março 13, 2007

Método de precipitar almas

Sumário do título “Preconceito e Julgamento” do Corcordar ou Não Concordar d'A arte de ler de Mortimer J. Adler e Charles Van Doren, Agir Editora, Rio de Janeiro, 1974 (pp. 152-154).

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Seguem termos gerais do debate razoável, que visa o entendimento e não convencer um bobo, isto é, a si próprio:

I. Assume-se que existem “requisitos indispensáveis do diálogo inteligente e proveitoso” – existem regras de debate que, por fidelidade à verdade, que é o traço de honradez no debate por parte dos seus contendores, submetem-se a estas regras, que não podem ser quebradas. Quem o faz assume-se um bobo impertinente, um bufão sem razões maiores que lhes dão gestos exagerados e trejeitos maníacos (irracionais).

II. Ao divergir você assume que as coisas podem ser postas em melhores condições que como estão sendo expostas por seu contendor.

Segundo Mortimer Adler, “há três condições que devem ser satisfeitas para que a controvérsia seja bem conduzida”:

Primeira – Reconhecer as emoções que você leva para a disputa, que na ausência de rigor expositivo, sustentar-se-á na “exteriorização de sentimentos irreprimíveis” como guia do caminho (mau guia).

Segunda – Tem que se deixar explícitos os próprios pressupostos que se leva à disputa, o que pede que se reconheça os preconceitos ou prejulgamentos nossos.

Excertos:

1. “Se um autor, por exemplo, lhe pede expressamente que admita determinada hipótese, o fato de que também se possa admitir a hipótese contrária não deve impedir que você atenda à solicitação”.

2. “Se os seus preconceitos se situam do lado oposto, e se você não reconhece que são preconceitos, não pode ouvir imparcialmente os argumentos do autor”.

Terceira – “O propósito de imparcialidade [desejável] é bom antídoto para a cegueira que é quase inevitável no partidarismo” natural da controvérsia. É desejável mais luz e menos calor: “Se você não foi capaz de ler um livro com simpatia, sua discordância com ele é provavelmente mais briguenta que civilizada”.

Resumindo as três condições sob o modo pessoal:


1ª – Em que condição estou ao entrar neste debate;

2ª – De onde parto para as minhas críticas – a crítica ocorre por comparação com o confronto com uma hipótese oposta, e ela deve poder ser compreendida nos termos do seu contendor (pressupostos ou preconceitos, no segundo caso, regride-se à Primeira);

3ª – A imparcialidade desejável é fruto de um desapego esforçado pelo contraditório (não há desapego que não seja esforçado, pensar o contrário é uam forma de ardil inconsciente para não se expor ao argumento do contendor.


III. É preciso crer que o diálogo crítico possa ser bem disciplinado no caminho do entendimento e ou do acordo arrazoado, que essa possibilidade é real e desejável.

IV. Sistemática do “Entendo mas discordodoutrina o que se assume como orientação do debate proveitoso pelos modos de divergir:

  1. Você está desinformado;

  2. Você está mal informado;

  3. Seu raciocínio não é convincente (Você está sendo ilógico);

  4. Sua análise é incompleta.

Excertos:

  1. Confiamos em que o leitor, atendo-se observância desses pontos, terá menor probabilidade de entregar-se a manifestações de emoção e preconceito”.

  2. É fácil condenar quando não temos meios de contestar”, pelo quê sobrevém, como efeito, sentimentos irreprimíveis.

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