março 20, 2007

Aqueles-cujo-nome-não-mencionamos

Baita cotidiano narcótico! “Medidas Sócio-Educativas” no Gaúcha Repórter, 15:20 de 05/03/07 e mal se percebe a praga do “social”. Mazela para dizer que menores de idade são levados à prisão e que lá se acabam. E a gente tem que ouvir isto e ficar quieto para não descobrirem coisas como a morte do Rio dos Sinos. Chocar-se é um mecanismo que é direito do cidadão previsto pela quebra de leis não escritas, a constituicional Hipocrisia. Galhofa horrorosa que delcara os direitos fundamentais sem criar meios de realizá-los. O cotidiano deveria ser proibido. Enquandrado como substância entorpecente das mais graves, mais imoral que pedras de Crack.

É mentira pra todo lado, e mentira já assimilada ao repertório retórico e à capacidade perceptiva do cotidiano. O mundo vêmo-lo pelos lugares-comuns do atual estado de embotamento jornalístico. Se limitamos a realidade, é por conforto conveniente. Eis o verdadeiro “sexto sentido” de que tanto se fala sem atribuí-lo à coisa certa, que é uma faculdade coletiva denominada de “Jornalismo”. Quem não gostou do filme “A vila” de Mr. M. Night Shyamalan vai achar tudo ainda mais graves, se bem que o horror d'aqueles-que-não-mencionamos pareça por um instante familiar. Convimos a perceber o mundo mediados pela enfinge midiática. Então, na vila, tudo para lá da margem picotada do jornal é o que-não-se-diz.

O morfético leitor dos jornais quer ter da realidade qualquer coisa menos horrorosa, lançando mão da displicência cotidiana até ela se tornar em um mergulho duradouro no pântano da inconsciência. Esta adquirida e exercitada por uma consciência coletiva, de que se partilha em comum. Não posso deixar de lembra do caos rastejante de H. P. Lovecraft quando penso que a consciência nossa é um sonho palustre. Aqueles-que-não-mencionamos são todos os sonolentos habitantes desta Vila nonsense – daí talvez se explique o sucesso do seriado Lost e de sua trama circular. Afinal de contas, é uma ilha. A única ilha movediça que afunda em si mesma. E ilhas e vilas são coisas muito parecidas. Mas daí eu fico pensando se os gregos fundaram as bases da civilização num arquipélado, com o sentido bem claro da diferença e da unidade, o que uma ilha sozinha pode fazer além de superfluir sempre, percorrendo sempre de novo as mesmas pegadas na areia.


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