novembro 25, 2006

Lesmas de outros pagos

Estranho artigo, com o título “A volta dos alimentos contaminados” (O Estado de SP, 22/11), no Jornal da Ciência, assinado por Fernando Reinach, professor titular do Instituto de Química da USP e diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, e eleito no ao de 2003 pela Revista Scientific American uma das 50 pessoas mais influentes do mundo, se refere à agricultura orgânica como “primitiva”. Na página da Vitrine dos Orgânicos, o artigo A qualidade dos alimentos orgânicos dá uma perspectiva oposta; oposta mas não contraditória. Ambos coincidem ao dizer que existem poucos estudos sobre toxicidade em produtos alimentícios, mas os critérios podem definir a questão. Armazenamento, processamento, colheita, técnicas de plantio, etc., vão determinar as chances de contaminação por toxinas produzidas por fungos ou por bactérias como a E. Coli. O que estranha, e o texto do artigo corrobora essa perspectiva, é a imputação de “contaminados” aos alimentos orgânicos, reforçado pelo “a volta dos” como se se tivesse convivido com eles durante algum tempo, e não só convivido como tolerado os “orgânicos”, na perspectiva das tecnologias atuais sobrepujarem a natureza dos vegetais, suas qualidades e seu riscos. Por que será então que um tomate gaúcho tem o sabor e a consistência de algo “vivo”, enquanto os tomates seriados parecem “carne sintética”? O Sr. Reinach é grande empreendedor que detém uma empresa de exames de DNA, outra de hospedagem de sites (a terceira maior do país) e três de pesquisa genética, o que faz a curiosidade aumentar, substituindo a surpresa e trazendo com ela a desconfiança.


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