setembro 16, 2009

"Liberdade, Igualdade, Fraternidade", mas não Internet!

Pronto, pronto, pronto... E lá vamos nós para dentro de 1984 de Orwell! --- com sotaque francês fabiano.

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1. “Lei pioneira...”, e todo mundo sabe que quando algo é “pioneiro” quer dizer “novo”, quer dizer “inovação”, que é uma expressão exata para dizer o melhor que o nosso admirável mundo novo tem para nos oferecer. “Progresso” é para frente, como todo mundo sabe. Nunca se pôde controlar as pessoas como agora, e quem duvidará que essa onda varrerá as cabeças ocas de nossos líderes para o nosso bem?

Seria xenofobia dizer que algo assim só poderia ter vindo da França? Humm...

Mas, “a coisa” continua: “Lei pioneira que permite às autoridades cortarem acesso à internet de pessoas que fazem download ilegal de conteúdo”.

Tentar entender essa a frase pode causar náusea, advirto. Uma lei feita para as autoridades, é exatamenente, ao pé da letra da lei, o que significa, por suposta violação de direitos autorais, que ao invés de --- imaginando o pior --- termos alguém a bater à nossa porta com uma notificação, que pudesse tornar-se uma multa, temos, no seu lugar, esse indefectível mecanismo civlizatório que dá AINDA MAIS poder às “autoridades” para cortarem o acesso à internet de famílias negligentes.

Quão abrangente virá a ser o “conteúdo” que caia na tipificação “download ilegal” por certo será definida pelas zelosas “autoridades” francêsas --- e, com absoluta certeza, logo logo, inspirará as nossas próprias “autoridades” por aqui, que tanto se espelham nessa grande civilização revolucionária que é a França.

Então não precisa muito para saber como ela será colocada em prática. Alguém vai pensar nisso, com certeza, com dedicação.

2. Posso imaginar... não, não posso... Melhor; posso lembrar da cena no filme Brazil, de Terry Gilliam, quando por um engano --- um bug no sistema ---, um certo sr. Buttle é preso e carregado de sua casa, para não voltar mais. No caso francês, uma perigosa família poderá ficar por um ano sem internet, privada --- nem consigo imaginar --- de mandar mensagem de correntes e sem poder jogar Blackjack on-line e totalmente impedida, para a tranquilidade da sociedade civil, de acessar a rede e cometer novos crimes, como baixar as músicas e filmes que eles não comprariam se tivessem que pagar.

O sr. Miterrand é um homem que parece que saiu de dentro daquela revolução que clamou por Liberdade, Igualdade & Fraternidade, para (querer) dizer exatamente o oposto: “os artistas [que devem juntar-se aos philosophes e intellectuelles] sempre se lembrarão que nós, pelo menos, tivemos coragem de quebrar a abordagem laissez-faire e proteger seus direitos de pessoas que querem tornar a internet numa utopia libertária”.

Os artistas “sempre se lembrarão [de nós]”, eu não tenho dúvida, por este ato de bravura sem igual, por levantarem-se contra o laissez-faire que desafia as beneces que o estado pode trazer para aquela elite que este tem próxima de si.

Sarkozy e Miterrand, por sua coragem, serão sempre lembrados, por terem-se levantado contra o abuso de famílias negligentes, que não entenderam seu papel na sociedade civil. Consumir. Mas por isso também serão culpadas.

Por fim, a França foi prodigiosa em frustrar a maior de todas as “utopias libertárias”. Eu acreditaria nesse sr. Miterrand. Ele sabe do que fala. Ou, talvez, de fato, nunca tenha tido verdadeiro interesse por ela.

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3. Desde que a internet apareceu, descobriu-se que um produto que não venderia mais que um valor X, poderia vender um valor X vezes n, desde que o número “n”, de pessoas que baixam música e filmes, etc., pela internet, pagassem pelas suas aquisições. Assim, um determinado artista que valia X passa a valer X vezes n, em tempos de internet. Não fosse pela internet, ele valeria X, e não poderia reclamar de “n”.

Tenho algumas músicas que baixei, certa vez, que conheci no boom dos softwares de downloads, e que jamais teria me passado pela cabeça pagar por elas SE assim elas me tivesse sido apresentadas. Meus artistas favoritos me tem como um permanente potencial comprador do que quer que vendam ou produzam, pela sua arte e trabalho. Os demais, talvez algum dia.

Amy Winehouse e Norah Jones podem-me pedir dinheiro a qualquer momento que queiram, dou até um lugar aqui em casa, se insistirem pouco. Quanto aos demais, como já me declarei culpado por algumas transgressões, do trabalho que porventura tenham realizado, que seja bom, lamento informar que talvez eu não possoa sabê-lo mais; mas, é provável, que esse tipo de coisa me faça desistir de gostar da sua arte, qualquer que seja a sua qualidade, em nome daquelas famílias marginais que perturbaram os “artistas” do sr. Miterrand.

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Para não dizer que tudo é o pior (mas com um pé atrás...), vai dar para falar de política nas eleições, imagina só!

Acordo no Senado derruba restrições à internet nas eleições

Luciana Lima

Repórter da Agência Brasil

15 de Setembro de 2009

Brasília - O Senado derrubou hoje (15) as restrições ao conteúdo veiculado na internet durante o período de campanha. Um novo texto proposto pelo relator da reforma eleitoral, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) contribuiu para que houvesse o acordo. O novo texto prevê que “é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato, durante a campanha eleitoral por meio da rede mundial de computadores (internet)”.” Continua....

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