março 29, 2007

Fenômeno oximórico avistado no Sul

Eis uma nova categoria de fenômeno astrofísico, ainda mal compreendido. É da classe das aberrações cosmológicas ou, “astrofísica oximórica” – das expressões que empregam termos contraditórios para definir perplexidades cosmológicas que quase não se tem como dar nome a elas. Tão estranho que sequer dá para situá-lo com certeza. Poderíamos chamá-lo de “estrela”, mas como simples referência a algo que está no horizonte do visível, sem que saibamos sequer como é que o vemos. Obviamente não se trata de “ver” com os olhos, mas de forma figurada. O fenômeno ocorreu nesta quinta, dia 15/30/2007, entre as 9:30 e 11:30 e foi televisionado pela SPORT TV. Ao pensar-se que é uma estrela poder-se-ia imaginar algum fenômeno luminoso no horioznte, porém seria o mesmo que atribuir alguma luz a um buraco negro, que de certa forma o tem, mas de outro modo. Como um buraco negro é também uma estrela, chega-se a que nem toda estrela é no céu um fenômeno luminoso. Pois Q.E.F., a “luz negra” dos buracos negros é não deixar luz escapar, é o que a torna visível no vazio cósmico, a ausência abrupta de luz concentrada num único ponto do que é visível. Mesmo aí o não-ser é. Um fenômeno de não poder negar a observação. O que se vê no espectro visível é não ver luz, que é, admita-se, um modo de se mostrar. Delongas à parte...

Se fosse um fenômeno meramente luminoso, teria sido coisa vulgar no céu da nossa modesta expectativa. Mas tenho para mim que seja uma estrela horrorosa, uma estrela sardônica, de algum confim inexplorado por Deus, que se vê, por conjecturas exploratórias, para dentro do breu original de que surgiu o universo. Pois somente aí, onde tudo parece tão diferente, que poderíamos assumir coisa igual a poder-se avistar uma “estrela azul no céu vermelha”. Ora, convenhamos. O mundo teria que ser esquizofrênico para comportar coisas assim ou nós admitirmos, como filósofos fizeram antes, num exercício esdrúxulo, declarando que não somente Deus não existe, como, pior que isso, ou, melhor, além disso, que ELE EXISTE E É DIABÓLICO.

O noticioso d'aldeia, estampou: “Grêmio sem alma”. No creo en brujas, pero que las hay, las hay. Até a fé exige alguma razão de ser. Melhor não radicalizar, melhor deixar tudo como quase-certo e contar uma história. A fábula do vazio esvaziado, não é já, por si mesmo, um novo fenômeno cosmológico? Surge, brilhante em negro, um fenômeno que pudemos observar não vê-lo, e já agora, por absurdo, não temos como dizê-lo inexistente. Uma coisa são as coisas de fato, outra são as constradições lógicas que, com a relação que mantém com a esfera ontológica, não podem ser nunca verdadeiras. Dizer o ser é nada é dizer coisa nenhuma; dizer que A é não-A é não dizer nada; além disso, é usar a definição de A, ao escrevê-lo, para negar-lhe a própria definição no ato em que se o faz ver pela definição. Daí querer dizer com isto que o Ser é vazio ou inexiste é como que dizer que o vazio está esvaziado, e isso não tem outro efeito que o de alguma cósegas no cérebro que se ri. Mas é bem verdade, que esse negócio pode embasbacar os suscetíveis alérgicos até o colapso total das faculdades mentais. Na forma e no conteúdo uma coisa igual é absurda. E por isto deixam-nos, refeltindo em estado de absorto, máxima superfluidade da razão que se perde no caos inominado.

Absurdo, a propósito, vem de “ab-” + “surdo”, que é “desde sempre surdos”, que deixa o afetado sem reação, paralisados. O que ocorreu com o Imortal Tricolor foi um incidente cosmológico, que deve ser observado com a reverência de um fenômeno desconhecido como os buracos negros ou hiperjanelas para outro mundo, de muito má aparência por sinal – como cometas medievais já denunciavam na espectativa das castas ecumênicas e no povo –, mundos paralelos a este, que sugere coisa igual ou incomensuvarelmente mais diversa, e que foge mesmo da capacidade expressiva da língua, que cumpre-nos contemplar como vislumbre curioso e insondavelmente misterioso deste admirável mundinho.


Nenhum comentário: