junho 01, 2007

Desolação por aqui e além


Pontos de fuga em fila indiana... no horizonte.
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Com o sol ao alto, na extrema direita, tênue em comparação com o sol terrestre, tem-se uma difusa luz impessoal, despersonalizada, uma luz estranhamente amoral, envolvido por núvens tênues e uma atmosfera ocre; a percepção difícil das linhas de fuga alterna a imensidão com o consolo de algumas dunas familiares na paisagem de Marte.
Como único firmamente extraterreno conhecido, esta imagem, se olhada com atenção, pode causar a mesma impressão da descrição feita por H. P. Lovecraft, do homem errante na superfície de um planeta morto, que, mergulhado em noite perpétua – a noite de uma civilização fóssil –, faz aparecer um poderoso “sentimento de alienação cósmica, mistério sufocante e expectativa angustiosa que não tem paralelo...”. (Comentário feito para O país da noite (1912), de Hodgson, em O horror sobrenatural na literatura, 1945).
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Gliese 581c...
Tão artificial quanto o nome, o nascer do sol na superfície do primeiro planeta extrasolar dscoberto recentemente orbitando em uma “zona habitável” pode, como na imagem, trazer à luz vermelha água em estado líquido.
A imagem é arte, mas o que sugere é ambíguo, maravilhoso e temível. O medonho horizonte marciano é, no entanto, até pela vivacidade, de uma solidão mais perturbadora que paisagens virtuais podem chegar a produzir.
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Sua órbita está mais próxima de um sol que Mercúrio; tem cinco vezes a massa da Terra, e pode, até, abrigar oceanos e vida neles.
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Em busca de outros mundos, surgem-nos problemas: às vezes os achamos!

Um comentário:

Anny disse...

o horizonte de lá é mais bonito que o nosso *-)

ah... seria bastante interessante que achassem outros planetas, e barrassem os tipos de sub-humanos de entrar lá...

e, de fato, às vezes conseguem o que querem...o que nem sempre é bom