julho 12, 2010

Contatos com a estupidez clínica




(O termo liberal do autor foi mantido, quer dizer aqui “mentalidade liberal-esquerdista” (do esquerdismo não radical), ou: o termo de âmbito clínico, não ideológico --- este levando àquele.)
De
Robin de Berkeley

Recentemente realizei uma grande experiência, porém, sem sorte, fracassei de um modo miserável.
Tudo começou poucas semanas atrás, quando resolvi incluir o meu e-mail em um dos artigos que costumo escrever para o site American Thinker, ao invés de apenas ler os comentários ali. Pensei que seria legal compartilhar com os leitores, apenas evitando os irritantes trolls [v.g., anões maliciosos e sabotadores, no caso, da mitologia nórdica].
Recebi cerca de quatrocentos e-mails da primeira vez. Mas havia circunstâncias particulares por trás desse dilúvio: meu artigo, “A Shrink Asks: What Wrong with Obama?” [Questões psiquiátricas: O que há de errado com Obama?] foi virulento.
A maioria dos e-mails veio de Conservadores, embora tenha recebido meu quinhão de sordidez de liberais. Foi aí que eu botei meu grande plano em ação. Em vez de apenas descartar os mais raivosos para o lixo, respondi a todas eles.
Eu não apenas respondi-lhes, como incitei as pessoas a entrar em contato comigo para um debate adulto. Mas eu não esperava realmente que concordássemos senão em algo, era minha expectativa. Conversar, talvez debater, mas sempre numa atmosfera de respeito mútuo.
Permiti-me fantasiar: Talvez nos tornássemos cúmplices... Amigos. Quem sabe escrever um artigo sobre nossa aventura para o American Thinker. Haveria tampouco restrições, quem sabe, mais adiante a um debate no rádio.
Nossa colaboração poderia inspirar as pessoas dos dois lados. Estaríamos dando prova de que é de fato possível a liberais e conservadores chegarem a um termo comum.
Mas de novo, resultou num gigantesco fracasso. Foi o que aconteceu.
Comecei animada com meu primeiro liberal revoltado, Robert, do Colorado, um homem que me chamava de “racista doente” e perguntava-me por que eu não analisava George W. Bush.
Escrevi de volta o seguinte:
Caro Robert;
Gostaria de entender seu apoio a Obama. Por que você não me escreve outro e-mail, um que não me diga nomes ou aponte o dedo na cara de George Bush? Deixe-me compreender suas razões para dar apoio a Obama. Tenho interesse em saber.
Nenhuma resposta.
Depois vem Jason, que pediu minhas credenciais.
Respondi assim:
Caro Jason;
Sou uma psicoterapeuta licenciada da Califórnia. Mas importa menos eu que Obama. O que importa é que este país está em perigo. Estou interessada em saber por que você acredita em Obama. Poderia escrever-me e explicar por quê?
E, nada mais de Jason.
Fiquei mais otimista quando Claire escreveu-me. Ela foi a única de todos que me escreveu num tom cortes e atencioso. Claire atribuiu as impertinências de Obama aos seus anos no estrangeiro e ao sei hábito da nicotina.
Percebendo que eu finalmente encontrara um liberal respeitoso, escrevi-lhe de volta. Perguntei-lhe se ela aceitaria um diálogo comigo sobre Obama.
Mas, nada mais dela.
Estava menos otimista sobre Steve, embora daria a ele um tratamento justo. Steve mandou-me “f-me” e disse que eu era racista.
Respondi-lhe assim:
Caro Steve;
Você beijou sua mãe com essa boca?
Se você quiser escrever de novo sem as maledicências e os ataques pessoais, estaria interessada em ouvi-lo. Por favor, deixe-me ouvir o que tem a dizer sobre se Obama está fazendo um bom trabalho. Quero compreender seu ponto de vista.
Mas, de novo, outra vez, nada mais.
Um e-mail de um liberal verdadeiramente tocou-me. Veio de um jovem homem negro de nome Stanley. O tom cáustico do e-mail de Stanley me fez perceber sofrimento real ali. Stanley defendia “Barack” como se ele fosse um irmão. O jovem sustentava que pessoas brancas não entendiam Barack, que ele era diferente porque era negro.
Stanley estava claramente orgulhoso por ter um presidente negro. Esta identificação pessoal obviamente cegara Stanley para as red flags tremulando em torno de Obama.
Escrevi a Stanley o seguinte:
Caro Stanley:
Sinto muito se meu artigo sobre Obama causou-lhe alguma sofrimento. Minha crítica não tem nada a ver com ele ser negro. Posso entender como está orgulhoso por ter um presidente negro.
Tenho certeza de que você é uma pessoa bem-intencionada, Stanley. Gostaria de entender mais sobre o que Obama significa para você: o que ele representa, que esperanças tem sobre seu presidente.
Se você quiser escrever de volta, não vou discutir com você. Quero apenas entender como você se sente.
Sem sorte de novo, Stanley evadiu-se como os outros.
Não queria deixar a impressão de que nenhum liberal escreveu para mim de volta. De fato, um o fez: Debra, uma enfermeira da Califórnia do Sul. Infelizmente, seus ataques pessoais só aumentaram em cada novo e-mail, e tive que cortar contato com ela.
Cerca de 25 e-mails nesse projeto, e tive que desistir. Tive que admitir que minha busca desesperada por um bom liberal foi um fracasso que consumiu meu tempo e energia.
No entanto, creio que podemos aprender com nossas falhas mais do que com nossos sucessos. Então, o que foi que aprendi?
1. Primeiro, minha experiência reforçou o que eu já sabia: liberais não conseguem defender seu ponto de vista sem partir para a ofensa pessoal. Sem a chance de atacar George Bush ou de usar a palavra “R” (de racista, e em maiúsculo), a maioria deles não tem nada a dizer.
2. Aprendi que sou mesmo uma liberal redimida --- com ênfase na parte do “redimida”. Como toda pessoa redimida, sofro vez por outra de recaídas. No meu caso, às vezes volto ao meu estado mental liberal que pensa que meras pessoas podem mudar o mundo. Acreditei que poderia ajudar a cicatrizar o vasto abismo separando conservadores e liberais.
No entanto, para a mudança avançar, o povo precisa querer. Ele precisa ter coragem para ver o que está bem na frente de seus olhos. Claramente, os liberais que me escreveram quiseram, ao invés, fazer valer sobre mim aquelas velhas noções de esperança e mudança.
3. Percebi também que escapar da mentalidade liberal requer, como se sabe dos programas de reabilitação de viciados --- “largar-se e deixar a Deus”. Há só um poder no universo, e ele não é mortal.
Agora, a cada dia, eu incluo os Stanleys e Debras do mundo em minhas orações. Eu rogo à verdadeira Fonte de transformação para permitir-nos alguns de Seus milagres.
4. E, finalmente, aprendi o que fazer com e-mails perniciosos. Agora o que deveria ter feito desde o começo: marcá-los como spans e descartá-los como lixo.
*
Original do American Thinker:
de
Robin of Berkeley
(Jun 30, 2010)

Nenhum comentário: