dezembro 13, 2006

“Ocorrências ocorreram” na Rádio Gaúcha

É um caso de superfluidade “trava-cabeça” que saiu veiculado no dia 12/12/06, onde a expressão “ocorrências [policiais]... ocorreram” mereceria uma análise. A confusão parece que respeita regras semânticas selvagens do nosso cotidiano (a língua falada). As “ocorrências policiais” ocorreram quer dizer, foram formalmente lavradas, sendo a própria lavra o fato jornalístico. Como não poderia ser de outro modo. No entanto, é subentendido que o fato jornalístico é o número de crimes lavrados como fato criminal – o crime de fato. E por certo que só há fato jornalístico ligado à ocorrência policial, já que o fato criminal é objeto próprio da polícia. O desarranjo de se utilizar o lugar-comum criminalista para designar um fato jornalísitico é que parce, por fim, criminoso. Lembra alhures um certo esforço por “criar a conscientização ambiental(dito por um entrevistado no Jornal Nacional do dia 06/11/06), com o que correríamos o risco de termos, depois de certo tempo, muitos “conscientizadores” e consciência em ninguém. Parece um caso de desleixo com a redação do noticioso, um problema de gramática, em que o pensamento solto atropelou o português (sic.). A ocorrência de crimes ocorreram como registro policial e voltaram a ocorrer quando a notícia foi ao ar (!). Parece uma ponte que faz um loop e volta sobre si mesma para aproveitar um pilar, passando pelo mesmo lugar onde já havia passado, como se isso deixasse a via suspensa mais segura.


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