outubro 16, 2008

Idolatria danada

"Movimentos paramilicianos do lulo-sindicalismo se manifestam Sem motivo"

(Notícia fictícia)

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Passeata dos Sem Vergonha

Marcha dos Sem e BM se enfrentaram na capital (16/10/08), diz a chamada de Zero Hora. O movimento começou ordeiro, porém escudos e lanças foram encontrados entre os manifestantes, que se afoitaram a provocar tumulto para obter “vítimas” que pudessem ser mostradas.

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1ª questão – Se quando alguém promove uma festa, fica responsável pela segurança dos participantes, por que quando alguém se machuca nesses movimentos “sociais” não há a responsabilização dos coordenadores, além, é claro, da acusação sempre de novo repetida à náusea de excessos cometidos pela BM?

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questão Por que a OAB, o Ouvidoria, Corregedoria e Direitos Humanos se arvoram em ver se houve algum abuso da BM, e jamais se preocupam em responsabilizar os promotores dos movimentos paramilicianos do lulo-sindicalismo? Por que o vândalo e o criminoso são merecedores de atenção destes órgãos, por que essa babujosa idolatria?

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questão Por que dar respaldo ao pilantríssimo slogan da “criminalização dos movimentos sociais”, se eles incitam a transgressão legal como meio de manifestação, já tendo matado um policial torpemente, com uma foice, nessa mesma praça? E, ao mesmo tempo, enquanto aos poucos vão tentando mitificar o assassinato do policial degolado, glamourizando a revolta dos anencéfalos.

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questão Por que o representante da Via campesina, algum tempo atrás, acusou a brigada de agir politicamente, ao deter a confusão, impedindo o acesso dos paramilicianos ao Palácio Piratini, se é justamente o que faziam eles próprios?

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questão – Qual é o verdadeiro sentido da palavra “vitimização” senão produzir vítimas sem motivo para sair nos jornais como aprendiz de revolucionário?

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O slogan "Reforma agrária Já" deve querer dizer que finalmente se irá tentar produzir alguma coisa nos 77 milhões de hectares que essa gente tem? Ou que nas áreas desmatadas pelo Incra/MST se irá produzir também, além de explorar a madeira, alguma coisa?

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Qual é o real interesse destes movimentos? Eles querem a saída do capital estrangeiro? Bem, com a crise do crédito, ele saiu em parte. Querem protestar contra a alta dos preços? Mas não é justamente este um dos números que aparecem, a despeito da percepção da dona de casa, como realidade mais recente?

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O que significam estes protestos desarrazoados? Mas mais importante que tudo: como é que pode OAB, o Ouvidoria, Corregedoria e Direitos Humanos levarem a sério manifestações que de populares tem muito pouco ou mesmo nada, nenhum sentido, senão o do próprio “movimento” vazio?

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Passeata dos Com Deus

A última manifestação popular verdadeira que vi foi o pacífico Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que reuniu 2 milhões de pessoas, e, pasmem, não ocorreu nenhum incidente dos manifestantes com a BM. Certamente os métodos não devem ser os mesmos.

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Estes acreditam em Deus, que é uma fé nobre, já é (até) um clássico; aqueles, no entanto, acreditam em quê? Na expulsão do capital estrangeiro? Nos Superiores Desconhecidos que aumentaram os preços dos alimentos e são donos de supermercados ao redor do mundo?

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Eles também acreditam em algo: tem fé no espírito da contrafação.

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"Eu não estou vendo isso"

Lasier Martins diz no Jornal do Almoço desta sexta (17/10/08), "Se houve viés político, não dá para saber" [não textual]. Ora! Como não dá?

1. Lula assina lei que regulariza as centrais sindicais, sem controle do Tribunal de Contas - e bebem champanhe para comemorar.

2. Jabor chamou o pacto governo/sindicatos de "lulo-sindicalismo", chamando atenção para o que, imagino, deva-se acreditar que não haveria contraparte?

3. Os movimentos "sociais" reivindicam qualquer coisa, e nem precisaria ser durante o período eleitoral, mas já é, e especialmente onde sabem que vão perder, usam todo tipo de golpe baixo; em São Paulo, talvez tenha ocorrido o pior, o que caracteriza ação premeditada e sincronizada e estratégia homogênea.

4. Depois acionam suas centrais para atacar a BM, e vê-la reagir, obviamente para produzir vítimas (a tal da "vitimização") e sair-se com a propaganda que foi publicada na Zero Hora de hoje (17/10).

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6ª questão - Como podem os jornalistas não fazer as ligações mais óbvias? - Certamente por receio de terem que excluir da discussão políticas aqueles que não se valem dos meios democráticos de reivindicação honesta. Como se pode não ver nisso ação política? Como se pode crer que não haja articulação desonesta nestas manifestações?

Porque, em parte, o que parece, é que tomar essa decisão seria “tomar partido”, o que é automaticamente usado como acusação, a qual, por baixa que seja, já está assimilada como ato reflexo no jornalista. O espírito da contrafação cria essa relativização de tudo, e se coloca, nominalmente, sob a Democracia como imediata tolerância, cinicamente, para com a mentira, a violência, o grito, a massa, os acordos espúrios, à ação covarde, tudo diante da fragilidade de caráter da sociedade hipnotizada pela pecha do “processo democrático” que não há mais quem saiba o que é, quando já se inverte ele e se o põe de ponta-cabeça.

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