julho 16, 2007

Paralelismos da eloqüência

Certamente, toda causa produz um efeito. Mas , em moral, é igualmente bem certo que uma repetição de efeitos tende, por sua vez, a tornar-se causa. Aí é que reside o princípio do que chamamos vagamente hábito”.
- Edgar Alan Poe
A estratégia silenciosa, o cozimento em banho-maria, que é inquietante. O nazismo disse Ein Volk, ein Reich, ein Führer (um Povo, um Império, um Líder). Simples e fácil de decorar. O Diário Granma de Cuba estampou na comemoração do 50º aniversário da Revolução Cubana, "Cuba muestra la unidad indisolubre entre Pueblo, Partido y las Fuerzas Armadas Revolucionarias" – POVO, PARTIDO e FORÇAS ARMADAS, justapostas, e como um só.
A identificação do Nacional Socialismo (“NaZi”) a uma integração popular (Volksgemeinschaft) em torno do IIIº Reich, transfiguração em uma Nação-Estado, anula o indivíduo e comemora propriedades que surgem somente numa “ordem” maior, no caso, no Reich.
Sintomas das febres fascistas e dos seus fürer intrujões – ou que, pelo menos, seguem a lógica da eloqüência e do chavão – têm semelhança com aquela transfiguração esquizóide de Vacas em Cadeiras, que permanece sempre em processo, sempre em renovação, e dá até para achar que se vê estas coisas por aí, que é coisa tão obviamente impossível de existir hoje, segundo se crê, quase tão irreal quanto é imediato recorrer à paz para indicar o caminho de uma solução para os dramas do mundo.
SINTOMAS (observações de Campo):

  • Apoio popular inconsciente – que aumenta na proporção direta em que se tem detratada a imagem do populista.

  • Festa para aplacar o que não parece lá muito bem.

  • Otimismo “racial” - ou, “de classe”, que é quase a mesma coisa.

  • Propaganda ostensiva – já sendo aceita mesmo como argumento.

  • Mitomaia – mentira sistemática (relatividade como estratégia retórica).

  • Populismo.

  • Baixo nível de instrução, baixo nível de consciência moral, manutenção destes baixos níveis.

  • Respeito cego à mecânica “do social” (nacionalismo, populismo, etc., inversão entre causa e efeito).

  • Superfluidade da lei, a lei a favor do Estado, de um controle central – isto é, a legitimação do hábito como fiel do valor social com o aval do Estado (juros, aceitação da imputação de racismo, valores obscuros encontrados nas minorias, etc.).

  • Subserviência das instituições como o judiciário, que se prostitui ao Estado – e nesse sentido, as instituições se dizem autônomas, mas sempre legitimam o Estado nas suas intenções, não fiscalizam, não punem, e tudo isto por artifício de que são autônomas, mas, ora, se são autônomas, como se a autonomia fosse o mesmo que isolamento, e não poder influir nas decisões dos demais poderes que se dizem independentes, quando avançam licenciosos.

  • Aumento das restrições para com as liberdades individuais.

  • Corrupção endêmica e epidêmica.

  • Negação maníaca em relação ao que acontece no seu Staff.

  • Indiferença em relação ao próprio povo – ou consentida ou justificada.

  • Princípios obscuros influentes por trás das práticas políticas oficiais.

  • Insensibilidade com relação a crimes contra a vida – relativização do crime, sendo o único e verdadeiro crime cometido contra o Estado (v.g., signo do Estado-Povo, o Fürer cego orwelliano).

  • Auto-identificação com um ideal de humanidade superior – de algum modo superior, propaganda sobre isto.

  • Viés místico, como parece que Hitler cria, como quando se contam histórias da busca de Agartha, o mundo subterrâneo, de aberturas nos pólos, e o quiprocó. Por hoje, são quejandos feitos a “paz” e a “esperança”.

  • Contradições visíveis – que não sei se são novas –, como inversões lógicas, como as que apregoam um país feito de gente miscigenada que celebra esta diversidade ao mesmo tempo em que quer encontrar o seu melhor nas minorias raciais e em leis seletivas discriminatórias dos demais (a maioria).

  • Quando as críticas são públicas, eles as perdoam em nós – quando são privadas, ficam por trás do sorriso, do otimismo, e do – indefectível – continuar sempre e sempre discursando.
Este tipo de sistema populista já foi comparado a um “povo” de dez mil longos tentáculos, nunca antes tão longos, cabeça de Mussoline de outro temperamento, viscoso e infecto. Assusta não pela jactância arrogante, pela ameaça iminente, mas pela silhueta monstruosa, gigantesca; não pela força dos golpes, mas pelo longo abraço e pouca e contínua força que esmaga sem mesmo se dê conta de que se está a ponto de perder a consciência.

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