setembro 15, 2010

Os padrões do silêncio


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A outubrização da Primavera: o que a democracia não é
Padrão de assédio às Constituições:
1. Tornar o Executivo o mais forte no tempo necessário para evitar a reação da oposição;
2. Alterar as Constituições quebrando aos poucos com os vínculos institucionais que garantem o funcionamento do ordenamento jurídico;
3. Quando impedidos de levar adiante as “reformas”, acusar a oposição da iminência de um golpe ou de sabotagem;
4. Articular e eventualmente anexar todas as forças econômicas maiores, empresas e instituições oficiais;
5. Ao mesmo tempo (de 4) realizar o que no Foro de São Paulo se chama "fazer bons governos", com medidas de assistencialismo e criação de vínculo material entre o governo e o povo para garantir a "enxurrada de votos";
6. Substituir as instâncias formais por comitês consultivos paralelos, com o papel de prescrever alterações na legislação, e desde então passar a propô-las e forçar sua passagem sob a desculpa de “orientação geral” (i.e., criar a demanda por estes comitês consultivos);
7. Articular ações de apoio mútuo (fazendo convergir demandas de fontes aparentemente distintas) sempre que algum princípio acima seja posto em risco.

Padrão dos Campos de Concentração Difusos:
Os novos Campos de Concentração são desconstrucionistas, eles estão descentralizados por uma complexa rede de ações “discretas” ou oficialescas tais como:
a) Prisões ilegais mediante sequestro oficial, com defesa retardada e prolixa, motivados com a forja do flagrante, ao que se segue por expedientes autoritários com a intenção de reclusão e isolamento para levar à míngua (e.g., Peña Esclusa);
a.1) É o método usado em Cuba, do qual se vangloria a esquerda, "onde não existe tortura", dizem, (ostensiva pelo menos), o que se vê pelos presos “por consciência” que duram, vivos (!), longos 25 anos;
b) Mortes, sumiços, atentados (caso Celso Daniel, 14 testemunhas mortas no mesmo caso e atentado à Promotora; Franklin Brito, na Venezuela; e Yves Hublet (?): NÃO ESCLARECIDOS --- vale a regra da FIA: “Se vocês não esclarecem convincentemente, nós poderemos chegar às nossas próprias conclusões”);
b.1) É inaceitável sugerir a casualidade de mortes por causas naturais, quando os detidos tinham problemas prévios de saúde;
b.2) Só nas democracias livres é possível denunciar e se defender antes da certeza, quando a margem de reação possível pode ser já nenhuma.
Do que está listado acima, nem tudo tem provas fortes de ligação, mas a prova mais forte, a prova definitiva, é o expediente do criminoso, não o das democracias livres.
O atual silêncio por estes casos, sob a justificativa de não tocar em temas delicados que motivariam direito de resposta e processos --- se é que não apenas a antipatia do governo, já em si uma coisa temível ---, motivou o poema famoso do pastor protestante Martin Niemöller contra a passividade dos intelectuais alemães frente a ascensão nazista:
Eles vieram e levaram os Comunistas;
e eu não disse nada, porque eu não sou Comunista...

Mas eles voltaram, para levar os sindicalistas;
mas eu, de novo, não disse nada, pois eu não sou sindicalista.

Então eles vieram e levaram os Judeus;
e eu fiquei em silêncio, porque não sou Judeu.

Da última vez que eles voltaram, vieram buscar-me;
...e já não havia ninguém para falar por mim.
[tradução livre do inglês]

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Há vários modos de se fazer um campo de concentração
Orlando Zapata Tamayo, morreu em greve de fome, em Cuba, condenado a 36 anos de prisão depois de inúmeros processos judiciais. Recebeu o escárnio de Lula ao pedir ajuda quando da visita dele a Cuba. Estes “vários processos” são considerados pela Anistia Internacional “rápidos demais e injustos. Notar que os processos fingidos e o uso da justiça para ações como aquele tipo de “espoliação” de que fala John Lilly em “Nós, os Servos”, é uma marca dos governos tirânicos com máscaras democráticas, que assediam com processos e outros tipos de intimidação, entre as quais a intimidação judicialesca é só um exemplo (v. abaixo, o caso de Yves Hublet).
Alejandro Peña Esclusa, principal detrator de Chávez, com denúncia na Corte Criminal Internacional, está preso por Chávez desde 19 de julho e deve receber o mesmo tratamento dos presos de Cuba, que pegam por crime de lesa-Fidel penas de 25 anos, tempo durante o qual gaba-se a esquerda, não há tortura.
Yves Hublet, que voltou ao Brasil depois de ter se afastado para evitar as incomodações advindas da atuação de sua bengala na cabeça do José Dirceu (O meigo), foi detido e morreu pouco depois num tipo de triângulo das Bermudas, tendo em seguida o corpo cremado sem autorização da família. A notícia foi omitida por todos os jornais, apenas Álvaro Dias pediu explicações formais, mas também ao que não se deu qualquer repercussão; quando muito notas insípidas, omitindo os detalhes que em qualquer democracia levariam a séria investigação e a suspeitas sobre quem tem ligações filiais, mas nenhuma responsabilidade inevitável.
Franklin Brito, o produtor rural que teve suas terras confiscadas na Venezuela por Hugo Chávez, estava mantido preso em uma instituição militar, entrou em greve de fome, e, como Orlando Zapata, morreu aos 49 anos.
O uso das instituições oficiais para legitimar as prisões através de processos prolixos é um meio nada novo de fingimento de oficialismo.
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O documento da Anistia Internacional, que considerou Zapata e outros prisioneiros pelo crime de consciência, mostra --- como Tarso já mostrou de si mesmo no caso de Battisti, quando ignorou todas as instâncias legais internacionais para proteger um assassino condenado, do partido --- a frieza de Lula para com aqueles que sofrem os crimes que levaram à santidade a esquerda e a querer-se mais “ética” que todos. E viva o povo desumano brasileiro, que atende por qualquer tipo de “R$50,00” ao chamado cívico de beneficiar-se de algum modo, ficando burro para todo o resto. Mesmo quando muitos são prejudicados em crime de lesa-humanidade, ou que nem lhe pese já o aumento em 38% os crimes de assassinato nas capitais, desde que se lhe venha assistir de algum modo, qualquer modo:
Lula da Silva foi muito bom para os brasileiros e muito mau para milhões dos seus vizinhos.
Os déspotas que tem a sorte de serem amigos do presidente brasileiro e que estão arruinando os seus países, enquanto o Brasil progride, sabem que conta com o forte apoio tanto quanto com o silêncio cúmplice de Lula. Seu incondicional respaldo público lhes dá uma valiosíssima legitimidade internacional, o que os ajuda a atuar com ainda maior impunidade dentro de seus países. Seria ingênuo esperar que Lula fosse o protetor da democracia e dos direitos humanos na região. Porém, não deveria ser ingênuo esperar que aqueles que violam reiteradamente os direitos básicos de seus povos soubessem que não contam com a tolerância silenciosa de Lula e seu fraternal abraço nos encontros presidenciais.
Não seria maravilhoso que aqueles que estão encarcerados por lutar pela democracia em outros países saibam que Lula é seu aliado e não de seu carcereiro?
[...] Por tudo isto [e por tudo o mais], Lula passará à história como um bom presidente para seu povo e um mau vizinho para os amantes da liberdade.”
Artigo de Moisés Naím, do El País, de 09 de maio de 2010.

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Amaldiçoado povo brasileiro!

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