junho 18, 2007

Behaviorismo mágico-metafísico

Sabe aquela máxima do buzz lightyear, “Para o infinito e além”? Pois é; somente algo assim pode explicar uma Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo (“SEALOPRA”), que o governo do Sr. Lula pretende criar para mostrar que sabe que existem coisa para lá da fome.

De início, a salinha que irá ocupar na Acrópole o Sr. Unger vai incorporar o IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o NAE - Núcleo de Assuntos Estratégicos. Pelo primeiro, entendo que se trata de pesquisa na área de economia, com o fim de descobrir qualquer princípio não teórico para usá-lo na prática, o que, em outras palavras, chama-se: tentativa e erro; pelo segundo, “assuntos estratégicos”, entendo que deva reunir as operações que, no conjunto, signifiquem alguma coisa maior que elas mesmas, e ambos, em comum, dariam conta de descobrir o que é exatamente este algo maior, e como ele deve se tornar em ações no presente.

É, em resumo, um núcleo mágico-metafísico, pois que qualquer um que queira entender a realidade, e começa pelo erro econômico, deverá encontrar, no fim de árduo trabalho sem sentido, qualquer aspecto do princípio de caos behaviorista. Não espanta, portanto, se a coordenação destes assuntos que se vai empreender, não dê bem lá uma ação inteira, mas apenas numa incerteza operacional que não é ainda outra coisa que (de novo) o início de todo este esforço do modo mais vão.

Não será necessário muito mais que uma pequena sala ou gabinete, como divisórias pré-moldadas, pois as ações de longo prazo permanecerão pobres teoricamente e as ações que elas ensejam, decidida a qualquer ora por exigência metodológica. Alexandre Garcia perguntou se esta secretaria não teria seu objeto contemplado pela Secretaria do Planejamento. Ora, mas é preciso dizer que não há ação já no mero planejamento, portanto, nada mais acertado que criar uma secretaria de ação ligada ao planejamento. Como defendo, no entanto, que pelo que se disse antes fica evidente, e que a dúvida de Garcia reforça, vê-se que no planejamento não há nenhum esforço de “futurologia” responsável, que teoricamente gere algum fruto, tudo no espírito da maior inaptidão para o futuro. Há-de se ter grande acuidade de visão para ver o óbvio ululante do que se mostra com toda força, como o futuro brasileiro é o presente indisfarçado. Significa dizer que a Secretaria Especial para Ações de Longo Prazo só pode ser a ação constante sobre o presente estado de coisa para a sua manutenção exatamente como está, exagerando o método. Ações de longo prazo é o jeito de falar de um governo que faz das “bolsas” commodity de prestígio no mercado flutuante e especulativo do discernimento moral, que é com o quê este mendecápodo do nosso Molusco-Mor marca a sua real ação sobre a vida do país.

Nação da chicana, da magia negra e do sacrifício ritual (exemplar) dos seus companheiros presos pegos e com disposição de falar, alguns mais, outros menos, e, até por isto, o rito muda entre os extremos José Dirceu e Celso Daniel.

A manutenção do estado de coisas atual é a promessa sempre renovada de um futuro, o que é bem de acordo com o “candidato” na presidência que há, a nos falar sobre o futuro, que é esta entidade mágico-metafísica da propaganda política que se auto-alimenta, substituto da bancarrota moral proferindo agouros otimistas.

Para que as ações de longo prazo possam fazer efeito, vamos ter que dar uma espichadinha no presente, senão elas podem se tornar logo-logo anacrônicas. Mas pelo andar da carruagem, digo, carroça, haverá ainda muito tempo para que a SEALOPRA trabalhe de modo decisivo para uma grande mudança da vida nacional, agindo fortemente na aquisição de uma base mágico-metafísica adequada à estabilidade de consciência aplacada pela repetição de fórmulas de embotamento, para uma realidade mais tranquila e mais feliz para todos.


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