janeiro 25, 2007

Ensaios sobre a vertigem: o “Viaduto 13”


Silvícola testa se o ponto de fuga é uma projeção para o infinito metafísico ou se há algo que o interrompa, ao encontro de qualquer coisa mais dura.

O curioso de notar é que a vertigem impede que o hominídeo confie na sua intuição da vertigem e ainda assim sinta a necessidade de testá-la por meios empíricos. Algumas verdades devem ser necessariamente intuídas pela consciência, mesmo quando ela está perturbada pelas distâncias. O risco de um ato impensado pode fazer crer que certas aventuras “radicais” são válidas porque se nos parece, de algum modo, difícil crer nas suas conseqüências ontológicas mais óbvias – que certas passagens estreitas levam, pelo poder dessa metáfora fatal, a coisas que a ela se equivalem.

A propósito, alguém gritou nessa ora, “Há outro túnel além do fim do túnel!”. Depois da moderna engenharia de túneis e estradas, a alegoria da caverna de Platão parece que perdeu um pouco o seu poder filosófico ou força de fundamento de outra vida “fora” desta.

Outra coisa para observar é a curiosa sensação de que aquilo que nos parece mais sólido possa tão de repente compartilhar com a vertigem de uma outra vida uma insuspeitada natureza comum – ou, pelo menos, foi isso o que os incautos descreveram (sem tê-lo dito com todas as palavras) quando o trem passou com eles lá em cima, agarrados em moirões que oscilavam feito o fio de esperança que sobrou porque não tinha para onde correr.



O “ensaio” cético foi realizado no Viaduto 13, no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, na foto, entre os municípios de Doutor Ricardo e Dois Lajeados – direção SW-NE.


3 comentários:

Beto disse...

Seu perturbado...

Vate disse...

1. Não entendi. 2. Não costumo aceitar comentários ofensivos, se bem que não esteja bem certo disto. Todo caso, não me parece que deva recusar esse comentário já que és meu irmão e o "silvícola" que quis testar a vertigem.

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado