dezembro 18, 2009

Subúrbios do inferno e aquém



Desperately Seeking (Conservative) People”
By Robin of Berkeley (May 26, 2009)
Texto de:
(Tradução sob o meu risco).
*
(Ha-ha-ha! Por aqui, no chance)

Uma liberal arrependida tenta fazer o impossível: criar vida social no lugar mais esquerdista da terra.
Como a maioria das mulheres, eu sou uma criatura social. Preciso de amigos com os quais eu possa confiar, solidarizar-me, queixar-me. Assim, quando meu caso de 35 anos com o Partido Democrata terminou, um ano e meio atrás, precisei de alguém para conversar, alguém que pudesse compreender que havia algo de errado no reino da Dinamarca.
Primeiro, tentei meu marido, um tipo de sujeito muito compreensivo, mas que obtinha notícias da KPFA de Berkeley, uma estação de rádio longe mais à esquerda que a Al-Jazeera.
*
Eu: Alguma coisa seriamente errada com o Partido Democrata está acontecendo.
Ele: Não tenho idéia do que você está falando.
Eu: A brutalidade, a torpeza, o culto em torno de Obama.
Ele: É bem coisa dos político.
Eu: Mas por que essa associação de Obama com radicais de extrema-esquerda que odeiam judeus, americanos e brancos? [Chavez idem; Lula não de cara, mas com Ahmadinejad]
Ele: Tenho certeza que Obama representará a maoria, aproximando-se de todos. [vejam só!, Lula idem]
Eu: Talvez não. Acho que ele tenderá ao socialismo e dividirá todos ainda mais. Estou preocupada em pagar impostos além do que possa, e do governo se metendo em cada aspecto das nossas vidas.
Ele: (com indisfarçado porém contido disgosto) Jeesus, você está falando como uma conservadora.
*
...Ok, não fui tão bem.
Meu próximo passo seria minha amiga, Laura, uma cabeça boa, de mais nível, Democrata moderada, mas sem ser muito afeita à política.
*
Eu: Não me sinto bem a respeito de Obama. Ele me parece tão virulento, e tem ainda essa esquisito histrionismo em torno dele.
Laura: De verdade? Acho ele tão legal.
Eu: Legal? Sim; morbidamente.
Laura: (Me olhando ensimesmada e um tanto possessa.) Todo mundo o adora! Ele é demais! Adoro vê-lo na TV!
Eu: Deus, Laura, tornou-se um deles! Pessoalmente, se Obama for indicado, votarei nos Republicanos pela primeira vez na vida.
Laura (olhando-me com repugnância, como se eu tivesse lhe contato que botei o gato no microondas): ...Republicanos são repulsivos.
*
Minha última esperança estava no meu terapeuta, Bob; você precisa de um psicoterapista, um acumpunturista, um massagista e um guru espiritual para sobreviver aqui em Berkeley. Eu tinha visto Bob por anos, mas nós estávamos geralmente sempre na mesma. E depois de tudo, estou pagando o engraçadinho para ser legal comigo.
Contei-lhe sobre meu receio acerca de Obama, que a maioria não sabia muito dele a sério além de seus velhos amigos. Ele me disse (e estas foram as suas exatas palavras): “Eu ficaria espantado se suas considerações sobre Obama tivessem algo a ver com sua infância”.
Bye Bye, Bobby. Eu posso ser humilhada sem pagar por isso, muito obrigada.
Três golpes de derrubar. Assim, discutir minha crescente ansiedade sobre Obama com o meu sistema pessoal de apoio social (família, amigos), parece que não funcionou lá muito bem.
Passei a levar em conta minhas opções:
A. Eu poderia encerrar minha experiência, ir para o Texas, ficar bem (mas não quis dar essa satisfação a Obama, e eu não sabia se estaria tão bem no Texas quanto a Califórnia permitia);
B. Poderia esperar até ficar rica via “Economicobamamatas”, e então ir para o Texas;
C. Poderia me entorpecer com megadoses de marijuana e vodka (embora o meu pobre corpinho não possa com mais que algumas doses de leite magnésia);
D. Poderia também ficar onde estava e conhecer pessoas novas. Assim minha única chance era encontrar alguns conservadores por aqui, um desafio que rivaliza com levar paz ao Oriente Médio;
Considerei então colocar um anúncio pessoal no Planeta Diário de Berkeley:
