maio 15, 2007

Um par para a parábola d'O que é o que é

(Relativo ao apólogo de Mário Ferreira dos Santos, do post passado, do dia 11)


[S]e os homens pecam por necessidade de sua natureza, são desculpáveis; não explica, entretanto, o que se inferiria de tal feito. É acaso que Deus se verá impedido de zangar-se com eles? Ou é melhor que mereceram a beatitude que consiste no conhecimento e amor de Deus? Se quer dizer o primeiro, concordo plenamente em que Deus não se zanga e em que tudo acontece por seu mandato. Mas nego que, por esta razão, todos os homens deveriam ser felizes. Sem dúvida os homens podem ser desculpáveis e, contudo, carecer de felicidade e ser atormentados de muitos modos. Um cavalo é desculpável por ser cavalo e não homem; entretanto, por necessidade tem que ser cavalo e não homem. Quem [enlouqueça] raivoso pela mordida de um cão é desculpável; porém o certo é que [se morrerá] de asfixia. Do mesmo modo, quem não pode governar suas paixões, nem as conter por respeito à lei, embora acaso seja desculpável por razão de debilidade, é incapaz de gozar a conformidade de espírito e o conhecimento e amor de Deus; e está perdido inevitavelmente”.

Spinoza,

d'A filosofia perene (1944) de Aldous Huxley.

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