janeiro 13, 2007

Profecias especulativas sobre o óbvio

O Brasil antes e depois do cataclismo que inundará a orla onde vivem 70% da população, a qual terá que se evadir saltando os demais buracos, até o centro do país, para Minas Gerais, por exemplo, escapando por um triz das inundação de lama industrial, pular o pantanal, afinal de contas, que não é nenhum buraco mas também está alagado, e finalmente chegar à Cordilheira dos Andes, onde é óbvio que a água não nos alcançará. Os Aparados da Serra também estão no alto, mas por isso mesmo cheios de buracões, e devido a essa que é uma vocação nacional, seria muito arriscado. De qualquer forma, parece melhor lá que aqui embaixo, no Brasil. Outro problema é que lá em cima corre-se o risco de dar de caras – digo – com as caras do Hugo Chaves e dos chapolins colorados revolucionando a América Latina como pedras rolantes morro abaixo – soçobrando no (nem tão) Pacífico. Como os Andes estão cheios de buracões também, o negócio vai ser ficar na encosta, como todo brasileiro sempre soube viver, num mundo paralelo, nem uma coisa, nem outra: um meio termo onde a declividade eterna dê a impressão nem que sobe nem que desce, onde a água não se acumula e o buraco fica desentendido se só aparece em contraste com as alturas da cordilheira. E, sinceramente, se o conceito de “buraco” tiver que ser definido em contraste aos Andes, convenhamos, fica muito mais difícil de perceber que se vive no buraco. Pior é na orla, onde a água, que antes batia na bunda e agora já ultrapassa o último fio de cabelo dá prova mais que evidente que abaixo do nível do mar não pode ser mesmo outra coisa senão “buraco”. O mais estremecedor é que, se notar bem, vê-se que o único ponto que não coincide com o mapa do Brasil é lá no alto, no extremo noroeste, onde deveria estar o contorno de Roraima, mas tem algo mais[1]. A foto ao lado – Credo! mostra que esse algo mais é a silhueta da Venezuela. Ou então nós anexamos eles, ou eles nos anexaram... Mas que diabos de profecia mais agourenta. Maldito buraco!

Notas: 1. As diferenças no contorno entre as figuras, antes e depois do cataclismo, se devem ao fato de que com as mudanças climáticas e a elevação do nível do mar, que é seu efeito mais imediato, o desenho da linha de costa não permaneceria exatamente o mesmo – o óbvio. Ficha técnica: Foto de Porto de Galinhas, do site aqui.

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