novembro 21, 2006

Rio dos Sinos sofre de isquemia asmática

Rio dos Sinos está recebendo oxigênio puro bombeado por uma equipe da FEPAM. Os técnicos daquele órgão acham (!) que isso pode melhorar as condições da água no local e preservar cardumes que sobem o rio para se reproduzirem (Rádio Gaúcha, 21/11/06). Ainda que não se tenha ouvido mais falar sobre as empresas que despejaram efluentes químicos no rio dos Sinos, bem como dos 20.000 emissários de esgoto residencial da região, já começa a parecer razoável, pela medida tomada nesta terça-feira, poder se concluir (abusando da xenoglossia médica) que o rio sofre de algum tipo de dispnéia isquêmica aguda. Admitindo, por obséquio, a comparação de bacias hidrográficas com o corpo humano – a propósito, antiquíssima comparação da história da geologia –, é mais ou menos como querer intubar o rio dos Sinos por uma artéria para que lhe volte o fôlego. (Por favor, confronte-se este assunto com outro dois, “Doença degenerativa aflige Medicina” e “Medicina doente!”).

Já em Portugal, a polêmica em torno do rio Tinto (leia aqui) acabou com um arrazoado melhor quando se pretendeu “entubar” (por lá, canalizar por cá) o rio poluído. Saiu no Jornal de Notícias de lá (07/06/06): “Na perspectiva de Rui Sá o entubamento do rio não é solução e, apesar do grande desconforto , diz ser 'preferível sofrer com o mau cheiro e exigir medidas'. E o dinheiro gasto para entubar o rio Tinto seria gasto na despoluição [Lucidez!]. A única coisa a entubar seria, portanto, o esgoto, para o conduzir de uma ETAR [Estação de Tratamento...] para a outra”.

(Parem com as piadas!)


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