abril 11, 2007

Metafísica percussiva

Existe duas formas de pensar em geologia, que, de modo geral, são formas de pensar universais:

1 – pensamento instrumental (mecânico, sistemático); e

2 – o pensamento inteligente (de lógica interna, inventivo, exploratório, complexo) – do Latim inteligere, “leitura interior”.

O instrumento geológico clássico, o martelo, tem servido de paradigma, no século XX, ao moderno pensamento geológico, predominantemente instrumental, ligado a cada área de especialidade das Ciências da Terra. Se chama assim a Geologia, porque assim fica menos desonesto, uma vez que não se busca mais nenhuma unidade para o pensamento geológico além do orgulho acadêmico.

Ao modo mais tacanha, faz-se do “martelar” o raciocínio próprio da geologia. Tematizado por um sem número de filósofos e geólogos híbridos, mal lidos, resume-se o racicínio próprio da geologia a movimentos rítmicos de vaivém, oferecidos ativamente à uma substância endurecida a fim de se fragmentá-la em uma unidade cômoda para a manipuilação de idéias que previamente selecionaram a amostra. Todo tipo de elucubração porvir é dedutível das idéias prévias que coabitam na cabeça deste geólogo.

Não se vá tentar “pensar” um fóssil com um martelo que se concluirá, ao fim e ao cabo de longa reflexão, que não passa de areia e fragmentos de rocha, o que, bem provavelmente, daria a prova definitiva de que o passado da Terra é um amontoado de antulho sem nenhuma realidade. Pensar o passado a marteladas é reduzí-lo, numa curiosa dialética da barbárie percussiva, ao próprio presente como ele é hoje, desde a superfície até os subterrâneos do esquecimento. E por efeito de estudos semelhantes, concluir que toda idéia a respeito de um passado natural não passam de metafísica barata.

Deve pareceer óbvio que a dialética do martelo não é tão simples, e ela, de fato, tem desdobramentos importantes, desde que seja realizada com alguma competência exporatória, como centro de atenção de uma consciência verdadeira. Advirta-se que uma consciência “das pancadas”, uma consciência percussiva, é, ainda assim, um tipo de consciência, porém com aquela socnsequências detestáveis as quais vim discorrendo.

A oposição ao martelo deve ser feita por um substrato apropriado, não por formas delicadas como as de uma concreção calcária. A oposição inadequada ao martelo o faz dirigir-se, com sua rudeza típica, para a mão, ao antebraço, ao braço, e, enfim, entra pelos olhos e dá à cabeça a possibilidade de perceber contradições, e a começar, num movimento percussivo, acompanhado de variações rítmicas outras, a constituir a música do pensamento.

Um martelo ocioso faz pensar.

Detém-se ele de ir ao encontro de opostos, e ele faz pensar.

A resistência ao vaivém do martelo agita o pensamento.

Nessa dialética, a concretude é substituita por uma metafísica do martelo:

Quando para o martelar, se transcende o martelo.

O martelo torna-se a via epistêmica de toda realidade preternatural.

A resistência a que se submete o martelo abre distâncias.

A transcendência reside na rocha, aqui e a gora; é imediata e evidente.


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