janeiro 12, 2008

No reino do “Mais aquém”

No verbete “Idiota” do Dicionário do Diabo, o escritor norte-americano Ambrose Bierce (des)qualifica, in abstractu, a potestade inferior que o termo significa, pairando, pela inépcia, acima de todos.

Se num primeiro momento parece que tem lá algo de verdade, logo se é levado a acreditar que não passa mesmo de um chiste.

Quando a coisa toda, no entanto, reaparece com o valor da experiência, é, então, já testemunha de alguma coisa que pode ser real, mas, como as instituições, não ter uma personalidade bem distinta. Como que paira, pela leveza, e está em todo lugar.

Na frase de Rui Barbosa, que diz a mesma coisa, isso ganha evidência; e já não é nem só espirituosa, mas descritiva:


"Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

Rui Barbosa.

IDIOTA, s. Membro de uma vasta e poderosa tribo cuja influência nos assuntos humanos tem sido sempre dominante e controladora. A atividade do idiota não se limita a nenhum campo especial de pensamento ou ação, mas impregna e controla o todo. Sempre tem a última palavra; sua decisão é inapelável. Estabelece modas de opinião e gosto, dita as regras da linguagem e circunscreve os imites da conduta”.

Ambrose Bierce.


No mesmo sentido disse Nelson Rodrigues, "A estupidez é [como] a Pedra da Gávea... Eterna, enorme e imutável”, e dá para acrescentar, no espírito dos demais citados: onipresente.


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