julho 29, 2007

Testemunhas proféticas

(Desta vetusta edição, quase já uma múmia:)

“Um professor alemão, o primeiro a iniciar-me nos estudos da Filosofia, conhecedor do nosso povo, costumava manifestar-me a sua admiração pela inteligência de nossa gente. Para ele, que percorrera tantos países, que ministrara lições em tantas universidades e escolas do Ocidente e do Oriente, era o brasileiro o aluno mais vivo, mais inteligente, mais sagaz no raciocínio, e de mais profundas intuições que conhecera. No entanto, punha uma restrição. Julgava-nos demasiadamente inquietos e desequilibrados quanto ao conhecimento. Afirmava-me ter encontrado grandes valores, homens de capacidade extraordinária, mas, em muitos aspectos, falhos de certos conhecimentos elementares, que eram como abismos por entre cumes de montanhas. Atribuía esse desequilíbrio à natural pressa dos povos americanos e à falta de disciplina mais rígida no trabalho. Nessa época, considerava eu as suas palavras um tanto exageradas. Mas, com o decorrer do tempo, e através de aulas e inúmeras conferências, palestras e debates que empreendi, verifiquei assistir ao meu velho e venerando mestre uma grande soma de verdade”.



– Mário Ferreira dos Santos, em “Prefácio” de Filosofia e Cosmovisão (1952) [4ª edição de 1958].

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Ver também o depoimento contemporâneo de Richard Feynman sobre o aluno no Brasil, do post “O malvado Mr. Feynman”.

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