setembro 27, 2007

Sob a luz, medonhas criaturas

Agência Estado via Yahoo! Brasil

Certa psicologia é magia negra, certa literatura, auto-ajuda; cerca experiência, hábito; certo hábito, senilidade. Impressionam as metamorfoses de Renan, de certo Senado. Depois de se tornar uma barata, no início das denúncias, e de ter justificado a realidade com a falsificação das vacas, passa por uma nova metamorfose, encarnando por traz do sorriso monalísico, o espírito do imperador romano Caligula. Renan K., o do processo, não é morto, mas mata a verdade com um frio sorriso monalísico. É Renan K. Lígula, o Obsceno. Um tiranete num sultanato.
Condenado pelo processo, ele safa-se das acusações com a fantasia da loucura e mata a verdade. Como ele mesmo disse, “A verdade prevalecerá”. Afinal de contas, nada é mais evidente, numa cena de crime, que o grotesco cadáver estirado no chão frio – a isto, acrescente-se: “sendo violentado por um necrófilo de palitó e sorriso monalisico”.
O MP está movendo no Supremo peça criminal contra o senador, mas quem disse que é certo que o Supremo se encontra fora da fama que adquitiu nos últimos 20 anos? Não leram Edgar Poe! Como está na Carta furtada, “ampliam ou exageram seus velhos métodos de ação, sem mexer-lhes nos princípios”. Está tudo muito evidente, porém, justamente por isto, parece que é grande a chance de não encontrarem nada.
No Senado, o que esperar senão velhos senis? Solipsismo intrujão oculto na senectude – a velhacaria senil tomou a praça.
O Senado não caiu, elegeu um ditador, acólito daquele sultão que ele imita o sorriso.
O “dia do apagão moral”, como se disse, é o dia em que as portas da festa ficaram por acidente abertas – como aquela que o caseiro abriu. Há também quem dissesse que a reunião deveria ser feita numa prisão de segurança máxima, que era, de fato, lugar mais adequado para os vermelhos, o acolitato peemedebista e o Cesar Renan. A piada não é original: tranque-se as portas do Senado!
Renan manda no Senado, mas teme ser assassinado. Não há, no entanto, oposição real, apenas conspiração. Longe pela alienação, morando no último cômodo escuro da casa medonha do esquecimento, o sultão diz que não sabe de nada, mas vive proferindo pérolas definitivas como mantras, que lhe ajudam a respirar na escuridão. Num rompante, o louco sultão fala sozinho, na sala negra, proferindo centúrias sobre os fundamentos democráticos que ele descobriu, depois que lhe contaram, que chegou aonde está porque “maioria” é igual a “democracia”.
De uma ingenuidade toda tola, expostos à luz, alguns ventríloquos pregam a palavra do sultão louco. Almeida Lima – que deveria chamar-se “Apara-Arestas” – é aquele cara que participou da Comissão de Ética desde o começo com o intuito de absolver o senador Renan – o “Sr. K.” do Processo... (E conseguiu!) –, mas ninguém notou, como não notaram aquele outro velhaco, cujo nome é uma profecia quando sai da boa de um petista: Cafeteira, “o Epitáfio” – a pronúncia é dos petistas, bem como o critério ético também é dos petistas, o qual foi usado para julgar o “companheiro” Renan.
Depois do 3º Congresso Vermelho – a que se seguiu a defesa incondicional de Renan e a compra dos 300 picaretas na Câmara com emendas e nomeações – ficou claro quais são as linhas básicas da ética socialista.
O Palothi apareceu, sorrateiro, sem despertar a lembrança de ter usado a máquina do Estado para intimidar o caseiro da casa da Mãe Joana, onde reuniam-se todos os que não são Celsos Daniéis. O cadáver, novamente, em sincronia íntima, no tempo, vem à tona desse mergulho infernal, dá “corpo” ao crime, é evidência sob a luz natural verdadeira, ante o horroroso jogo de espelhos que multiplica os doppelgänger do vaidoso sultão.
Como a luz exposta a um buraco negro, a realidade é tragada e se distorce em torno de Renan e Lula, toma outras cores e outras formas. 

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