fevereiro 09, 2007

Reductus in pulvis

Na ocasião recente da morte de uma estudante de 13 anos e de seu professor de música, 31, em Porto Alegre, em um motel, tendo como circunstância ou enredo supostamente duplo suicídio, aventou-se não ter sido ela a matar-se, mas o seu nefando par. Suscitou-se o exame residográfico logo algum tempo após o enterro da menina, o que gerou obscuras explanações do porquê dele não ter sido feito antes. Tergiversou-se então sob pretexto de que não havia mais como identificar traço de qualquer coisa [1]. Deve surprender que, ainda assim, passado o enterro se tenha chegado à conclusão de que o exame deveria ser feito e o cadáver exumado.

Há alguns meses, num encontro entre o governo do Estado do RS e um representante do governo federal, que veio ouvir as razões do Estado a respeito da dívida com Aquele, os dois representantes sairam falando coisas completamente diferentes da sala de reuiniões, e ninguém fez o menor comentário a respeito desta outra esquisitice. O representante do Estado do RS disse que tudo havia sido demonstrado em detalhe, o que deixou evidente as dificuldades e o rigor da dívida. Por outro lado, o representante brasiliano, de sobrancelhas altas, diz que nada havia sido discutido em profundidade e que nem sequer haviam tocado na dúvida, não podendo ele se manifestar sobre o caso.

Pois isto é que é “registrar os fatos”? A propósito, o Dicionário do Diabo tem no verbete “Repórter” a seguinte definição: “Colunista que tateia o seu caminho até a verdade e a dispersa numa tempestade de palavras”. Em outros tempos isto se chamava nuvem de fumaça – era produzido por persistente sapateio aloprado até que a núvem, ao baixar, deixasse ver apenas distantes silhuetas a afastarem-se da confusão que elas pórprias produziram.


Notas

1. O estranhamento foi manifestado pela Rádio Gaúcha à época.

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