dezembro 14, 2006

Beco ambiental sem saída

Quando o filósofo define a Filosofia como “a unidade do saber realizada na unidade da consciência e vice-versa” (leia aqui), uma reflexão rápida deve concluir que não pode haver unidade de saber se não há na população as faculdades mínimas exigidas ao saber, alguma aptidão ao conhecimento. Os números do INAF, Índice Nacional de Analfabetismo Funcional, que apontaram 74% de dano às faculdades mínimas de aptidão humana ao convívio de qualquer espécie, em qualquer parte do mundo, mostram agora claramente uma forma de leitura de vários problemas endêmicos, que refletem as dificuldades de visão e de ação que sucumbem ao pensamento pelo hábito, pela repetição “macaquinizada” e pelos lugares-comuns, pela corrupção, que parece ter vínculos claros com a consciência fraca e com a coerência relativista que dá forma a uma ética suscetível a um sem número de mirabolâncias, para albergar todas as meias-verdades. Quando já não se distinguem quiproquós iguais, tem que se mudar a linguagem, mudar de gênero literário. Como pode haver mesmo rudimentos de saber se a faculdade média que permite a inteligibilidade de um texto está danificada, o que tem, pelas necessidade de fazer relações de todo tipo, e por razões teóricas, o reflexo prático no entendimento da prórpia realidade imediata, e do mundo como texto, cujos processos cognitivos se entrelaçam? O repertório das experiências de uma cultura, esquecido. Esse fenômeno caracteriza uma praga nacional amplamente difundida e de alta virulência. Assim, com pode existir “unidade” de saber se a faculdade da intelecção está gravemente danificada na população? E, pela afirmação do filósofo, deve-se concluir que se não há unidade de saber não pode haver unidade de consciência, que não pode daí senão as formas espontâneas de pensamento, os pensamendos mal pensados, a fantasia, a opinião (reconhecida espuriamente um “direito de todos”), o lugar-comum, a velhacaria. Na perspectiva ambientalista, unidade é toda e cada esfera excêntrica a um ponto qualquer tomados como um todo, sem posição definida nesse todo. A consciência é o foco central e a posição excêntrica ao mesmo tempo, deve pensar que pensa, deve pensar o pensar que pensa, um esforço de ampliação de perspectivas de perspectivas, que deve pensar a si mesma no ambiente e concluir que faz parte do meio; é uma faculdade reflexiva, um jogo de espelhos potencialmente infinito. Seu limite é um grau de desenvolvimento. Quanto mais baixo, pior. Se considerarmos que a Consciência e o Meio Ambiente são contíguos (como são contínuos conhecimento e consciência), como se pode falar de consciência ambiental quando a faculdade básica de intelecção está tão gravemente danificada na população?


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