo; quando ela vai ao poder, seus modos tornam-se preceitos estatais que são impostos ao povo de cima para baixo.
Não obstante isto, todos os três reconheciam que suas revoluções demandavam a eliminação dos “indesejáveis” e dos “inadequados”. Hoje, a grande diferença entre eles, décadas depois dos gulags e das câmaras de gás terem sido fechados, as instituições que Sanger desovou pelo mundo estão mais prósperas do que nunca. Há cerca de 46 milhões de abortos ao ano mundo afora, com 1,2 milhão ao ano nos Estados Unidos (2005). Os abortos entre os americanos são desproporcionalmente mais altos nas mulheres entre as minorias, com as mulheres negras contando 30%, hispânicos 25% e brancos 36%. Mesmo se nós permitirmos a possibilidade dúbia de que a eugenia de Sanger não era intencionalmente racista, os resultados falam por si mesmos.
Junto ao aborto, seguem lado a lado as campanhas de estímulo ao sexo livre, “livre” dos riscos de se praticá-lo como se emanados da própria dignidade da pessoa humana (!) --- isto é, a anarquia feita em princípio jurídico superior mesmo aos códigos democraticamente constituídos.
Tão terrível quanto pode ser a destruição, é pela corrupção das mulheres que isto vem se tornando [e mantendo] possível. As jovens comprometidas pela fantasia utópica de Sanger ao amor livre tornaram-se mulheres seduzidas a deixarem-se cair na teia da culpa. E contra esta, contra a vergonha que a produz, venderam às mulheres o cinismo, traço de caráter dos homens mais fracos, para abolir a culpa como uma relíquia de preconceitos do passado. A promoção das instituições de Sanger influencia quem possa para esposar seus erros, contribuindo para o instrumento de morte que supera a cada ano seus camaradas nazistas e soviéticos, combinados.
Pior de tudo, não apenas fazem as mulheres buscar por isto, eles o demandam como seus direitos. Se prestar bem atenção, dá mesmo até para ouvir o mal rindo dessa ironia.
Notas
1. A etimologia de “sedução” diz mais: de seducere, “desviar do caminho”, “corromper”, “guiar pelo mais baixo”.
2. The Woman Rebel, Março de 1914, p. 3. Não surpreendentemente, é muito difícil encontrá-lo hoje na internet; o autor postou-o aqui. Isto precisa ser lido por todos que estão enfastiados com o feminismo.
3. Woman and the New Race, 1920 de Brentano, pp. 32s.
4. O uso da palavra “clemência” para referir à vida que não vem à vida, subentendida também aí a “liberdade” da mulher para “realização plena” de suas aspirações materiais, bem como de seus mais prontos desejos, produz também frases como as de Maria do Rosário, Secretária de Direitos Humanos do governo federal: “Não podemos obrigar uma mulher a ter um filho”. Típica linguagem invertida, que volta a infâmia da opressão, da impiedade, do racismo, etc., contra aqueles que denunciam as causas atuais desses males. (V. o artigo “A falsificação da razão”, original de Larry Anderson.)
5. Quem primeiro parece ter dito que Alinsky dedicou seu livro a Lúcifer foi o apresentador e comentarista político conservador Glenn Beck, para em seguida ser acusado de abuso ao intencionalmente atribuí-lo por uma citação inicial a Lúcifer que ocorre entre outras duas, de Thomas Paine (1737-1809) e do Rabbi Hillel (110aC-10dC). De fato, Rules for Radicals está dedicado nominalmente a “Irene”, que não aparece mais ao longo do livro; não dá para dizer o mesmo de Lúcifer.

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The Descent of Woman”
Jim Mahoney
(Tradução adaptada)
American Thinker, 23 de janeiro de 2011.

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