março 04, 2010

Um tipo de vermelho


Estou pensando aqui com os meus botões quem é que desenha as roupas que vestem a esquerda há já quase cem anos.
Lula conseguiu sair-se com essa, de que o “dissidente” em greve de fome, que foi a óbito, cometeu um disparate, já que estava numa prisão. Jabor o disse com toda a gravidade a infâmia que foi esse “protagonismo” do nosso Macunaíma encarnado. “Eu lamento... é realmente reconfortante aos encarcerados.
Mas em Cuba, ah, em Cuba não há a opressão do capitalismo (como estremece Abujanra ao dizer), em Cuba a saúde faz com que todos, apesar de tudo, saibam que tenham saúde de graça (alguns fogem desse excesso de bem-estar por motivos desconhecidos); nem tortura nas prisões de Cuba, muitos dos mais antigos prisioneiros estão lá há mais de 25 anos e todos muito bem, obrigado: dissidentes.
Este é o “meu carma” de brasileiro, ter por líder Macunaíma, o líder de um país invertido.
E tudo isto quando ainda há prisioneiros dissidentes, “inFidels” da para-religião comunista. Comunista?
Seja lá quem desenhe o vestuário dos vermelhos, alguma coisa está diferente. As cores, mais pálidas, não são o que mais chama atenção, mas o rigor do estilo; um estilo que se adapta camaleônico ao zeitgeist somente quebrado por Fidel Castro e sua jaqueta Nike.
Lula tem as roupas mais à la Mao, a cor é a mesma, a malha parece mais leve, mas o colarinho, apesar de aberto, é ainda assim tão apertado em volta do pescoço quanto está no de Mao. Parece-me um sinal dos hábitos políticos; as roupas dos nossos líderes de esquerda parecem sugerir a doutrina política que espreita dissimulada hoje.
Não dá para omitir que o colar de Lula é parecido com o de Raul Castro, enquanto o de Fidel, aberto e frouxo, é mais parecido com o de Lênin em 1922, quando Lênin já estava bem doente.
Bem, o puído vermelho, que se altera, faz do vermelho um tipo de tom desbotado mutatis mutandis do mesmo vermelho, tal como aparece hoje a nova estratégia para o Terceiro Mundo. Vamos direito para um mundo de social-meiguice democrático e cidadão e, a qualquer momento, saltar bem dentro de uma sociedade socialista de pleno --- ai, ai, ai de mim, que a vida não é fácil assim, haverá choro e ranger de dentes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Mostra-me o que vestes e te direi quem es.