novembro 22, 2006

Metonímia, Hibridismo e Catacrese

O resultado do exame dos cachorrinhos que seriam supostamente cria de uma gata em Passo Fundo não mostraram evidência de que eles sejam híbridos, noticiou a RBS TV nesta terça. Os cães nasceram mesmo com 78 cromossomos, enquanto gatos têm só 38. Dever-se-ia encontrar um número intermediário de cromossomas para que se confirmasse o hibridismo. Esse é o critério que descarta uma exceção que continua a existir apenas como hipótese genético-paleontológica. Se a gata mostrou, no final deste caso, ter hábitos sexuais ortodoxos, uma pesquisa rápida na Rede mostra que o mesmo não ocorre com a retórica na crítica literária e racial, talvez por hábito de indivíduos que celebraram rituais antropofágicos em nome da miscelânea cultural e do caos de valores de onde se espera que saia o (bom) caráter profetizado do povo brasileiro. A improbabilidade genética do hibridismo tornou-o a expressão dos sem expressão. Termos como hibridismo moral, hibridismo cultural, hibridismo teórico, hibridismo étnico, & caterva, subentendem um pensamento "híbrido", porém, talvez justamente por isto, ainda não mestiço – capaz de complexa e às vezes caótica inteiração (o que lembra que antes se chamou isto de “promiscuidade”) porém não de gerar descendência fértil. Por aqui o caos cultural devora etnias e raças, e já quase sucumbe a própria espécie; o homem, tratado como gado, ao qual não falta o suficiente verde pasto, que cresce virgem na promessa de um futuro cuja riqueza é sua própria promessa.


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