fevereiro 06, 2007

Futurologia táctil

Pesquisadores dizem que Brasil não tem política pública de redução de danos: “A mudança climática já está aqui. Não tem mais o que combater”, diz o pesquisador José Morengo do Inpe. Sendo assim, não há o que fazer senão tentar reduzir o impacto esperado para as próximas décadas, a começar de agora. Se a dinâmica que existe atualmente entre desenvolvimento e meio ambiente tem lá a sua harmonia, ainda que precária, de modo que possam nos passar despercebidos problemas graves como a questão do tratamento de esgoto residencial, a crise climática tende a perturbar esse equilíbrio que como um truque de ilusionismo (de auto-ilusão coletiva) embasbaca a população. Exemplo disso é o abandono de lixo em córregos, rios e arroios, que é carregado e, como que por mágica, “desaparece!”. Até que algum acidente venha trazer a incômoda consciência de que o problema existe, as coisas permanecem invisíveis a uma população embuçada pelo dinheiro e pela propriedade da própria obtusa consciência. Segundo o pesquisador da Fiocruz Ulisses Confalonieri, o panorama de que alguns problemas serão potencializados é o mais correto. Mudanças no clima já vem exercendo pressão sobre a agricultura, alterando padrões climáticos e fazendo culturas típicas de uma faixa climática migrarem a outras mais altas (mais ao sul). Assim, por exemplo, surge o cultivo de seringueiras em São Paulo e se prevê que o café encontre seu ambiente ideal mais ao sul, enquanto a soja desapereceria em terras gaúchas.

A propósito, sobre consciência, ter que perceber o mundo através dos sentidos apenas, como quando a água está a bater na bunda, é coisa de que não se deve tentar se orgulhar. Por isto, melhor nem reclamar depois. O estardalhaço vai chamar atenção apenas para o entolecido ali, de pé, olhando desconfiando de que lhe olham, torpe e vazio.


Nenhum comentário: