junho 13, 2009

Escolas Sem Doutrinação!

Mensagem de apoio à Representação pelos cartazes "antidoutrinação" nas escolas e contra a doutrinação nas salas de aula (da organização Escola Sem Partido)

Ao Conselho Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo

Presidente

FERNANDO GRELLA VIEIRA - Procurador-Geral

ANTONIO DE PADUA BERTONE PEREIRA- Corregedor-Geral

Procuradores de Justiça/Conselheiros

ANA MARGARIDA MACHADO JUNQUEIRA BENEDUCE

ELOISA DE SOUSA ARRUDA

JOÃO FRANCISCO MOREIRA VIEGAS

LUÍS DANIEL PEREIRA CINTRA - Conselheiro Secretário

MARISA ROCHA TEIXEIRA DISSINGER

NELSON GONZAGA DE OLIVEIRA

PAULO DO AMARAL SOUZA

PEDRO FRANCO DE CAMPOS

TIAGO CINTRA ZARIF

Minha mensagem é de apoio aos avisos, às advertências, que são os meios pelos quais a doutrinação perde a sua força, uma vez que, por definição, doutrinação é algo que ocorre sorrateiramente, disfarçadamente, sem dizer para o que vem --- e o pior! --- sobre quem não pode defender-se sozinho. É necessário que o assunto chegue a alunos e professores, é necessário que ele se torne uma preocupação comum nas escolas, para que o que parece inimaginável possa ser combatido, que se torne uma precaução, que se não for de nenhuma forma imaginável, eis do que se precisa para ficar inevitavelmente à mercê de um mal tantas vezes denunciado e sempre de novo testemunhado.

Minha formação tem dois momentos em que posso testemunhar ter sofrido doutrinação rasteira de professores que, se não estavam mal intencionados, haviam, por sua própria condição precária, sido antes doutrinados eles próprios. Minhas aulas de "estudos religiosos", no primeiro grau, eram franca panfletagem socialista e apologia ao MST, e já na universidade, minhas aulas de "Deontologia (I)" foram preenchidas com a mais descarada propaganda socialista. Nada disso eu percebi naquela época, mas muito tempo depois, quando para minha surpresa reconheci ter sido doutrinado. Só eu sei o quanto estas coisas e esse ambiente me custaram, calculo que uns 12 anos de estudo honesto.

Se ainda assim parece pouco, pelo meu próprio exemplo --- do qual tantos outros devem se juntar ---, é o efeito conjunto desse ambiente ao qual não se combate que dá a forma nefanda da educação brasileira atual, que corta não apenas o galho onde está sentado, mas a árvore inteira. O declínio intelectual de nossa nação é um fato evidente mesmo quando se dedica pouca atenção ao tema.

O dano à formação dos estudantes no Brasil vem se repetindo por décadas, e não há incompetência que possa ser justificada por tanto tempo se não houvesse algum freio sistemático ao desenvolvimento dos indivíduos que por si mesmo dão conta, em qualquer lugar do mundo, com algum tempo, de resolver os problemas mesmo os mais graves. Mas quando um estado de torpor da inteligência se mantém por tanto tempo, é necessário buscar retirar-lhe os freios, antes a clamar por uma qualidade que apenas reforça os métodos sem tocar-lhes nos princípios.

Em um vídeo produzido pela RBS TV, do Rio Grande do Sul, série "O X da Educação", é apresentado um suposto "novo método" de ensino que "faz o aluno pensar por ele mesmo”. É preciso pouco discernimento e pouca atenção para perceber do que se trata. Pois já há mais de 15 anos esse modelo de ensino de história existia na escola pública onde fui educado, e hoje ele voltou uma vez mais a ser apresentado, com bizarra amnésia, como o fetiche dedicado à repetição nauseante em palavras como "evolução" e "progresso", emoldurando a idéia absurda de que a história é feita do exercício simplório de dar opiniões politicamente corretas, sem nunca ver-se julgado por esta mesma história na busca pela sua objetividade.

Senhores do Conselho, quando vejo crianças --- pobre menina Natália, de olhos que eu não posso ver sem me revoltar ---, como as do vídeo que a RBS TV exibiu, expostas a este tipo de destruição intelectual, pois não posso deixar de comparar a negligência de uns e a perversão de outros, sob os quais estas crianças estão cuidadas, ao mais pérfido abuso físico, com a diferença que esse achaque se dá em um número multiplicado de jovens e crianças ao mesmo tempo.

Não é desculpável aqui incompreensão, falta de informação ou recurso a explicações "normalizantes", errar sobre esse assunto é condenar crianças quando menos a anos de formação perdidos, como eu próprio o experimentei, amargamente.

Os membros do Conselho têm que estar conscientes de que não há nenhum ensino real quando as crianças inventam explicações por elas mesmas. O resultado é fácil de perceber, é o ridículo e, para a humilhação dos que tomarem consciência disso mais tarde, a vergonha persistente e o achatamento da vida.

Doutrinação é censura prévia à inteligência --- advertir de riscos reais é apenas um modo para precaver-nos dando face a algo que é real, porém do qual só se pode defender quem imagina que seja possível estar sendo vítima.

Não se trata de "censura prévia", caros membros do Conselho, mas de advertência contra a doutrinação, cuja força reside justamente em ser silenciosa e sorrateira, em não dizer ao que vem, mas induzir sem ser percebida.

Muito poucas vezes há quem hoje se encontre capaz de ouvir um apelo por socorro. Se já se disse, com ecos por todos os cantos, que basta para o mal proliferar que os bons se calem, é igualmente essencial que haja quem os ouça. Esse papel parece ser, hoje, o do Ministério Público e desse Conselho.

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