junho 01, 2011

Catolicismo à la Rooster Cogburn

Cristo, é verdade, mandou odiar o pecado e não o pecador. Mas isso se refere ao sentimento, à motivação íntima, não à brandura ou dureza dos atos e das palavras expressas. Ele nunca disse que é possível reprimir o pecado sem magoar e, nos casos mais obstinados, humilhar o pecador”.
--- Olavo de Carvalho, Má conselheira. MSM, 30 Maio 2011.
Fr. Dwight Longenecker
Uma das fraquezas dos nossos dias é esse catolicismo mimado, tolo, doce e fragilmente sentimental, tão comum.
Jesus Cristo, a quem sigo, caminha com os pecadores, o gentil, dócil e compassivo Jesus. Como ele, guio-me, mais humilde, adotando o amor e o perdão, assim judiciosamente me guio. Mas algumas vezes precisamos ser determinados, às vezes um tanto cascudos, e ter pelo menos aquela dose de coragem indispensável. É preciso ser católico também um pouco à la Rooster Cogburn.
Quando estamos mais inclinados a permanecer à deriva numa pasmaceira sentimental e reconfortante, e já enquanto confundimos esta calmaria com Jesus, ou quando chamamos por usa “mensagem” devemos lembrar de suas palavras mais duras:
Não cuideis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim[1]. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.” --- Mateus 10:34-39.
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. ...Toda a árvore que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.”
--- Mateus 7:13-20.
Estes trechos são pequenas amostras. Leia o restante do Novo Testamento e você encontrará São Pedro e São Paulo e mesmo o gentil São João, todos eles, falando em termos fortes a respeito de falsos professores, heréticos e pecadores. Por exemplo, nos Gálatas, São Paulo investe contra aqueles que insistem em obedecer a lei judaica e diz, “Circuncisão! Quereria eu que fossem emasculados aqueles que vos andam inquietando”. Em suas epístolas, João repetidamente chama aos falsos professores “anticristos”, “mentiroso”, “enganadores” e “crianças do demônio”[2].
Para Timóteo, são Paulo escreve:
Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos de batalha. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos; Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons; Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. --- 2º Timóteo 3:1-5.
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.” --- id., 6-9.
Ou como esta maravilha da segunda epístola de Pedro...
E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente;
E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas); Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades; Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor.
Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem[3], perecerão na sua corrupção, Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça; Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta.
Estas são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva. Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, enganam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo[4]. Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: ‘O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama’.
--- 2º Pedro, 2.
É; não tão meigo. Quando você o lê por inteiro, vê que tão logo diz estas coisas, vira-se Pedro e diz: “Mas eu sou o maior dos pecadores”, e “Amai-vos, portanto! Amai-vos uns aos outros!
Nós estamos chamados para amar e perdoar e sermos gentis e amorosos, mas de nós se espera também que defendamos a fé, nomear o pecado que é pecado e apontá-lo quando as pessoas estão em erro, porque há almas a serem salvas, como há as que se perderão.
Apenas lembrem-se, embora você só possa fazer um julgamento justo se você primeiro o experimentou mais demorada e duramente frente ao espelho. E lembre-se das palavras de São Paulo --- também em Gálatas:
Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que viveis pelo Espírito, reencaminhai-o com espírito de mansidão; mas [antes] olha para ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém cuida de ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Prove cada um [antes de] sua próprias ações.”
--- Gálatas 6:1-5.
Notas
1. Uma quebra de padrões de conforto, não é mesmo? É como jogar alguém órfão no mundo, estranhar a pessoa contra o que lhe é mais familiar; e, sobretudo, contra os laços sociais que justificam os hábitos que o tempo torna aceitáveis e vantajosos.
2. “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura”. Gálatas 6:15.
3. É o triunfo da torpeza como medida do homem!
4. A estultice faz também que o vencido pareça a si mesmo um alistado, alguém que tenha aderido a uma força, que é, no entanto, a maior fraqueza.
*
Traduzido e levemente adaptado do Fr. Dwight Longenecker, “Rooster Cogburn Catholicism”. Terça, 8 Fev 2011.

Nenhum comentário: