novembro 25, 2006

Mais Brasil!

(Enviado em apoio ao movimento Quero Mais Brasil)

A experiência cívica que se pode ter no país atual é, sim, a de uma metafísica fundada numa tépida realidade futura. Estupefatos, vemos que a experiência do país é a aplicação concreta dessa bizarrice. Os poderes se olham à distância e se entendem na cumplicidade do silêncio, mas se vierem a ter que falar publicamente, tergiversam em leguleios cínicos. Usam a máquina burocrática como um sofista usaria a retórica, formando uma relação de predominante prolixidade com a sociedade e de entraves a ações fundadas na verdade. As pessoas daqui são potencialmente boas, talvez melhores, mas o país está destruindo elas. O enigma brasileiro, repetido muito por Ariano Suassuna, é aquele de Machado: “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos. Mas o país oficial, esse é caricato e burlesco. Esse país fictício tem que acabar – (coisa de louco:) o futuro não é um bem natural renovável, que se renova espontaneamente. É uma cultura. Se o presente é estéril, a crença no país do futuro é uma cultura condenada às pragas e ao pior dos desastres ambientais... Que esse “mais” seja uma nova metafísica brasileira, fundada na ética da verdade.


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