Procura-se: Novos Amigos
Altura, peso, bens, saúde mental, idade, raça, salário, classe, hobbies, interesses, empregos, tempo (que resta) de vida, não importam.
Delinquentes, enroladores, drogados, alcóolatras, jogadores, porcos, anões, gigantes, membros tatuados de gangues, desempregado, pouco inteligente, esquizofrênicos, múltiplas personalidades, fugitivos, tudo bem.
.: Somente, não "Liberais" [v.g., social-liberais, hedonistas ateus, materialistas].
Mas acho que mesmo isso não atrairá os meus candidatos a amigos.
Assim, coloquei meu chapéu de pensar e decidi que eu deveria tentar pescar um novo amigo na ilusão de os encontrar no subúrbio, que são domínio geralmente de Democratas, mas onde há pequenos redutos de conservadores. Comecei enforcando os feriados, mantendo os olhos bem abertos e ouvidos aguçados. Francamente, é um milagre não chamarem a polícia (“Oficial, rápido! Tem uma mulher aqui com uma roupa brega, de Berkeley, que se recusa a deixar o centro até que ela encontre alguns amigos!”).
Depois de uns dois fins de semana, olhei e vi um feirante no centro comercial da cidade, e lá uma mulher irrequieta com cartazes de McCain. Quando eu entrei num movimento rápido e disse que era de Berkeley, a mulher olhou-me seriamente dsconfiada. Ela relaxou quando lhe disse “Deixei o Partido Democrata e vou votar em McCain”. Disse-lhe que seria seu guarda-costas (hah! mentira: tenho 1,64 m e nenhum músculo de verdade). Juntas, insultamos um pouco contra os eleitores de Obama; alguém passou e gritou que éramos um “culto” (Alôo! Não sou eu que estampa no peito uma foto de um político, e o põe em carros, muros e roupas íntimas, etc., etc.). Sem mais, essa mulher ofereceu-me informações para contato e começamos a nos falar.
Consegui mais umas poucas pessoas depois. Pensei em chamar os cabeças da campanha de McCain para as ruas e encontrar outros Democratas decepcionados. Encontrei uma mulher mais ou menos da minha idade, do lado de fora de uma cafeteria, conversando com um conhecido mostrando desgosto em relação a Obama. (Não fiquei escutando o que eles diziam.) Quando seu conhecido se afastou, movi-me sem mais para ela e logo estávamos sentados e passamos conversando por horas.
Eventualmente, encontrei-me com 5 outras pessoas e começamos uma rede onde oferecíamos ajuda e compartilhávamos histórias de guerra. Quando minha nova amiga feirante voltou a espalhar os cartazes, veio-lhe um liberal boboca e entulhou-a com seu lixo. Uma outra pessoa foi politizada pelo seu ginecologista, um apaixonado por Obama, enquanto fazia um exame pélvico. Muitos de nós éramos underground, pelo que pensávamos (Irônico, não é mesmo; que o arquiteto dos baderneiros do movimento Weather Underground, Bill Ayers, com sua encantadora esposa, Bernardine Dohrn, têm agora um amigo no Salão Oval enquanto cidadãos respeitadores da lei são underground.) Por meio de nossa rede foi que pudemos parar e encontrar algum apoio e sanidade.
Sou realmente muito grata a meus novos amigos por terem tomado alguém estraviado lá de Berkeley sob suas asas. Mas é realmente muito difícil manter-se escondido, como se pensa e sorrir amarelo quando os amigos aderem entuasticamente a Obama. Sou do tipo de pessoa que não tem uma imagem pública; comigo, você vê o que puder. Cheio de máscaras e pródigo sobre tudo, Obama não sou eu e, francamente, tem feito nada por mim.
Mas parte das minhas esperanças mais utópicas vivem no âmbito da realidade. Estamos em tempos de trevas, navegamos por águas desconhecidas; assim, permaneço a espera. Antes que as coisas melhorem, para sair da despensa, terei que aguardar por aqui ainda. Mas talvez encontrando novos amigos e sabendo que há outros por aí, a despensa possa estar um pouco menos solitária.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lá... como aqui.