agosto 27, 2007

A mão que balança o berço

Segundo Lena Lavinas, doutora em economia e professora associada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio [1],

[q]uem julga o recurso ao aborto como uma escolha irresponsável de contracepção insiste em ignorar que toda contracepção – à exceção da esterilização – é falível. Uma escolha que também nós, brasileiras, queremos ter”.

Insisto, que o aborto não tem nenhuma capacidade de evitar a concepção, portanto, não pode ser um método contraceptivo.

Deixa-me ver se entendi: o aborto é “responsável” (tem o efeito) de evitar nascimentos indesejáveis? Logo; o aborto não pode ser uma escolha “irresponsável” porque ele é “responsável” por evitar a gravidez indesejada.

Vamos tentar de novo que parece que está faltando algo. Diz-se que o aborto é uma “escolha irresponsável” por quê?

O aborto seria “irresponsável” porque se nega a responsabilidade de uma escolha ética, isto é, segundos alguns valores; por exemplo, direito à vida (assim, geral mesmo). Mas logo se vê que este viés do assunto não está presente. A justificação está toda na conseqüência (o valor ético considerado), cujo efeito é evitar que nasça.

Doutrina: Utilitarismo.

A Dra. Lena apresenta dados estatísticos que apoiam uma avaliação positiva do aborto como política de Estado, sem permitir-se qualquer consideração ao argumento dos opositores da escolha.

Sendo assim, trata-se apenas de opinião da Dra. Lena. Mas se é opinião, o utilitarismo que a orienta – depois defendido pela apresentação de uma estatística pró-aborto como política de saúde e planejamento familiar – quer parecer mais que opinião. Se assim fosse, no entanto, deveria algumas considerações à polêmica, já que está intimando aqueles que insistem em ignorar os valores práticos para se evitar nascimentos indesejáveis.

Aqueles que “ignoram” o argumento prático estão, justamente, não ignorando os efeitos práticos, mas dizendo que eles não valem para o mérito da questão. Julgam que a vida não pode ser considerada à mercê do que queremos apenas.

*

Por fim, o (que se diz no) início:

Toda contracepção é falível. É o que justifica assegurar o direito ao aborto a todas as mulheres que optarem por se valer desse último recurso. Paradoxos existem cuja compreensão nem sempre leva à sua superação...” [sic.]

Quer dizer, deve-se assegurar o direito ao aborto à mulher, porque – lembrando a Gisele B. – de vez em quando “escapa”... do controle.

Já na confusão entre aborto e contracepção é possível ver a evidência de com que acuidade a Dra. Lena tem noção da vida humana, cuja sensibilidade vai do prazer à dor do parto, que antes disso ou é tudo muito pequinininho (como diz a Gisele), que, como outras loucuras por aí, cuja sintomatologia alegada manifesta que nada vê, nada ouve e nada é capaz de dizer, concluem, por efeito, que também não há nada ali.

Independente do mérito da questão, portanto, dá para concluir, sem medo de errar, pelo menos uma coisa... Nunca se vai evitar totalmente o risco, temível, de que uma mulher que pensa assim acabe, fatalmente, por educar o seu próprio filho – que, se resultado de “procriação não planejada” ou não, já não será isto que decidirá a sorte da criança.

Notas:

1. “Aborto: último recurso”. Lena Lavinas é doutora em economia e professora associada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Artigo publicado na “Folha de SP” (24/08/07) e reproduzido pelo Jornal da Ciência (24/08/07).

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